14 de agosto de 2003, quinta-feira Atualizado em 19/05/2025 21:55:46
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HOJE NA;HISTóRIA
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O SR. PRESIDENTE - MARQUINHO TORTORELLO - PPS - Tem a palavra o nobre Deputado Luiz Gonzaga Vieira. O SR. LUIZ GONZAGA VIEIRA - PSDB - Sr. Presidente, Srs. Deputados, gostaria de fazer registrar que a Loja Maçônica Caridade II, da cidade de Tatuí, no último dia 12 de agosto completou 170 anos de existência.Sr. Presidente, passo a ler o texto referente à história da entidade.“Sr. Presidente, Srs. Deputados, dirijo-me a Vossas Excelências para informar que a Loja Maçônica Caridade III completou 170 anos de existência. Sendo assim, quero fazer minhas as palavras do Sr. José Maria de Campos, sobre a Maçonaria - e também sobre a história da entidade aniversariante quando da sessão solene, assim peço que este texto seja considerado como lido por este Deputado.Senhor Presidente, Srs. Deputados, a Maçonaria é uma Instituição Filosófica, Filantrópica, Educativa e Progressista.É Filosófica porque, em seus atos e cerimônias, trata da essência, das propriedades e dos efeitos das causas naturais; investiga as Leis da Natureza e relacionadas primeiras bases da Moral e da Ética. Não admite sofisma, porque o sofisma é um raciocínio falso, formulado com o fim de induzir a erros. Sua filosofia não abriga conclusões absolutas, obrigatórias ou estereotipadas.É Filantrópica porque procura conseguir a felicidade dos Homens por meio da elevação espiritual e pela prática da caridade. Onde há uma lágrima, ela enxuga; onde há um órfão ela ampara; onde há um bem ela o pratica.É Progressista, não crê em dogmas, porque o dogma não é a Verdade. Combate a ignorância, o fanatismo e a superstição. Seu lema: Ciência, Justiça e Trabalho; seus princípios fundamentais: a Igualdade, Liberdade e Fraternidade.A Maçonaria é religiosa no sentido mais puro e profundo desta palavra, porque reconhece a existência de um único princípio criador absoluto, supremo e infinito, ao qual dá o nome de Grande Arquiteto do Universo, que é Deus.Embora religiosa, a Maçonaria não é uma religião, já que admite em seu seio pessoas de todos os credos religiosos, sem nenhuma distinção.Prega a tolerância, porque sabe desculpar, e faz do perdão uma lei. Cultiva o amor porque detesta o ódio.Enaltece a bondade, porque tem horror à maldade.A Maçonaria entende que a virtude é a força de fazer o Bem, em seu mais amplo sentido.A Maçonaria, enfim, não é uma sociedade secreta como se afirma, pela simples razão de ter endereço, ser amplamente conhecida e ter personalidade jurídica própria. Ela é, isto sim, uma sociedade iniciática, onde se trabalha pelo melhoramento intelectual, moral, espiritual e social de toda a Humanidade.Em seus vários séculos de existência, a Maçonaria abrigou em seus quadros homens do porte de Voltaire, Beethoven, Mozart; militares como Napoleão e Garibaldi; poetas como Lamartine e Vitor Hugo e escritores como Mazzini e Espling.Todos os libertadores da América foram Maçons: Washington nos Estados Unidos, San Martin na Argentina, Marti em Cuba, Benito Juarez no México e Dom Pedro I no Brasil. Dos grandes personagens de nossa História Pátria muitos também foram maçons: José Bonifácio, Luís Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Rui Barbosa e uma infinidade de outros que cansativo se tornaria enumerarmos.E o que se exige dos Maçons?Em princípio, exige-se amor à Pátria, respeito às Leis, conduta digna dentro e fora de seus Templos, crença em Deus, tempo para dedicar-se à prática da Solidariedade Humana e da Justiça em sua plenitude, amor à Verdade e à prática da Caridade.E o que se obtém sendo Maçom?Obtém-se a possibilidade de aprimorar-se espiritualmente, instruir-se e disciplinar-se, num ambiente fraterno, entre Homens que se tratam por Irmão e que efetivamente constituem uma Irmandade.Agora que já sabemos um pouco da Maçonaria, vamos nos basear nas pesquisas dos irmãos Mário Araújo Júnior, Alexandre Milani Filho e do nosso historiador e jornalista irmão Renato Ferreira de Camargo, para conhecermos alguma coisa da Maçonaria e da Loja Caridade III, de Tatuí, baseados em documentos históricos da Loja Maçônica Perseverança III, de Sorocaba, Loja Firmeza de Itapetininga, do Livro de Matrícula da Loja Maçônica Estrela do Sul, de Tatuí ,outras dezenas de documentos e no arquivo fotográfico do saudoso Erasmo Peixoto.A primeira Loja Maçônica fundada no Estado de São Paulo foi a de Porto Feliz, fundada no dia 19 de agosto de 1831, com o título de Loja Maçônica Inteligência, filiada ao Grande Oriente do Brasil.A 13 de maio de 1832, o maçom José Augusto Menezes, com um representante da Loja Inteligência de Porto Feliz e mais alguns maçons vindos do Rio de Janeiro, fundaram a Loja Maçônica Amizade em São Paulo, sendo a primeira loja maçônica da capital paulista, à qual foi conferido poderes para fundar Lojas no Estado de São Paulo, sendo por isso, considerada a Loja Mãe da Maçonaria Paulista.
