11 de janeiro de 2024, quinta-feira Atualizado em 23/10/2025 23:47:06
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HOJE NA;HISTóRIA
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PROJETO COMPARTILHARCoordenação: Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira SL. 4º, 428 Foi o tronco da família deste apelido, em S. Paulo, Martim Fernandes Tenório de Aguilar, de nobre ascendência, povoador e célebre conquistador dos sertões no posto de Capitão-mor da tropa; foi da governança de S. Paulo; e faleceu em 1603 no sertão do rio Paraná. Foi casado com Suzana Rodrigues, e dela teve as seguintes f.ªsCap. 1.º Maria Tenório, casada com Clemente AlvaresCap. 2.º Anna da VeigaCap. 3.º Suzana Rodrigues, casada com o Capitão João PaesCap. 4.°. Elvira Rodrigues, casada com Cornélio de Arzamnota rodapéO Capitão-mor Martim Fernandes, alem das 4 f.ªs. legítimas mencionadas, deixou mais uma f.ª natural que foi Joanna Rodrigues, que casou com Jorge Brant (C. Ec. de S.Paulo). Sesmarias vol. 1 - 32) Martim Rodrigues e Clemente Álvares, seu genro - 5/2/1609 - Pedem 2 léguas da barra do Yatuahi até a barra do dito ribeiro. O traslado foi feito em Santos em 8/1/1610 Subsídios à Genealogia Paulistana (Regina Moraes Junqueira) O espanhol Martim Rodrigues, foi ativo bandeirante tendo tomado parte na bandeira de Nicolau Barreto em 1602, ocasião em que escreveu seu testamento. Nesse ano já tinha casado duas filhas e encaminhado o casamento da terceira. Saiu chefiando bandeira própria em 1608 em direção à Paraupava e nunca mais retornou. Silva Leme se enganou quanto ao ano de sua morte.Em 1589 estava casado com Suzana Rodrigues, viúva de Damião Simões (SAESP 1º, neste site). Suzana ainda vivia em 1624 mas já fora inventariada em 1631.Martim teve quatro filhas legítimas:1. Maria Tenório, casada em 1601 com Clemente Álvares, em vida de seu pai. Faleceu Maria Tenório em 1620 (SAESP 44º, neste site) e seu marido foi inventariado em 1641 (SAESP 14º, neste site).2. Ana da Veiga, casada com Teodósio da Fonseca. Teve seu dote escriturado pelo pai pouco antes da saída da bandeira de Nicolau Barreto. Já era falecida em 1612, deixando o filho único Diogo, que foi levado pelo pai ao Rio de Janeiro. Marido e filho não constam da GP.3. Elvira Rodrigues casada com Cornélio de Arzam depois da saída da bandeira de Martim Rodrigues em 1608. Sogro e genro nunca se conheceram. Faleceu Cornélio em 1638 (SAESP 12º, neste site). Elvira ainda vivia em 1672, ocasião em que possuía casa defronte ao convento de São Francisco.4. Suzana Rodrigues, nascida por 1597, ainda era solteira em 1619. Em 1631 seu marido João Paes aparece pela primeira vez no inventário do sogro e também é neste ano que tardiamente fecha as contas no inventário de sua primeira mulher, Maria da Gama (SAESP 6º, neste site). Deixou Martim a filha natural:5. Joana Rodrigues dotada e casada e por seu pai com José Brant. José foi recrutado para porteiro da Câmara da Vila de São Paulo e tendo recusado a servir, foi preso. Alegou ser casado e estar “carregado de filhos” o que o isentava de servir a cargos públicos (Atas, vol 1). Estes filhos, netos de Martim Rodrigues, não constam da GP. Martim Rodrigues teve de índias da terra dois bastardos, havidos no sertão, não mencionados na GP:6. Diogo, já alforriado pelo pai e por Suzana Rodrigues em 1602.7. Pedro Rodrigues Tenório, nascido por 1601, entregue a Cornélio de Arzam para aprender carpintaria, morava em 1628 com a irmã Elvira Rodrigues. Deve ser a ele que Martim se refere em seu diário: “Recibio-se mi hijo (.......) a 20 dias del mes de (.........) de 1601 años y dias de (.......) MARTIM RODRIGUESInventário e TestamentoLIVRO DE CONTAS e PAPÉIS AVULSOS Vol 2, fls 5Data: 18-6-1612Juiz: Bernardo de QuadrosAvaliadores: João da Costa e Antonio Lopes PintoLocal: Ebirapoeira, termo da Vila de São PauloDeclarante: Suzana Rodrigues Inventário da “fazenda que se achar ser do dito Martim Rodrigues defunto por ser ido ao sertão e se dizer ser lá morto”. FILHOS“Disse que tinha uma filha de idade de quinze para dezesseis anos por nome Suzanna”. TITULO DAS PEÇASUma negra da nação Guoaya, escrava da entrada de Domingos Rodrigues15 tememinós3 tupiaemUm moço tememinó por nome Pedro que dizem ser