3 de setembro de 2025, quarta-feira Atualizado em 06/11/2025 20:59:07
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SL. 2º, 128, 1-7 Capitão-mor Bento Pires Ribeiro foi prestimoso cidadão de S Paulo, que fez várias entradas ao sertão onde conquistou grande numero de índios barbaros que fez baptizar e tinha sob sua administração. Falleceu na sua ultima entrada no sertão em 1669. Foi casado com Sebastiana Leite da Silva, falecida em 1670 (e não em 1680 como escreveu Taques), f.a. de Pedro Dias Paes Leme e de Maria Leite. Teve (C. O. S. Paulo) 7 f.os.:
2-1 Francisco Pires Ribeiro, foi casado em 1681 em Parnahiba com Maria de Arruda. 2-2 Bento Pires Ribeiro, fallecido em 1726 em Goyaz, foi casado com Anna Maria Furquim 2-3 Paschoal Leite da Silva falleceu solteiro. 2-4 Ignez Monteiro da Silva foi casada com José de Campos Bicudo 2-5 Maria Leite Ribeiro casou-se em 1689 em Itú com João de Siqueira 2-6 Salvador Pires, falleceu solteiro 2-7 José Pires, falleceu solteiro em 1683, e foram herdeiros os seus irmãos (C O de S Paulo).
Subsídios a Genealogia Paulistana (Regina Junqueira) Capitão Bento Pires Ribeiro, falecido no sertão em 1669, foi casado com Sebastiana Leite da Silva, falecida pouco depois deixando 6 filhos órfãos, contados e mencionados nos respectivos inventários de seu pai e mãe, nascidos por:2-1 Francisco Pires Ribeiro (também Francisco Dias da Silva e Francisco Monteiro de Alvarenga), 16562-2 Bento Pires Ribeiro, 1659. Foi dos primeiros descobridores de ouro no Carmo, para onde se mudou e deixou descendência. É citado por Diogo de Vasconcelos in História Média das Minas Gerais.2-3 Paschoal Leite, 1661. Como Pascoal aparece no inventário de seu pai e também no de sua mãe até 1679. Já em 1681 surge José Pires Monteiro e Pascoal desaparece. Teria Pascoal mudado de nome entre 1679 e 1681?2-4 Ignez Monteiro da Silva, 16632-5 Maria Leite de Alvarenga, 1666
2-6 Salvador Pires, por 1667, ainda vivia em 1681, faleceu antes de 1690.
Com a morte de ambos os pais, curatela dos órfãos foi requerida pela avó paterna, Inês Monteiro (a Matrona) em 1670, o que foi contestado por Fernão Dias Paes, tio dos ditos órfãos, porque a referida senhora passava dos oitenta e tantos anos e estava muito adoentada.
A Matrona teria nascido por 1585 ou pouco antes, em 2-11-1671 era falecida.
Exerceu Fernão Dias Paes a curadoria de seus sobrinhos até 1674 quando partiu em busca das esmeraldas e a função passou a Lourenço Castanho Taques o moço.
O órfão Francisco partiu com o tio na célebre bandeira e em 1679 estavam também em sua companhia os irmãos Bento e Pascoal.Em dezembro de 1680, de volta a São Paulo, pobre e sem bens, requer a partilha dos bens em inventário.
BENTO PIRES RIBEIRO, capitãoInventário(anexo o de Sebastiana Leite da Silva - 1670) Vol 17, fls. 221 a 411 Data: 9 de dezembro de 1669. Local: Vila de São Paulo, na paragem Juquiry, no sitio e casas que ficaram do Capitão Bento Pires RibeiroJuiz dos Órfãos: Lourenço Castanho Taques o moçoEscrivão dos Órfãos: João Viegas Xorte.Avaliadores: Diogo de Cubas e Mendonça e Jose Dias. Avaliações, dividas que deve o casal (entre elas)- deve a órfã Ignez filha do defunto João Pires Monteiro 5$000 réis. Procurador por parte dos órfãos: Domingos Gomes PereiraProcurador da viuva: Bento de Alvarenga Guterres. Monte liquido 491$080- coube a viuva 245$540- para o ab intestado 8$000-- para se partir pelos seis órfãos 237$540 quinhão:- do órfão Francisco- de Bento- de Paschoal- da órfã Ignez- da órfã Maria- de Salvador
Aos 13 de dezembro de 1669 curadora e tutora de seus filhos órfãos a Sebastiana da Silva.
