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CARTA DE SÃO VICENTE 1560. CONSELHO NACIONAL DA RESERVA DA BIOSFERA DA MATA ATLÂNTICA

mencio ()

    1997
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  
  
  


JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt

todo o seu corpo é cheio de ossos solidos e durissimos, tais quepodem fazer as vezes de marfim (05).Convem relatar aqui algumas cousas que vêm a proposito e que,escritas há mais de dois anos, pelo máu exito da incerta navegação,julgo não terem chegado aí.

Tendo eu e quatro Irmãos (06) saido da cidade do Salvador (que tambem é chamada Baía de Todos os Santos), depois de fazermos 240 milhas por um mar tranquilo á feição do vento, chegámos a uns bancos de areia que, estendendo-se para o mar na distância de 90 milhas, e oferecendo uma como muralha em linha réta, tornam dificil a navegação; aí deitando a cada passo a sonda, gastámos todo odia e, fundeada a embarcação, pelo meio de estreitos canaisentrincheirados por montes de areia, por onde se costumava navegar;no dia seguinte, porém, reunidos felizmente todos á tarde, osmarinheiros, julgando-se já livres de perigo, tranquilizaram-se e nãopensaram mais nele, quando, de repente sem ninguem o esperar, oleme salta fóra dos eixos e encalha o navio; sobrevem ao mesmotempo uma repentina tempestade de vento e aguaceiros, que nosatira para apertados estreitos; o navio era arrastado sulcando areiase, por causa dos frequentes solavancos, temiamos que se fizessetodo em pedaços.

Entretanto, levados para um lugar baixo e inclinando-se a embarcaçãotoda para um lado, lembrámo-nos de implorar o socorro divino,expondo as reliquias dos Santos, que comnosco traziamos, elançando ás ondas um Agnus Dei, aplacou-se a tormenta; caimosem um pégo mais fundo, onde, deitando-se a cada passo a ancora ecolocado o leme em seu lugar proprio com pequeno trabalho e comgrande admiração de todos nós, esperavamos ficar tranquilos até oromper da aurora. Era um lugar fechado de todas as partes porcachopos e monticulos de areia e sómente para o lado da prôa haviauma estreita saida; quando no entanto se começava a descansar,eis que tudo se perturba na ameaçadora escuridão da noite, os ventossopram com violencia do Sul, caem imensos aguaceiros, e, revolvidoem todos os sentidos, o mar abalava violentamente a embarcação, [Página 14]

extrema ferocidade, o que, conquanto possa ser comprovado pormuitos fatos, que sucessivamente e de quando em quando se dão,bastará referir dois ou três para mostrá-lo.A´ beira de um rio; estando alguns Cristãos descansando uma noiteem pequenas cabanas, dormia um lndio debaixo da cama, ou antesna rêde de um, que aqui se suspende sustentada por duas cordas;eis que sobrevem um tigre alta noite e agarrando-o por uma perna,que por acaso tinha estendida, arrebatou-o, não podendo a multidãoque ali se achava reunida, arrancar-lho das garras e dos dentes; oque aconteceu com muitos outros, que as mesmas onças arrebatamno primeiro sono do meio de muita gente; dêste fato poderiam serapresentados muitos testemunhos.Quarenta homens armados de balas, arcos e lanças, tencionandomatar um tigre que tinha feito muitos estragos trucidando com grandeferocidade e devorando a muitos, a féra, não se temendo de tãogrande fôrça de homens armados, acometeu a um deles, e matá-loia com as unhas enterradas pela cabeça e pelo peito, se dirigidacom a ajuda do Senhor ao coração, uma flecha não a tivesse deitadopor terra.Passando dois Indios por um caminho perto de Piratininga por ondesempre vamos e voltamos, saiu-lhes ao encontro uma pantera einvestiu contra ambos; um dos homens fugiu, o outro, repilindo osimpetos da féra, combateu valorosamente não só com flechas, mastambem com a agilidade do corpo, até que trepou em uma árvore,porém nem mesmo êste meio é bastante seguro contra tais féras,pois são dotadas de grande destreza; esta ficou junto da árvore, vendose achava alguma subida; labutou toda a noite (porque isso se passouquasi ao entrar do sol), e bramiu, até que, subindo á árvore, ou derribouo homem, ou ele mesmo cansado de tão grande luta e cheio depavor, caiu. Em baixo era um lugar alagadiço, coberto de lôdo, noqual ele ao cair afogou-se, de maneira que não pôde ser apanhadopela féra, a qual gastou debalde o resto da noite em diligências paratirá-lo dali; afinal cansada, deitou-se. Ao amanhecer, chegando osoutros, que já tinham vindo inutilmente na vespera em auxílio do [Página 23]

