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    27 de julho de 2022, quarta-feira
    Atualizado em 09/12/2025 05:17:39



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JUL.
27
HOJE NA;HISTóRIA
64

Na Villa Real de Santo Antônio nos Algarves, no sul de Portugal em 21 de novembro de 1891, nascia Antônio, filho de Timóteo Antônio Gaspar e Dona Maria Francisca Gaspar.

Seu pai Timóteo já conhecia Sorocaba, pois foi dono de uma taverna na Rua Padre Luiz em 1887, e assim retornou em 1893, pela segunda vez para o Brasil, junto de sua mulher e seu filho no navio da Mala Real Inglês chamado “Córsega”, chegaram ao Rio de Janeiro e pela Estrada de Ferro Central do Brasil, foram para São Paulo de lá embarcaram na Estrada de Ferro Sorocabana, rumo a Sorocaba.

A família foi morar no Largo Santo Antônio entre os anos de 1893 a 1899, numa casa de esquina com a rua de mesmo nome (atual Rua Padre Luiz), junto com um armazém de secos e molhados.

No ano seguinte a chegada ao Brasil, à família Gaspar, fica maior com o nascimento da filha Carolina.

Em 1895, Timóteo adquiriu uma boa quantidade de terras próximas ao Fábrica Santa Maria que começara a funcionar e era o momento ideal para loteá-las. Esses terrenos formaram em partes as ruas: Manoel Lopes, Teresa Lopes, Cel Nogueira Padilha, Santa Maria, Oliveiro Pilar, Francisco Gonçalves, Sá Fleury, Francisco Glicério, Barcelona, Quinzinho de Barros e Assis Machado.

Em 1899, com a volta da febre amarela em Sorocaba, Timóteo decide retornar a Portugal, assim vai com a família para o porto de Santos para embarcar no navio, mas foram impedidos pelo mesmo problema da fuga: a epidemia.

Assim o pai desiste da viagem e se estabelecem em Santos. Infelizmente a distância não foi capaz de impedir que a família Gaspar também adoecesse. Antônio ficou muito doente, mas foi sua mãe que morreu vitima dessa doença.

Em 1900, se mudaram para São Paulo onde Antônio estudou no Grupo Escolar do Bom Retiro e em seguida no do Brás, retornando a Sorocaba somente em 1903.

Dessa vez o pai investiu numa fábrica de cerveja que chamou de “Humberto I” e que ficava na Rua da Penha na esquina com a Rua Arthur Gomes. A família morou na Rua da Penha no quarteirão entre as ruas Professor Toledo e Arthur Gomes, numa casa alugada com um enorme quintal com arvores frutíferas e chegava até a Rua 7 de Setembro.

Quando ao menino Antonico, ficava a maioria do tempo desocupado, ou seja, ou estava brincando com os amigos ou fazendo travessuras. Destemido sempre investigava casos sem explicações aparentes, beirando o sobrenatural, ficando até em um episódio preso dentro da Igreja Santo Antônio que ficava próximo ao mercado.

Ajudou em algumas tarefas na fabrica de cerveja do pai, e depois que está fechou foi copeiro e arrumador de quartos no Hotel do Vicente, foi caixeirinho de Moysés Jorge Daraia, de José Argento e também de Júlio Cozetti e aprendiz de tecelão na Fábrica Santa Maria.

Em 1904, com a necessidade de ajudar em casa, foi empregado na Fábrica Fonseca, graças a um pedido de seu pai que era amigo do dono Manoel José da Fonseca.

Em 1905, começou a trabalhar na Fábrica de Chapéus de Francisco Souza Pereira, permanecendo até 1908.

No mesmo ano ingressou na Empresa de Energia Elétrica de Sorocaba de Bernardo Lichtenfels como ajudante no almoxarifado.

Na Estrada de Ferro Sorocabana entrou em 30 de Setembro de 1909, como Portador da Estação de Rio Verde, ramal de Itararé até maio de 1911, continuou trabalhando na EFS até sua aposentadoria, quando atuava na função de guarda-fios eletricista em 1947.

Desde a sua juventude, uma de suas paixões era o circo-teatro, por isso além de conhecer muito sobre a história circense sorocabana, também se apresentou em diversos circos amadores, realizados em sua maioria por funcionários das fábricas da cidade. Mas não ficou restrito apenas a atuar, sendo responsável por escrever diversas peças, algumas publicadas em seus livros.A poesia também foi parte presente de sua vida, tanto com criações próprias ou citando outros poetas em seus artigos, livros ou declamando durante as serenatas.Participou do grupo de serenatas que tocavam pelas ruas, depois do fechamento do comercio às 21 horas, quando a cidade se tornava silenciosa e aconteciam somente com a autorização prévia dada pelo delegado de policia. Os serenatistas iniciavam da Rua Miranda de Azevedo e passavam pelos locais onde as namoradas ou interesses amorosos dos integrantes moravam, onde cantavam belas canções, e seguia mesmo depois que as luzes eram desligadas à 1 hora da manhã e pela madrugada a dentro.A história também foi parte importante de sua vida, demonstrado através de artigos e livros de diversos assuntos, indo desde folclore até a Estrada de Ferro Sorocabana, seu tema preferido nas publicações. Dentre todos os seus livros os que são obrigatórios para curiosos e pesquisadores da história de Sorocaba são: “Histórico da Fundação da Estrada de Ferro Sorocabana”, que conta sobre o inicio da Estrada de Ferro na cidade e “Sorocaba de Ontem”, que trás com detalhes, fatos marcantes de épocas mais antigas da nossa Manchester Paulista.


