13 de agosto de 2025, quarta-feira Atualizado em 13/11/2025 04:14:31
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HOJE NA;HISTóRIA
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Por Larissa Pandori, g1 Sorocaba e Jundiaí - Há pouco mais de 80 anos, em 1944, o sorocabano despertava em uma cidade com poucos comércios e limitadas opções para comer. O cenário urbano era bem diferente do atual. Oito décadas depois, a vida comercial da cidade se transformou profundamente.
Ainda assim, quem acorda nesta sexta-feira, 15 de agosto, data em que Sorocaba (SP) celebra 371 anos, pode percorrer a cidade e visitar estabelecimentos que resistiram ao tempo e foram fundamentais para a história e o desenvolvimento local. Para celebrar o aniversário da cidade, o g1 te convida para uma "viagem no tempo". Nosso itinerário passará por três locais:
- Uma padaria na zona leste;- uma loja de vestuário (e acessórios para montaria) no Centro;e uma lanchonete no bairro Além Ponte.- Uma padaria de 1922
O nosso personagem sorocabano, da década de 1940, despertou na manhã de aniversário da cidade e foi tomar um café. A padaria escolhida é uma que, hoje centenária, havia sido inaugurada pouco mais de 20 anos antes e ainda estava sob a administração da primeira geração de proprietários.
Localizado no número 261 da Rua Coronel Nogueira Padilha, na Vila Hortência, zona leste da cidade, o estabelecimento já era ponto tradicional do bairro.
Desde a década de 1920, a Nogueira Padilha, anteriormente chamada de Rua do Morro, era um importante centro comercial e de convivência. Foi nesse contexto que a Padaria do Gonçalo abriu as portas, em 1922, oferecendo produtos essenciais aos moradores da região. A via também era conhecida como reduto de espanhóis.
Foi justamente um desses imigrantes, Gonçalo Vecina, quem fundou a Padaria Hispano Americana, em homenagem às suas raízes na Espanha. Na inauguração do estabelecimento também foi colocado em funcionamento um forno a lenha, responsável por assar os tradicionais pães d´água que rapidamente conquistaram a clientela.
"Gonçalo Vecina, a esposa e os filhos ficaram até a década de 60 no comando. Em 1962, ele vendeu para o Cláudio Haro, que gerenciou a padaria junto da esposa, Edith Haro. Eles ficaram até 2012, ano que o Renato, meu filho, adquiriu. E aí continuou, expandiu", conta Solange Saliba, mãe do atual proprietário, Renato Nóbrega.
Solange explica que as famílias Vecina, Haro e Nóbrega se conheciam, pois moravam em casas próximas, todas na Vila Hortência. Parte da infância de Renato, atual gestor do negócio, foi passada na padaria, quando estava na casa do avô, também morador de uma casa na Nogueira Padilha. A mãe de Renato acredita que o amor dele pelo local floresceu justamente neste período.
"Ele adorava ficar aqui, e acho que, a partir daí, ele viu esse amor. Quando ele se formou em marketing, ele trabalhou em umas empresas, e, daí, ele resolveu comprar a padaria. O Cláudio praticamente só aceitou vender porque foi para o Renato, alguém que ele sabia que continuaria o legado", diz a mãe.
Mas, afinal, o que o nosso personagem sorocabano, que nos conduz por esta "viagem no tempo", encontrava ao abrir as portas da padaria nos anos 40 e que se mantém até hoje?
"O forno a lenha é o mesmo. Desde 1922 está aceso e trabalhando. Esse forno veio de navio para o Brasil, desmontado. Foi montado aqui no mesmo lugar onde está até hoje. O forte da padaria sempre foi o pão d´água. Ele tem um segredo, que eu não posso falar, já que é segredo, mas o que potencializa esse segredo é exatamente esse forno de mais de 100 anos", revela Solange.