Até nas pedras se encontra o que admirar e com que exaltar aonipotencia do supremo e otimo Deus, maximè em uma que serveparaafiar espadas; mas tem isto de maravilhoso, que qualquer parte delaque tocares em as mãos se torna flexivel como o couro e a moveráscomo cousa apertada por um nó, de maneira que não parece umapedra só, mas sim muitas reunidas por diversas juntas (75).

Encontram-se em certo rio habitado pelos inimigos, a umas 50 milhas de Piratininga, muitas conchas, nas quais se criam certas pedrinhas transparentes, que querem sejam perolas: têm o tamanho do grão de bico e algumas maiores.

Isto é quanto me ocorre dizer das árvores, plantas e pedras.Acrescentarei agora poucas palavras acêrca dos espectros noturnosou antes demonios com que costumam os Indios aterrar-se.

É cousa sabida e pela bôca de todos corre que ha certos demonios, a que os Brasis chamam corupira, que acometem aos Indios muitas vezes no mato, dão-lhes de açoites, machucam-os e matam-os. São testemunhas disto os nossos Irmãos, que viram algumas vezes os mortos por eles. Por isso, costumam os Indios deixar em certo caminho, que por asperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, flechas e outras cousas semelhantes como uma especiede oblação, rogando fervorosamente aos curupiras que não lhes façammal (76).

Ha tambem nos rios outros fantasmas, a que chamam Igpupiára (77), isto é, que moram n’agua, que matam do mesmo aos Indios. Não longe de nós ha um rio habitado por Cristãos, o que os Indios atravessavam outrora em pequenas canôas, que fazem de um só tronco ou de cortiça, onde eram muitas vezes afogados por eles, antes que os Cristãos para lá fossem.

Ha tambem outros, maximè nas praias, que vivem a maior parte dotempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá (78), quequer dizer “cousa de fogo”, o que é o mesmo como se dissesse “o que é todo fogo”. Não se vê outra cousa senão facho cintilantecorrendo daqui para ali; acomete rapidamente os Indios e mata-os,como os curupiras: o que seja isto, ainda não se sabe com certeza.Ha tambem outros espectros do mesmo modo pavorosos, que nãosó assaltam os Indios, como lhes causam dano; o que não admira,quando por êstes e outros meios semelhantes, que longo fôraenumerar, quer o demonio tornar-se formidavel a êstes Brasis, quenão conhecem a Deus, e exercer contra eles tão cruel tirania.Dêstes Brasis direi, em último lugar, que quasi nenhum se encontraentre eles afetado de deformidade alguma natural; acha-se raramenteum cego, um surdo, um mudo ou um coxo, nenhum nascido fóra detempo (79). Todavia, ha pouco tempo, em uma aldeia de Indios, auma ou duas milhas de Piratininga, nasceu uma criancinha, ou antesum monstro, cujo nariz se estendia até ao queixo, tinha a bôca abaixodêste, os peitos e as costas semelhantes ao lagarto aquatico, cobertasde horrendas escamas as partes genitais perto dos rins; a qual seupai, assim que nasceu, fez enterrar viva. A esta morte condenamtambem os que suspeitam terem sido concebidos em adulterio.Não é talvez menos para admirar o ter nascido em Piratininga umporco hermafrodita que, segundo creio, ainda está vivo.Narrei essas cousas brevemente, como pude, posto que não duvidesque haja muitas outras dignas de menção, que são desconhecidasa nós, ainda aqui pouco praticos. Rogamos entretanto aos que achemprazer em ler e ouvir estas cousas, queiram tomar o trabalho de orarpor nós e pela conversão dêste país.Escrito em São Vicente, que é a última povoação dos Portugueses na IndiaBrasilica voltada para o Sul, no ano do Senhor 1560, no fim do mês de Maio.O minimo da Companhia de Jesus. [Páginas 34 e 35]

