Deboche em público e fúria privada: Como as danças públicas de Maduro aceleraram sua queda. https://oglobo.globo.com
6 de janeiro de 2026, terça-feira 30/01/2026 00:07:13
Deboche em público e fúria privada: Como as danças públicas de Maduro aceleraram sua quedaEventos públicos foram interpretados como desafio direto à Casa BrancaAs danças públicas e o tom irreverente adotado por Nicolás Maduro nas semanas que antecederam sua captura por forças americanas teriam sido decisivos para provocar a reação final da Casa Branca. De acordo com fontes internas citadas pelo New York Times, o comportamento do então presidente venezuelano foi interpretado pela equipe de Donald Trump como zombaria aberta, num momento em que Washington já havia feito alertas claros.
Maduro foi visto cantando e dançando em eventos públicos ao lado da esposa, Cilia Flores, inclusive no complexo presidencial em Caracas, poucos dias antes da operação que resultou em sua prisão, em 3 de janeiro. Segundo interlocutores do governo americano, a postura foi entendida como uma tentativa de desmoralizar o que o líder venezuelano acreditava ser um blefe da administração Trump.
O episódio mais citado ocorreu durante a inauguração da Escola Internacional de Liderança Feminina, em dezembro, quando Maduro começou a dançar ao som de uma versão eletrônica remixada de um de seus próprios discursos, com o slogan “Não à guerra, sim à paz”. Os movimentos, segundo assessores americanos, lembravam até mesmo os gestos característicos de Trump ao celebrar vitórias, com o punho cerrado no ar — leitura que acentuou o mal-estar em Washington.
Nas semanas anteriores, Maduro também havia cantado publicamente “Imagine”, clássico de John Lennon, apresentando a música como um “hino universal pela paz”.
— Façam tudo pela paz, como dizia John Lennon — declarou à época, em discurso para apoiadores.
Para integrantes da Casa Branca, porém, o contraste entre o discurso pacifista e o desafio simbólico expresso nos gestos públicos foi interpretado como indiferença calculada. Fontes ouvidas pelo New York Times afirmam que esse comportamento foi o ponto de ruptura: a confirmação, para Trump, de que Maduro não levaria a sério os avisos americanos.
Mesmo após ser capturado, o tom não mudou. As primeiras imagens do ex-presidente sob custódia mostraram Maduro desejando “Feliz Ano Novo” enquanto era algemado e conduzido por agentes — cena que reforçou, segundo aliados de Trump, a percepção de despreocupação.Com Maduro fora do poder, o futuro político da Venezuela segue incerto. A presidente interina Delcy Rodríguez adotou discurso conciliador e pediu “paz e diálogo, não guerra”, defendendo uma reaproximação institucional com os Estados Unidos.— Nossos povos merecem relações equilibradas e respeitosas — afirmou.Em sentido oposto, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, manteve tom desafiador e reiterou que Maduro continua sendo, para o chavismo, o presidente legítimo do país.Já Trump endureceu ainda mais o discurso. Durante viagem a bordo do Air Force One, o presidente americano afirmou que os EUA estão “no comando” da Venezuela após a deposição de Maduro e lançou novas ameaças regionais, citando inclusive a Colômbia e o presidente Gustavo Petro como possíveis alvos de pressão.
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