19 de maio de 2019, domingo Atualizado em 02/12/2025 01:22:03
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HOJE NA;HISTóRIA
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Moedas contramarcadas são dotadas de grande interesse histórico e de um especial apelo visual, despertando grande fascínio nas comunidades numismáticas por todo o mundo.As moedas que receberam carimbos e tiveram alterados seus valores, funções e até mesmo suas nacionalidades não raramente transformaram-se de peças comuns em verdadeiras preciosidades.Na Numismática Brasileira, a carimbagem esteve presente desde os primórdios e dentro dos mais variados contextos históricos e econômicos.Como exemplos de aplicação oficial, temos os Carimbos Coroados no Séc XVII, mais precisamente em 1643, 1652, 1663, 1679 e 1688.No Séc XIX, o Carimbo Minas foi criado em 1808 para fazer frente ao aumento de despesas ocasionados pela mudança da Família Real.Após ele vieram o Carimbo Escudete de 1809, Carimbo Matto Grosso (1818), Carimbo Cuyabá (1820) e Carimbo Geral (1835-1838).Há carimbos ligados a movimentos revolucionários, como o Carimbo Piratini (Revolução Farroupilha, 1835 a 1845) e carimbos locais para tentar solucionar situações de emergência financeira: Carimbo Pará (1835), Carimbo Ceará (1834) e Maranhão (1834-1835).Existem diversos carimbos festivos e devocionais, cujo exemplo mais conhecido é Carimbo Divino e há também inúmeros carimbos particulares.Finalmente os Carimbos do Império, objeto do presente artigo, definitivamente o capítulo mais enigmático da Numismática Brasileira:Carimbos do impérioContramarca bifacial aplicada nas moedas de cobre, provavelmente entre o final de 1822 (adoção da Coroa Imperial, representada nos carimbos) e 1830, data mais recente conhecida de moeda base que leva o carimbo.Tem a seguinte descrição:Anverso do carimboValor ladeado por 2 ramos unidos por um laço. à esquerda, ramo de café com frutos e à direita um ramo de fumo com 3 flores. Sobre o valor, a Coroa Imperial, tudo contornado por uma orla tracejada.Reverso do carimboIgualmente dentro de uma orla tracejada, o Escudo Imperial com o fundo em tracejado verde. Dentro do escudo, a Esfera Armilar sobre a Cruz da Ordem de Cristo, circundada por um anel de estrelas. Há variedades com 18 e com 19 estrelas.As mais antigas referências conhecidas aos Carimbos do Império são de Julius Meili em seu livro "Das Brasilianische Geldwesen II Theil" de 1897.O autor nos dá a pista de que as moedas contramarcadas circularam nas províncias de Goiás e Mato Grosso e estabelece a relação entre seus pesos e o padrão circulatório local.No Quadro I apresenta ilustrações de 6 exemplares, entre estes um sobre moeda de 20 Réis 1828 R e outro com Carimbo Geral sobre o Carimbo do Império.No "Catálogo da Collecção Numismatica Brasileira" de 1908, Augusto de Souza Lobo apresenta 4 exemplares - 3 sobre XX Réis de D. João VI, todos com Carimbo Geral de 10 e um sobre XL Réis do mesmo rei, com Carimbo Geral de 20.Também relata a falta de informações a respeito e as contradições entre as poucas disponíveis, manifestando sua preferência pelos estudos de Julius Meili.Os Carimbos do Império são mencionados por outros autores, como Saturnino de Pádua, Xavier da Mota e Álvaro da Veiga Coimbra sem que a origem seja esclarecida.Enquanto nem o texto legal nem qualquer documentação oficial sobre os Carimbos vem à tona, temos que nos basear no estudo das peças remanescentes, nas escassas informações existentes e no contexto geral da época para tentar lançar uma luz sobre suas origens e finalidades.Muito aceita é a romântica teoria dando conta de que o Brasil, nação recém independente, necessitava com