30 de abril de 2025, quarta-feira Atualizado em 30/04/2025 22:08:55
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HOJE NA;HISTóRIA
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Dom Almir Marques FerreiraNo final da década de 50, a Santa Sé providenciou um bispo-auxiliar para Dom José Carlos de Aguirre, que já estava à frente da Diocese há mais de 30 anos e passava dos 75 anos de idade. Nessa época, o território da Diocese de Sorocaba ia até às barrancas do rio Paraná, chegando até a cidade de Itararé, na divisa entre os estados de São Paulo e do Paraná.Aos 9 de abril de 1957, Sábado de Aleluia, Dom Aguirre chama a seu escritório no Palácio Episcopal da rua XV de Novembro seu secretário particular padre José Carlos Castanho de Almeida e pede que telefone a todos os párocos que naquela manhã, em Roma, o papa Pio XII assinara a nomeação de um bispo-auxiliar para Sorocaba. Tratava-se de monsenhor Almir Marques Ferreira, vigário-geral da Diocese de Uberaba/MG, nascido em 18 de novembro de 1911.Monsenhor Luiz Castanho de Almeida, o historiador Aluísio de Almeida, deixou registrado em seu livro “A Diocese de Sorocaba e seu Primeiro Bispo” (1974, edição da Obra das Vocações Sacerdotais):“Dom Almir foi recebido com grandes festas por Dom Aguirre, o clero e o povo sorocabano, na noite de 6 de outubro de 1957. Tendo viajado pela Rodovia Raposo Tavares, desceu do carro junto às escadarias da Catedral, onde houve a manifestação de acolhida e missa campal. Logo demonstrou o seu zelo e belo caráter, auxiliando Dom Aguirre em toda a Diocese. Dom Almir, além de visitas pastorais, dedicou-se à Obra Filial da Pontifícia Obra das Vocações Sacerdotais da Diocese. Viajava constantemente, quase sempre de trem, em companhia do jovem padre Emílio Grando, fazendo pregações e animando as seções paroquiais dessa grande Obra, cujos benefícios se podem aquilatar num de seus aspectos – e não o único -, isto é, a ordenação de cerca de 50 sacerdotes e preparação para a vida cristã e social de cerca de 1.000 alunos. Logo no primeiro ano de sua chegada, Dom Almir assumiu ainda a presidência da Campanha Unificada para o Natal dos Pobres, idealizada pelo cônego Lúcio Floro Graziosi. E saiu com um sacerdote pelas ruas, percorrendo as casas comerciais e industriais em busca de donativos. E assim, antes mesmo do Concílio Vaticano II, já era praticado o Ecumenismo”, pois participavam da Campanha diversas denominações e correntes religiosas.Dom Almir faleceu aos 73 anos de idade, na passagem de ano (1983/1984), em Uberlândia/MG, para onde fora transferido como titular da Diocese quando deixou Sorocaba e era o bispo emérito desde 1977.
Dom José Thurler
Dom José Thurler era natural de Nova Friburgo/RJ, onde nasceu em 19 de junho 1913. Foi ordenado sacerdote em pleno desenrolar da II Guerra Mundial, a 5 de abril de 1942, em Roma, onde também ocorreu sua sagração episcopal a 5 de abril de 1959. Foi vigário-cooperador da Paróquia de São João Batista, no bairro do Brás, e também cura da Catedral da Sé de São Paulo, além de professor e capelão da PUC (Pontifícia Universidade Católica). Aos 27 de março de 1962, Papa João XXIII o nomeou como bispo coadjutor de Dom Aguirre com direito à sucessão, Dom José, o então bispo diocesano de Chapecó/SC. Tomou posse na igreja da Catedral de Nossa Senhora da Ponte aos 10 de junho de 1962 e passou a residir com Dom Aguirre no velho Palácio Episcopal.
Da primeira sessão do Concílio Vaticano II, em reunião dos bispos brasileiros em separado, resultaram as primeiras medidas para a renovação da Igreja no País. Dom José Thurler foi escolhido e aceitou assumir o cargo de diretor geral da Obra das Vocações Sacerdotais, assim, não voltou mais a Sorocaba. Desempenhara também as funções de bispo-auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, nos últimos anos se ocupando principalmente ao trabalho de assistência eclesiástica às religiosas, por solicitação do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Dom José Thurler faleceu a 23 de abril de 1992.
Dom Amaury Castanho Dom Amaury nasceu em Souzas, município de Campinas/SP, a 19 de setembro de 1927. Concluiu seus estudos teológicos em Roma, na Pontifícia Universidade Gregoriana. Foi ordenado sacerdote a 7 de outubro de 1951, Festa de Nossa Senhora do Rosário, ainda em Roma, por Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, então bispo-auxiliar de São Paulo.Jornalista desde os tempos de Seminário com seus artigos semanais, conseguiu em 1952 o registro profissional. Entre 1956 e 1969, foi o responsável pela administração e redação do jornal “A Tribuna”, semanário da Arquidiocese de Campinas. Foi chamado a São Paulo pelo então cardeal-arcebispo Dom Agnelo Rossi, para organizar o Centro de Informações “Eclesia” e dirigir o semanário “O São Paulo”, ambos ligados à Arquidiocese paulistana, entre os anos de 1969 e 1974.Retornou a Campinas e retomou uma série de funções ministeriais na Arquidiocese, inclusive o paroquiato na Catedral Metropolitana, até ser elevado ao Episcopado e ser nomeado bispo-auxiliar de Sorocaba pelo Papa Paulo VI no dia 21 de julho de 1976. Foi sagrado na Catedral de Campinas também na Festa de Nossa Senhora do Rosário daquele ano, coincidentemente jubileu de prata (25 anos) de sua ordenação presbiteral e pelo mesmo bispo que o ordenou padre, Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, tendo a seu lado como consagrantes o então arcebispo coadjutor de Campinas, Dom Gilberto Pereira Lopes, e o bispo de Sorocaba, Dom José Melhado Campos.Em Sorocaba foi assistente eclesiástico dos mais diversos movimentos eclesiais de leigos, como os Cursilhos de Cristandade, Movimento de Emaús, Encontro de Casais com Cristo e Equipes de Nossa Senhora. Desdobrava-se ainda, ao lado de Dom José Melhado Campos, nas visitas pastorais às paróquias da então extensa Diocese, que além de Sorocaba abrangia ainda as regiões pastorais de Tatuí e Itapetininga.Autor ainda de quinze livros, além de colaborador assíduo de outras dezenas de revistas e jornais pelo Brasil afora, com mais de 3.500 artigos publicados, Dom Amaury Castanho permaneceu no cargo de bispo titular da Diocese de Jundiaí até pouco depois de completar a idade-limite de 75 anos em 2004, quando com a posse do sucessor, Dom Gil Antônio Moreira, retirou-se para Itu, voltando a residir na igreja do Bom Jesus, Santuário Nacional do Apostolado da Oração. Faleceu a 1º de junho de 2006, sendo sepultado na cripta da Catedral de Nossa Senhora do Desterro em Jundiaí. Com informações de José Benedito de Almeida Gomes/Redação e edição de Juliana Cuani.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]