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Geoprocessamento aplicado a estudos do Caminho do Peabiru. Por Ana Paula Colavite e Mirian Vizintim Fernandes Barros

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    2009
    Atualizado em 24/10/2025 02:17:31
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Resumo:Este estudo apresenta a aplicação de ferramentas do Geoprocessamento no estudo edemarcação do caminho de Peabiru no estado do Paraná e seu aproveitamento turístico porintermédio da criação de rotas de peregrinação, na Mesorregião Geográfica Centro-OcidentalParanaense. O caminho de Peabiru é uma rota pré-colombiana que atravessava o estadoParanaense e foi determinante na construção do atual território estadual. O presente estudoutiliza técnicas computacionais e do Geoprocessamento para redefinir através de mapasantigos a rota do Caminho de Peabiru sobre o atual mapa político do Paraná. Com base nestemapeamento e em pesquisas de campo, com auxilio do receptor GPS, são traçadas rotas parao desenvolvimento do turismo local. [Página 1 do pdf]

IntroduçãoOs caminhos e trilhas fazem parte do cotidiano das pessoas desde períodos remotospara realização de atividades básicas do cotidiano como caça, coleta de alimentos emigração. Alguns se tornaram mais conhecidos e apresentaram maior importância na históriada civilização, já outros sumiram com a evolução da sociedade.Independentemente de sua importância, traçados históricos foram apagados ousubstituídos por estradas da engenharia moderna e contemporânea. Tais fatores dificultam oestudo e a obtenção do verdadeiro traçado de um caminho antigo, ficando muitas vezeslimitados ao uso de mapas antigos, descrições e relatos de viajantes e informações doimaginário da população que teve contato com o caminho.Durante a colonização do estado do Paraná diversos caminhos foram utilizados econseqüentemente determinantes para a formação do território estadual atualmenteconhecido. Entre os caminhos que fizeram parte de sua história, têm-se: o caminho deViamão, a estrada da Graciosa e o de Peabiru, o qual é descrito por Maack (1959) comosendo a mais importante rota transcontinental da América do Sul, do período précolombiano, apresentando aproximadamente três mil quilômetros de extensão, atravessandoo continente do oceano Pacífico ao oceano Atlântico. A época de sua construção édesconhecida e existem muitas dúvidas quanto aos seus verdadeiros criadores, índios danação Guarani, Jê ou até mesmo os Incas.O caminho apresenta grande variedade de nomes, entre eles Caminho da Montanhado Sol, Caminho de São Tomé, Caminho do Mato, Caminho do Sertão e Caminho Velho,adotados em cada região por onde passou, sendo, portanto, uma nomenclatura específica acada região (CASEMIRO, 2005b).Embora não exista a certeza de que foi criado pelos índios guaranis, eles foram umde seus maiores usuários. Na nomenclatura desta tribo a palavra Peabiru é uma derivação de“Tape Aviru” ou “Ta pe a beyuy”, podendo ser traduzido como caminho forrado, caminhoantigo de ida e volta, caminho pisado, caminho sem ervas e, apresentava um fortesignificado, para esta tribo, pois era considerado o caminho para a Terra sem Mal, pelo qualos indígenas caminham em busca do paraíso.Algumas características o diferenciavam de outros caminhos, ao longo de seupercurso apresentava aproximadamente 08 (oito) palmos de largura, o equivalente a 1,40metros (um metro e quarenta centímetros) e 0,40 metros (quarenta centímetros) deprofundidade, sendo todo o percurso coberto por uma espécie de gramínea que não permitia que arbustos, ervas daninhas e árvores crescessem em seu curso evitando também a erosão,já que era intensamente utilizado.Embora este caminho tenha sido utilizado por aventureiros europeus, colonizadores,padres, caçadores de índios, exploradores da riqueza natural do estado do Paraná, dentreoutros, pouco material é encontrado sobre o assunto e sua localização exata também é fatorimpreciso. Apresentava um ramal principal, ramificações secundárias que levavam até ocaminho principal, e ainda caminhos e picadas que conduziam ao ramal principal e aoscaminhos secundários, interligando inúmeros povoamentos indígenas.O ramal principal apresentava duas ramificações uma que vinha do litoral de SantaCatarina e outra do litoral de São Paulo, encontrando-se no primeiro planalto Paranaense poronde seguiam, em sentido oeste, passando pelo Mato Grosso do Sul, Paraguai, Bolívia e Peru,figura 01.O relato atualmente conhecido e mais completo sobre o Caminho de Peabiru foisintetizado em um manuscrito realizado pelo alemão Ulrich Schmidel, em meados do séculoXVI, o qual foi minuciosamente estudado por Reinhard Maack na década de 1950.O alemão Ulrich Schmidel apresenta grande relevância nos estudos relativos aoCaminho de Peabiru, pois o percorreu de Nossa Senhora de Assunção (atual Assunção, capitaldo Paraguai) até São Vicente em São Paulo, travessia essa, que segundo o próprio Schmidel(2006), teve duração de aproximadamente seis meses.Ulrich Schmidel não foi o primeiro europeu a percorrer o caminho de Peabiru, antesdele dois grandes nomes ficaram marcados por esta travessia: Aleixo Garcia e Don ÁlvarNunez Cabeza de Vaca, entretanto foi ele quem o descreveu com grande detalhamento.A travessia só se tornava possível tendo como guias índios guaranis das regiões poronde passavam “...Esse caminho era amplamente conhecido pelos índios, que o indicavamaos viajantes” (MOTA, 2005, p.2). Era formado por uma rede de caminhos e não apenas porum ou dois ramais principais, o que permitia tanto a caminhada em sentido leste/oestequanto norte/sul. Os indígenas sabiam os locais que forneciam perigo aos viajantes, como oterritório de tribos pouco amigáveis, e os caminhos para desviá-los. [Páginas 2 e 3 do pdf]

