2 de novembro de 2013, sábado Atualizado em 16/01/2026 05:57:28
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HOJE NA;HISTóRIA
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Em junho de 323 a.c., quando um famoso cavaleiro morreu na Babilônia, havia conquistado um império que se estendia da Grécia até o rio Hindus, no Paquistão. Seu nome, Alexandre "O Grande". Nada disso seria possível sem o garanhão que ele cavalga em batalha.
Mas esse animal é mais que um veículo para as conquistas. Iremos descobrir que o cavalo tem um papel chave em quase todos os empreendimentos do Homem.
Pensamos na História como uma linha de tempo, uma série de acontecimentos que se estendem à 2 mil anos no passado. É hora de repensar. Em vez de uma linha, imagine uma rede de direções infinitas, interagindo em bilhões de anos, agindo juntas para criar tudo que conhecemos no Universos. Nosso planeta e nós mesmos.
Quando vemos os momentos mais épicos pelas lentes da ciência e sob uma nova luz revolucionária, os movimentos dos átomos agitam os movimentos dos homens, das civilizações. A História como conhecemos está ficando maior.
(...) A Grande História revela conexões que envolvem toda a humanidade, desde as roupas que vestimos e as conquistas, ou a queda de impérios, até a revolução da linguagem. E é o cavalo que liga todos eles.
A Grande História volta no tempo 6 mil anos atrás. Nas pradarias da Ásia Central, onde os primeiros nômades estão falando uma língua antiga conhecida como Proto-Hindú-Européia. Sua palavras irão certamente se espalhar e se desenvolver, ramificando-se a partir de uma rota comum, até chegar ao italiano, espanhol, grego, russo, hindú, alemão, inglês. Começando-nos as línguas faladas por quase a metade do mundo.
Por que a propagação da língua começa aqui? Porque estes são os primeiros povos na Terra à cavalgar cavalos e isto cria uma estrada entre seus mundos.
Craig Benjamin, historiador, co-autor de "Big History"
Não haveria este texto, não em português, se não fosse pelo papel do cavalo em espalhar a língua, a cultura e os seres humanos.
A Grande História liga sua História à uma série de transformações épicas. Todas colocadas em marcha por um animal revolucionário. Desde o momento em que o primeiro cavaleiro saltou no lombo de um cavalo, quase 6 mil anos atrás, ambas as criaturas se transformaram.
Jonathan Markley, historiador, Cal State Fullerton
O Homem cuida de seu cavalo. Ele limpa, adestra ele, coloca ferraduras nele, o ajuda a procriar, e em troca o cavalo nos dá a força de seus músculos, que nos leva á vitória na guerra.
Craig Benjamin, historiador, co-autor de "Big History"
No âmbito de Grande História é difícil pensar em qualquer outro mamífero que teve tanto impacto na História humana como o cavalo.
Melhor amigo do homem
Entre todos os animais da terra, por que o cavalo se tornou o mais importante aliado do homem?
Há estimados 6.6 milhões de espécies de animais terrestres , mas muitos deles, como os insetos são pequenos demais para serem úteis. Outros são difíceis demais para domesticar, carnívoros, por exemplo, são muito caros para alimentar. Alguns, como o elefante, demora tempo demais atingir o tamanho completo. Outros, como a zebra, são geniosos demais para serem úteis. Para puxar e cavalgar o animal precisa pesar pelo menos 45 quilos, o que elimina quase todos, deixando-nos com um pouco mais de 1 dúzia de mamíferos que se alimentam de grandes plantas, entre eles somente o cavalo tem a exata combinação de força, temperamento e acima de tudo, velocidade.
Cada perna é como uma mola gigante que pode impulsionar um animal de 554 quilos é velocidade 6 vezes mais rápida que um ser humano médio.
Trevor Valle, paleontologista
Uma vez que você domestica um animal que tem mais habilidade do que você mesmo, você mudou todo o jogo.
Mas por que esses antigos impérios enormes não se tornaram ainda maiores?
As evidências sugerem uma teoria surpreendente. Que os antigos impérios tem um limite de tamanho delimitado pelo cavalo. Se os limites externos de um império tem mais de 14 dias de distância, à cavalo, da capital, torna-se uma luta manter o controle.
Jonathan Markley, historiador, Cal State Fullerton
A velocidade das comunicações é essencial para manter um império. Você tem que ser capaz de enviar mensagens para a fronteira e levá-las de volta com espaço razoável de tempo, seu não puder fazer isso, seu império não é competente, você não pode responder aos ataques, não pode responder as crises.
O império mongol se expande bem além do limite de um tamanho sem precedentes de 33.7 milhões de quilômetros quadrados. Os mongóis controlavam tanta terra que poderia demorar mais de um ano para receber mensagens ou suas tropas viajarem para os limites externos do império. Mas durante um século, rebeliões dividem o império mongol em 4 territórios menores, cada um com 5 a 13 milhões de quilômetros quadrados, não coincidentemente, iguais ao tamanho do império romano á esta altura.
Do outro lado do mundo, os impérios das Américas são mínimos em comparação. O maior deles, o império inca, é apenas uma fração do tamanho do que uma vez foi Roma. Ao norte, os astecas reivindicam apenas 199.4 milhões de quilômetros quadrados.
