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CONVERSÃO HIPOTÉTICA DOS RÉIS PARA O REAL: Saiba quanto custava um cafezinho na época de Dom Pedro II - diniznumismatica.com

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    17 de março de 2025, segunda-feira
    Atualizado em 30/10/2025 00:59:51
  


Por Bruno Diniz - Converter valores do antigo padrão monetário brasileiro, o réis, para o real atual pode ser complexo, até mesmo em 2025. Numismatas, historiadores e curiosos frequentemente se deparam com essa dificuldade. O livro ´1808´, de Laurentino Gomes, apresenta uma metodologia de conversão que serve como ponto de partida. No entanto, podemos aprimorar essa abordagem e criar recursos online mais completos e acessíveis para consultas rápidas e precisas.Inúmeros estudiosos se dedicaram a criar métodos de conversão de réis para reais, buscando resultados precisos para diversas aplicações. A inclusão da inflação é crucial para uma estimativa mais confiável. No entanto, é fundamental reconhecer que qualquer conversão será sempre aproximada, e não exata.Apresentaremos algumas formas e fórmulas básicas para chegarmos ao nosso objetivo. Abaixo iniciamos de forma mais simplificada:BASEADO EM PRODUTOS - A conversão de réis para reais pode ser enriquecida através da comparação de valores de produtos que, comercializados em diferentes períodos históricos, permanecem em uso até os dias atuais. Essa metodologia permite uma análise prática e contextualizada da conversão monetária. Apresentamos alguns exemplos que podem servir como referência:- Em 1846, o Império conseguiu o 1º orçamento superavitário por conta das novas rendas da Alfândega, nessa época 1 saca de café era comprada por 12$000 réis e um escravo valia 350$000 réis, os escravos com habilidades (carpinteiro, fundidor¸maquinista, etc) valiam 715$000 réis.- Em 1854, a receita total do Império foi de 35.000 contos de réis.- Entre 1856 e 1862, em Vassouras, 1 conto de réis (1:000$000=1 milhão de réis) comprava 1 escravo.- Em 1860, 1 conto de réis (1:000$000= 1 milhão de réis) comprava 1 kg. de ouro.

SALÁRIOS NO FIM DO PERÍODO IMPERIAL BRASILEIRO TAMBÉM SERVEM - Uma abordagem útil para a conversão de réis para reais é a análise dos salários praticados no período final do Império Brasileiro, até 15 de novembro de 1889. Ao examinar os valores pagos a diferentes profissionais, podemos obter uma base comparativa para a conversão. Apresentaremos informações detalhadas sobre os salários da época.

- O menor salário mensal (de uma pessoa sem nenhum conhecimento) do Brasil Imperial era de 25$000 Réis.

- Uma professora primária recebia mensalmente 45$000 Réis. - O salário mensal de um Professor Secundário era 167$000 Réis.- O maior salário mensal do País era de 300$000 Réis.

COMMODITIE COMO BASE - Ao longo da história, o ouro serviu como pilar econômico para inúmeras civilizações, e o Brasil não foi exceção. A exploração aurífera deixou marcas indeléveis no país, financiando a construção de templos em Portugal, despertando o interesse de investidores ingleses e transformando a economia brasileira. O ouro deslocou o centro econômico do Nordeste para o interior, impulsionando a ocupação de novas regiões e culminando na transferência da capital para o Rio de Janeiro. Para contextualizar a importância do ouro, apresentamos os valores praticados em 15 de novembro de 1889.

- Com base no ouro puro e quantidade mínima historicamente comercializada e percebida em livros caixa da época, 9 (nove) gramas de ouro 24 quilates, em 15/11/1889 valia 10$000 réis.

- O valor para 1 único grama de ouro puro, 24 quilates, em 15/11/1889 poderia ser tabelado em 1$111 réis.

BREVE RELATO SOBRE OS PADRÕES MONETÁRIOS DO BRASIL - A história monetária do Brasil é rica e complexa, com diversos padrões monetários utilizados ao longo dos tempos. O estudo desses sistemas é essencial para a conversão precisa de valores entre diferentes épocas. Além disso, o conhecimento detalhado de cada padrão monetário é fundamental para a pesquisa histórica e a análise de documentos antigos.