Em 12 de agosto de 1833, maçons das duas lojas já citadas, ou seja: Loja Inteligência de Porto Feliz e Loja Amizade de São Paulo, lideradas pelo maçom Antonio Rodrigues da Costa, fundam em Tatuí, a Loja Maçônica Caridade III.
A partir desta data e durante 41 anos a Loja Caridade III, manteve-se em franca atividade social, política e religiosa, destacando-se que em 1844, o padre maçom Jesuíno Ferreira Prestes, aqui radicado, reza a primeira missa na Capela Santa Cruz, foi ele o 6º padre da Paróquia de Tatuí.Em 1873, por decreto imperial, vem para a nossa cidade o irmão Vicente de Paula Gomes e Silva, membro da Loja Constância ao Oriente de Sorocaba, sendo o 1º tabelião de nossa comarca.Como podemos perceber, ao longo da história, os maçons sempre ocuparam cargos de vital importância para a sociedade da época.Em 1874, no dia do aniversário da Caridade III, em 12 de agosto, a loja recebe o seu Breve constitutivo de regularização junto ao Grande Oriente do Brasil. Nesta mesma data, os irmãos Leocádio Antonio Carneiro e Antonio Caetano de Magalhães recebem os diplomas de Cavaleiro Rosa Cruz grau 18, diplomas esses que estão de posse do acervo histórico da Caridade III.A história da Maçonaria em Tatuí é como um oceano, ora em estado de calmaria, ora em estado de turbulências, mas sempre fazendo prevalecer os ideais de Igualdade, Fraternidade e Liberdade; Liberdade essa, que em maio de 1875, devido a forte pressão religiosa, todos os irmãos da Caridade III lançam um manifesto em favor da "Liberdade de Consciência" e a loja abate as suas colunas. Morreu o ideal?Não, jamais. Em 11 de outubro de 1875, ressurge neste oriente outra Loja com a denominação de Regeneração, a qual veio a abrigar os maçons remanescentes da Caridade III e fez parte de outras tantas lojas espalhadas pelo Brasil, conhecidas como Lojas Republicanas.E foi o republicano Antonio Moreira da Silva, membro da Loja Constância e Perseverança de Sorocaba e Firmeza de Itapetininga, quem fundou a imprensa em nossa cidade no dia 29 de agosto de 1878.Em 1879 o irmão João Feliciano da Costa Ferreira organiza em sua residência o "Gabinete de Leitura Tatuhyense" onde os irmãos da Loja Regeneração discutiam os ideais de uma nascente e futura República. Em 1880, no velho prédio onde abrigou a Loja Caridade III, os irmãos organizaram a "Sociedade Recreio Dramático", dando origem ao "Teatro São João", nome esse em homenagem ao padroeiro da maçonaria.Finalmente em 1889 era proclamada a República, e o irmão Antonio Moreira da Silva, republicano de primeira hora, é homenageado pelo povo de Tatuí. Um ano após a proclamação da República, em 1890 a Loja Regeneração abate colunas. A missão estava cumprida, o Brasil era República.Em 1895 os ânimos voltam a se acirrar em Tatuí, surgindo a necessidade de uma firme atuação política e a busca de novas lideranças, onde então, com grande apoio da Loja Firmeza de ltapetininga, vários tatuianos são iniciados maçons, ressurgindo com todo vigor a Maçonaria em nosso Oriente.Em 25 de agosto de 1901, maçons, liderados pelo irmão coronel Cornélio Vieira de Camargo, erguem as colunas da Loja Maçônica Estrela do Sul, a qual foi a sucessora da loja Regeneração, que já tinha sido sucessora da Caridade III, mantendo nessas lojas, ao longo dos anos, o ideal maçônico iniciado pela Caridade III. Membros desta nova loja fundam o clube Democrata, que posteriormente se chamou Clube Tatuhyense.Um dos nobres momentos desta loja se deu em 1903, quando um grande surto de hanseníase acometia a cidade de Tatuí e os maçons da Estrela do Sul, unidos e