O atual responsável por comandar o forno sequer havia nascido quando a brasa foi acesa pela primeira vez, em 1922. Aos 38 anos, o padeiro Edilson Macena da Silva fala com orgulho sobre os seis anos dedicados à missão de manter o fogo aceso e os pães sempre saindo do forno. Uma tarefa que está longe de ser simples."Os últimos que vão sair enchem a fornalha até o último, são toras grossas de lenha. Quando os próximos forem chegando, já vão repondo. Quando abre, ele vai estar com muita brasa. Ele vai estar sempre em 220°C, daí para cima. Se a brasa chegar a parar, vai em torno de seis a sete dias, até mais, para poder chegar à temperatura correta novamente. Então, ele tem que estar sempre quente para não cair a temperatura e não dar problema no forno mesmo. E assim está indo para 105 anos, sem parar", explica Edilson.Apesar da grande responsabilidade, Edilson garante que os funcionários logo aprendem o manejo e afirma que, enquanto depender dele, o legado do forno e do tradicional pão d´água será mantido."Nós ensinamos passo a passo para ninguém ficar para trás. Estou há seis anos aqui, já recebi várias ofertas, mas estou por aqui. Espero estar por muitos anos. E, por ser uma padaria tradicional, uma coisa antiga, tanto que tem ainda o forno, não só o forno, como também equipamentos da época, não se pode deixar morrer a história, tem que mantê-la acesa."
Além do forno, o que foi possível manter do projeto original de Gonçalo foi mantido. Como, por exemplo, duas portas de madeira que ficam atrás do balcão de atendimento e dão acesso à cozinha da padaria.
À frente da 3ª geração de proprietários, Renato decidiu que algumas mudanças eram necessárias. Entre as modificações, uma delas chama atenção: um estacionamento anexo à padaria. Algo que em 1945 faria pouco sentido, já que a maioria dos consumidores ia até o local a pé.
"Em 2023, quando eu peguei o imóvel do lado, demolimos e fizemos o estacionamento. Foi um divisor de águas, porque aumentou muito o movimento. Por outro lado, só as quatro mesinhas não estavam dando conta. No passado, a gente abriu uma nova área com mais mesas. O hábito do cliente mudou. Ainda tem aqueles que compram para levar, mas aumentou bastante o público que vem na padaria para sentar, tomar um café, traz o computador para trabalhar, às vezes até ter um encontro. Hoje 65% do faturamento são a copa. O lanche, o café e tudo mais", comenta o proprietário.
Pagamento com cartão, pedidos por aplicativo, trabalhar remotamente enquanto toma um café na padaria. Cenas que com certeza deixariam o nosso sorocabano de 80 anos atrás de "queixo caído".
Para os clientes, a mistura de antiguidade com modernidade é o ponto forte do local. Jander Elan, de 30 anos, trabalha em um comércio a poucos metros do estabelecimento e, toda tarde, vai até lá para pegar um café com leite e um pão d´água.
"Você vê a evolução que teve das coisas e, mesmo assim, eles mantêm a característica dos produtos deles com a mesma qualidade, o atendimento, o jeito que é o ambiente aqui, que é bem legal, bem aconchegante", ressalta o cliente.
A fala de Jander combina com a proposta do atual proprietário, que enxerga justamente nesse equilíbrio entre o passado e o presente o diferencial dos negócios mais antigos de Sorocaba.
"O segredo que eu uso para administrar é juntar as coisas antigas com as novas. Mesclar o moderno com o tradicional, tanto de produtos, quanto de estrutura. Quando fizemos a ampliação, tentamos ao máximo manter a originalidade. Temos receitas que são super antigas, como a do pão, e temos produtos com ingredientes que caíram no gosto do consumidor recentemente, como o pistache", analisa o proprietário.
Uma loja de sapatos de 1935
Depois de saborear um pão d´água e tomar um café na tradicional Padaria do Gonçalo, o nosso sorocabano da década de 1940 segue com as tarefas do dia. Se quiser comprar roupas e sapatos novos, basta sair da Rua Coronel Nogueira Padilha e percorrer cerca de um quilômetro em direção ao Centro de Sorocaba, onde, desde 1935, funciona uma das lojas mais antigas da cidade: a Casa Navas.
Voltada para um público expressivo da época, os bandeirantes, a loja vendia roupas, calçados, acessórios e artigos de montaria. Assim como a padaria, permanece no mesmo endereço desde a inauguração, com uma única mudança: o imóvel, que ficava no nº 171 da Rua Direita, passou para o nº 243 da Rua Boulevar Braguinha após a alteração do logradouro.
