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Revista de Engenharia
Revista de Engenharia N° 147
14 de out. de 1886, quinta-feira ver ano



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00:44 A4GHISTORICO

Em 1590, foram descobertas as jazidas de minereo de ferro do morro Araçoyaba, pelo paulista Affonso de Sardinha, que percor ria os sertões da provincia em procura de minas de ouro.

Sardinha, que era homem dotado de grande energia e genio emprehendedor, ahi estabeleceu logo duas forjas para o tratamen- to directo, fazendo presente dellas ao governador D. Francisco de Souza, quando no anno de 1600 visitava estes logares.

As difficuldades, que certamente surgiram a um modesto industrial em tal época e tão remotas paragens, tiveram como con- sequencia o abandono de taes trabalhos e até o esquecimento de quem os iniciou.

Mais tarde, Luiz Lopes de Carvalho, capitão-mór e ouvidor de Itanhaem, quando em 1681 viajava pelo interior do paiz, apre- como descobridor da jazida e della fez entrega á Camara da villa de Sorocaba e em nome de Sua Alteza Real ordenou, que ninguem d‘ahi extrahisse pedra sob pena de morte.sentou se

A fundação da fabrica data porém de 1810, por ordem do Principe Regente, depois de haver o coronel Candido Xavier de Almeida e o chimico portuguez Manso, segundo as instrucções do conde de Linhares, mandando que se construisse duas fabricas de ferro, uma em S. Paulo e outra em Minas Geraes, procurado o logar mais conveniente para estabelecel-a.

O governo de então com o concurso dos accionistas particu- lares mandou vir da Suecia uma colonia de mineiros e fun- didores.

O contracto foi lá celebrado com o metallurgista G. Hedberg e mais quatorze operarios. Acompanhava-os o barão de Fleming que tambem veio residir na fabrica, não sei em que earacter, e aqui falleceu.

Quando Hedberg e seus companheiros partiram do Rio de Janeiro foi encarregado o capitão Frederico Luiz Guilherme Varnhagen de acompanhal-os na qualidade de interprete e faci- litar-lhes o transporte do pesado material que traziam da Suecia.

Hedberg construiu quatro fórnos, denominados Stückoffen, de 2 metros de altura, produzindo cada um 90 k logrammas em 24 horas.

Para ser demarcada a zona florestal, que deveria fornecer o combustivel, foi preciso desappropriar os agricultores estabele- cidos no morro Araçoyaba, apezar das penas severas a que es- tavam sujeitos.

As lutas e intrigas, que reinavam então no estabelecimento, a ponto de serem Hedberg e seus companheiros ameaçados por exercerem particularmente o culto de sua religião, como elle proprio faz sentir por carta ao conde de Linhares, desgostaram- n‘o e deram logar à sua retirada. Entretanto Principe Regente recommendava que, a bem da colonisação para o Brazil, devia o Governador da Provincia, prodigalisar todos os cuidados aos es- trangeiros.As acções eram do valor de 8008000. O numero dos accionistas era de 29, representando 60 acções.

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Varnhagen que, desde a vinda dos suecos, ficára na fabrica como representante dos accionistas particulares, foi então no- meado Director, no periodo de 1815-1816; e o governo, indem- nisando os accionistas particulares, encarrega-o de estabelecer dous fornos altos e forjas de refino, o que elle cumpre efficazmente auxiliado pelo barão d‘Eschwege.

No dia 1. de Novembro de 1818, faz pela primeira vez correr o ferro liquido, sendo mestre dos fórnos altos o sueco Lourenço Hultgren, um dos companheiros de Hedberg.Infelizmente para a industria que apenas despontava, Var- nhagen que, como representante dos accionistas e mais tarde como Director, tanto tinha concorrido para a prosperidade do estabele- cimento, retirou-se para Portugal, desgostoso pelo extraordinario acontecimento politico de 1822, que teve por glorioso fim a in- dependencia do Brazil.Seguiu-se com a administração o capitão Rufino José Feli- zardo e Costa até 1824, em que por seu fallecimento foi substituido por Antonio Xavier Ferreira que aqui permaneceu até 1834.Desde a sahida de Varnhagen, a fabrica foi sempre em notavel decadencia, pela incompetencia de seus administradores, homens completamente alheios á materia.Em 1884, a Regencia do Imperio nomeou uma commissão composta do coronel João Florencio Perea e major João Bloem, para inspeccionar a fabrica, e findos os trabalhos da commissão foram os mesmos nomeados Director e Ajudante, assumindo im- mediatamente o ajudante major Bloem, a direcção interina em- quanto o Director Perêa ia á Côrte.

