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Maçons se encontram na Rua da Penha

mencio (1)

    19 de julho de 1869, segunda-feira
    Atualizado em 15/01/2026 19:09:32



Fontes (2)


JUL.
19
HOJE NA;HISTóRIA
55



Sorocaba/SP
Escravizados
Maçonaria no Brasil
Ubaldino do Amaral Fontoura
26 anos
José Leite Penteado
71 anos
Luiz Matheus Maylasky
31 anos
Ferrovias
Vicente Eufrásio da Silva Abreu
f.1886
Rua da Penha
Estrada de Ferro Sorocabana
Antonio de Mascarenhas Camelo
80 anos


01/01/1953
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Introdução à História Ferroviária do Brasil. Estudo social, político e histórico

Outra empresa paulista - a Sorocabana - não teve o batejo oficial na incorporação, e coube á Maylasky, seu fundador, a tarefa de propagar a nova idéia pelos fazendeiros e sitiantes visinhos, percorrendo a cavalo a zona interessada, e conseguindo subscritores para o capital de 4 mil contos.

Em 1869, quando se falava em levar a efeito a fundação da Companhia Sorocabana, alguns interessados discutiam êsse “desideratum”, no páteo fronteiro á matrís de, Sorocaba, após a saída da missa.

. . . nêsse domingo achavam-se reunidos no adro da matrís, alguns capitalistas sorocabanos, entre os quais notava-se os senhores Antônio Lopes de Oliveira, Roberto Dias Batista, Ferreira Leão, Maylasky, doutores Vicente Eufrásio, Alivério Pilar, Ubaldino Amaral e outros.

Discutiam êles, sôbre as vantagens dessa via férrea! — dificil tarefa, levantamento de capitais, talvez efêmero sonho dos sorocabanos, e, imprevistas dificuldades financeiras? Nenhum se atrevia em dizer a quantia que subscrevia. Maylasky, com a sua calma habitual, meteu os dedos no bôlso de seu colete e dele tirou uma moeda de 40 réis, e exclamou entre os circunstantes;

Aqui está o meu capital subscrito. Para a formação da Companhia Sorocabana, é êste o dinheiro que subscrevo com satisfação, além das propriedades que possúo. Com êstes dois vinténs, havemos de levar avante o nosso ideal!... Avante Sorocabanos! Quem assina mais? Eram estas as palavras de Maylasky quando também no dia seguinte correu a lista, a fim de angariar entre o povo sorocabano o capital necessário.
” (Antônio Gaspar. Do livro do Inicio, fundação, construção e inauguração da E. F. Sorocabana — 1870 — 1875 — pág. 231)

Mesmo na capital do Império a indiferença era geral, e fazia desanimar os mais esforçados campeões [p. 161]


20/11/2018
Jornal Cruzeiro do Sul

Sorocaba precedeu a luta pela libertação dos escravos no País. Jornal Cruzeiro do Sul. Jornal Cruzeiro do Sul

Hoje, quando se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, um capítulo da história da luta pela abolição da escravatura marca a Loja Maçônica Perseverança III de Sorocaba como instituição protagonista do movimento pela libertação dos escravos no Brasil. A fundação da loja e o início da campanha pelo fim da escravatura aconteceu em 1869, 21 anos antes da Lei Áurea, assinada em maio de 1888.

Quem conta esse marco histórico comprovado por meio de documentos, é o escritor José Aleixo Irmão em seu livro “A Perseverança III e Sorocaba 1869/1889” - Volume 1, em edição de 1999 da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA).

Segundo a narrativa de Aleixo Irmão, na noite fria de 19 de julho de 1869, numa casa da rua da Penha, no centro de Sorocaba, 24 maçons da Loja Maçônica Constância realizaram um encontro histórico. Eram homens de projeção política, social e econômica da cidade. A pauta era a fundação de uma nova Loja Maçônica no município. Atas dos registros das sessões, contidas no livro, reconstituem os debates que inseriram a Perseverança III na história da luta pela Abolição da Escravatura no Brasil.

Liberdade e educação

Um dos presentes naquela sessão da casa da rua da Penha, o advogado José Leite Penteado (era o proprietário da residência), abriu o debate: “Todos estão animados do firme propósito de pugnar pela cada vez maior campanha de libertação dos escravos, de vez que faz tema principal da maçonaria brasileira, paralelamente ao da Proclamação da República.