Após a descoberta da América do Sul deu-se início à expansão das fronteiras eocupação do território brasileiro, sendo que, a área hoje denominada Paraná foi ocupadainicialmente por espanhóis e mais tarde pelos portugueses, fazendo parte da região doGuairá, onde viviam aproximadamente 200.000 índios. [Página 4 do pdf]

O Estado foi explorado de inúmeras formas, primeiro pelos colonos espanhóis quecolhiam erva-mate, utilizando a mão-de-obra escrava de índios, depois foi palco dasreduções jesuíticas que, de certa forma, protegiam os índios da crueldade dos colonos,porém os tornavam pacíficos à presença do homem branco. Mais tarde muitos índios foramcapturados pelos bandeirantes paulistas e levados até São Paulo para serem vendidos comomercadoria, ou seja, mão-de-obra escrava.

Por volta de 1631, este processo fez com que muitas tribos fossem dizimadas e algunsdos sobreviventes, que ainda moravam nas reduções (aproximadamente 12 mil índios),fugiram com os padres para Rio Grande do Sul e Uruguai, pelos rios Paranapanema e Paraná,fundando os Sete Povos das Missões. Os que ficaram acabaram sendo capturados ou fugirampara Mato Grosso do Sul e Paraguai, formando um vazio no Estado do Paraná até inicio doséculo XVIII quando índios da nação Jê começaram a reocupar a região (MOTA, 1994).A partir da entrada dos Kaingang (pertencentes à nação Jê) no Paraná, muitastentativas de colonização do estado foram frustradas, já que estes apresentavam maiorresistência aos bandeirantes e também aos padres Jesuítas, retardando a colonização doestado Paranaense.

Com a colonização do estado, já no decorrer do século XX, houve um intensoprocesso de desmatamento, exploração da madeira, da terra e de outros recursos naturais,exigindo para tal a construção de estradas, rodovias, cidades, dentre outros, que acabarampor modificar totalmente o quadro estrutural paranaense e destruindo quase que natotalidade o caminho de Peabiru. Restaram apenas esparsos vestígios, longínquas histórias namemória dos pioneiros e seus descendentes e alguns poucos e valiosos mapas e escritos deantigos pesquisadores e aventureiros como o de Ulrich Schmidel.Na atualidade existem poucos vestígios da existência deste caminho, muitasinformações são originárias de relatos de antigos habitantes das redondezas, e, seu traçadocontado aos seus filhos e netos. Por sua importância histórica e cultural, muitos caminhospodem ser tombados e preservados para a população atual e futura, e acabam sendoutilizados como rotas turísticas.Nos casos em que o traçado original de um caminho foi “apagado” existe anecessidade de redesenhá-los cartograficamente antes de qualquer proposta de utilização.Este estudo propõe uma metodologia de traçado de rotas a partir de mapas antigos, dedocumentos e de coleta de relatos de moradores, adequando-os a atual malha viária doEstado, utilizando os Sistemas de Informações Geográficas (SIG’s) e outras ferramentascomputacionais e tecnológicas. [Página 5 do pdf]

O Geoprocessamento opera com inúmeras ferramentas oriundas do avançotecnológico, a principal destas são os SIG’s (Sistemas de Informações Geográficas ouGeorreferenciadas), que tornam possíveis análises complexas, por integrar dados de diversasfontes em um banco de dados georreferenciados, tornam ainda possível automatizar aprodução de documentos cartográficos.Atualmente o mais conhecido SIG, criado no Brasil, é o SPRING (Sistema paraProcessamento de Informações Georeferenciadas) desenvolvido pelo INPE (Instituto Nacionalde Pesquisas Espaciais). Dentre as várias utilidades dos SIG’s, têm-se a produção de mapas, aanálise espacial de fenômenos e a criação de banco de dados geográficos, com funções dearmazenamento e recuperação de informação espacial (INPE, 2005).Este estudo teve a pretensão de apresentar, de forma resumida, uma propostametodológica por meio de ferramentas geotecnológicas envolvendo caminhos históricos paraaproveitamento turístico, já que o material cartográfico contendo caminhos históricos érestrito. Justifica-se por respaldar as atividades de desenvolvimento turístico sob o enfoquedo tema “Caminho de Peabiru” na Mesorregião Centro-ocidental Paranaense.

