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A COMPANHIA DE JESUS E A FORMAÇÃO DA CULTURA SEXUAL BRASILEIRA: UM ESTUDO HISTÓRICO E DOCUMENTAL A PARTIR DOS ESCRITOS DO PADRE MANUEL DA NÓBREGA

mencio ()

    2009
    Atualizado em 13/11/2025 05:24:43
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JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt

seu respeito principalmente viemos a esta terra e não por os brancos. Mostrãogrande vontade e desejos de os conversarmos e insinarmos. Muy facil causa héserem todos christãos se ouver muytos obreiros que os conservem em bonscostumes, porque doutra maneira far-se-á grande injuria ao sacramento.Vinde, charissimos Irmãos, ou choray tanto que N. Senhor vo-lo outorgue. Emtodas as Capitanias se ordenão casas para os filhos do gentio se insinarem, de quese cree resultar grande fruto e para mais em breve o Senhor ajuntar seus escolhidosque nesta gentilidade tem. Eu prego domingos e festas duas vezes a toda a genteda Villa, que hé muyta, e às sextas-feiras tem pratica com disciplina com que semuyto aproveitão todos. Vão-se confessando e juntamente fazendo penitencia; asiem brancos como nos Indios há grande fervor e devoção. Ho Capitão destaCapitania e [sua molher são] muy virtuosos e somente por ignorantia se deixavão defazer muytas causas do serviço de N. Senhor; muyto nos favorecem e ajudão emtudo.Isto vos quis escrever asi em breve para que vejaes, Charissimos, quantanecessidade cá temos de vossas orações. Non solum vobis nati estis: hum corposomos em Jesu Christo, se lá não sustentardes este vosso membro perecerá.Com as novas e cartas que recebemos nos alegramos muyto no Senhor.Queira elle sempre augmentar o fervor com que se obra, pois hé por seu amor.Grande cousa hé a India e o fruito della, e eu em muyto tenho tam bem o que se cáfará, se vós vierdes, Charissimos. Lá converter-se-ão muytos reynos e quá salvarse-ão muytas almas, e das mais perdidas que Deus tem em todas as gerações. Atéagora pouco podemos con versar ho gentio, porque os christãos esta vão taes quenos occupão muyto suas confissões e negocios com elles. Das outras partes creoque vos terão scripto os Irmãos. Valete, mi Fratres.

Anexo H: A D. João lII, Rei de Portugal Olinda [Pemambuco] 14 de Setembro ele 1551+Jesus

Ha graça e amor de Christo Noso Senhor seja com V. Alteza sempre. Amen.Logo que a esta Capitania de Duarte Coelho achegamos outro Padre e eu,escrevi a V. A. dando-lhe alguma em formação das coussas desta terra, e por sernovo nesta Capitania e nam ter tanta experiencia dela me fiquaram por escreveralgumas coussas que nesta suprirei.

Nesta Capitania se vivia muito seguramente nos peccados de todo ho genero e tinhão ho pecar por lei e costume, hos mais ou quasi todos nam comungavão nunqua e ha absolvição sacramental ha recebiam perseverando em seus peccados. Hos eclesiasticos que achei, que são cinquo ou seis, viviam a mesma vida e com mais escandalo, e alguns apostatas; e por todos asi viverem nam se estranha pecar. Haignorancia elas causas de nosa fé catholica hé quá muita e parece-Ihes novidade ha pregação delas. Quasi todos tem negras forras do gentio e quando querem se vão pera os seus. Fazen-se grandes injurias aos sacramentos que quá se ministrão. Ho sertão está cheo de filhos de christãos grandes e pequenos, machos e femeas, com viverem e se criarem nos custumes do gentio. Avia grandes odios e bandos. Hascausas da Igreja mui mal regidas, e as da justiça polo conseginte, finalmente commixti sunt inter gentes et didicerunt opera eorum. [p. 121]

Começamos com ha ajuda de Noso Senhor a emtender em todas estascousas e faz-se muito fructo, e já se evitão muitos peccados de todo ho genero. Vanse confessando e emendando, e todos querem mudar seu mao estado e vestir a Jesu Christo Noso Senhor. Os que estavam em adio se recon[ci]liarão com muito amor. Vam-se ajuntando os filhos dos christãos que andão perdidos pollo sertão, e já são tirados alguns e espero no Senhor que os tiraremos todos. E posto que por todas as outras Capitanias ouvesse os mesmos peccados, e porém nam tão areigados como nesta; e deve ser ha causa porque forão já mui castigadas de Nosso Senhor e pecavão mais a medo, e esta não.

Duarte Coelho e sua molher sam tam vertuosos, quanto hé ha fama que tem,e certo creo que por elles nam castigou a justiça do Altissimo tantos males atéagora. E porém hé já velho e falta-lhe muito pera ho boom regimento da justiça, epor iso ha jurisdição de toda ha costa devia de ser de V. A..

Com os escravos que são muitos se faz multo fructo, os quais viviam comogentios sem terem mais que serem bautizados com pouqua reverencia do sacramento. Das pregações e douctrina que lhes fazem corre ha fama ha todo ho gentioda terra e muitos nos vem ver e ouvir ho que de Christo lhe dizemos e, segundo hofervor e vontade que trazem, parecem dizer ho que outros gentios deziam ha SãoFelipe: "VolumuS lesum videre". Esperam-nos em suas Aldeas e prometemfazerem quanto lhe diseremos. Este gentio está mui aparelhado a se nele fructificarpor estar já mais domestico e ter ha terra capitão que nam consentia fazerem-lheagravos como nas outras partes. Ho converter todo este gentio hé mui facil causa,mas ho sustentá-Ia em boons costumes nam pode ser senam com multas obreiros,porque em causa nenhuma crem, e estão papel branco pera nelles escrever hàvontade, se com exemplo e continua conversação os sustentarem. Eu, quando vejoos pouquos que somos e que nem pera acudir aos christãos abastamos, e vejoperder meus proximos e criaturas do Senhor hà mingoa, tomo por rernedio clamarao Criador de todos e a V. A. que mandem obreiros, e a meus Padres e Irmãos quevenhão.