Em seguida, o jornalista e advogado Ubaldino do Amaral Fontoura argumentou: “Sem dúvida que essa ideia, ou melhor, o binômio libertação e educação constitui o mais nobre desideratum sobre o qual assentaremos as bases da nova loja.” E acrescentou: “Bem sei que o movimento que vamos encetar, lado a lado com a loja América, pela libertação das crianças, filhas de escravos, terá repercussão de âmbito nacional e é isso que queremos. Por isso mesmo, em contrapartida, desencadearão sobre nós forças interessadas na manutenção do status quo ofensivo à dignidade humana, enxovalhando a própria nação.

Outro integrante da Constância, o advogado Vicente Eufrásio da Silva Abreu, lembrou que os Estados Unidos, Chile, França, Portugal, Espanha e outros países já tinham libertado os escravos. E Mascarenhas Camelo, outro membro entre os 24 presentes, interveio: “Urge, por conseguinte, que nos coloquemos na vanguarda do movimento, como tropas avançadas prontas a agir.

Nesse instante, o empresário e um dos fundadores da Estrada de Ferro Sorocabana, Matheus Maylasky, se pronunciou: “Também sou favorável a uma tomada de posição para que com o exemplo nos tornemos pioneiros desse nobre ideal.” Em meio a aplausos, indicaram Vicente Eufrásio para presidir os trabalhos e este chamou Ubaldino do Amaral para se sentar ao seu lado como secretário.

Votação e aprovação

Foi então que Leite Penteado oficializou: “Proponho, pois, oficialmente, a criação de outra loja, nos termos por mim já expressos, no início, que tenha por fim, além dos que lhe são próprios, promover a libertação dos escravos, pelos meios legais, bem como a difusão da instrução popular, assuntos dignos da nossa instituição maçônica.

Vicente Eufrásio apresentou a proposta para discussão e votação e ela foi aprovada por unanimidade. Depois, sugeriu o nome Perseverança como evocação do “estado de ânimo que nos empolga e que servirá de encorajamento nos reveses e lutas que viermos a sofrer”. Por fim, Vicente Eufrásio foi aclamado como o venerável (igual a presidente) da nova loja. Ubaldino do Amaral, por indicação de Vicente Eufrásio, ocupou o cargo de orador da nova instituição.

O cenário político da época, marcado pelos ideais republicanos, também contribuiu para a cisão da Constância e consequente fundação da Perseverança III. A análise com esse foco é feita por Aleixo Irmão. Segundo ele, além dos 24 fundadores, muitos outros se agregaram à nova loja: “As grandes personalidades do município e da região fizeram dessa loja a trincheira de idealismo construtivo que, num crescendo, atravessou os anos, firmou-se no conceito dos homens justos e se estratificou na Fundação Ubaldino do Amaral.

Resgate histórico

Integrante da Perseverança III no cargo de orador, o promotor de justiça Antonio Domingues Farto Neto, em sessão solene na última segunda-feira (12), recordou essa página da história. Começou por destacar os princípios da Perseverança III baseados nos valores de igualdade, fraternidade e liberdade. E também deixou claro que a antiga loja, a Constância, tinha membros que eram donos de escravos e esse fato se constituía resistência aos ideais em torno do binômio “libertação e educação” que serviu de base para as ações dos 24 fundadores da Perseverança III. “Esse marco histórico nos inspira até hoje, nós valorizamos muito a educação”, disse Farto Neto.

Em estudo acadêmico sobre o tema, Vanderlei Silva também escreveu que a Perseverança III foi “constituída formalmente com o objetivo de lutar pela abolição da escravatura”. E segundo ele, além dessa finalidade, a nova Loja também tinha o ideal de lutar pela educação dos antigos trabalhadores e da nascente classe operária de Sorocaba.”

O professor Vanderlei Silva, membro da Perseverança III e gerente do Serviço de Obras Sociais (SOS), avalia que dois movimentos impulsionaram os debates em todo o Brasil na época de fundação da Loja Maçônica: a libertação dos escravos e a mudança do sistema de governo da Monarquia para a República.