Localizada no "coração" do Centro de Sorocaba, a região já era conhecida pela forte presença do comércio.
Em seu livro que documenta a trajetória do setor comercial de Sorocaba, o jornalista e escritor Celso Ribeiro relata que, desde 1915, circulavam bondes movidos por eletricidade e, não, puxados por mulas. O veículo facilitava parte do deslocamento pelo Centro, encurtando o caminho do nosso personagem pelas paisagens de uma Sorocaba em transformação.
Quem relembra o inicio da loja é Vanessa Navas, de 44 anos, bisneta do fundador do estabelecimento, Geraldo Navas.
"Começou com meu bisavô, daí meu avô deu continuidade e foi passando de geração para geração, sempre na família. Tem uma foto que estão meu bisavô e meu avô montados em um tipo de motocicleta. Essa foto está exposta na loja. Meu avô ficava bravo quando diziam que era uma bicicleta, porque afirmava que não, que era uma motocicleta."
O avô de Vanessa, Geraldo Peres Filho, começou a trabalhar com o pai na juventude, perto dos 18 anos. Na época, o cliente que ia até a Casa Navas encontrava chapéus, gravatas, camisas masculinas, calçados e acessórios de montaria, muito procurados pelos bandeirantes. A gama de produtos passou por uma mudança nestes 90 anos, decisão tomada por Geraldo Filho.
"Ele foi vendo os produtos que mais tinham necessidade, mais saída, e focou em calçados. Mas, agora, há uns dois anos, a gente voltou a colocar algumas peças de roupa feminina, porque é uma tendência. Pessoal já sai com o ´look´ completo. Volta à proposta original."
Vanessa relata que uma marca que o estabelecimento nonagenário mantém desde os primórdios é a de oferecer preços mais acessíveis ao público de classes média e baixa: "A gente sempre tenta repassar um preço mais acessível para atender esse público mais simples. É uma forma até gratificante de a gente tentar ajudar a população a fazer economia".
As mudanças ao longo dos anos afetaram a cartela de produtos, os preços e as formas de pagamento, mas o imóvel passou por poucas alterações e ainda preserva boa parte do projeto original.
"Teve alguns detalhes na decoração, de adaptação, de expor os produtos, mas a gente nunca quis fazer uma grande mudança, porque minha mãe sempre achava que, de repente, fazer uma reforma muito diferente iria descaracterizar a loja e as pessoas iriam achar que não era mais a mesma coisa, que encareceu e tal. E a gente não quer afastar desse público que meu bisavô queria atingir."
Para a gerente, que é a quarta geração a comandar o negócio familiar, a responsabilidade é grande, mas também um legado.
"Tem meus irmãos também que ajudam, minha mãe também trabalha. É uma responsabilidade dar continuidade, mas a gente sempre tenta trazer bons produtos e manter essa ideologia de ter um preço bom, acessível para conseguir atender esse público. Nunca pensamos em vender. E agora é manter a criançada aqui para pegar amor e ter continuidade. A gente torce para continuar", ressalta.
Uma lanchonete de 1944
Voltemos ao nosso personagem sorocabano. Agora que garantiu a vestimenta, ele pode querer fazer uma pausa para encontrar amigos. Um dos lugares que atraía este público, na década de 40, é um dos estabelecimentos mais conhecidos de Sorocaba.
Para chegar até lá, o sorocabano terá de percorrer um trajeto considerável: aproximadamente dois quilômetros de caminhada da região central até a Vila Santa Rita, localizada no Além Ponte. Nossa próxima parada é a Lanchonete e Snooker Bar Gastão, na Rua Foschi Baddini, número 40, inaugurada em 1944.
O idealizador do comércio foi o empresário Humberto Napoleão Fasolin, que batizou o comércio como Bar e Mercearia Santa Rita, em homenagem à igreja que fica em frente ao bar. Além dos quitutes e bebidas, o que atraía o público eram as quadras para jogar bocha.
Ao lado dos pais, Humbertinho, com 11 anos em 1944, foi colocado para trabalhar no balcão, onde mostrou ser bom em fazer contas e acabou, por algum tempo, na função de registrar os pagamentos.