filho do defunto Martim Rodrigues Seguem as avaliaçõesRoupas, ferramentas, caixas, gado (70 cabeças), cavalos, porcos, roça, 3 livros (dois religiosos e “A Cronica do Grão Capitão”) PAPÉISEscritura dada por Jerônimo Leitão a Baltazar Rodrigues, que por certidão passada por Belchior da Costa pertence a este inventário (capões entre os rios Jeribatiba e Bohi)Outra escritura do mesmo Baltazar Rodrigues, que ele comprara de Belchior da Costa e foram arrematadas por Martim Rodrigues, por dívida que Baltazar tinha com o órfão Damião SimõesChãos na vila e que entregou por dívida que tinha com o órfão Damião SimõesTerras no Rio Bohi arriba, dada por Roque BarretoIdem, no rio Bohi abaixo, dada por Gaspar ConqueiroCasa que foi de Pedro Grande arrematada por Martim RodriguesCarta de dada por Gaspar Conqueiro a Clemente Alvares, Martim Rodrigues e Damião Simões e que estava em poder de Clemente Álvares. MONTE MOR$ 180$780 Fazenda entregue à viúva pelo juiz por ela ser mulher capaz de governar sua casa “e casar sua filha por ser já de idade para isso e haver casado já outras duas em ausência de seu marido Martim Rodrigues..” 27-8-1613 – Suzana é intimada a pagar 6$000 ao padre Vigário por ter seu marido falecido sem testamento. O vigário João Pimentel contesta, dizendo que a terça é de 30$000 então lhe cabe a terça da terça. 20-5-1614 – Quitação que dá Manoel Pinto de uma demanda que tivera com Martim Rodrigues Tenório e Tristão de Oliveira o moço. 12-3-1618 – Ainda não se tinha cumprido o despacho relativo ao pagamento ao vigário. 26-8-1619, nas pousadas de Cornélio de Arzão, o juiz Antonio Telles foi saber de Suzana Rodrigues e Clemente Álvares porque sumiram com o testamento do defunto por tantos anos. Responderam que Martim Rodrigues tinha fechado o testamento em uma caixa quando voltou da jornada de Nicolau Barreto e eles não sabiam que estava ali.Procurador da viúva: Gaspar de Brito e Manoel Godiz Malfaia TESTAMENTO Em nome de Deus amém.Saibam quantos esta cédula de testamento virem como no ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo da era de mil seiscentos e três anos aos doze dias do mês de março do dito ano neste sertão do Rio Paracatú Martim Rodrigues determinei fazer esta cedula de testamento estando são e de saúde e em todo o meu sizo e juízo perfeito todo e quanto me deu o Senhor Deus por não saber o que fará Deus de mim para neste dispor declarações e desencargos de minha consciência e ....to de minha alma.Primeiramente (encomenda a alma)Segundamente declaro que sou casado e morador na Vila de São Paulo com Suzana Rodrigues e dela tenho quatro filhas // Maria Tenória // Ana da Veiga // Elvira Rodrigues e Suzana, legítimas, as quais são minhas herdeiras. E declaro que tenho mais uma filha bastarda a qual tenho casada com José Brante e se chama Joana Rodrigues e lhe dei certa cópia de fazenda no que lhe fizemos eu e minha mulher Suzana Rodrigues escriptura à qual me reporto.Declaro que tenho mais dois meninos que os tenho por meus filhos e são bastardos que os houve no sertão e um deles tem nome Diogo e o temos forrado de comunidade com a minha mulher Suzana Rodrigues (há falhas, mas se reporta à escritura feita por Antonio Rodrigues, tabelião)Deixo por meus testamenteiros a Baltazar Gonçalves e s ( ...) Martim Barregão e a meu genro Clemente Álvares ... (pede para ser sepultado no Convento de Nossa Senhora do Carmo da Vila de São Paulo)Encomenda missas e ofícios e deixa quarenta cruzados de esmola a várias confrarias.Declaro que eu tomei a Francisco Espinosa morador na vila de (...) certa cópia de mercadoria das quais tenho vendido certa parte e disso me hão feito conhecimentos os devedores os quais dirão a Francisco de Espinosa que são de seu dinheiro de minha fazenda lhe pagarão até oitenta cruzados por alguma parte dela que comigo gastei acho dever-lh’os.(Declarou que se pague dividas a quem apresentar assinados e que tem um livro de contas)Deixo por curadora e tutora de minhas filhas a minha mulher Suzana Rodrigues enquanto não se casar e casando-se deixo a meu genro Clemente Álvares no qual encomendo (...) bem como nele confio.(O mesmo para os bastardos, e se a mulher não quiser cuidar deles pede a Clemente Álvares que o faça, mandando ensinar a ler e escrever e aprender o ofício com Clemente Álvares).