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Jeanne Calment - Consulta em Wikipedia

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    31 de outubro de 2025, sexta-feira
    Atualizado em 31/10/2025 04:11:08
  


OUT.
31
HOJE NA;HISTóRIA
72

Jeanne Louise Calment (Arles, 21 de fevereiro de 1875 — Arles, 4 de agosto de 1997)[1] foi uma supercentenária francesa confirmada como a pessoa mais velha já documentada da história, depois de alcançar a idade de 122 anos e 164 dias (em um total de 44 724 dias de vida).[2] Residiu durante toda a sua vida na cidade de Arles, no sul da França, e morreu depois de sua filha e do seu neto.

Adquiriu popularidade especialmente a partir da idade de 113 anos, quando a comemoração do centenário da visita de Vincent van Gogh a Arles motivou a chegada de jornalistas na região.[3] Seu caso foi registrado no Livro Guinness dos Recordes em 1988. Em 17 de outubro de 1995, tornou-se a pessoa mais velha já conhecida depois de ter superado o caso (atualmente verificado como falso) de Shigechiyo Izumi do Japão.[4][5] Tornou-se a última pessoa viva documentada nascida em 1875 após a morte da supercentenária americana Lucy Hannah em 21 de março de 1993 aos 117 anos. Tornou-se a última pessoa viva documentada nascida na década de 1870 após a morte da supercentenária japonesa Tane Ikai em 12 de julho de 1995, aos 116 anos.

Ao total, Calment viveu mais que centenas de supercentenários confirmados e é a única pessoa da história que comprovadamente alcançou as idades de 120, 121 e 122 anos, o que a posiciona como um caso excepcional.[6] No entanto, ao final de 2018, pesquisadores reviveram uma teoria de que sua filha, Yvonne, pode ter assumido sua identidade em 1934.[7][8] Já outros criticaram essa hipótese com base nas extensivas investigações já feitas acerca da vida de Calment.[9][10]

Jeanne Louise Calment (pronúncia francesa: nasceu em Arles em 1875.[1] Seu pai Nicolas Calment (28 de janeiro de 1838 – 22 de janeiro de 1931), foi um construtor de barcos, e sua mãe, Marguerite Guilles (20 de fevereiro de 1838 – 18 de setembro de 1924), pertencia a uma família de moleiros.[6]

Alguns de seus familiares mais próximos também alcançaram uma idade avançada: seu irmão mais velho, François (25 de abril de 1865 - 1 de dezembro de 1962) viveu até os 97 anos, seu pai até os 92, sua mãe até os 86 e sua tataravó paterna, Marguerite Peyre, viveu até os 94 anos de idade.[5] Jeanne foi a caçula de ao menos quatro filhos, já que o número exato de irmãos é incerto. É sabido que teve um irmão além de François, e também estão registradas mais duas irmãs, Antoine, que morreu aos quatro anos, e Marie, que morreu em seu primeiro ano de vida.[6]

Vida, matrimônio e descendência

Em 1896, com a idade de 21 anos, casou-se com seu primo de segundo grau Fernand Nicolas Calment,[6] um rico proprietário lojista. Seus avós paternos eram irmãos, daí o mesmo sobrenome, e suas avós paternas também eram irmãs. Sua riqueza possibilitou que Calment levasse uma vida de ócio,[4] praticando algumas atividades como tênis, ciclismo, natação, patinagem, piano e ópera.[1] Seu marido morreu em 1942 com 74 anos, depois de ambos terem comido uma sobremesa de cerejas venenosas, à qual Jeanne sobreviveu.[11] Sua única filha, Yvonne Calment, nasceu em 1898. Posteriormente, Yvonne casou-se com o coronel Joseph Billot, e deu-lhe um neto, Frédéric, nascido em 1926.[6] Entretanto, Calment viveu para ver a morte de Yvonne, que morreu aos 35 anos em 1934 por causa de uma pneumonia, ficando com a guarda do seu neto.[12] Posteriormente, Frédéric se tornou médico e também morreu prematuramente em um acidente automobilístico em 1960.[1]

Em 1965, aos 90 anos e sem herdeiros naturais, Calment firmou um acordo para vender seu antigo apartamento com uma convenção de usufruto vitalício ao advogado André-François Raffray, então com 47 anos, através de um contrato que determinava um pagamento mensal até sua morte.[13] Embora tenha concordado pagar a mensalidade de 2500 francos até que ela morresse, Raffray nunca imaginou que Calment chegaria a viver 122 anos e terminou pagando aproximadamente mais de um milhão de francos, cifra que equivalia ao dobro do valor do apartamento.[1]