Humbertinho ganhou o apelido de Gastão por causa do compositor Gastão Formenti, um dos principais nomes entre os cantores brasileiros, tendo atuado bastante entre as décadas de 1920 e 1940. O apelido "grudou" tanto que o jeito foi mudar o nome do estabelecimento.
"De dia, eu entregava mercadorias e, à noite, atendia os clientes que saíam das oficinas da Estrada de Ferro Sorocabana para beber no bar e tocar música. Eles vinham com todo tipo de instrumento e passavam a noite cantando músicas do Vicente Celestino e do Gastão Formenti. Diziam que eu era parecido com o Formenti, daí veio o apelido", lembra Gastão.
A região da lanchonete já tinha movimento considerável na época em que o estabelecimento foi inaugurado. Em 1923, houve a construção da então Capela de Santa Rita de Cássia. A clientela logo foi se estabelecendo: além de moradores, operários das antigas fábricas de tecelagem e também das oficinas da Estrada de Ferro Sorocabana, citada por Gastão.
Apesar de ter nascido alguns anos à frente, quem relata um pouco da época do início do estabelecimento é Maria Aparecida Florentino, de 72 anos, "filha de coração" de Gastão e Olga Figueiredo.
"Muitos que trabalhavam moravam em outro bairro, vieram morar para cá [Vila Santa Rita]. Pessoal que trabalhou nessas fábricas e veio morar aqui. Não tinha tanto ônibus, iam a pé trabalhar e passavam por aqui, tomavam o café da manhã. A turma vinha de charrete, lambreta, bicicleta. Era rua de terra. A gente brincava na rua, entende? Era muito bom", comenta Maria Aparecida.
Essa turma que ia na lanchonete, seja de charrete, lambreta, bicicleta ou a pé, ia em busca de quê? A atual administradora do estabelecimento, Karine Fasolin Lopes, neta do Gastão, responde à dúvida e afirma que os sabores da cozinha tiveram pouca mudança nos mais de 80 anos de existência.
"Vinham atrás do bolinho de bacalhau e o bolovo, receitas criadas pela minha avó, que são as mesmas que usamos até hoje. A minha avó [Olga Figueiredo] é [descendente] portuguesa com espanhol, meu avô italiano, então se vê muito dessas três culturas na culinária da lanchonete. Depois a gente tem a minha mãe [Meire Fasolin Lopes], que começou a preparar as porpetas, que é uma almôndega de carne. Então hoje a gente tem como pratos mais tradicionais a almôndega, o bolovo e os lanches. Tudo é feito aqui."
No balcão da lanchonete, funcionários e clientes se tornavam amigos. Quem ia até a lanchonete nos anos seguintes à sua inauguração também procurava - e encontrava - um espaço para bater papo e passar um tempo.
Em 1952, a casa comprou sua primeira mesa de snooker, a sinuca inglesa, e passou a conciliar o jogo de mesa com as duas quadras de bocha, que na década de 1980 seriam totalmente substituídas pela sinuca.
Entre a clientela da época, estava o avô de Daniele Bruzaferro Elia. "Meu avô morava a um quarteirão da lanchonete. Meus pais frequentavam. Eu vinha com eles. Hoje trago meu filho. O lanche tem sabor de infância. Sou da época que a Olga fazia o salgado, a massa da pizza. É muita tradição", comenta a cliente.
Hugo César dos Santos Medeiros, de 58 anos, outro cliente, conta que aprendeu a jogar sinuca na lanchonete, ganhou apelido do proprietário e se tornou amigo pessoal da família Fasolin.
"O Gastão me apelidou de Fanta, porque, na juventude, eu misturava pinga, groselha e refrigerante para tomar. São muitos anos vindo aqui. Quando estava construindo a parte nova e precisava ir buscar algo, ele me chamava para ir junto. Amigo bem próximo", relata.
Hoje, aos 92 anos, Gastão não consegue comentar muito sobre a história do negócio, que está totalmente ligada à história da sua criação, sem se emocionar. Mesmo com idade avançada e mobilidade reduzida, o homem "bate ponto" no estabelecimento que ajudou a construir.