Arrematações.Dinheiro dado a ganhos (entre eles )- aos 10-4-1671 Salvador Jorge Velho em nome de sua mãe Izabel Pires, dona viuva, e como seu procurador, a quantia de 100$000 réis, sob hipoteca. fls. 281- aos 18-4-1672 conta que dá o capitão Fernão Dias Paes curador dos órfãos deste inventário. fls. 285 aos 3-11-1672 termo de declaração de um pouco de prata lavrada que herdaram estes órfãos de sua avó Ignez Monteiro a qual entregou Domingos Gomes Pereira ao capitão Fernão Dias Paes.
SEBASTIANA LEITE DA SILVAInventário Vol 17, fls. 289 a 411 Data: 4 de novembro de 1670. Local: Vila de São Paulo, nas casas que ficaram da defunta Sebastiana Leite da SilvaJuiz dos Órfãos: Antonio Ribeiro BaiãoEscrivão dos Órfãos: João Viegas Xorte.Avaliadores: Domingos Machado e Manuel Alveres de Sousa.Declarante: Domingos Gomes Título dos filhos:- Francisco, de idade de 14 anos- Bento, de idade de 11 anos- Paschoal, de 9 anos- Ignez, de 7 anos- Maria, de 4 anos- Salvador, de 3 anosTodos pouco mais ou menos. Avaliações. fls. 301 - aos 5-11-1670 nesta vila de São Paulo o capitão Francisco Dias Velho por sua constituinte Ignez Monteiro mãe do dito Capitão Bento Pires Monteiro, que Deus haja, e por ele foi requerido em como sua constituinte era direita curadora e tutora de seus netos filhos do dito defunto, conforme a Ordenação de Sua Magestade (...) e por estas razões e lei apontada lhe pertence a dita curadoria de seus netos, os quais já tem em seu poder pelo que lhe requeria a metesse de posse como é o estilo (...). fls. 303 - Vista; digo que a curadoria de meus sobrinhos órfãos filhos de minha irmã Sebastiana da Silva que Deus haja me pertence por direito visto a requerente a quem pertence ser mulher que passa de oitenta e tantos anos e ser muito doente (...). Fernão Dias Paes. fls. 308: aos 21-2-1671 Lourenço Castanho Taques o moço, a administração dos bens dos órfãos deste inventário, que assim por eles como pelos órfãos olhasse enquanto se determina a quem pertence a tutoria deste órfãos. fls. 310 - aos 3-7-1671 termo de curadoria feito ao Capitão Fernão Dias Paes de tutor e curador de seus sobrinhos filhos que ficaram da defunta sua irmã Sebastiana Leite da Silva, e apresentou como fiador a João Pires Rodrigues. fls. 314: aos 2-11-1671 por Domingos Gomes Pereira foi dito haver recebido da mão do reverendo padre João Leite da Silva a quantia de 29$880 réis a qual quantia se devia á defunta Ignez Monteiro e coube em partilha aos órfãos deste inventário de que ele dito Domingos Gomes é procurador o qual dinheiro fica em deposito do dito Domingos para dar conta quando lhe for pela justiça pedido. (...). Dinheiro dado a ganhos e quitações. fls. 317 - 4-7-1673 contas que dá o curador o Capitão Fernão Dias Paes, sobre os órfãos e mais declarou o curador que tinha em seu poder a prata que tocou de herança a seus curados de sua avó Ignez Monteiro que importou em dinheiro 13$003 réis por suas avaliações.
fls. 320 - aos 29 de dezembro de 1674 Diogo Domingues de Faria em nome de sua filha Anna Domingues mulher de Manuel Cardoso de Almeida, queria tomar a ganhos 30$000 réis (...).
fls. 324 - aos 26 de março de 1674 Garcia Rodrigues Velho em nome de sua mãe Maria Betim, a quantia de 52$980 réis e deu por fiador ao Capitão Fernão Dias Paes.
fls 327 - aos 30 de março de 1674 - coube aos órfãos de herança da defunta sua avó Ignez Monteiro conforme o que consta no seu quinhão nas partilhas no inventário da dita defunta (...)
fls. 348 - aos 29-12-1679 contas que dá o curador Domingos Gomes Pereira sobre os órfãos:
- Francisco, andava em companhia do Capitão Fernão Dias Paes em serviço de Sua Alteza.
- Bento, andava em sua companhia.
