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Brasil de Fato
Novo mapa religioso brasileiro: conservadorismo, resistência e identidade
18 de março de 2026, quarta-feira ver ano


Os números do mais recente Censo Demográfico, realizado em 2022, escancaram o que pesquisadores já apontavam há décadas: o Brasil está passando por uma reconfiguração religiosa sem precedentes. Os dados mostram que, embora o catolicismo ainda seja majoritário, sua hegemonia numérica vem se desfazendo progressivamente.Pela primeira vez, os católicos apresentaram queda expressiva, passando de 65,1% da população em 2010 para 56,7% em 2022. Enquanto isso, os evangélicos já somam 26,9% dos brasileiros — um crescimento de mais de cinco pontos percentuais. O avanço, no entanto, não se restringe ao campo cristão. As religiões de matriz africana triplicaram sua representação, saltando de 0,3% para 1% no mesmo período. Já aqueles que se declaram sem religião chegam a 9,3%, com destaque para estados como Rio de Janeiro e Roraima, onde ultrapassam os 16%.Raça e religião: um cruzamento reveladorQuando os dados são analisados pelo recorte étnico-racial, as nuances se aprofundam. Entre a população branca, os católicos ainda predominam (60,2%), seguidos por evangélicos (23,5%). Já entre pretos e pardos, a adesão ao protestantismo evangélico é significativamente maior — 30% e 29,3%, respectivamente.As religiões afro-brasileiras, historicamente perseguidas e invisibilizadas, encontram maior presença justamente entre a população preta (2,3%). O grupo amarelo (termo utilizado pelo Censo 2022), por sua vez, apresenta o maior percentual de irreligiosos (16,2%), enquanto entre os indígenas a maioria ainda é católica (42,7%), mas com expressiva presença evangélica (32,2%).Os números escancaram como a filiação religiosa está entrelaçada com trajetórias de exclusão, resistência e pertencimento. Mulheres negras e pobres, por exemplo, são as principais aderentes às igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais — um fenômeno que desafia explicações simplistas, já que essas mesmas igrejas frequentemente reproduzem discursos conservadores sobre gênero e família.O avanço evangélico e suas contradiçõesO crescimento evangélico, especialmente entre os segmentos pentecostais, não pode ser compreendido apenas como expansão numérica. Pesquisas qualitativas recentes apontam para um campo marcado por profundas tensões internas. Ao lado da conhecida “bancada evangélica” de orientação conservadora, emergem movimentos como a Bancada Evangélica Popular (BEP) e os Cristãos Contra o Fascismo (CCF), que reúnem candidaturas progressistas, compostas majoritariamente por jovens negros, mulheres e integrantes da classe trabalhadora. Vale destacar a criação da Frente parlamentar em Defesa do Estado Laico, capitaneada pelo deputado Pastor Henrique Vieira.Esses grupos propõem uma articulação entre fé cristã, justiça social e democracia, posicionando-se contra o conservadorismo moral e a mercantilização da fé. A existência dessas correntes mostra que a identidade evangélica no Brasil é plural e atravessada por disputas de sentido — ainda que, no Congresso Nacional, a hegemonia política permaneça com setores alinhados à extrema direita e ao fundamentalismo religioso.Conservadorismos e a ofensiva antigêneroA entrada cada vez mais organizada de atores religiosos na política institucional tem impulsionado uma agenda que combina conservadorismo moral e neoliberalismo. Especialistas cunharam o termo “neoconservadorismo” para descrever essa coalizão entre religiosos e não religiosos em defesa da ordem patriarcal, da família nuclear e de valores morais cristãos, ao mesmo tempo que promovem o individualismo liberal e a redução do papel do Estado.No centro dessa ofensiva está o conceito de “ideologia de gênero”, utilizado como arma retórica para barrar políticas educacionais, direitos sexuais e reprodutivos, e avanços conquistados pelos movimentos feministas e LGBTQIAPN+. A defesa da “família tradicional” tornou-se bandeira eleitoral, mobilizando milhões de fiéis em torno de candidaturas que prometem “proteger a moral cristã”.Esse movimento, no entanto, carrega contradições. As mulheres — principais frequentadoras das igrejas e base eleitoral desses grupos — são ao mesmo tempo acolhidas em redes de solidariedade e submetidas a discursos que reforçam sua posição subordinada na família e na sociedade. A conversão ao pentecostalismo, em contextos de pobreza e vulnerabilidade, pode representar uma estratégia de sobrevivência e até de empoderamento relativo, sem que isso signifique ruptura com as estruturas patriarcais.Democracia em disputaOs dados do Censo não são apenas números: são expressão de transformações na sociedade brasileira. A pluralização religiosa, longe de significar harmonia, tem acirrado conflitos simbólicos, morais e políticos no espaço público. A laicidade do Estado, de importância fundamental para a democracia, é constantemente tensionada por grupos que buscam impor sua moralidade religiosa às políticas públicas.O crescimento das religiões de matriz africana, por exemplo, pode ser lido como resistência cultural e afirmação identitária diante de séculos de apagamento e violência simbólica. Já o aumento dos sem religião sugere o fortalecimento de outras formas de pertencimento e crítica às instituições tradicionais.Em um cenário de erosão democrática e avanço de discursos autoritários, a defesa do Estado laico e dos direitos humanos torna-se tarefa urgente. A pluralidade religiosa, quando reconhecida e respeitada, pode ser aliada na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. O desafio está em garantir que as diferentes crenças, ou a ausência delas, possam coexistir sem que uma tente se sobrepor às outras, especialmente quando isso significa restringir direitos e liberdades fundamentais.José Antonio Miranda Sepulveda é professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Observatório da Laicidade na Educação&Juliana Padilha de Oliveira é doutoranda em Educação pela Universidade Federal Fluminense.—Leia outras crônicas e artigos sobre educação e literatura na coluna Cidades das letras: Literatura e Educação no Brasil de Fato MG—Este é um artigo de opinião. A visão dos autores não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.





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