"O vô trabalha até hoje. A hora que eu saio para almoçar, ele vem e fica aqui na frente enquanto a gente almoça, nos avisa a hora que os clientes chegam, faz o social aqui para a gente", aponta Karine.
"Os clientes passam aí e gritam: ´Ó, Gastão´, quando me veem aqui na frente", comenta o empresário, com orgulho.
"É uma honra, e também uma responsabilidade grande de conseguir manter por mais, pelo menos, 20 anos, para chegar no centenário. Antes a concorrência era menor, vai mudando um pouco o perfil do cliente, mas uma das coisas que é muito interessante aqui é que o meu público é muito variado. Então eu atendo desde criança do bairro, que vem para comprar doce, refrigerante, pegar o lanche para a família, até o pessoal da época do meu avô, que vem pela memória, e traz a família, os netos, bisnetos. É um desafio, mas a gente continua inovando sempre, se adaptando, sem perder a raiz de tudo", afirma Karine.
371 ANOS DE SOROCABA
Memória e curiosidade
Essa conexão afetiva com o passado e a valorização das relações pessoais no comércio refletem a importância mais ampla que essas atividades têm no tecido social e econômico da cidade. Para o jornalista Celso Ribeiro, que possui um acervo de fotos históricas de Sorocaba, os sentimentos de nostalgia e curiosidade contribuem para que os comércios antigos continuem ativos e alcançando novos públicos.
"Quando eu publico foto de comércio antigo, de bar antigo, tem bastante curtida, comentário. Os mais velhos têm na memória e os mais jovens querem saber como era o mapa antigo da cidade. Neste sentido, o comércio é muito afetivo: ´Eu ia, era amigo do gerente, era amigo do dono, era amigo do garçom´. As pessoas gostam de coisas antigas, gostam de manter as coisas antigas com algum toque de modernidade, sem perder a essência", analisa.O escritor enxerga no comércio não apenas um espaço de compra e venda, mas parte de uma organização que serviu e serve como base para o desenvolvimento urbano de um local."Aonde tem indústria tem família. Aonde tem família precisa de base comercial e de serviços, de padeiro a barbeiro. Então, indústria, comércio e serviço estão sempre relacionados. Se a indústria não tiver o comércio, não vende. E, sem serviço, não tem como sustentar essas famílias que trabalham e compram. Então, essa tríade é essencial para o desenvolvimento da cidade. Os primeiros ocupantes da cidade seguiram a logística dos tropeiros, dos bandeirantes, e os corredores comerciais surgiram naturalmente. Era por onde o povo passava."
A importância do comércio
Comércio gera emprego, renda, movimenta bairros e é oportunidade de entrada para quem sonha em se tornar um empreendedor.
Para Hygor Duarte, presidente da Associação Comercial de Sorocaba, instituição inaugurada em 1922, o comércio foi e continua sendo um dos principais pilares da economia sorocabana.
"O setor comercial sempre foi protagonista no desenvolvimento de Sorocaba. Durante os momentos mais desafiadores, como a pandemia, mostrou resiliência, criatividade e capacidade de reinvenção. Hoje, com o avanço da digitalização e das novas formas de consumo, o comércio local continua se modernizando e contribuindo para uma cidade mais próspera e conectada."
A facilidade de adaptação às mudanças do mercado é um dos fatores que contribuem para que o setor permaneça, mesmo diante de desafios.
"Inova constantemente e serve como porta de entrada para muitos profissionais que iniciam sua trajetória no mundo do trabalho. O fortalecimento do comércio reflete diretamente na qualidade de vida da população e no dinamismo econômico da cidade", aponta.
Cartas de Datas de Terras (1700 a 1750), vol. IV Data: 01/01/1937 Página 4
ID: 13339
Rua Nogueira Padilha* Data: 01/01/1942 Créditos/Fonte: Gal Moreira Dini II / Antônio Carlos Sartorelli Á direita, local onde seria construída a Igreja do Bom Jesus (Vila Hortência. Foto: Gal Moreira Dini((ig)(colorida d
ID: 1198
Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. XLIV, 2° parte Data: 01/01/1949 Página 14
ID: 13392
EMERSON
13/08/2025 ANO:853
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Sobre o Brasilbook.com.br
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]