Com a morte de Dom Francisco de Souza, em 15 de Agosto de1611, nesta Cidade de S. Paulo (isto se vê melhor nas Memorias, que já escrevi de tudo o que tinha relação ao mesmo Dom Francisco de Souza) ficarão os descobrimentosdas Minas de ouro, prata, ferro, e mais metaes sem adiantamento, e necessidade de estabelecimento e povoações.
Correrão os annos sem outra alguma providen cia, até que o Senhor Rey Dom João o 4º, de suspirada memoria, por ordem de 7 deJunho de 1644, mandou a Salvador Correa de Sá e Benavides, fidalgo da sua Casa,General das Armadas do Estado do Brazil, Alcaide-mór, e Governador da Cidade do Riode Janeiro, que passasse à Capitania de S. Vicente e S. Paulo com o caracter de Governadore Administrador Geral das Minas della, ao que trouxe sua instrução firmada pelo dito Senhor.
Trouxe Carta com data de 8 de Junho do mesmo anno de 1644, para em nome de SuaMagestade conferir Habitos de Christo com tença; foros de fidalgo da Casa; foros de Moço daCamara; e de Cavalleiros fidalgos, em pessoas moradoras da dita Capitania; com estas mercêsse facilitassem e animassem aos descobrimentos das Minas e estabelecimento dellas.
Havia obra Benavides, por que assistindo em S. Paulo até o anno de 1660,foi articulado, com injuriosos artigos, pelos officiaes da Camara da Cidade de S. Paulo,João Corrêa de Lemos, Fernando Caldeiro Leme, Simão Barreto de Lima,e outros, os quaes com o Povo da mesma Cidade em corpo tumultuoso, prenderãoaos parentes de Benavides que estavão com o Governo em sua ausencia, e Domingos Correade Alvarenga, Juiz da Cidade, e Martim Correa Lamego, Capitão da Praça; eoutros mais, e o Provedor da Fazenda, os meterão em huma embarcação; deportando-osdo Governo Geral a Salvador Correa de Sá e Benavides, e recorrerão com carta de 16 de Novembro de 1660,em que davão conta deste insulto aos Officiaes da Camara de Lisboa; e com politica se eximiramde concorrer para aquella attentado, como se vê da resposta que deram em 18 de Outubrodo dito anno, com expressões cheias de humores e a favor do Governador e Administrador das Minaso dito Benavides, a quem os mesmos Camaristas e nobreza de S. Paulo escreverão rogando-lhe que não se ausentasse pelo risco de sua vida; mas que em caso de não attender a esta supplicalhe seguravão, que estavão promptos com pessoas, vidas, e fazendas, para o acompanharemem seu serviço, e do Rey. Tudo se vê melhor no Archivo da Camara de S. Paulono Livro de Registo Capa de Couro listado nº 2, anno de 1647, pag. 50 até 56; Livro nº 4, anno1658, pag. 102, 117, e 118 vº.
Salvador Correa de Sá e Benavides sahio de S. Pauloem 1661, recolhendo-se à Ilha Grande, tendo de antes ao som de caixas mandado seguraraos do Rio de Janeiro; com perdão geral em nome de Sua Magestade.Correrão annos, pelo de 1664, mandou Sua Magestade escrever aos Camaristas [p. 4]
Com a morte de Dom Francisco de Souza, em 15 de Agosto de1611, nesta Cidade de S. Paulo (isto se vê melhor nas Memorias, que já escrevi de tudo o que tinha relação ao mesmo Dom Francisco de Souza) ficarão os descobrimentosdas Minas de ouro, prata, ferro, e mais metaes sem adiantamento, e necessidade de estabelecimento e povoações.
Correrão os annos sem outra alguma providen cia, até que o Senhor Rey Dom João o 4º, de suspirada memoria, por ordem de 7 deJunho de 1644, mandou a Salvador Correa de Sá e Benavides, fidalgo da sua Casa,General das Armadas do Estado do Brazil, Alcaide-mór, e Governador da Cidade do Riode Janeiro, que passasse à Capitania de S. Vicente e S. Paulo com o caracter de Governadore Administrador Geral das Minas della, ao que trouxe sua instrução firmada pelo dito Senhor.
Trouxe Carta com data de 8 de Junho do mesmo anno de 1644, para em nome de SuaMagestade conferir Habitos de Christo com tença; foros de fidalgo da Casa; foros de Moço daCamara; e de Cavalleiros fidalgos, em pessoas moradoras da dita Capitania; com estas mercêsse facilitassem e animassem aos descobrimentos das Minas e estabelecimento dellas.