resolutos, fundaram a "Sociedade Protetora dos Morféticos", construindo um hospital na antiga chácara do Dr. Emílio Ribas, onde hoje está situado o Lar Donato Flores. Fundaram também a Escola Noturna Estrela do Sul, para alfabetizar os operários que trabalhavam em Tatuí, principalmente na indústria têxtil.Em 1906, é dado início ao que seria a obra do século em Tatuhy, a construção do Teatrão, com intensa participação dos irmãos da Loja Estrela do Sul, que colocaram na testada do prédio o timbre da sua Loja, ou seja, uma estrela de cinco pontas colocada dentro de um triângulo, conforme registro fotográfico que todos podem ver na exposição das fotos e documentos da Caridade III, logo na entrada do Conservatório.Em 1908, o irmão coronel Cornélio Vieira de Camargo é eleito deputado estadual por Tatuí, tendo uma atuação importante na política, mas muito breve, pois em 1911 veio a falecer, deixando a Loja Estrela do Sul sem sua principal liderança, o que leva ao abatimento de colunas em 1915.De 1915 a 1950 os maçons de Tatuí ficaram esparsos, mas sempre atuantes na política, no ensino, na saúde.Em 1953 um grupo de maçons, liderados pelos irmãos Mário Araújo Júnior e Zezito Marques, reerguem as colunas da Caridade III, sendo o irmão Zezito Marques o seu primeiro venerável.A Loja Maçônica Caridade III teve como reerguedores de colunas os irmãos José Marques Júnior, Quintino Ferreira Pacheco, José Pereira Vieira João Gambale, Francisco Del Fiol, Rafael Gandara Fonseca e Mário Araújo Júnior.Com esses irmãos iniciou-se a fase mais atual da Caridade III, que no dia de hoje completa 50 anos do reerguimento das colunas, e o seu primeiro iniciado foi o irmão Gilberto Arlindo Pyles.Sempre voltado para os problemas sociais de Tatuí, os membros da Loja Caridade III, do Centro Espírita Cairbar Schutel, e outros idealistas de nossa cidade, resolvem colocar em prática os pensamentos e a vontade do irmão Donato Rafael Flores, que era dar abrigo a crianças desamparadas de Tatuí.A idéia da fundação de um Lar em Tatuí foi do irmão Donato Rafael Flores, que iniciou a redação de um estatuto, não tendo tempo de concluí-lo, pois veio a falecer em 9 de novembro de 1960.Falecendo o idealizador, os irmãos não deixaram a idéia ser esquecida, e veio então a ser fundado o Lar Donato Flores, em 30 de janeiro de 1961.No dia 7 de março de 1964, as 16 horas, à sombra da mangueira que fica defronte à casa nº 134, da Avenida das Mangueiras, então residência do professor Mario Araújo Júnior e sua esposa, professora Olga Ferraz Araújo, foi constituída uma diretoria provisória para tratar da construção do Lar Donato Flores, assim constituída:Presidente: Ir. José Simões de Almeida1º vice-presidente: Ir. José Assunção2º vice-presidente: Ir. Mário Araújo Jr.Secretário geral: lr. Luiz Luciano de Campos1º secretário: Sr. Cláudio Guarugi Comelli2º secretário: Sr. Luiz Rodrigues MachadoTesoureiro geral: Ir. Manoel Vieira de Paula1º tesoureiro: Sr. Osmar Augusto2º tesoureiro: Ir. José Marques Jr.A diretoria, pôs mãos à obra para arrecadar fundos, e conseguiram muitas doações, mas boa parte do dinheiro necessária para a construção do Lar Donato Flores foi conseguida pelo trabalho voluntário de irmãos e de muitos idealistas d a época como o irmão Ernani, o Aladim, o Jônio e tantos outros que trabalharam num restaurante rústico conhecido como "Cantina do Lar Donato Flores", montado num terreno do lado do Clube Tatuiense, onde hoje é o Alvorada Clube.Terminada a construção do imóvel, o Lar deu início à sua finalidade, acolhendo as primeiras crianças em janeiro