urgência de seu próprio meio circulante.Para dotar o novo país de sua moeda, os cunhos desses carimbos foram abertos às pressas, a tempo de ter as moedas prontas para a cerimônia de coroação do Imperador. Daí chamá-los de Carimbos Primitivos do Império ou Carimbos da Independência.Essa teoria carece de embasamento documental, já que lei que ordenou os carimbos permanece desconhecida até os dias de hoje.As denominações Carimbo Primitivo do Império e Carimbo da Independência por sua vez são imprecisas, pois são conhecidas várias moedas imperiais que levam as referidas contramarcas.A existência de tais moedas separa o evento supostamente homenageado da efetiva aplicação do carimbo em quase 10 anos.Além disso, a famosa Peça da Coroação, imponente moeda de ouro no valor de 6.400 Réis retratando o Imperador usando uma coroa de louros, foi cunhada para a ocasião.Ou seja, os Carimbos do Império, simples moedas de cobre contramarcadas, sem o nome, efígie ou qualquer menção ao Imperador seriam totalmente dispensáveis na cerimônia de coroação.Voltando no tempo, a circulação monetária que sempre foi uma questão complicada no Brasil Colonial continuou sendo problemática no Brasil Imperial.Sofria-se com a escassez generalizada do meio circulante, com a falta de troco, com o grande volume de moedas falsas e com a diversidade de padrões monetários, que pode ser entendida abaixo:Padrão Nacional ColonialIniciou-se em 1704 com a Carta Régia que determinou a circulação dos vinténs e meios vinténs cunhados na Casa da Moeda do Porto, com peso à razão de 5 Réis a oitava (3,5859 g).Essas moedas, originalmente destinadas à circulação em Angola, logo mostraram-se excedentes e mais úteis no Brasil, carente de meio circulante.Além das moedas da Casa da Moeda do Porto destinadas a Angola e ao Brasil, também houve cunhagem de cobre nas Casas da Moeda de Lisboa, Rio de Janeiro e Bahia.O padrão foi vigente nos reinados de D. Pedro II, D. João V (1706-1750); D. José I (1750-1777); Dna. Maria I e D. Pedro III (1777-1786) e parcialmente no de Dna. Maria I (1786-1799)Os nominais e seus respectivos pesos eram:V Réis: 1 Oitava ou 3,5859 g;X Réis: 2 Oitavas ou 7,1718 g;XX Réis: 4 Oitavas ou 14,3436 g.XL Réis: 8 Oitavas ou 28,6872 g, introduzido no reinado de D. José I.Padrão Regional ColonialAdotado pela primeira vez nas moedas datadas de 1722, cunhadas em Lisboa para circulação nas Minas Gerais, em troca do ouro extraído das minas. Peso à razão de 10 Réis a oitava, nominais de:XX Réis: 2 Oitavas ou 7,1718 g;XL Réis: 4 Oitavas ou 14,3436 g.Quebra do Padrão MonetárioPor não possuir jazidas de cobre, o Brasil dependia de fornecimento externo do mineral. Com a subida de preço do metal e a decorrente defasagem entre o preço internacional do cobre e o valor facial da moeda, um ajuste foi feito no ano de 1799.O material empregado valia praticamente o dobro do valor de face, o que tornou necessária uma desvalorização de 50%.Estabeleceu-se portanto o padrão de peso de 10 Réis a oitava, originando o novo Padrão Nacional que vigorou até o ano de 1832.Os valores faciais e respectivos pesos das moedas passaram a ser:X Réis: 1 Oitava ou 3,5859 g;XX Réis: 2 Oitavas ou 7,1718 g;XL Réis: 4 Oitavas ou 14,3436 g;LXXX Réis: 8 Oitavas ou 28,6872 g.Como as moedas do antigo Padrão Colonial ainda corriam pelo valor de face, foi criado pelo Alvará de 18 de abril de 1809 o Carimbo de Escudete, numa tentativa de uniformizar a circulação.O Carimbo de Escudete foi aplicado nas referidas moedas dobrando seu valor e igualando-o ao das moedas cunhadas no novo padrão monetário.Nos idos de 1822, havia portanto a seguinte situação de desordem monetária: moedas do antigo Padrão Nacional (1704 a 1799) com e sem Carimbo de Escudete, moedas do antigo Padrão Regional (1722) e moedas do novo padrão (1799 em diante), todas circulando por seu valor de face, sem levar em conta o peso. Não é necessário dizer que trazia grande confusão e prejuízos para a população.Goyaz e Matto Grosso, as Províncias do Interior, viviam situação de ainda maior gravidade, pois tinham também a dificuldade em reter o meio circulante.Para tentar solucionar o problema e fixar a moeda no território, foi adotado para as Províncias do Interior o Padrão Regional, à razão de 20 Réis a oitava.As primeiras moedas emitidas nesse padrão para circulação nas províncias foram cunhadas na Casa da Moeda do Rio de Janeiro entre 1818 e 1820, nos valores de XX, XL e LXXX Réis.Utilizando o Padrão Regional, as Casas da Moeda de Goiás (Letra Monetária G) e Cuiabá (Letra Monetária C) iniciaram suas operações cunhando os nominais conforme abaixo:20 Réis: Cunhada somente em Cuiabá em 1825, com peso de uma Oitava (3,5859 g);40 Réis: Cunhadas em Cuiabá e Goiás, com peso de 2 oitavas (7,1718 g), tiveram a cunhagem iniciada em 1823;80 Réis: Cunhadas em Cuiabá e Goiás, com peso de 4 oitavas (14,3436 g), tiveram a cunhagem iniciada em 1826.Evidencia-se portanto a demora até o início da cunhagem de todos os valores com as novas Armas do Império nas referidas províncias.As dificuldades de comunicação, a precariedade das estradas e meios de transporte, as mais variadas limitações técnicas sem dúvida prejudicaram o pleno funcionamento das casas de Goiás e Cuiabá, o que teria levado à necessidade de recorrer ao artifício de contramarcar as moedas em circulação para suprir as necessidades de meio circulante.Considerando portanto o Padrão Regional, vigente nas duas Casas Monetárias, a aplicação dos Carimbos do Império justifica-se conforme os critérios de peso a seguir:Carimbo de 40 Réis sobre as moedas de 2 Oitavas (7,1718 g):Moedas de X Réis do antigo Padrão Nacional;Moedas de XX Réis do Padrão Regional Colonial;Moedas de XX Réis pós Quebra do Padrão Monetário;Moedas de 20 Réis do Império, letras R ou B.Carimbo de 80 Réis sobre moedas de 4 Oitavas (14,3436 g):Moedas de XX Réis do antigo Padrão Nacional;Moedas de XL Réis do Padrão Regional Colonial;Moedas de XL Réis pós quebra do Padrão Monetário;Moedas de 40 Réis do Império, letras R ou B.A aplicação distinta da mencionada escapa do objetivo de uniformizar a circulação e igualá-la ao Padrão Regional e portanto deve ser considerada como indevida.Além da necessidade propriamente dita, outro argumento a favor da ocorrência da aplicação em Goiás e Mato Grosso é a semelhança dos estilos das coroas e dos escudos entre os carimbos e as moedas imperiais das Casas de Goiás e Cuiabá.
Essa semelhança é explicada por Saturnino de Pádua em seu livro "Moedas Brasileiras", Segunda Edição, página 147: tanto os cunhos das moedas quanto os dos carimbos foram abertos pela mesma pessoa: Francisco Manoel Campolim, que até setembro de 1823 servira na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, quando foi transferido para Cuiabá como o responsável pela abertura dos cunhos.
Analisando portanto as poucas informações disponíveis e as raras peças remanescentes, entendo que os Carimbos do Império tenham sido uma moeda de necessidade, oriunda do levantamento de valor de moedas dos outros padrões monetários, de modo a ficar equivalente em peso ao Padrão Regional.A carimbagem teve como objetivos uniformizar os pesos e valores das moedas já em circulação, complementar a cunhagem das casas de Goiás e Cuiabá e compor o meio circulante exclusivamente das Províncias do Interior.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]