Em 1834, Bloem nomeado então Director, foi encarregado da restauração, o que executou com grande successo, até que em 1842 foi preso e dispensado do serviço por se ter envolvido no movimento revolucionario emprehendido na Provincia pelo bri- gadeiro Raphael Tobias.Seguiram-se varias administrações feitas por officiaes distin- tissimos emo fossem o coronel Antonio Manoel de Mello, o barão de Itapicurú-Mirim, o major Dr. Joaquim José de Oliveira, o general Ricardo José Gomes Jardim, o conselheiro Dr. Fran- cisco Antonio Raposo depois barão de Curuarú e o major João Pedro de Lima da Fonseca Gutierres, unico que ainda vive na cidade de Sorocaba, onde res‘de.

Em 1860 foi a fabrica dissolvida por ordem do Governo e remettidos grande parte do pessoal e material para a provincia de de Matto-Grosso onde deveria ser estabelecida uma nova, dirigida pelo engenheiro Rodolpho Wanheldt.Este projecto do Governo não chegou a realizar-se, extra- viando-se todo o material e collecções de mineraes do museu que. O havia na fabrica. Ignora-sa até hoje o destino que tiveram taes objectos.

Finalmente em 1865, quando o Brazil sustentava uma guerra com a Republica do Paraguay, foi encarregado da reorganisação da fabrica o capitão de engenheiros Dr. Joaquim de Souza Mursa, hoje tenente-coronel, seu actual Director.

O ministerio da guerra, debaixo de cujas ordens estava o estabelecimento, marcou a producção diaria de tres toneladas de ferro fundido cinzento e uma tonelada de ferro batido.Data desse periodo a prosperidade de tão importante estabelecimento metallurgico da America do Sul.As campanhas dos fôrnos altos, que desde a fundação da fabrica, nunca poderam durar, por causas diversas, mais de 4 ou 5 mezes, e muitas vezes nem isso, passaram debaixo da vigorosa administração do novo Director a durar 10, 12 e mais mezes.

Para garantir o supprimento regular de carvão aos trabalhos metallurgicos, foi pelo Governo autorizado a demarcar a zona de mattas necessaria, o que executou desapropriando os terrenos de numerosos sitios que havia em torno da fabrica e annexando-os a ella. Animado o Governo pelas novas esperanças de engrandecimento, encarregou o Director em 1873 de ir á Europa comprar algumas machinas de urgente necessidade e tratar pessoal habilitado nos paizes em que se trabalhava com carvão de madeira.

Em 1878, passou a fabrica a pertencer ao ministerio da agricultura, tomando o Governo a resolução de desenvolvel-a augmentando a producção diaria a 20 toneladas de ferro fundido e 10 de ferro batido e aço. Para isso foi ordenada a construcção de dous fôrnos altos, podendo cada um produzir 10 toneladas por dia; uma nova officina de refino e acierias de Bessemer e de cementação. Desses trabalhos acham-se concluidos: um fôrno alto, a officina de refino e o fôrno de cementação.

GEOLOGIA

A jazida de minereo de ferro de Ipanema, acha-se na vertente occidental do morro Araçoyaba, cerca de 300 metros acima das officinas metallurgicas n´uma depressão aonde nasce o pequeno ribeirão do Ferro, conhecido antigamente com o nome de ribeirão das Furnas, tributario do rio Sorocaba.As rochas que predominam nesta parte da provincia de S. Paulo, fórmam em Ipanema dous andares perfeitamente divididos. O andar superior é constituido por um schisto argiloso, inclinado mais ou menos LO. Creio ser esta a rocha conhecida na provincia de Goyaz sob a denominação de tauá. [p. 217]





Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, Sen. Vergueiro
1778-1859
1822

Memória Histórica Sobre a Fundação da Fábrica de Ferro de S. João de Ipanema, 1822. Senador Vergueiro (1778-1859)


João Bloem
1798-1851
1850

Carta topográfica e geognóstica do terreno pertencente e demarcado para o destricto mineiro da fabrica de ferro de S. João do Ypanema acompanhado de uma esquiça geognóstica do morro Arassoiaba e mapa estatísticos das diversas épocas do mesmo estabelecimento, 1850-1851. João Bloem (1799-1851) bdlb.bn.gov.br/acervo/ handle/20.500.12156.3/47654


João Bloem
1798-1851
1901

“História do Brasil” de João Batista Ribeiro de Andrade Fernandes (1860-1934)


Luís Castanho de Almeida
1904-1981
30 de Dezembro de 1964, domingo

“Memória Histórica de Sorocaba: Parte I”


Luís Castanho de Almeida
1904-1981
30 de Março de 2016, domingo

“Sinalização Tupi-Guarani & Luso-Catolicismo”, João Barcellos


Luís Castanho de Almeida
1904-1981
2019

Escritas e leituras contemporâneas Vol. 2: Estudos de literatura

ano 1000
21/10/2024
07/03/2026 08:13:30
  



LUCIA14/10/1886
ANO:82
  


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