Raffray morreu vítima de câncer 30 anos mais tarde em 1995, aos 77 anos, e sua viúva seguiu efetuando o pagamento até a morte de Calment em 4 de agosto de 1997. Durante todos esses anos, Calment dizia brincando que "competia com Matusalém".[14][15]

Em 1985, a visão de Calment se deteriorou e, enquanto cozinhava, causou um pequeno incêndio em seu apartamento. Depois desse episódio, mudou-se por vontade própria a uma casa de repouso para idosos depois de viver por conta própria por 110 anos. Sua notoriedade internacional aumentou em 1988, quando a comemoração do centenário da estada de Vincent van Gogh em Arles possibilitou ser entrevistada por jornalistas. Comentou que no momento em que havia se encontrado com Van Gogh 100 anos antes, quando era uma menina de apenas 13 anos de idade, o descreveu como "sujo, mal vestido, desagradável, muito feio, descortês e grosseiro".[1][12][16] Durante as reportagens, Calment também recordava da venda de lápis de cor para Van Gogh e da construção da torre Eiffel.[13]

Com a idade de 114 anos, apareceu brevemente no filme de 1990 Vincent et moi atuando como ela mesma, o que a torna a pessoa mais velha a ter participado em um filme.[17]

Em 1995 estreou um documentário sobre sua vida, intitulado Beyond 120 years with Jeanne Calment.[18] Em 1996 foi lançado Time´s mistress, um CD com quatro faixas com Calment cantando em um tema de rap.[19]

Eventos históricos presenciados

Por conta de sua vida atravessar o último quartel do século XIX e quase a totalidade do século XX, Jeanne Calment presenciou diversos eventos históricos. Ao longo de sua vida, o seu país natal, França, passou por diversas mudanças de regime, tendo o estado francês as seguintes iterações:

Terceira República Francesa
França de Vichy
França Livre
Governo Provisório da República Francesa
Quarta República Francesa
Quinta República Francesa

Historicamente, Jeanne Calment foi contemporânea dos seguintes eventos históricos ocorridos na França:[20]

Belle époque
Primeiro voo do 14-bis por Alberto Santos-Dumont
Primeira Guerra Mundial
Grande Depressão
Segunda Guerra MundialGuerra Fria
Guerra da Argélia
Maio de 1968
Formação da União Europeia

Morte

Em seu centésimo vigésimo segundo aniversário, em 21 de fevereiro de 1997, foi anunciado que não faria mais aparições públicas já que sua saúde havia deteriorado seriamente. Morreu em 4 de agosto de 1997[19] as 10h45 CET devido a causas naturais[21] e seus restos foram enterrados no cemitério de Trinquetaille.[22]

Tanto antes como depois da morte de Calment, aconteceram várias reivindicações por parte de outras pessoas que admitiram ter superado sua idade, porém nenhuma foi comprovada (ver alegações de longevidade extrema).[23][24]

Recebimentos de títulos

Depois de uma entrevista em 1988 com a idade de 113, Calment recebeu o título da "pessoa viva mais velha do mundo" concedido pelo Livro Guinness dos Recordes.[25] Entretanto, em 1989 o título foi retirado e concedido a Carrie C. White da Flórida que reivindicava ter nascido um ano antes de Calment, embora logo se demonstrou que foi uma reclamação de idade falsa com a investigação de um censo posterior. Com a morte de White, em 14 de fevereiro de 1991, Calment converteu-se na pessoa mais velha do mundo apenas uma semana antes de completar 116 anos.[26] Em 17 de outubro de 1995, quando tinha com 120 anos e 238 dias, passou a ser a pessoa mais velha verificada da história depois de superar Shigechiyo Izumi, do Japão, cuja idade de 120 anos e 237 dias no momento da sua morte em 1986 foi comprovada como falsa depois de investigações realizadas anos depois.[19] Descartados os casos de Izumi e White, Calment foi a segunda pessoa documentada da história até aquele momento a ter alcançado a idade de 115 anos depois de Augusta Holtz. Também é a única pessoa que viveu indiscutivelmente 120 anos, e mais.[27]