(Caso morra no sertão, não quer suas peças sejam vendidas, mas entregues e Baltazar Gonçalves para as levar à sua família em São Paulo)(Deixa o resto da terça aos dois filhos bastardos)Encomenda mais missas e dá por findo o testamento, feito por Manoel de Soveral.Martim Rodrigues // Antonio Gonçalves Davide // Sebastião de Freitas Caleiro // Manoel Machado // Diogo de Oliveira Gago // Francisco Ferreira // Francisco Alvares Correa // Miguel GonçalvesSebastião Peres Callaro // Manoel de Soveral // CUMPRA-SE: 19-8-1619 27-8-1619 – O procurador da viúva e Clemente Álvares pedem a anexação de papéis que ficaram de fora quando fizeram as declarações (são as escrituras das terras acima citadas) Quitações de Damião Simões reconhecendo que recebeu sua legítima, peças etc.Quitação em 7-3-1602, de Teodoro da Fonseca do dote que lhe deram em casamento.(há o rol do dote) PARTILHAS: 2-9-1619. CitadosSuzana Rodrigues a viúvaClemente Álvares, marido de Maria TenóriaCornélio de Arzão, marido de Elvira RodriguesSuzana Rodrigues por sua filha Suzana Rodrigues, moça solteiraGaspar Rodrigues, indicado para procurador de Diogo, filho de Teodósio da Fonseca, órfão morador no Rio de Janeiro O moço Pedro, tido por filho do defunto é entregue a Cornélio de Arzão para ensinar o ofício de carpinteiro. Apurou-se dívidas que tinham Clemente Álvares e Damião Simões e o juiz mandou que se “passasse mandato contra o dito Clemente Álvares e o dito Damião Simões por serem homens relapsos que tiveram em seu poder o inventário do defunto Damião Simões e o testamento do defunto Martim Rodrigues sem os quererem entregar depois da morte até agora e assim uma cousa como outra entregaram por justiça que de outra maneira não quizeram”. 1-8-1624 – Cornélio de Arzão, como procurador de sua sogra requer que o juiz João de Brito Cassão intime Clemente Alves para entregar as escrituras para que se faça partilhas das terras. 2-8-1624 – Pero Leme, escrivão, foi à cadeia, onde estava preso Clemente Álvares e o intimou a entregar as cartas de datas. 3-8-1624 – Novo requerimento de Cornélio de Arzão, desta vez para que Clemente Álvares entregasse o gado que tinha em suas terras para partilhas. No mesmo dia Pedro leme volta à cadeia e notifica o dito Clemente, ao que este respondeu “que não era letrado que seu procurador responderia por ele”. Seguem quitações das missas e esmolas pias, datadas de 1619, pagamentos feitos por Suzana Rodrigues e Cornélio de Arzão. 3-8-1624 – Cornélio de Arzão é feito curador de Diogo, filho de Teodósio da Fonseca. Fls 30“Outra quitação de Teodósio da Fonseca do casamento que lhe deram que o juiz mandou aqui acostar:Darei três escravos (um casal forro e dois meninos um macho e uma fêmea)Darei uma dúzia de vacas parideirasDarei com estas vacas um touroDarei uma poltra de dois anos que foi de Clemente Alvares(mais roças, porcos, criações, casas na roça e na vila, chão na banda de Santo Antonio, metade do estanho que Martim Rodrigues tinha, roupa de mesa, uma mesa, vasquinha e gibão e seu manto “para as festas da vila”) Sou pago de todo o acima declarado que Martim Rodrigues me prometeu com sua filha em casamento e por assim ser verdade me assignei hoje 7 de março de 1602 anosTheodosio da Fonseca 4-2-1631 – João Paes faz requerimento ao juiz Paulo da Silva, pedindo que Cornélio de Arzão como curador de Diogo, entrasse com a colação do que recebera Teodósio da Fonseca de dote, caso quisesse tirar a legítima do órfão. Requeria que se entregasse esta legítima a ele que tinha casado com a órfã Suzana Rodrigues, porque os demais genros tinham decidido não herdar.O juiz decidiu que o órfão não poderia herdar porque todas as filhas de Martim tinham recebido seus dotes, menos Suzana Rodrigues que precisava ser inteirada.