O livro Histórico da Fundação da Estrada de Ferro Sorocabana foi um desafio para Antônio, pois por mais que tenha escrito alguns livros, não se sentia apto para contar essa grande história. Se não fosse o pedido feito pelo diretor da E.F., Gaspar Ricardo Junior, dando liberdade total para pesquisar nos arquivos da Sorocabana e uma carta de apresentação pedindo autorização de acesso aos documentos antigos da ferrovia para o diretor do arquivo municipal de São Paulo.Por dois anos (1928-1930) durante seus dias de folga, Antônio teve acesso a documentos, mapas e antigos funcionários, que o ajudaram a juntar as informações necessárias para escrever um livro que resgata ao primeiros 60 anos de história perdida, que se iniciou com criação da Estrada de Ferro Sorocabana através de Luiz Matheus Maylasky e que tem sua primeira edição de 2000 exemplares esgotados e tendo sua reedição somente décadas depois. Nessa obra o que mais teve dificuldade foi encontrar informações dos primeiros anos da criação, devido às brigas e mudanças da diretoria dessa nova ferrovia, assim teve que se basear nos jornais antigos da época. Sua metodologia de pesquisa incluía desde entrevistas com pessoas mais antigas, que foram testemunhas de fatos relevantes da pesquisa, visitas a cartórios e arquivos municipais e incontáveis dias no Gabinete de Leitura a procura de jornais e revistas antigas.

Aluísio de Almeida nos conta que sua amizade começou graças à descoberta através de amigos sobre um ferroviário de nome Gaspar que havia escrito um livro sobre a Sorocabana. Por causa do horário incompatível de trabalho foi o próprio Antônio que entrou em contato com o padre historiador e desse encontro sairia a idéia de um livro em conjunto com o titulo de “Luiz Matheus Maylasky – Visconde de Sapucaí”.

Próximo ao aniversário do 3º Centenário do aniversário de Sorocaba, um grupo de amantes da história decidiram juntar os seus acervos de objetos históricos para criar o museu sorocabano que teve como sua primeira sede o Gabinete de Leitura. Antônio Francisco Gaspar foi um desses fundadores, sendo que atuou como o arquivista do museu, sem receber salário pela função. Com a mudança de imóvel para Rua Padre Luiz a prefeitura deixou sob sua responsabilidade os cuidados do acervo, que manteve bem cuidado até a desativação do museu em meados de 1964 e foi parte importante quando finalmente instalaram o museu em seu local atual, dentro do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros.

Também foi um dos responsáveis da à criação do monumento em homenagem ao Luiz Matheus Maylasky e que se encontra em frente ao Museu da Estrada de Ferro.Foi sócio fundador do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba e sócio do Gabinete de Leitura.

Momento importante à História de Sorocaba e da Estrada de Ferro Sorocabana, quando o pesquisador Antonio Francisco Gaspar e sua filha Accacia entregam ao Prefeito Dr. José Crespo Gonzales a "PENA dourada" que Luiz Matheus Maylasky ganhou dos jornalistas presentes na inauguração da ferrovia, logo após a chegada oficial do primeiro trem de São Paulo em 10 de julho de 1875. Foto: Coleção "Antônio Francisco Gaspar" Acervo: Oficina Geo-Historica Adolfo Frioli.

Casou 3 vezes: com Adélia Rosa, Amélia e Carmela e infelizmente passou pelo difícil sentimento de acompanhar o falecimento de cada uma, decidindo depois que nunca mais casaria e que segundo mencionado em seu livro, sua próxima esposa seria a SEPULTURA, como de fato aconteceu.

Dos matrimônios teve 5 filhos: Acácia, Silvio, Ercília, Doracy e Amélia. Com ainda 12 netos e 10 bisnetos.Faleceu em 2 de setembro de 1972 as 14 horas em decorrência de um câncer no intestino, sem antes deixar em seu livro “Minhas Memórias”, sua última vontade com as informações necessárias para seu enterro, desde ser vestido com o traje de frei franciscano, que utilizou na peça “A cruz de cedro”, até o convite de enterro que deveriam publicar no jornal. Foi enterrado próximo ao seu amigo historiador Aluísio de Almeida, numa sepultura simples e que atualmente não consta nenhuma identificação com seu nome.Seu acervo pessoal continha inúmeros pacotes que eram desde coleção de jornais, revistas, livros, livretos, fotos, manuscritos e documentos, que foram doados por seus familiares e levados por um caminhão médio lotado para o Museu Histórico Sorocabano onde foi ordenado, catalogado e preservado pela equipe chefiada pelo seu amigo e aluno da historia sorocabana, o historiador Adolfo Frioli.Gaspar permanece vivo, através das exposições e eventos em sua homenagem, teve seu nome dado a uma rua no Jardim Guadalajara e lembrado novamente em maio de 1995, com a inauguração do “Centro Cultural Antônio Francisco Gaspar” localizado em anexo ao Museu Histórico Sorocabano.



Sorocaba/SP
São Paulo/SP
Santos/SP
Rio de Janeiro/RJ
Epidemias e pandemias
Ferrovias
Mairinque/SP
Música
Febre Amarela
Itararé/SP
Antônio Francisco Gaspar
1891-1972
Luís Castanho de Almeida
1904-1981
Vila Hortência
Francisco de Paula Mayrink
1839-1906
Rua 7 de Setembro
Rua da Penha
Fábrica Santa Maria (Sorocaba)
Rua Padre Luiz
José Crespo Gonzales
1926-2011
Bernardo Lichtenfels
Luiz Matheus Maylasky
1838-1906



Inauguração
Data: 31/12/1921


ID: 14041


jkh
Data: 14/01/1934


ID: 14042



EMERSON


27/07/2022
ANO:334
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]