- Paschoal, estava com ele
- Salvador, aprendia a ler e escrever
- as órfãs Ignez e Maria tinha em sua companhia.
fls. 351 Gastos com os órfãos:
- Francisco Dias da Silva 19$430
- Bento 33$965 - Paschoal Leite 21$160
- Salvador 1$940
- órfã Ignez Monteiro 24$480
- órfã Maria 1$900
fls. 361; aos 28 de março de 1679 autuamento de petição por parte de Bento Pires Ribeiro, filho que ficou do capitão Bento Pires e de sua mulher Sebastiana Leite da Silva (...).
Contas que deu Domingos Gomes Pereira curador deste inventário: primeiro de janeiro de 1679, gastos que tenho feito com:
- o órfão Bento Pires Ribeiro- o órfão Paschoal Leite- o órfão Salvador- a órfã Ignez Monteiro- a órfã Maria Leite de Alvarenga
fls. 377: diz Francisco Monteiro de Alvarenga, filho de Bento Pires Ribeiro e Sebastiana Leite que Deus haja, que ele veio do sertão perdido de donde não trouxe lucro algum por cuja razão se quer valer das legitimas de seus pais (...). Vista do curador São Paulo 10-12-680
fls. 379: aos 21-2-1681 a requerimento das partes para efeito de se liquidarem as contas dos bens que possuem os herdeiros do defunto capitão Bento Pires e de sua mulher Sebastiana leite da Silva por estarem alguns deles emancipados e ser necessário fazer-se partilhas particularmente por cada um (...). fls. 379 - aos 22-2-1681 (...) mandou o juiz dessem balanço a inventário para se lançar as dividas que no dito inventário se devem para se fazerem partilhas iguais entrando cada qual com o que gastou para se igualarem uns com os outros com os gastos particulares que cada qual tem feito (...). Lançamento novamente dos bens que estão em ser, do dinheiro que se acha no inventário, do dinheiro que a juros corre.Lançamento do que cada um dos herdeiros tem em si assim deste juízo como do rendimento da fazenda que gastaram em vestuário.- Francisco Pires Ribeiro gastou 10$870- Bento Pires Ribeiro gastou 55$480- Jose Pires gastou 34$880- Salvador gastou 2$960- Ignez Monteiro gastou 41$300- Maria Leite gastou 8$580 fls. 386: aos 23-2-1681 citados os herdeiros deste inventário para as partilhas a saber:Francisco PiresBento PiresJose PiresIgnez MonteiroMaria Leitee ao curador Domingos Gomes Pereira. monte Liquido 1:046$210que partidos por seis por tantos serem os herdeiros cabe a cada um 164$368- quinhão de Francisco Pires Ribeiro- quinhão da herdeira Ignez Monteiro de Alvarenga- quinhão do herdeiro Bento Pires Ribeiro- quinhão de Jose Pires- quinhão da órfã Maria Leite- quinhão do órfão Salvador Pires. Dinheiro dado a ganhos e quitações.
fls. 403 - confessou Jose Pires receber do capitão Francisco de Godoy Moreira 61$000 (...) e o dito Jose Pires os recebeu por lhe caber em sua folha de partilhas., - José Pires Monteiro.
fls. 406 - confessou Jose de Campos estar pago e satisfeito do que lhe deve em folha de partilha Anna Pires(...). fls. 409 (nota: muitas falhas no texto) ----- de dezembro de mil e seiscentos e oitenta e nove anos ---- São Paulo Domingos Gomes Pereira pelo qual ao dito juiz que vinha dar ------ bens do defunto órfão ---------- da órfã, e disse que --ra morto, e a órfã -----nha sua folha de partilha ------------ defunto Salvador ------ neste inventário --------------------- (...) e requereu que partisse os bens do defunto órfão pelos herdeiros.
fls. 410 - confessou João de Siqueira receber de seu cunhado Bento Pires Ribeiro (...) os quais lhe era a dever em sua folha de partilhas. 14 de abril de 1690. João de Siqueira.
Idem, de toda a quantia que lhe era a --- na sua folha de partilhas. 14-4-690.
Confessou Bento Pires Ribeiro de como o capitão Salvador Jorge tem pago toas as quantias que era a dever nestes dois inventários que neste dia se ajustaram as contas (...0 em que o dito Bento Pires assinou por si e por seus irmãos e irmãs. Bento Pires Ribeiro.
Confessou João de Sousa receber do padre Jorge Moreira 41$720 réis como procurador de João de Siqueira casado com a herdeira de Bento Pires, que lhe coube em folha de partilhas (...).
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]