(faltam linhas, mas parece ser parte do mesmo despacho:) “antes de outro despacho se apense aqui o inventário que se fez por morte e falecimento de Suzana Rodrigues, mulher que foi do defunto Martim Rodrigues e satisfeito me torne para mandar o que me parecer justiça. São Paulo 21 de Fevereiro de 1631.” O Juiz dá sentença a favor de João Paes a quem é entregue a fazenda que foi de seu sogro Martim Rodrigues, fiado por João de Brito Cassão. APENSOS AO INVENTÁRIO DE MARTIM RODRIGUES(São papéis desconexos, mais antigos que o inventário e alguns que parecem pertencer a outros autos)1. Mandato de citação à mulher do defunto Damião Simões, para pagar um assinado que seu marido fizera a Garcia de Vila Maior, referente a umas arrobas de açucar.2. Papéis referentes ao oficio de escrivão, que parecem pertencer às atas da Câmara.3. Assinado de dívida de Damião Simões a Garcia de Vila Maior, em 15774. Lembrança escrita em espanhol, sobre pagamento de botas de couro de “baca” que pagou com peles de porco.5. “Recibio-se mi hijo (.......) a 20 dias del mes de (.........) de 1601 años y dias de (.......)Nota do transcritor: Parece tratar-se de lembranças feitas por Martim Rodrigues em espanhol, em papel avulso, onde há mais escritos indecifráveis. LIVRO DE ASSENTOS DE MARTIM RODRIGUESData: 1-1-1602(Caderno manuscrito, organizado em páginas precedidas de um índice, onde constam as pessoas com quem tinha contas, a saber: os rendeiros, confrarias, Nuno Vaz Pinto, Baltazar de Godoi, Francisco Espinosa, Baltazar Gonçalves, José Planta, Francisco Martins, João Serrano, Damião Simões, Manoel Rodrigues, Antonio Camacho, Belchior da Costa, Teodósio da Fonseca, Antonio Andrade, Gaspar Conqueiro) “Este livro hize por quietud de mi memoria para por ele saber na verdad lo que debo eo que me devem......”Nota do transcritor: Os primeiros assentamentos de todas as páginas estão escritos em portugues com excelente ortografia. Devem ser os que Martim Rodrigues diz ter copiado de outro livro. Os restantes estão em espanhol.” Entre as contas:- Deu 10 arretéis de cera a Baltazar Gonçalves, mordomo de Santo Amaro- 15-8-1601 – Assentou-se como confrade de Nossa Senhora do Carmo e tomou o batismo(Nota nossa: este fato tem sido tomado como prova de que Martim Tenório seria judeu, tendo recebido o batismo “de pé”, isto é, em adulto. No entanto, aqui Martim se refere ao batismo da ordem, quando o novo irmão é recebido como parte da congregação, após os ritos de iniciação)- Contas com Clemente Álvares “Lhe devo sete cruzados em dinheiro menos aquilo que no traslado do inventário de seu pai se achar que paguei a Antonio de Siqueira de o buscar e trasladar”. (Nota: O inventário do pai de Clemente não correu portanto em São Paulo)- Com Baltazar Gonçalves tinha contas de feitio de sapatos que Baltazar fizera.- Contas com José Planta eram frequentes e as últimas datam de 29-5-1608. (Dá a impressão que José Planta fazia as vezes de secretário, comprador e pagador de Martim Rodrigues)- Com Damião Simões tinha anotado despesas que fizera com educação, vestuário, com carta de emancipação datada de 2-5-1602, para tratamento de saúde que Damião fez em casa de Pascoal Leite.- Com Gaspar Conqueiro tinha trafego de mercadorias, entregues por Gaspar para Martim dar à gente de Conqueiro. Alguma desta fazenda foi entregue por Belchior Conqueiro, filho de Gaspar. Seguem lembranças:“El engeño de hierro começo a moler quinta fera a 16 de aguosto de mil y quinientos y siete años (sic) al qual engeño pusieram por nombre nuestra señora de aguosto qués la assuncion bendita y su dia a 15 del dito mes.” “Contei meu gado hoje 10 de junho...”.....“Tenho gasto em duas vezes que tenho mandado buscar esta gente que dizem estar em este mato a primeira vez 34 dias 3 negros que são perto dos 102 mais outra vez tudo 46 dias a 3 negros cada dia que são perto de 148 e juntando-se todas 240 peças as que tenho gastado em esta demanda até hoje 6 de junho de 1607 anos são por todo 207 serviços os que hei gastado em buscar esta gente encantada” “Tenho gasto de vinho desde que cheguei até agora (faz contas de várias peroleiras) mais 3$800 que comprei em a vila de São Paulo de casa de Rafael de Oliveira por dois couros .... que tenho gasto em vinho desde que vim do sertão até agora primeiro de junho de 1607 anos 9$800Mais meia pataca mais duas patacas até hoje 13 de setembro de 1607 anos são treze mil réis os que tenho gasto...............O desembargador partiu de Sa (....) de fevereiro de 1606 anos a 8 de março de 1606 anos foi batizada (...) em Santo Amaro baptizo as (.....................)
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]