R - REAL - RÉIS - O réis, unidade monetária herdada do sistema português, circulou no Brasil desde o período colonial. Diferentemente de outros sistemas monetários, não possuía uma notação simbólica própria em sua origem. A adoção do símbolo ´R´ no Brasil visava distinguir a moeda local das variantes portuguesas do réis.Rs - MIL-RÉIS - MIL-RÉIS - R1.000 = Rs1$000 Em 8 de outubro de 1833, a Lei 59, promulgada durante a Regência Trina no Segundo Império, oficializou o mil-réis como unidade monetária brasileira, formalizando uma prática já difundida. Essa legislação representou uma reforma significativa do sistema monetário, estabelecendo o mil-réis como a unidade principal e o réis como as subdivisões. Nesse período, popularizou-se o ´conto de réis´, correspondente a um milhão de réis (Rs 1:000$000), ou mil mil-réis. A notação ´Rs´ era utilizada predominantemente como abreviação de réis, e não como um símbolo monetário formal.Cr$ - CRUZEIRO - CRUZEIROS - Rs 1$000 (1 mil-réis) = Cr$ 1,00. O Decreto-lei nº 4.791, publicado em 6 de outubro de 1942, marcou a transição do mil-réis para o cruzeiro como unidade monetária oficial do Brasil. A nova moeda foi estabelecida com equivalência direta ao mil-réis, e introduziu a subdivisão em centavos. No entanto, a Lei nº 4.511, de 1º de dezembro de 1964, publicada no dia seguinte, revogou a existência dos centavos, simplificando o sistema monetário.NCr$ - CRUZEIRO NOVO - CRUZEIROS NOVOS - Cr$ 1.000 = NCr$ 1,00. Em 13 de novembro de 1965, o Decreto-lei nº 1 estabeleceu o Cruzeiro Novo como unidade monetária transitória, com o objetivo de simplificar o sistema monetário brasileiro. Regulamentado pelo Decreto nº 60.190, de 8 de fevereiro de 1967, o Cruzeiro Novo correspondia a mil cruzeiros antigos e marcou o retorno do centavo como subdivisão da moeda. A Resolução nº 47 do Conselho Monetário Nacional, também de 8 de fevereiro de 1967, definiu o início da vigência do novo padrão para 13 de fevereiro de 1967.Cr$ - CRUZEIRO - CRUZEIROS - NCr$ 1,00 NCr$ = Cr$ 1,00. A Resolução nº 144 do Conselho Monetário Nacional, publicada em 6 de abril de 1970, determinou o retorno da denominação Cruzeiro a partir de 15 de maio de 1970, sucedendo o período do Cruzeiro Novo. A moeda manteve a subdivisão em centavos. No entanto, a Lei nº 7.214, de 15 de agosto de 1984, publicada no dia seguinte, revogou a existência dos centavos, simplificando novamente o sistema monetário.Cz$ - CRUZADO - CRUZADOS - 1 cruzadoCr$ 1.000 = Cz$ 1,00. Em 27 de fevereiro de 1986, o Decreto-lei nº 2.283 instituiu o Cruzado como a nova unidade monetária brasileira, em substituição ao Cruzeiro. No entanto, este decreto foi logo substituído pelo Decreto-lei nº 2.284, de 10 de março de 1986, que manteve as mesmas disposições. O Cruzado foi estabelecido com equivalência a mil cruzeiros e marcou o retorno do centavo como subdivisão da moeda. A Resolução nº 1.100 do Conselho Monetário Nacional, de 28 de fevereiro de 1986, detalhou as normas para a implementação da nova moeda.NCz$ - CRUZADO NOVO - CRUZADOS NOVOS - 1 cruzado novo Cz$ 1.000,00 = NCz$ 1,00. Em 15 de janeiro de 1989, a Medida Provisória nº 32 instituiu o Cruzado Novo como nova unidade monetária do Brasil, em substituição ao Cruzado. Posteriormente, essa medida provisória foi convertida na Lei nº 7.730, de 31 de janeiro de 1989, que manteve as mesmas disposições. O Cruzado Novo foi estabelecido com equivalência a mil cruzados e manteve o centavo como subdivisão da moeda. A Resolução nº 1.565 do Conselho Monetário Nacional, de 16 de janeiro de 1989, detalhou as normas para a implementação da nova moeda.Cr$ - CRUZEIRO - CRUZEIROS - 1 cruzeiro NCz$ 1,00 para Cr$ 1,00. Em 15 de março de 1990, a Medida Provisória nº 168 determinou o retorno da denominação Cruzeiro para a moeda brasileira, em substituição ao Cruzado Novo. Essa medida provisória foi posteriormente convertida na Lei nº 