Damos ordem a que se faça huma casa pera recolher todas as moças emolheres do gentio da terra que há muitos annos que vivem antre os christãos, esam christãs e tem filhos dos homeins branquos; e os mesmos homeins que astinhão ordenão esta casa, porque ali douctrinadas e governadas por algumas velhasdelas mesmas, pollo tempo em diante muitas casarão e ao menos vivirão commenos occasiom de peccados; e heste hê ho milhar meio que nos pareceo por senam tornarem ao gentio. Antre estas há muitas de muito conhecimento, e seconfessão e sabem bem conhecer os peccados em que viverão; e as que maisfervor tem pregão às outras. E asi destas como dos escravos somos importunadosde contino pera os ensinar, de maneira que asi os meninos orfãos, que connoscotemos, como nós, ho principal exercicio hé ensiná-las. Com estas forras se ganharãomuitas já christãs que pao sertão andão, e asi muitos meninos seus parentes dogentio, pera em nosa casa se emsinarem, alem de outros muitos proveitos que distohà gloria de Noso Senhor resultarã[o]; e ha terra se povoará em temor econhecimento do Criador.

Por toda esta costa há muitos homens casados em Portugal e vivem guá emgraves peccados com muito perjuizo de suas molheres e filhos, Devia V. A. mandaraos capitãis que nisto tenhão muito cuidado.Nestas partes há muitos escravos e todos vivem em peccado com outrasescravas. Alguns dos tais fazemos casar, outros areceam fiquarem seus escravosforros e não ousão ha casá-los. Seria serviço de Noso Senhor mandar V. A. huma provisão em que declare nam fiquarem forros casando, e ho mesmo se devia proverem Santo Thomé e outras partes omde há fazendas com muitos escravos. Com avinda do Bispo ho esperavamos remedear e agora me parece ser necessario V. A.prover niso por se evitarem grandes peccados.

Os moradores destas Capitanias ajudão com ho que podem ha fazeren-seestas casas pera os meninos do gentio se criarem nelas, e será grande meio e brevepera há conversão do gentio.

Ho Colegio da Baiia seja de V. A. pera o favorecer, porque está já bemprincipiado e averá nelle vinte. no meninos pouquo mais ou menos. E mande aoGovernador que faça casas pera os meninos porque as que tem sam feitas pornosas mãos e são de pouqua dura, e mande dar alguns escravos de Guiiné hà casapera fazerem mantimentos, porque a terra hê tam fertil, que facilmente se manterãoe vestirão muitos meninos, se tiverem alguns escravos q ue fação roças demantimentos e algodoais; e pera nós nam hé necessario nada, porque ha terra hé talque hum soo morador hé poderoso ha manter a hum de nós.

Pera as outras Capitanias mande V. A. molheres orfãas porque todascasarão. Nesta nam são necessarias por agora por a verem muitas filhas dehomeins brancos e de indias da terra, as quais todas agora casarão com ha ajudado Senhor; e, se nam casavam dantes, era porque consentiam viver os homeins emseus peccados livremente, e por iso nam se curavão tanto de casar e alguns deziamque nam pecavão, porque ho Arcebispo do Funchal lhes dava licença.

Ho governador Thomé de Sousa me pedio hum Padre pera ir com certa genteque V. A. manda a descobrir ouro. Eu lho prometi porque também nos relevadescobri-la pera ho tisouro de Jesu Christo Noso Senhor, e ser causa de que tantoproveito resultará hà gloria do mesmo Senhor e bem a todo ho Reino e consolação aV. A. E porque haí muitas novas delle e parecem certas, parece-me que irão.

Seja isto tambem em hajuda pera V. A. mandar Padres, porque qualquer quefor fará muita falta no começado, se nam vierem Padres pera o sustentar. E, porquepor outra tenho dado mais larga conta, e com ha vinda do Bispo que esperamos, aquem tenho escripto ho mais, aguardamos ser soccorridos, cesso, pedindo a NosoSenhor lhe dê sempre a conhecer sua vontade santa pera que comprindo-a sejaaugmentada sua fé catholica pera gloria do nome santo de Jesu Christo NosoSenhor, qui est benedictus in secula.

Anexo I: A D. João III, Rei de Portugal[Baía princípios de Julho de 1552]JesusNosso Senhor Jesu Christo dê muita graça e consolação a V. A. sempre.Amen.De Pernanbuquo escrevi a V. A. mais largo do que agora farei, porque de Hánão avia tantos que informacem da terra a V. A. como á de quá. Ho Bispo nos trouxeNosso Senhor tão desejado de todos, posto que com muitos trabalhos e prolixaviagem, hapesar do principe das escoridades que bem quizera estorvar sua vindapois com ella eiicientur foras, e daram muitas almas gloria ao Senhor.Ja que escrevi a V. A. ha falta que nesta terra há de molheres com que oshomens casem e vivão em serviço de N. Senhor apartados dos peccados em queagora vivem, mande V. A. muitas orfãas e, se não ouver muitas, venhão de mestura [p. 122, 123]



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EMERSON


01/01/2009
ANO:98
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]