| Itu estoura Judas e o Diabo pela 142ª vez no Domingo de Páscoa - jornalcruzeiro.com.br | |
mencio () 15 de agosto de 2019, quinta-feira Atualizado em 10/08/2025 17:38:11
Ao invés de malhar o Judas, como acontece no restante do planeta, na Estância Turística de Itu, o apóstolo que traiu Jesus Cristo é literalmente detonado, todos os anos, diante de milhares de pessoas. O espetáculo, que figura no Livro dos Recordes "Guinness Book” como único do gênero, será repetido ao meio-dia deste Domingo de Páscoa (21) pela 142ª vez.
Quase tudo acontece exatamente como há quase um século e meio atrás. A única diferença, neste ano, é o cenário: ao invés da Praça Padre Miguel (Praça da Matriz), será no estacionamento do Paço Municipal. O motivo da mudança provisória são as obras de reforma do espaço tradicional da detonação.
Diabo explode junto
De acordo com a Secretaria Municipal de Turismo, Lazer e Eventos, todos os preparativos para o emblemático Estouro do Judas foram concluídos e a cidade já está pronta para recepcionar os turistas. Vale destacar que, na Cidade dos Exageros, o delator mais famoso da história cristã não é punido sozinho. Nesta desforra peculiar, o traidor tem a companhia do próprio Diabo, considerado como a personificação da maldade.
No momento da explosão, 30 moedas são arremessadas do enchimento de Judas: é o pagamento pela traição (REPRODUÇÃO)
Danação espetacular
Bonecos dos dois personagens – com a estatura mediana de seres humanos – recheados de explosivos são presos a um mastro e explodidos simultaneamente. Antes disso, porém, o tinhoso desliza por um cabo até os ombros do "parceiro", onde se encaixa sentado.
Juntamente com os estrondos, 30 moedas voam pelos ares, saídas de dentro do ex-evangelista. Conforme a Bíblia Sagrada, esse foi o pagamento recebido pela traição ao Mestre. O espetáculo termina com os aplausos e as vaias dos expectadores, acomodados a distância segura.
Segurança do público
Os organizadores esclarecem que não há qualquer risco de acidente. Eles ressaltam que o local da encenação é sinalizado, isolado e monitorado por equipes de segurança, incluindo patrulhas da Guarda Civil Municipal.
Como a entrada é gratuita, quem quiser assistir o espetáculo dos locais com melhor ângulo de visão precisa chegar cedo. Em anos anteriores, o Largo da Matriz já estava quase totalmente ocupado por volta das 11h.
Único no mundo
O Estouro do Judas (juntamente com o Diabo) de Itu aparece no "Guinness Book" como manifestação cultural única no mundo. O registro mais antigo do evento data de 1877, no jornal "Imprensa Ytuana", porém, é possível que ele já fosse realizado bem antes disso. Três anos depois, na edição de 20 de março de 1880, o periódico publicava a seguinte nota: "No sábado, depois da missa de Aleluia, será queimado no pateo da Matriz um Judas de fogos de artifício. Trabalho do artista pyrothechnico Joaquim Corneta".
No livro "A Paixão Segundo Itu", o historiador Luís Roberto de Francisco confirma a informação de que o artesão Joaquim da Costa Oliveira, "tido e havido como Joaquim Corneta", trouxe a ideia de Portugal e promoveu a queima no largo da Matriz durante muitos anos. Segundo o pesquisador, inicialmente, o estouro era realizado no Sábado de Aleluia. A mudança para o Domingo de Páscoa se deu apenas no século XX.
Artistas da explosão
Luiz Roberto explica que a tarefa de confeccionar o Judas explosivo foi exercida por nove gerações de artesãos fogueteiros. "Quem mais tempo permaneceu na tarefa foi Amador Ferreira Gandra Filho, o Zico Gandra, que ficou mais de 60 anos à frente do trabalho", detalha o historiador. Em seguida, a missão foi transferida para Milton Veronessi, que manteve a tradição até 2008. Em 2009, a Prefeitura de Itu decidiu contratar uma empresa especializada em shows pirotécnicos e se comprometeu a manter a tradição do espetáculo.
Cidade turística
Quem vai a Itu para assistir à Explosão do Judas deve aproveitar para conhecer algumas das inúmeras atrações turísticas do berço da República Brasileira, além, é claro, dos mundialmente famosos exageros. Um dia é pouco para conhecer tudo, mas o visitante pode escolher entre os pontos históricos, como a Casa Imperial, Centro Pró-memória da Irmandade da Santa Casa, Cruzeiro de São Francisco, Ituano Clube, Fábrica São Luiz, um conjunto arquitetônico do século 19, Instituto Borges de Arte e Ofícios, Mercado Municipal e Regimento Deodoro, entre outros.
Museus e igrejas
Se a opção do turista for por museus, tem o Republicano Convenção de Itu, o da Energia e o da Música. Entre as construções religiosas, a maioria datada do século 18, é possível conhecer a Matriz de Nossa Senhora da Candelária (inaugurada em 1780), a Igreja do Bom Jesus (Santuário Nacional do Sagrado Coração de Jesus, concluída em 1765), a Igreja e Colégio Nossa Senhora do Patrocínio (primeiro colégio para meninas de São Paulo, de 1820), o Seminário Nossa Senhora do Carmo (1782), a Igreja de Santa Rita de Cássia (1728), Igreja de São Lázaro e Nosso Senhor do Horto (1879) e o Mosteiro Concepcionista Nossa Senhora das Mercês (1825).
Varvito e outros parques
O passeio pode se estender por seis parques naturais, como o Parque Geológico do Varvito (único no mundo dedicado à rocha sedimentar que denomina o local tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo). Dessa categoria de atrativos faz parte também a Estrada Parque (SP-312), denominada Estrada dos Romeiros, inaugurada em 1922 e considera um marco na implantação da malha viária paulista.
Hospedagem e alimentação
Quem tiver disponibilidade para estender a visita pelo fim de semana prolongado da Páscoa, pode conhecer atrativos rurais como o Acampamento Corujas, a Chácara do Rosário (onde fica a Casa Bandeirante), a Chácara Sulete, as fazendas Cana Verde, Capoava, do Chocolate, Concórdia, Pé da Serra, Santo Antônio da Bela Vista, Montedoro e a Mirante Serra do Japi. Todas elas oferecem hospedagem, refeições e passeios especiais.
Itu ainda possui inúmeros campings, pesqueiros e a Cidade da Criança, sem contar os exageros, como o Orelhão de 10 metros de altura, o Semáforo Gigante, o parque temático denominado Praça dos Exageros e lojas de souvenires.
Serviço – O endereço do Paço Municipal é Avenida Itu 400 anos, 111, Itu Novo, no Centro.
Mais informações sobre o evento podem ser obtidas pelo telefone (11) 4886-9750 e no site da Prefeitura de Itu.
Itu fica a 35 quilômetros de Sorocaba, a 72 quilômetros de Ibiúna e a 120 quilômetros de Itapetininga.
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EMERSON 15/08/2019 ANO:259
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foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]  |
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