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autor:22/10/2023 10:05:25
Luis Matheus Maylasky: “a única recompensa que se deve aos bons e leais servidores: a ingratidão e a difamação”

mencio ()

    16 de maio de 1880, domingo
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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MAI.
16
HOJE NA;HISTóRIA
49

Maylasky foi demitido e seu sucessor na presidência Francisco de Paula Mayrink da E.F.S. o acusou de gestão ilegal, malversação de fundos e inclusive de desfalque. Maylasky então vai embora de Sorocaba e seu amigo Roberto nunca mais viu o dinheiro empregado na estrada de ferro.

Em sua defesa Maylasky publicou o seguinte texto:

Não sei se venho contestar um parecer de uma comissão de contas, ou si contrariar um libelo, como foi denominado o trabalho apresentado pelos Srs. Mayrink, Klingelhoefer e Caymary!

Basta considerar que semelhante parecer foi qualidade libello por aqueles senhores para que se os considere suspeitos e excessivamente apaixonados. Deixando porém de parte questões de palavra quando se tratar de questões de fatos, vou com a precisa calma considerar as arguições que me dirigiram na assembléia geral dos acionistas publicadas na Província de ontem.

Primeira arguição:

Contesto a procedência desta arguição, pois que, o balanço a que ela se refere, não pode deixar de estar de acordo com o livro Diário da companhia, quando o guarda livros não podia organiza-lo senão em face do mesmo livro.

Segunda:

Nunca consitui-me devedor, ao Banco Alemão, da quantia de 1.6000 contos, e a operação de crédito, realizado com o mesmo banco, fora feita com autorização expressa da companhia.

Terceira:

Sempre existiu a conta de movimento entre mim e a companhia sem interesse algum de juros, fornecendo eu é mesma companhia,, por vezes, somas avultadas, como constam dos livros da companhia e enquanto não forem prestadas as contas de 31 de Dezembro ultimo até esta data não podem saber onde está o débito ou crédito; a cuja prestação de contas não me recusei e nem me recuso presta-las á comissão que for legitimamente eleita pelos acionistas, na forma dos estatutos.

Quarta:

A divida dr rs. 96.000$000 a que se referem como paga por mim com títulos pertencentes á companhia o fôra com autorização expressa e unanime dos acionistas em assembléia geral, e sob proposta da comissão de contas, e como conhecem a casa que recebeu o pagamento, podem dela informar-se, se o m esmo pagamento foi feito por minha conta particular ou da companhia. Estranho apenas que citem os fatos e ocultem os nomes das pessoas quem neles intervieram.

Quinta:

Enquanto não forem prestadas as contas do semestre corrente, como acima já disse em relação á 3a. arguição, os meus acusadores, não podem em seu libello articular o fato de subtração das debeatures, quanto estes títulos estavam sujeitos a operações de crédito.

Sexto:

A transação, e não alienação, de debentures na importância nominal de rs. 370.000$000, foi legalmente feita com a extinta firma Mayslaky & Ribeiro, como melhor informará o sucessor da mesma firma, o honrado dr. João Ribeiro da Silva.

Sétima:

Todas as debentures emitidas para pagamento dos credores da companhia foram em 1878 e sucessivamente entregues a credores que as reclamaram quando havia motivos especiais para que não fossem entregues, sendo que o lançamento na escrituração, fora feito a disposição.

Oitava:

A única emissão de debentures a 85% foi feita ao credor de 95 contos, a que se referem na 4a. arguição.

Nona:

Os juros recebidos dos cofres desta província foram imediatamente entres aos banqueiros da companhia e estes forneceram fundos precisos para o pagamento, de 1o. de março, dos juros de debentures de propriedade de terceiros, e bem assim para o de 30 de março que efetuou-se dias depois por circunstancias imprevistas e supervenientes, que em nada prejudicaram o crédito da companhia.Décima:

O contrato para o prolongamento da linha, além do Ipanema, não foi fito com um empregado da companhia, e asseguro que o fiz de acordo com os meus próprios acusadores.

Se pois é falso e com ele eu quis ocultas minhas fraudes nisto acordaram os autores do libelo a que respondo.11esta acusação de libello dirigida ao sr. José Antônio Coelho foi por ele contestada , não querendo a assembléia receber o seu protesto. Limito--me pois a esperar sua defesa, que será a minha própria.

Décima segunda

Nunca exerci emprego de confiança da companhia e nem direta ou indiretamente tive interesse ou algum contrato com ela. Nos meus fornecimentos ou adiantamentos de dinheiro nunca tive em vista especulação e por isso nunca percebi juros, se bem que a casa bancaria da qual fazia parte os pudesse receber. Não me considero sujeito a disposição do artigo 8o. dos estatutos e por isso me julgo destituído do cargo de presidente da mesma companhia.

Protesto, pois, contra os fatos que se deram na reunião dos acionistas, de ontem, e oportunamente farei a minha reclamação. Se não compareci á mesma reunião tive para isso duas razões:: primeira: a comissão de contas não tinha se reunido e portanto não elaborado o seu parecer; segundo: porque só em vista do mesmo parecer eu poderia resignar o cargo de presidente da companhia, que resignarei logo que as mesma contas sejam devidamente tomadas por uma comissão eleita na forma dos estatutos, como pedi no oficio que dirigi á assembléia geral dos acionistas.

Agora, na qualidade de presidente da companhia sorocabana, o único por seus esforços levou a efeito a estrada respectiva e que não obstante os maiores sacrifícios a tem conservado até aqui, vencendo as dificuldades conhecidas, fico esperando a unica recompensa que se deve aos bons e leais servidores: a ingratidão e a difamação.



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EMERSON


16/05/1880
ANO:103
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]