| ZELO PELO SERVIÇO REAL: AÇÕES DE OUVIDORES RÉGIOS NAS COMARCAS DE SÃO PAULO E DE PARANAGUÁ (PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XVIII) | |
mencio () 1 de janeiro de 2015, quinta-feira Atualizado em 11/09/2025 01:03:15
| HOJE NA;HISTóRIA| \\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt |
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que os mais próximos e envolvidos conheciam melhor e, portanto, também julgariam melhor.Esse princípio estava na base da autonomia local no Antigo Regime.434Como já apresentado, oouvidor régio da capitania de São Paulo, RaphaelPires Pardinho, entre 1719 e 1721 percorreu a região que futuramente seria acomarca de Paranaguá, promovendo correições nas vilas de Paranaguá, Curitiba,Laguna e São Francisco.435 Em carta de 30 de agosto de 1721, Pardinho informava sobre algunsaspectos das vilas de Curitiba e Paranaguá. A respeito da vila de Nossa Senhora daLuz dos Pinhas de Curitiba, descreve sua localização e as suas construções: “fica avila de Curitiba nos campos por detrás da Serra de Pernampiacaba [...], com cazastodas de pao a pique cubertas de telha, e a Igreja só he pédra, e barro, que osfreguezes radificarão há poucos annos”436, observando que a principal atividadepara a subsistência da vila era a pecuária, além de indicar a presença de zonasauríferas na região. Além disso, o ouvidor régio menciona o número de freguesias:além da de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba, existiam as de São Josée Senhor Bom Jesus do Perdão. Essas freguesias congregavam cerca de “200cazaes, e mais de 1400 pessoas de confissão”.437 Percebe-se que na América portuguesa, em uma vila de modestasproporções no extremo sul do Estado do Brasil, a distinção que o agente régioconquistava com a nomeação régia poderia ser potencializada, ao mesmo tempoutilizando-se tal distinção para reafirmar o poder régio na localidade. Estão disponíveis nos Boletins do Archivo Municipal de Curitiba osprovimentos que o ouvidor régio Raphael Pires Pardinho fez na vila, sendo que osegundo provimentoindica que:Pello que terão todos entendido d’aqui por diante, que esta villa, e tudo o mais que d’ellacorre para o Sul, he da coroa real, e que seos moradores imediatamente san vasallos dacoroa sem reconhecerem algum donatario, como antigamente reconheciao do dito Marquez.E assim se verão livres das opressões que em muitas Terras d’este Estado padecem seusmoradores com os capitains mores, Lugares Tenentes que os donatários mandao cenvião assuas capitanias, e devem com melhor vontade tratar do aumento d’esta Villa, e de povoar osmuitos, e largos campos, que ha por estes certoes, com que seus moradores abundem em cabedais, tanto nas criações dos gados, como em descobrimentos de Minas de ouro, e outrosmetais que por elles diz que ha. (esta villa he da coroa real).438Ou seja, os moradores da vila de Curitiba governar-se-iam respeitando as leisda Coroa e os oficiais destacados pela monarquia e não mais os donatários.Portanto, conforme Antonio Cesar de Almeida Santos e Magnus Pereira destacam, otexto dos provimentos do ouvidor régio Raphael Pires Pardinho “explicitava que o reiera a única autoridade a quem deviam obediência”.439Tal observação tornava-se necessária, visto que a capitania régia de SãoPaulo havia sido criada em 1709 e sua população estava acostumada à autoridadedos procuradores dos donatários; no caso de Curitiba, por exemplo, em 1693 aeleição dos primeiros oficiais de sua câmara municipal foi presidida por MateusLeme, procurador do Marquês de Cascais, donatário das terras.Isto posto, Pardinho passa a promover a primeira correição da vila deCuritiba; por ser a primeira, observa que deixaria seus capítulos com maior“extensão”, para que os moradores evitem “as desordens em que athe agora algunstropeçaram por Ignorancia, e os maliciosos, não tenhão já a desculpa deignorantes”440, buscando normatizar a administração da municipalidade com as leisda Coroa, haja vista o formato em que deixava seus provimentos, indicando os livrose títulos das Ordenações.Proveo que os vereadores guardem e observem o seo regimento, que he no ord. do Lb.º 1.º ett.º 66, e os Juises ordin.os o seu, que he o tt.º 65 do mesmo Lb.º E no fazer das Eleysões dosofficiais que ham de servir no Conc.º Guardem o tt.º 67 do mesmo Lb.º fazendo Eleyção para3 annos por Pellouros como elle Dzor Ouv.or Gl. Lhes deixa feita; e não uzem mais da Eleysamde hum anno como athe agora se fez; pois neste povo há pessoas bastantes para a EleysamTrienal.441438BOLETIM DO ARCHIVO MUNICIPAL DE CURITIBA (BAMC). Documentos para a História doParaná: Fundação da Vila de Curitiba (1668 a 1721). Curitiba: Tipografia e Litografia ImpressoraParanaense, 1906. p. 11. Disponível em:http://www.arquivopublico.pr.gov.br/ arquivos/File/Boletins%20AMC/volume1.pdf Acesso em: 18 out.2014. As transcrições deste documento são de responsabilidade de Francisco Negrão.439 SANTOS, Antonio Cesar de Almeida; PEREIRA, Magnus Roberto de Mello. Op. Cit.2001. p. 12.440BAMC. Documentos para a História do Paraná: Fundação da Vila de Curitiba (1668 a 1721).Curitiba: Tipografia e Litografia Impressora Paranaense, 1906. p. 11. Disponível em:http://www.arquivopublico.pr.gov.br/ arquivos/File/Boletins%20AMC/volume1.pdf Acesso em: 18 out.2014.441 Treslado dos provimentos de correição que nesta villa fes, e deixou para bom Regimen daRepublica e bem comum d’ella, o D.zor Raphael Pires Pardinho. Este anno de 1721. [vila de Curitiba]Em:Monumenta, inverno 2000, Curitiba: Aos Quatro Ventos, v. 3, n. 10, 2001. p. 84. Destaque nosso. [p. 181, 182]
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EMERSON 01/01/2015 ANO:152
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foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]  |
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