Havia obra Benavides, por que assistindo em S. Paulo até o anno de 1660,foi articulado, com injuriosos artigos, pelos officiaes da Camara da Cidade de S. Paulo,João Corrêa de Lemos, Fernando Caldeiro Leme, Simão Barreto de Lima,e outros, os quaes com o Povo da mesma Cidade em corpo tumultuoso, prenderãoaos parentes de Benavides que estavão com o Governo em sua ausencia, e Domingos Correade Alvarenga, Juiz da Cidade, e Martim Correa Lamego, Capitão da Praça; eoutros mais, e o Provedor da Fazenda, os meterão em huma embarcação; deportando-osdo Governo Geral a Salvador Correa de Sá e Benavides, e recorrerão com carta de 16 de Novembro de 1660,em que davão conta deste insulto aos Officiaes da Camara de Lisboa; e com politica se eximiramde concorrer para aquella attentado, como se vê da resposta que deram em 18 de Outubrodo dito anno, com expressões cheias de humores e a favor do Governador e Administrador das Minaso dito Benavides, a quem os mesmos Camaristas e nobreza de S. Paulo escreverão rogando-lhe que não se ausentasse pelo risco de sua vida; mas que em caso de não attender a esta supplicalhe seguravão, que estavão promptos com pessoas, vidas, e fazendas, para o acompanharemem seu serviço, e do Rey. Tudo se vê melhor no Archivo da Camara de S. Paulono Livro de Registo Capa de Couro listado nº 2, anno de 1647, pag. 50 até 56; Livro nº 4, anno1658, pag. 102, 117, e 118 vº.
Salvador Correa de Sá e Benavides sahio de S. Pauloem 1661, recolhendo-se à Ilha Grande, tendo de antes ao som de caixas mandado seguraraos do Rio de Janeiro; com perdão geral em nome de Sua Magestade.Correrão annos, pelo de 1664, mandou Sua Magestade escrever aos Camaristas [p. 4]
de Sua carta de 17 de Novembro do mesmo anno, avisando-os, e provava a pagamento de Barbosa e Vieira, feito Governador e Administrador das Minas, que devia vencer, o quelhe estava vencido 600$000 rs de ordenado por anno, desde o dia de seu embarquena Bahia, para efeito de se ajudarem, acompanharem os auxiliares; recebeu tão bem cartado mesmo Rey com data de 27 de Setembro do dito anno, e com ordem de que pagasse, como lhe foiordenado.Consta Barbosa de Sá, que esteve em 1665, faleceu em 1667, sem maior effeito dasua comissão (Secretaria do Conselho Ultramarino liv. de Reg. das Cartas geraes annode 1674 pag. 347 e 350. Archivo de S. Paulo a v. do liv. nº 4 anno de 1664 pag. 40.Livro 3º anno 1662 pag. 226).Depois disto mandou o Principe Regente Dom Pedro da Costa aos Camaristas etc.carta datada em 30 de Outubro de 1677, recomendando-lhes toda ajuda efavor ao Coronel Dom Braz, na ocasião da chegada de Dom Jorge Soares deMacedo, que viria aos descobrimentos das Minas e Itararabuçu; chegou a S.Paulo em Agosto de 1680, e se lhe apresentaram suas patentes, e mais ordens, das quaisse vê que lhe concedia Sua Magestade o governo das Minas com 600$000 rs por mez, e maisde 700$000 rs de ajuda de custo; e também lhe conferia o officio de Provedor dasMinas com 100$000 rs de ordenado. Jorge Soares com 160$000 rs por mez desde odia do embarque na Bahia; e rematou-se a jornada de Itararabuçu com o forneci-mento seguinte: em dinheiro cinco mil cruzados; de farinhas de trigo seis mil alqueires;de carnes secas trezentas arrobas; de pão cem alqueires; de pano de algodão oito milvaras; de aço e algodão torcido trinta e oito arrobas; e de vinho duas pipas; levarãohum mineiro vindo da Bahia chamado João Coutinho, vencendo 20$000 rs por mezdesde o dia do seu embarque na Bahia.Rodrigo passou patente de Capitão dasarmas; hum Provedor e hum Escrivão, e outros officiaes o acompanharam, o quetudo melhor consta no livro de Reg. da Camara de S. Paulo anno de 1675 de pag. 23 até 53.João de Souza era aquartelado depois, com os soldados de sua companhia, em Março doanno de 1681. Consta se sucedeu o informado e indigente de tal Rodrigo (esteera Capitão) era hum fanfarrão, que vestia consumido dum grosso cabedal semefeito algum; o mandaram recolher ao Reyno por ordem de 25 de Outubro de 1682,como se vê da Real Carta registada na Secretaria Ultramarina liv. das Cartas do Riode Janeiro anno de 1675 pag. 35, cuja prisão não teve effeito por ser fallecido no sítiodo Somidouro o dito Rodrigo no mesmo anno de 1682.Deste engano, e grande cabedal, que se consumio inutilmente, estimulou asMinas de alguns Paulistas, entre os quaes foi o valente Capitão …