Procedimentos Técnicos Operacionais

As atividades realizadas nesta pesquisa procederam na seguinte seqüência: espacialização do caminho de Peabiru no estado do Paraná; recorte da Mesorregião Centroocidental Paranaense; comparação das rotas de peregrinação com o traçado do Caminho de Peabiru na porção nordeste da mesorregião em estudo. As etapas detalhadas são apresentadas na seqüência.

O mapa de domínio público mais conhecido e preciso, que apresenta o caminho de Peabiru, é o elaborado por Reihnard Maack em 1952, (figura 02), cuja base de dados foi extraída dos manuscritos de Ulrich Schimidel. O mapa é intitulado “Sobre o Itinerário de Ulrich Schimidel” e foi utilizado neste estudo como mapa base do traçado do caminho de Peabiru no estado do Paraná.

A área abrangida no mapa representa o território paranaense, parte de São Paulo,Santa Catarina, Paraguai, Argentina e Bolívia, não apresentando limites políticos préestabelecidos e projeção cartográfica. Os nomes de lugares e rios estão em guarani eespanhol, e muitas cidades com seus nomes antigos, o que dificulta sua análise einterpretação. [Página 7 do pdf]

A espacialização do traçado do Caminho de Peabiru para um mapa político atual do estado do Paraná é o maior desafio imposto a este estudo, pois pequenos detalhes devem ser observados e critérios próprios adotados para associação espacial dos dados.

O mapa do estado do Paraná foi obtido da Internet, em formato pdf, e, por ser ummapa rodoviário apresentava inúmeras informações que não interessavam ao estudo, portanto foi realizada uma limpeza de vetores, por meio do Adobe Illustrator 10.0, permanecendo apenas os limites municipais, a rede hidrográfica e os nomes de municípios e distritos, bem como a indicação de sua localização.

O mapa limpo foi sobreposto ao de Maack (2002) e as escalas ajustadas através dos paralelos e meridianos presentes nos dois mapas. Em alguns locais teve-se que trabalhar com a distorção do mapa do Maack (2002) para que fosse possível coincidir rios e outros elementos presentes nos dois mapas. Com os mapas sobrepostos, a rota do Caminho de Peabiru foi copiada para o mapa do Paraná.

O ajuste da rota do Caminho de Peabiru teve que ser realizado com base em bibliografia de Maack (1959) que descreve os locais por onde o caminho passava e muitas vezes os nomes das localidades correspondem a seus antigos nomes, portanto pesquisa complementar foi necessária. Para o ajuste os rios também foram utilizados como referencial.

Finalizada esta etapa, e, considerando que a área de interesse específico da pesquisaé a Mesorregião Centro Ocidental Paranaense, esta foi extraída do mapa do Paraná contendoo traçado do caminho de Peabiru, para que posteriormente fosse associado a ela o traçadodas rotas de peregrinação. Estas rotas são caminhos marcados sobre a rede de estradasrurais, com o uso do GPS, registrando pontos por todo percurso e em locais especiais comorios, encruzilhadas, pontos de parada para alimentação e pouso, pontos de interessehistórico e cultural, e outros, que identificam a rota.Estas foram definidas por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores doNECAPECAM (Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Caminho de Peabiru na COMCAM MicroRegião 12 do PR) que em campo levantou vestígios históricos do caminho de Peabiru junto amoradores antigos que viveram a colonização na Mesorregião Centro-ocidental Paranaense.Sobre este projeto de resgate histórico e cultural Casemiro (2005a, p.61) expõe que ele”segue ambas as investigações: bibliográfica e de campo, com vistas a demarcar, o maisproximamente possível, a milenar rota indígena para pesquisas e peregrinações”.Para o desenvolvimento da pesquisa os produtos cartográficos nesta primeira etapaforam os seguintes:• MAACK, Reinhard. Esboço do Itinerário de Ulrich Schmidel de sua viagem de Assunção aSão Vicente, de 26 de Dezembro de 1552 a 13 de Junho de 1553. Escala de 1:5.000.000,em Geografia Física do Estado do Paraná, 2002.;• DNIT. Mapa Rodoviário do Paraná. Escala de 1:750.000, projeção Policônica, 2002.• Definido o traçado em escala regional, iniciou-se a construção do banco de dados noSPRING, cujo objetivo é associar a rota do caminho de Peabiru com as rotas deperegrinação traçadas pelo NECAPECAM. Nesta etapa utilizou-se como carta base omosaico das seguintes cartas topográficas na escala de 1:50.000:• Ministério do Exército. Barboza Ferraz. Folha SG.22-V-B-I-2, Projeção UTM, datumhorizontal SAD69, 1990.• Ministério do Exército. Campo Mourão. Folha SG.22-V-B-I-1. Projeção UTM, datumhorizontal SAD69, 1990.• Ministério do Exército. Jussara. Folha SG.22-Y-D-IV-1. Projeção UTM, datum horizontalSAD69, 1989; [Páginas 8 e 9 do pdf]



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GEOPROCESSAMENTO APLICADO A ESTUDOS DO CAMINHO DE PEABIRU
Data: 01/01/2009
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EMERSON


01/01/2009
ANO:98
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Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]