A resistência da Constância era de que escravos eram um bem, e as pessoas não queriam se desfazer da propriedade”, analisa Vanderlei. “Havia uma divergência de ideias, havia um grupo que queria modernizar o sistema econômico e outro que queria manter a Monarquia agrícola.” Segundo Vanderlei, a Constância -- extinta tempos depois -- tinha entre os seus membros perfis de pessoas mais ligadas à agricultura, à pecuária e à feira de muares, que não tinham interesse em modernizar a sociedade e a economia.

Caixa de Emancipação libertou escravos

A primeira sessão da loja recém-criada ocorreu em 31 de julho de 1869, com Vicente Eufrásio da Silva Abreu na presidência dos trabalhos. Essa reunião marca o início das atividades da Perseverança III. Na sessão seguinte, em 7 de agosto de 1869, Ubaldino do Amaral apresentou a proposta, subscrita por ele e Leite Penteado, de criação de uma Caixa de Emancipação para o recebimento de ofertas que seriam destinadas exclusivamente à libertação de crianças do sexo feminino de 2 a 5 anos de idade.

De acordo com a medida, essa emancipação seria iniciada pelas crianças do sexo feminino e aos poucos se estenderia a todos os escravos. Tanto é que o escritor José Aleixo Irmão também informa nomes de escravos e suas famílias, com os nomes dos seus respectivos proprietários, que foram beneficiados com cartas de alforria originadas da referida caixa de emancipação. As crianças libertadas ficariam sob a proteção da Loja Maçônica.

Seriam proibidos os banquetes ceias e outros eventos desse tipo na instituição para que os recursos para esses gastos fossem convertidos em donativos para a Caixa de Emancipação. A proposta incluiu a criação de escolas com aulas noturnas para adultos e jovens para o ensino das primeiras letras. A matéria foi aprovada por maioria dos presentes, sendo que os subscritores se abstiveram da votação.

A partir desse dia, segundo descrição do escritor José Aleixo Irmão, não seriam toleradas festas e pompas e outros gastos, devendo os recursos que nisso se fosse gastar serem revertidos para o fundo de libertação - a Caixa Emancipadora. O autor compara: “Essa propositura mostra a diferença entre a Perseverança e aqueles que ficaram na Constância, teimosos em não se definir, no momento histórico em que a própria política nacional impunha ação e luta pelas reformas da estrutura social e econômica do País.”

Na análise de Aleixo Irmão, a sessão de 7 de agosto de 1869, com a criação da Caixa Emancipadora, tornou oficial e obrigatório para si, a iniciativa que a Loja América, de São Paulo, por intermédio da personalidade histórica Rui Barbosa, somente adotou oito meses depois. Nesse aspecto, a Perseverança III marcou o pioneirismo na atitude concreta de luta dentro do espírito da abolição da escravatura.

Foi em 4 de abril de 1870 que Rui Barbosa, quando cursava o quinto ano da Faculdade de Direito de São Paulo, em nome da Loja América ao Grande Oriente Brasileiro do vale dos Beneditinos, encaminhou um projeto que obrigava as lojas maçônicas a abrir no orçamento de suas despesas uma verba especial reservada ao alforriamento de crianças escravas.

Escravos libertos

No seu livro, Aleixo Irmão descreve sessão posterior, de 29 de agosto de 1869, em que a Perseverança III votou “esmolas de dez mil réis para auxílio à alforria de José e suas filhas, escravos de dona Ana do Sacramento”. “Mais ainda: dez mil réis a Joaquim, escravo de João França, como auxílio à liberdade sua e de sua mulher, e mais cinco mil réis a David, escravo de Maria Prestes, também para o fim citado.” Nessa data, a Perseverança III também programou a inauguração da primeira escola noturna da cidade para 7 de setembro.

Na análise de Aleixo Irmão, os integrantes da Perseverança III “equacionaram o problema da liberdade tal como deve ser posto, isto é, não apenas a da alforria corporal”. E continua: “Ubaldino, com a visão profunda que os estudos sociais e políticos lhe davam, enxergou isso, tanto que, mais tarde propôs que admitissem às aulas os próprios cativos (escravos)”.

Eis porque o binômio, Liberdade - Educação, tem um significado transcendental na vida da Loja Perseverança que dele não se descura até os dias de hoje”, conclui o autor.

EMERSON


19/07/1869
ANO:126
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]