Por que estes impérios do Novo Mundo são ofuscados por aqueles do Velho Mundo?
Por uma importante razão: o Novo Mundo não tem nenhum cavalo. De fato, os incas confiam em corredores chamados Xasques para entregar mensagens e mantimentos.
Charlie C. Mann, escritor, autor de 1491 e 1493
Com o cavalo você pode ir do ponto A ao ponto B, separados apenas 160 quilômetros de distância. Não é uma grande coisa. Para pessoas que correm é um grande feito.
Por que uma parte do mundo tem cavalos e outra não?
Você pode pensar que é porque cavalos não conseguiam chegar às Américas, até que os europeus os trouxessem aqui em navios. Mas uma evidência fóssil revelou uma novidade. Os cavalos nasceram nas América.
Trevor Valle, paleontologista:
Os cavalos são nossos, eles tem sido nossos desde o início dos tempos.
A Grande História volta no tempo 50 milhões de anos. Quando a Terra se aquece, florestas úmidas se tornam pradarias. Os ancestrais dos cavalos descem das árvores e vão para as planícies. Eles se adaptam ao seu novo meio ambiente e desenvolvem longas pernas e corpos musculosos que os permitem fugir dos predadores, dando-lhes a velocidade que um dia seria tão fundamental para a História humana.
Então, o que aconteceu com os cavalos americanos?
Eles cruzam trilhas com os primeiros americanos que atravessam a ponte da Terra de Beringh, durante a última era do gelo, não como transporte, mas como alimento. Eles provavelmente caçaram o cavalo levando-o a extinção.
Mas alguns cavalos tiveram melhor sorte, atravessando a mesma ponte da Terra, que também trouxe pessoas. Com certeza colocando-os no lugar certo, na hora certa, para que os habitantes da Ásia central os domassem.
Trevor
Os cavalo tinha um ótimo plano para simplesmente cair fora. Se não fosse por isso, onde estaríamos hoje?
Mas as civilizações das Américas não terão os benefícios deste aliado fundamental. Quando os cavalos finalmente retornaram para as Américas, com os espanhóis, nos séculos 15 e 16, generais como Hernan Cortez se chocam com as culturas, sem cavalos, do Novo Mundo, e decisivamente vencem.
Roger Mcgrath, historiador
Nos primeiros conflitos entre os povos nativos e os espanhóis, estes eram capazes de usar os cavalos para fazer ataques surpresas e lutas frontais. Isso nunca aconteceria se os povos nativos tivessem cavalos. Quando os nativos vêem estes cavalos tem 3 reações: "Mas que diabo é isto?", "Uau! Olha as coisas que ele pode fazer." e "Eu quero um". Eles vão da reação 1 até a 3 em apenas 5 minutos.
Durante 200 anos os cavalos espanhóis transformam a vida nativa americana em toda a sua extensão.
Roger Mcgrath, historiador
Uma vez que eles tem o cavalo e adotaram a cultura do cavalo, eles se transformam em guerreiros montados e também em guerreiros montados, que agora cavalgam por toda parte através de grandes planícies.
E assim como os mongóis e os romanos, antes deles, estas tribos nativas, como os Comanches, rapidamente expandem seus impérios no dorso dos cavalos.
Roger Mcgrath, historiador
De fato os espanhóis tinham um nome para isso, chamavam de Comancheria, uma área de 960 quilômetros de sul ao norte, e por volta de 640 quilômetros de lesta ao oeste. E dominavam completamente esta área. Portanto o cavalo mudou inteiramente, não apenas a cultura dos índios americanos, mas a História do oeste.
Uma Revolução da Energia
Toda energia que consumimos alimentando pode ser rastreada até uma única energia. O Sol. Os humanos não podem absorver diretamente a energia do Sol, mas plantas podem, o que significa que planícies verdejantes são reservas imensas de energia. Mas comer toda esta grama não é uma opção para os humanos, já que é essencialmente celulose, uma substância que não podemos digerir. Para obtermos energia desta grama selvagem podemos esperar que outros animais a comam, daí então comê-los. Mas, há um problema. No momento em que a energia chega á nós pela cadeia alimentar, muita coisa se perdeu. Plantas como a grama perdem 90% da energia solar que absorvem. Animais que comem grama perdem outros 90%. No momento em que estivermos comendo um filé, outros 90% são perdidos.
David Christian, historiador, co-autor de "Big History"
Eu não posso comer grama por causa do meu tipo de organismo. Olhe para toda essa energia armazenada nessa grama, e isso é frustante. eu não posso alcançá-la. Então o que vou fazer se eu for realmente esperto? Eu domestico um animal que possa comer essa grama.
Assim que os humanos começam a cavalgar cavalos comedores de grama, nós demos um passo mais perto da fonte de energia e conseguimos um impulso principal da força.
David Christian, historiador, co-autor de "Big History"
Aprender a domesticar o cavalo foi um tipo de revolução energética. Um cavalo pode produzir por volta de 8 a 9 vezes a potência de um ser humano. Então, em vez de carregar mantimentos você mesmo, você pode ter cavalos carregando, portanto é uma energia próspera.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]