Ha crimes que revoltam até á ultima fibra, e em cuja possibilidade ninguem acreditaria, se não fosse a documentação positiva que comprova a triste e horrorosa verdade.
É desses crimes o que ha pouco foi praticado no municipio de Tieté, Estado de São Paulo. Ali, no sitio de Agua da Pedra, vivia feliz o colono Ricardo Falcini, com sua mulher e seis filhos.Um dia appareceu-lhe o individuo Augusto Arruda, que lhe pediu agasalho. Deu-lhe o pequeno lavrador, penalizado com o aspecto andrajosso do forasteiro. E como este o ajudasse no trabalho, passou-o á categoria de empregado, pagando-lhe o que merecia e depositando nelle uma certa confiança.
Ultimamente, porém, sentindo-se mal dos olhos, resolveu Falcini embarcar para a capital paulista, em busca de um tratamento que o livrasse daquelle mal.
Só e com o encargo de guardar a familia do lavrador, Augusto Arruda, por alcunha “o mineiro”, tentou uma proposta deshonesta a Maria Falcini, esposa de seu patrão ausente, moça ainda e bastante formosa, que repelliu dignamente a affronta, acendendo logo a idéa de um crime infame na mente sinistra do bandido.
Chegada a noite e dormindo toda a familia já profundamente, eil-o a pôr em pratica execução a covardia sanguinaria e a hediondez do seu plano. Arma-se de um machado, penetra no quarto do patrão e mata-o de um só golpe, seccionando-lhe as carótidas! Acto continuo, mata as meninas que dormiam com sua mãe! Passa ao quarto dos rapazes e completa a carnificina, matando-os tambem! Não satisfeito com isso, volta sobre seus passos e profana o cadaver de Maria Falcini e de menor Helena, filha mais velha de Ricardo!
Foge, então, o miseravel, não sem deixar uma carta á policia, dizendo que era “empregado de confiança” e que ia suicidar-se! Não o fez a covardissima fera! Um dos valentes policiaes que andavam no seu encalço foi surprehendido – homicidado perto do sitio do infeliz lavrador. Prendido o monstro e amarrado a uma arvore.Quando a população de Tieté soube da monstruosa tragedia, revoltou-se e quiz arrebatar da cadeia o hediondo criminoso para o lynchar na praça publica. Impediu esse acto de summaria justiça a energia do Dr. Venancio Ayres, delegado, que reforçou o policiamento da prisão.Mas é de esperar que a justiça dos codigos não poupe o tremendo scelerado e caia com todo o rigor sobre sua maldita individualidade.
Legenda da foto superior:Augusto Arruda, a féra hedionda, na jaula, sob a guarda da policia.
Legenda da foto central:Os cadaveres ensanguentados das sete victimas de Arruda, “o mineiro”, assassinas a golpes de machado. Ao lado, o Dr. Helvidio Rosa, medico legista de Sorocaba.
(Texto ao lado da foto inferior, coluna esquerda)Legenda da foto inferior:A valente força que agiu para a captura da féra. Ao lado o delegado regional (de chapéu de palha), tendo á esquerda o carcereiro da cadeia publica e atras o sub-delegado de policia.