Calment tem o recorde de ser a pessoa mais velha durante o maior período de tempo com nove anos e sete meses, a partir da morte de Florence Knapp em 11 de janeiro de 1988[28] até sua própria morte em 4 de agosto de 1997. Calment também bateu o recorde de longevidade confirmada, a anterior era sustentada por Anna Eliza Williams, que morreu com a idade de 114 anos e 208 dias em 1987,[29] vivendo mais do que ela por quase oito anos. Romper a marca anterior por tanto tempo é em si mesmo outro recorde. Antes de Calment, a única pessoa que superou a marca de longevidade confirmada por mais de um ano foi Delina Filkins, que em 1928 foi a primeira a alcançar os 113 anos. Filkins ultrapassou o recorde de longevidade confirmada por mais de dois anos, muito menos que Clement.[30][31]

Além de ser a pessoa verificada mais velha da história e a última viva a ter conhecido Vincent van Gogh, Calment foi a última pessoa viva documentada nascida na década de 1870. Depois da sua morte, Marie-Louise Meilleur, então com 116 anos, passou a ser a pessoa viva mais anciã do mundo.[26]

Saúde e estilo de vida

Calment manteve uma vida bastante ativa para sua idade. Praticou esgrima até os 85 anos e seguiu montando em sua bicicleta até os 100.[32] Deixou de fumar aos 120 depois de ter problemas em guiar os cigarros a boca devido a sua catarata.[1] Desde os 21 anos fumava dois cigarros diários. Viveu por sua própria conta até um pouco antes de completar 110 anos, quando tomou a decisão de se mudar para uma casa de repouso depois de um acidente na cozinha que originou um pequeno incêndio em seu apartamento. Entretanto, Calment estava em boa forma e era capaz de caminhar até que fraturou o fêmur em uma queda com a idade de 114 anos e 11 meses, o que necessitou de uma cirurgia. Depois dessa operação, precisou utilizar uma cadeira de rodas.[6]

Em 1994 pesava 45 kg.[33] Pouco antes de seu aniversário de 116, adoeceu de gripe porém logo conseguiu recuperar-se.[34] A própria Calment atribuiu o segredo da sua longevidade e seu estado de saúde relativamente saudável para sua idade ao azeite de oliva,[16] o qual utilizava em todos os seus alimentos, assim como uma dieta de vinho do porto e um consumo de quase um quilo de chocolate por semana.[35]

Ceticismo quanto à idade

Demógrafos observaram que a idade de Calment é um outlier, pois está vários anos à frente da segunda pessoa mais velha documentada e das outras subsequentes.[42][43] Natalya Gavrilova e Leonid Gavrilov afirmaram, em 2000, que esta anomalia levanta dúvidas quanto à autenticidade do caso e que as evidências que comprovam sua genuinidade não acabam com essas dúvidas.[43] Em 2001, o gerontologista Tom Kirkwood escreveu: "E se ela for uma fraude? É difícil ver como, a menos que tenha sido a mãe e não a filha que morreu em 1934, com a filha assumindo a identidade da mãe".[9] Um livro de 2007 relata um rumor na indústria francesa de seguro de vida de que um agente parou de investigar o caso de Calment para evitar um escândalo em torno de um ícone nacional.[44] Um relato anônimo diz que um oficial do Ministério de Economia e Finanças da França teria comentado sobre a propriedade vitalícia: "Vamos só dizer que vimos os registros e ignoramos".[45]

*Em estatística, um valor atípico, ou aberrante ou outlier é uma observação que difere significativamente das demais.[1][2] Um outlier pode surgir por variações naturais nas medições, indicar um evento raro ou novo, ou ainda resultar de erro experimental. Neste último caso, costuma-se considerar a possibilidade de exclusão da observação, dependendo do contexto.[3][4]

“Um outlier é uma observação que se diferencia tanto das demais observações que levanta suspeitas de que aquela observação foi gerada por um mecanismo distinto” (Hawkins, 1980), em outras palavras os outliers são dados que se distanciam radicalmente de todos os outros São pontos fora da curva normal, valores que fogem da normalidade e que podem causar desequilíbrio nos resultados obtidos. Um conjunto de dados pode apresentar um ou vários outliers. O efeito de um outlier é quase um efeito borboleta, um pequeno erro se propaga e quando não tratado corretamente pode ocasionar problemas e anomalias. Em análises estatísticas o efeito do outlier pode ser facilmente observado.

