15 de janeiro de 2005, sábado Atualizado em 23/01/2026 05:15:14
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HOJE NA;HISTóRIA
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HISTÓRIAS E LENDAS DE S. VICENTEUruguaio pintou a história vicentinaCarlos Fabra nasceu no Uruguai e morreu em Praia Grande, sem que os conterrâneos lembrassem ter sido ele o autor dos principais quadros evocativos de cenas da história de São Vicente. O assunto foi tratado em 15 de janeiro de 2005, nesta matéria do jornal santista A Tribuna:Maria Auxiliadora não se conforma com o esquecimentoa que o marido foi relegado ainda em vidaFoto: Adalberto Marques, publicada com a matériaHISTÓRIAFamília de artista quer ajuda para publicar pesquisa inéditaFabra pintou a história da fundação de São Vicente
Pedro CunhaDa Sucursal
Esquecido em uma casa na periferia de Praia Grande, Carlos Fabra, autor da maior sequência de pinturas sobre a história da Fundação da Vila de São Vicente, faleceu no dia 10 de junho do ano passado, aos 67 anos. Desde então, a família do artista uruguaio tenta publicar um livro inédito, sobre o primeiro século da Cellula Mater, por dois motivos imperativos: valorizar a memória do pesquisador, e sair da miséria.
Com mais de 500 páginas, o material é fruto de um amplo estudo realizado por Fabra nos dois últimos anos de vida, quando um câncer no estômago já o consumia dia após dia. Antes de morrer, o pesquisador revelou à família que o livro precisava ser publicado, pois seria revelador.
"Não tenho condição de guardar adequadamente este material em casa e temo que a pesquisa acabe se perdendo com o tempo. O livro está pronto e só precisa de uma revisão", lamenta a esposa do artista, Maria Auxiliadora Fabra, que mora com os dois filhos em Ribeirópolis, próximo à Curva do S, em Praia Grande.Na introdução da pesquisa, Fabra esclarece que o livro reúne informações de diversos estudos sobre São Vicente, já publicados, mas que permanecem fragmentados. O conhecimento do artista sobre a Cidade é mais do que notório.Além de ter pintado uma série de 37 quadros retratando a formação da Primeira Vila, batizada de Memorial da História Vicentina, Fabra participou de importantes publicações sobre São Vicente. Dentre elas, destacam-se a Poliantéia, com informações sobre o Município e o trabalho Gohayó, inicialmente encartado em A Tribuna e, em seguida, reunido em forma de livro.Maremoto - Após acompanhar uma morte silenciosa e sem nenhum reconhecimento público - só um político teria comparecido ao enterro -, a família do artista ficou revoltada ao ver os quadros de Fabra expostos em rede nacional nos últimos dois domingos, quando o programa Fantástico, da Rede Globo, utilizou uma de suas pinturas para contar a história do maremoto que destruiu a primeira vila."Quando vi o quadro no Fantástico, fiquei feliz ao perceber que o trabalho de meu pai é importante. Mas, ao mesmo tempo, não consigo entender porque esqueceram dele antes e depois da morte", diz o filho mais velho, Ricardo, de 18 anos.Mesmo sem ter assistido ao programa, a irmã, Michele, de 17 anos, concorda com a injustiça sofrida pelo seu genitor. "Fabra nasceu no Uruguai, mas amava São Vicente. E o povo vicentino também o amava, pois sempre mostrou-se solidário, nos momentos de necessidade que passou. Espero que este reconhecimento ainda exista", ressalta Maria Auxiliadora, recordando o episódio em que o marido decidiu colocar o Memorial da História Vicentina, a série de quadros, à venda para chamar a atenção da sociedade.De acordo com ela, em fevereiro de 2001, Fabra percebeu que estava com sérios problemas de saúde e ficou preocupado com o futuro da família. "Por uma questão política, ele perdeu o emprego na Secretaria de Cultura e nós estávamos com muitas dificuldades financeiras. Por isso, resolveu anunciar que venderia os quadros".Município adquiriu as obrasAo saber da disposição de Carlos Fabra de vender o Memorial da História Vicentina, a série de quadros, o prefeito Márcio França adquiriu a obra histórica para o Município, por cerca de R$ 30 mil, por meio de uma parceria com um empresário. "Com o dinheiro, compramos esta casa e guardamos o restante, para nos mantermos. Mas logo os problemas voltaram".Enquanto as pinturas de Fabra ganharam destaque no Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV), seu autor caminhou para uma situação cada vez mais grave. "Bastante doente, ele não tinha sequer uma alimentação adequada. Até para transportá-lo para o hospital, nos momentos de crise, foi complicado. Para piorar, não conseguimos um lugar para fazer a quimioterapia", conta Maria.
Ela faz questão de salientar que o presidente do IHGSV, Fernando Martins Lichti, foi uma das poucas pessoas que ajudaram o marido até o último instante, abrindo espaço para Fabra ensinar história e arte no instituto. "Ele formou uma geração de pintores, escultores e pesquisadores".
Com orgulho, Maria mostra a Medalha de Grande Mérito Cultural que Fabra recebeu do IHGSV, um mês antes de falecer. Na residência, ela ainda guarda algumas pinturas e esculturas do marido, incluindo o único quadro que ele fez sobre Praia Grande, em 1995, mostrando a pesca de arrastão com parelha de bois.
"Não recebe nenhuma pensão. Como ele era uruguaio, teve problemas para reunir a documentação e não conseguiu se aposentar. Estamos desamparados", diz. Se alguém estiver interessado em conhecer o material escrito por Fabra, pode entrar em contato pelo telefone 3477-2885. O Memorial da História Vicentina pode ser visto no IHGSV, que fica na Rua Frei Gaspar, 280, no Centro de São Vicente.https://www.novomilenio.inf.br/sv/svh041.htm
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]