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Organizando a História

Séculos


*Folhas ao vento - a micromobilidade de grupos Mbya e Nhandéva (Guarani) na Tríplice Fronteira
2007, segunda-feira ver ano
  
  

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A fundação dos núcleos povoadores exigia uma enorme transferência de braços paramanter o sistema de produção colonial e a solução encontrada pelos colonizadores foi utilizara mão-de-obra indígena. Em 1556 o governador da Província do Paraguai, Domingo de Irala,introduziu o sistema de trabalho das encomiendas forçando o deslocamento de grandescontingentes populacionais indígenas para as áreas de produção agrícola. Para termos umaidéia do que isto representou em números, estima-se que entre 200 a 800 mil índios tenhamsido reunidos somente no Guairá (Meliá, 1989:296).O cenário colonial se complexifica a partir de 1610, com a fundação das primeirasreduções dos padres jesuítas. De um lado, o interesse dos missionários em transformar “genterústica em cristãos civilizados” (Montoya [1639] 1985:22), de outro, encomenderos espanhóise bandeirantes paulistas em busca de braços para o trabalho nas colônias. Por volta de 1750havia mais de 120 mil índios reduzidos em trinta povoados missioneiros. Eram índiospacificados e treinados para os trabalhos essenciais à vida das povoações coloniais, o queexplica a freqüência dos ataques organizados de bandeirantes e encomenderos às reduçõesjesuíticas, obrigando esta população a buscar refúgio em áreas cada vez mais distantes dospovoados coloniais (Quevedo,1998:253). Os padres jesuítas, por sua vez, ao reduzir os índiosnas missões alegavam ser esta uma necessidade de defesa contra as “entradas” dos caçadoresde escravos nas florestas (Flores, 1997:115).O mais conhecido ataque, por seu poder de destruição e mobilização humana, ocorreuem 1631, chefiado pelo “bandeirante” Raposo Tavares. Ele liderou uma grande expedição deataque que saiu de São Paulo em agosto de 1628, com mais de 400 portugueses e “2.200índios tupis aliados” (Montoya [1639] 1985:133), em direção ao Guairá. Amedrontados, maisde 12 mil índios missioneiros foram obrigados a de deslocar do Guairá em direção à Provínciado Uruguai, ao sul, onde fundaram as reduções de Loreto e San Ignácio (atual província deMisiones, Argentina). O próprio Montoya organizou a retirada descendo o rio Paraná:(...) fabricaram-se, em tempo brevíssimo, 700 balsas, sem contar canoassoltas em quantidade, embarcando nelas mais de 12.000 almas, as quaisimportavam nas únicas a escaparem deste tão tempestuoso dilúvio. (...) oruído da ferramentas, a pressa e confusão, davam a impressão de aproximarse o juízo final (...) Chegaram os Paulistas ao ‘pueblo’ já despovoado,investiram contra as portas dos templos e, encontrando resistência em abrilas, por estarem bem trancadas, fizeram-nas em pedaços (Montoya,[1639]1985:135).Em 1750, com a assinatura do Tratado de Madrid, firmou-se o acordo entre as coroasportuguesa e espanhola que passava grande parte do Guairá ao controle português. Mas é com [p. 51]





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