de 1970 e até hoje vem desenvolvendo a contento suas funções.Durante todos esses anos, na administração do Lar sempre tivemos a presença dos irmãos da Caridade III e atualmente também temos a imprescindível participação dos irmãos da Loja Maçônica União Fraterna, dileta filha da Caridade III.Colaboram com o seu nobre trabalho de orientação das crianças do Lar duas irmãs da "Ordem Dominicanas de São José". O Lar Donato Flores foi e é obra de grandes idealistas. O nosso pleito de gratidão há mais de uma centena de irmãos, cunhados e profanos que lá trabalharam e ainda trabalham.Ao mesmo tempo em que se construiu o edifício do Lar, também foi construído o Templo atual da Caridade III, por outro grupo de abnegados irmãos.Outra obra de inspiração maçônica atualmente dirigida pelos irmãos da Caridade III e por outros idealistas de nossa cidade é o Conselho Social da Comunidade, o Cosc, fundado em 7 de dezembro de 1963, tendo como seu idealizador o deputado Orlando Iazetti, que vislumbrou a necessidade de Tatuí ter um órgão assistência que pudesse zelar e cuidar dos carentes do nosso município. Essa idéia frutificou e o Cosc passou a ter em sua diretoria, desde a fundação até os dias de hoje, irmãos da Caridade III.Cito apenas um nome e com ele quero homenagear todos os irmãos e profanos que deram de si em benefício da população carente de nossa cidade. Esse nome é o do irmão Sílvio Silvério de Lima, o construtor do edifício que hoje abriga o Cosc, o irmão que foi seu presidente por vários anos, o batalhador para arrecadar fundos para construir e manter essa tradicional instituição social de Tatuí. Atualmente, o Cosc atende a mais de 9000 pessoas por ano.Vinte e cinco de outubro de 1996, os irmãos da Caridade III fundam uma nova Loja Maçônica em Tatuí, motivados não pela divisão e sim pela União e pela Fraternidade. Nascia a Loja Maçônica União Fraterna também sob a égide do Grande Oriente do Brasil, para fazer nascer novos maçons, novos idealistas para conosco vivermos uma nova era, um novo tempo.Juntos, ao nosso lado, tanto no Cosc, como no Lar Donato Flores e em outras atividades, contamos com a imprescindível e insubstituível ajuda de nossas esposas, que através da Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul, atuam de forma abrangente em nossa comunidade, fazendo enxovais para recém-nascidos de famílias carentes, doação de material escolar, cursos diversos para gestantes e outras atividades sociais; como na Santa Casa de Tatuí, onde também atuam diversos irmãos.Nestes 170 anos de história maçônica, rendemos as nossas homenagens às fraternistas que são as nossas esposas, nossas cunhadas, lembrando um nome: Leontina Nativa Nogueira, esposa do irmão Jacyr Nogueira.Lembrando Leontina, lembro a força da mulher, a dedicação, o bem querer, a prontidão e o amor fraternal.E dessa forma, os maçons, seus familiares e seus amigos vão participando e colaborando em todas as atividades da nossa cidade. Em épocas passadas, muitas vezes a maçonaria precisou de um herói para levar os seus ideais para frente. Hoje, a maçonaria precisa de mais que um herói, ou seja, precisa de milhares de pequenos heróis como vocês, como nós, que em uma somatória de esforços e sob a benção do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, levaremos à nossa família, à nossa cidade, ao nosso estado, ao nosso país e finalmente ao mundo os ideais maiores da Maçonaria que são:FRATERNIDADE entre os povos;IGUALDADE entre as nações;LIBERDADE para toda a humanidade.Muito obrigado.”
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]