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Surpresas que a genealogia nos revela. Por Paulo Fernando Zaganin. Em xn--yep-dma.com.br

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    8 de setembro de 2019, domingo
    Atualizado em 23/10/2025 17:19:57
  
  
  
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SET.
08
HOJE NA;HISTóRIA
70

A genealogia fornece muitas surpresas. Entre elas, a possibilidade de se descobrir parentescos absolutamente desconhecidos e inusitados, como alguns que, ao longo dos anos e das pesquisas, fui descobrindo e destaco a seguir.É grande, por exemplo, o número de pessoas que descendem no Brasil da família Leme, cujos ascendentes mais distantes foram Wilhelm Lems e sua esposa Claire Van Beernem, nascidos em Bruges, na Bélgica, por volta de 1380, meus 22º avós. Um dos descendentes do casal, Martin Lems, passou a viver em Portugal, onde o sobrenome foi aportuguesado para Leme. Anos mais tarde, parte desta família se transferiu para o Brasil e, hoje, são milhares as pessoas que descendem, por exemplo, de meus 13º avós Fernão Dias Paes Leme e Lucrécia Leme.Esta pode ser considerada a família que tem o maior número de presidentes da República em sua genealogia: Marechal Hermes da Fonseca, Prudente de Moraes, Campos Salles, Getúlio Vargas, Nereu Ramos e Tancredo Neves, todos descendentes da família Leme. No caso de FHC, Leme ele não é, mas sua mulher, Ruth Cardoso, era uma Leme, lemíssima.Ainda seguindo no rumo dos assim chamados “parentes ilustres”, um dos meus tataravôs, Alexandre Faustino de Almeida, era irmão de José Joaquim de Almeida, tataravô de D. Lu Alckmin, por sua vez prima em 5º grau da D. Ruth Cardoso. Cabe aqui dizer que nós três descendemos também do casal Guilherme da Cunha Gago e Brígida Sobrinha de Aguiar (meus 8º avós), ambos de famílias paulistanas tradicionalíssimas.

Outras personagens interessantes que descobri foram minha 14ª avó Catharina Nunes Velho, pentaneta de Álvaro Gil Cabral, que era trisavô de Pedro Álvares Cabral, o descobridor do Brasil. E também meu 13º avô, o Bandeirante Domingos Luis Grou, da família Annes ou Ianes de Portugal, que foi casado com Fulana Guaçu, filha do Cacique de Carapicuíba. Domingos Luis Grou possuía uma data de terra, que vizinhava com a sesmaria concedida aos índios de Piratininga, junto ao rio Carapicuíba.

Em 1570, Grou e outro nobre teriam cometido um assassinato e fugido com a família para o sertão, onde se associaram a índios que, naquela ocasião, estavam em guerra com a Capitania, cujo capitão-mor era Jerônimo Leitão. Padre Anchieta, então, buscando a paz, obteve dos camaristas perdão aos delinquentes e desceu o Anhembi atrás deles. Mas a canoa em que estava, com outros tripulantes, naufragou e Anchieta acabou salvo por um índio. Segundo a tradição, ele teria ficado meia hora debaixo d’água. Esse trecho depois ficou conhecido como Abaremanduava, que quer dizer “cachoeira do padre”. Anchieta conseguiu trazer Grou de volta para a vila e acabar com o perigo de um ataque dos índios. Contudo, em 1590, junto com Antonio de Macedo, filho de João Ramalho, e certo Marcuia, Grou e mais 50 homens fizeram uma entrada no sertão de Mogi, pelo rio abaixo de Anhembi junto do rio Jaguari e, nesta ocasião, foram mortos e devorados pelos índios.

Para minha surpresa, durante as pesquisas acabei descobrindo que até um santo temos na nossa família. Isso mesmo, eu e o Santo Antonio de Sant’Anna Galvão, mais conhecido como Frei Galvão, nascido em 1739, em Guaratinguetá, temos dezenas de ancestrais em comum. Como, por exemplo, meus 10º avós Pedro Vaz de Barros e Maria Leite de Mesquita, que eram bisavós do santo. Ou ainda seu bisavô Paschoal Leite de Miranda que era irmão da minha 10ª avó Clara de Miranda. Cabe aqui ressaltar que nós dois descendemos também de Piqueroby, índio tupiniquim, irmão do Cacique Tibiriçá, ambos contemporâneos do Padre Anchieta.Vale salientar também que a genealogia não nos une apenas com parentes tão longínquos. Por meio dela, acabamos “reencontrando” pessoas da família que, muitas vezes, estão mais próximas do que imaginávamos. Foi assim, que acabei descobrindo que o S. Cilas, esposo da D. Laurinda, era primo legítimo de minha avó Bertolina Andrade. E depois dele, fui sabendo de outros parentes, pela família Andrade, que moravam aqui em Iepê e eu desconhecia, como as queridas Madalena e Marina Andrade, D. Tica (esposa do Adelino Braga), D. Laurentina e D. Lídia, respectivamente esposas de Amado e João Seródio, e tantos outros com os quais nos “reconectamos” e passamos a ter mais contato.O estudo da genealogia nos proporciona, sem dúvida, a possibilidade de desvendar mistérios e histórias incríveis sobre nossos antepassados. Permite-nos conhecer um pouco mais sobre nossa própria história, sobre as origens, as tradições e os costumes de nossa família. A genealogia tem o poder de nos reconectar não apenas com o passado, mas, sobretudo, com as pessoas que fizeram parte dele e sem as quais não estaríamos aqui. Pois, se pararmos para pensar, dependemos de cada uma dessas pessoas que vieram antes de nós – avós, bisavós, trisavós, tataravós etc. –, de suas ações e de suas cargas genéticas, para estarmos aqui hoje, nesta fase da história da humanidade, tal como somos. E daqui cem, duzentos ou trezentos anos, seremos nós os antepassados de tantos outros que virão, certamente virão, depois de nós.



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EMERSON


08/09/2019
ANO:259
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]