8.024, de 12 de abril de 1990, que confirmou as mesmas disposições. A nova equivalência estabeleceu que um cruzeiro corresponderia a um cruzado novo, e o centavo foi mantido como subdivisão da moeda. A Resolução nº 1.689 do Conselho Monetário Nacional, de 18 de março de 1990, detalhou as normas para a implementação da mudança.CR$ - CRUZEIRO REAL - CRUZEIROS REAIS - 100 cruzeiros reais Cr$ 1.000,00 = CR$ 1,00. Em 28 de julho de 1993, a Medida Provisória nº 336 instituiu o Cruzeiro Real como a nova unidade monetária do Brasil, substituindo o Cruzeiro. Essa medida provisória foi posteriormente convertida na Lei nº 8.697, de 27 de agosto de 1993, que confirmou as mesmas disposições. O Cruzeiro Real entrou em vigor em 1º de agosto de 1993, com equivalência de mil cruzeiros e manteve o centavo como subdivisão da moeda. A Resolução nº 2.010 do Conselho Monetário Nacional, também de 28 de julho de 1993, detalhou as normas para a implementação da mudança.R$ - REAL - REAIS - 1 real 2.750,00 CR$ = R$ 1,00. Em 30 de junho de 1994, a Medida Provisória nº 542 instituiu o Real como a nova unidade do sistema monetário brasileiro, com início de vigência em 1º de julho de 1994. A equivalência foi estabelecida em CR$ 2.750,00 por Real, correspondendo à paridade entre a URV e o Cruzeiro Real fixada para o dia 30 de junho de 1994. O centavo foi mantido como subdivisão da moeda. Como medida preparatória para a implementação do Real, foi criada a URV (Unidade Real de Valor), inicialmente prevista na Medida Provisória nº 434, e posteriormente regulamentada pela Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994.FORAM MUITOS PADRÕES MONETÁRIOS NO BRASIL - A história monetária do Brasil é marcada por diversas reformas, impulsionadas principalmente pela necessidade de combater a hiperinflação. Quando a inflação atinge níveis elevados, o poder de compra da moeda é drasticamente reduzido, e seu valor facial se torna inferior ao custo de produção. Nesses casos, a reforma monetária se torna uma medida necessária para tentar estabilizar a economia. No entanto, é importante ressaltar que a reforma monetária, por si só, não é suficiente para resolver os problemas econômicos de um país.VOLTANDO AO TEMA! - É possível criar uma tabela de conversão que mostre a equivalência entre as moedas brasileiras ao longo da história, desconsiderando a inflação. Nesse cenário hipotético, 1 real do período colonial equivaleria a uma fração extremamente pequena do real atual. No entanto, o valor real de uma moeda antiga é determinado principalmente por sua raridade, valor histórico e interesse de colecionadores, e não por sua equivalência monetária atualizada.CONSIGO FAZER A CONVERSÃO DE RÉIS PARA O REAL COM EXCEL? - Uma forma prática de converter moedas antigas para o real é criar uma tabela no Excel com fórmulas de conversão. Siga os passos indicados, utilizando uma calculadora para realizar as divisões necessárias. Para converter Cruzeiros Reais para Reais, divida o valor por 2.750 e substitua ´X´ na fórmula pelo valor a ser convertido.Espero que este mergulho na história monetária do Brasil tenha sido tão fascinante para você quanto foi para nós! Exploramos as diversas faces da nossa moeda, desde os tempos coloniais até o Real que usamos hoje, e como a inflação e as mudanças econômicas moldaram nossa trajetória.Lembre-se: a história da nossa moeda é um reflexo da nossa própria história, com seus altos e baixos, desafios e conquistas.Se você se apaixonou por esse universo e quer se aprofundar ainda mais, convidamos você a explorar outros conteúdos do nosso site. Aqui, você encontrará artigos, vídeos e infográficos sobre numismática, história do Brasil e muito mais.Continue sua jornada conosco e desvende os segredos que as moedas guardam!



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EMERSON


17/03/2025
ANO:853
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]