(05) Boi-marinho é o peixe-boi, sirenio da familia dos Triquequideos, de que ha duasespecies brasileiras. Chamado pelos indios iguaraguá (Anch.), goáragoá (G. Soares,,Trat.,ed. 1879, p. 257), goáraguá ou guarabá (Varnhagen, notal 203 a G. Soares), R.Garcia declara melhor “guaraguá, que se traduz por guára-guára, come-come, comilão,ou ainda por yguá-riguá, morador em enseadas”(nota a F. Cardim, Trat., p. 136). Osportugueses da Africa Oriental o conhecem por peixe-mulher, segundo Lara Ordoñez (l.C.). - Observação de Oliverio Mario: “A especie referida por Anchieta é indubitavelmenteTrichechus manatus Lin., 1758, peculiar ao litoral atlantico da America Meridional e ásAntilhas. Uma especie vizinha (Manatus inunguis Matterer) vive nas bacias do Orenocoe do Amazonas, ao passo que as costas e grandes rios da Africa Occidental sãofrequentadas por uma outra (Manatus senegalensis Desmarest). No Oceano Indico enas costas da Africa Oriental encontram-se duas especies pertencentes a um generoafim; a alguma delas (talvez Helicore dugung Erxleben), senão a ambas, aplicar-se-á oapelido dado pelos portugueses, segundo Lara Ordoñez”.

(06) Da Baía, em outubro de 1553, partiram para São Vicente, com escala pelo Espirito Santo, os padres Leonardo Nunes, Vicente Rodrigues e Braz Lourenço com os irmãos José de Anchieta, Gregorio Serrão e (segundo é corrente) um terceiro, cujo nome se ignora. Anchieta, entretanto, diz “eu e quatro irmãos”. É assim muito provavel que fossem realmente cinco os jesuitas que embarcaram na Baía, e não seis, como pretende S. de Vasconcelos (o. c., 1. 1, n. 143). Com a tempestade, que na noite de 20 para 21 de novembro surpreendeu a missão nos Abrolhos, a embarcação de Anchieta ficou bastante danificada e a de Leonardo Nunes inteiramente perdida. É esse o sucesso que Anchieta narra.

(07) Piraiquê, “corr. Pirá-ikê, o peixe entra. Designa o estuario ou esteiro aonde o peixeentra para a desova ou para comer. Alt. Piraquê, Perequê, S. Paulo”(T. Sampaio, O tupina Geogr. Nac., 3ª ed.). - Observação de Oliverio Mario: “Piraiquê é nome cuja tradiçãodir-se-á perdida na linguagem vulgar. Não existe até, ao que parece, nenhum vocábulopara designar na fala usual o curioso fenomeno da entrada dos cardumes de peixespotamotocos (assim são chamados os peixes marinhos que desovam nos rios) peloestuario dos rios acima. No número dêstes peixes contam-se no Brasil, com os seusmais importantes representantes do ponto de vista economico, as tainhas e curimãs, deque ha muitas especies: Mugil brasiliensis Agassiz, M. abbula (? - M. cephalus), M.incilis Hancock, M. curema Cuv. & Va., etc. A êstes peixes se referirá com todaprobabilidade o trecho de Anchieta. A observação do jesuita sôbre o tino admiravel deproteção e de defesa posto em prática pelos peixes no ato de procurarem lugar adequadoá desova, em que pese a maneira antropomorfica por que é narrada e interpretada,conta forçosamente algum apoio na realidade, pois é sabido que os animais, aindaaqueles cujo psiquico se nos mostra mais embotado e rudimentar, frequentemente nosmaravilham pela clarividencia dos seus instintos relacionados com a procreação”. - Aprocura “de aguas salobras ou mesmo perfeitamente doces” para a desova, justifica-se“em determinadas especies, porque, dadas as exigencias biologicas, acham nos riosmeio tranquilo e farto de alimentação para a futura prole”, sendo de notar que muitas“permanecem nos rios litoreaneos indefinidamente” e outras, “logo após os meses deprocreação, voltam para o mar” (A. Couto de Magalhães, o. c., páginas 66-7).(08) Timbó, da familia das Sapindaceas (Paulinia pinnata L.). O nome tupi é de dificilexplicação, segundo, R. Garcia (nota a F. Cardim, p. 135). - Ao sumo “extraido de cipósbatidos para matar o peixe nos rios e lagoas”, chamavam os indios tingui (T. Sampaio, o. c.). [Página 37]



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EMERSON


01/01/1997
ANO:103
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]