Em 2018, o gerontologista russo Valery Novoselov e o matemático Nikolay Zak reviveram a teoria de que, em 1934, a verdadeira Jeanne Calment teria morrido e sua filha Yvonne, nascida em 1898, forjou sua própria morte e assumiu a identidade da mãe. Nesse cenário, Yvonne teria morrido aos 99 anos em 1997, após fingir ser sua mãe por décadas.[7][40] O motivo sugerido seria para evitar os rigorosos impostos hereditários sobre a propriedade de sua mãe, que poderia ter arruinado as finanças da família, que já eram precárias.[7][46][40] Zak observou que o atestado de óbito de Yvonne foi assinado por uma mulher aos setenta anos que não era nem enfermeira nem médica.[46][40] Uma revista científica rejeitou o artigo de Zak, assim como o repositório de republicação bioRxiv. Zak publicou-o então no ResearchGate, uma rede social voltada a cientistas e pesquisadores.[10] A teoria atraiu ampla atenção da mídia em 30 de dezembro de 2018, após postagens virais do blogueiro Yuri Deigin, que escreve sobre gerontologia.[47][48][49][50] Em janeiro de 2019, o artigo de Zak foi aceito e publicado pela revista Rejuvenation Research.[8]

O demógrafo belga Michel Poulain afirmou que o artigo de Zak é detalhado e levanta uma boa questão, enquanto Jean-Marie Robine, um validador de Calment, disse que ele havia respondido corretamente a perguntas sobre coisas que sua filha não teria como saber.[51][52] Robine também descartou a ideia de que os residentes de Arles teriam sido enganados pela troca.[52][53] Michel Allard, o outro médico que validou o caso de Calment, disse que a equipe considerou a teoria de troca de identidade ainda antes da morte de Jeanne pois ela parecia mais jovem que a filha em fotografias, mas discrepâncias similares são comumente encontradas em famílias com membros centenários.[54] Allard afirmou que a evidência trazida por Novoselov e Zak não pode ser descartada mas que ainda assim é inconclusiva.[54] O jornal The Washington Post, após entrevistar vários especialistas, observou que "estatisticamente improvável não é o mesmo que estatisticamente impossível."[10]

Após uma reunião "bastante tensa" no Instituto Nacional de Estudos Demográficos (INED) em Paris em 23 de janeiro de 2019, especialistas em longevidade da França, Suíça e Bélgica afirmaram que o estudo russo não apresentou provas do cenário de troca de identidade proposto, mas prometeu analisar a questão mais a fundo e considerou que exumação possa ser necessária para acabar de vez com a controvérsia.[55]

Shigechiyo Izumi (Izumi Shigechiyo, Tokunoshima, 29 de junho de 1865 (?) ou 1880 – 21 de fevereiro de 1986) terá sido, embora tal fato esteja sem confirmação, a pessoa mais velha do mundo após a morte de Niwa Kawamoto, e o homem que terá vivido mais tempo. A verificar-se a sua data de nascimento, apenas é ultrapassado pela longevidade da francesa Jeanne Calment.

Izumi tem o recorde de mais longa carreira laboral, atingindo os 98 anos de trabalho. O seu nome surge no censo de 1871 como tendo seis anos de idade. Todavia, existem suposições de que se trata de um caso de necronímia, ou seja, Shigechiyo Izumi terá nascido após o falecimento de um irmão homónimo. Surge atualmente como mais provável ano de nascimento o ano de 1880. Não se sabe ao certo se faleceu aos 120 anos e 237 dias ou 105 anos e 237 dias, já que não há um consenso sobre sua data de nascimento. Se assim for, Shigechiyo Izumi terá falecido com cerca de 105 anos de idade, não atingindo sequer o status de supercentenário. Sucedeu-lhe no título Mamie Eva Keith, de 112 anos de idade.

Sua esposa, Miya Tadashi Izumi (1866-1956), morreu aos 90 anos de idade, em 1956 (como tiveram uma criança em 1924, quando Miya teria 58 anos, sua idade reivindicada está sujeita a dúvidas).

Outro motivo que gera dúvidas relacionadas à sua data de nascimento é que seu primeiro censo foi em 1871.



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EMERSON


31/10/2025
ANO:853
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]