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EDIÇÃO SEMIDIPLOMÁTICA DO MANUSCRITO

mencio ()

    1 de janeiro de 1881, sábado
    Atualizado em 04/08/2025 23:42:50
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JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt

completos e muitos outros respondendo as perguntas que se lhes faziaõ (Kewitz, Araújo; Berto 2016a). Acrescentam que não seguiram à risca o questionário de Ramiz Galvão, porque entendiam que lemitando-nos no modelo enviado naõ se poderia formar uma completa idea deste Municipio (op. cit.), o que pode explicar o detalhamento na relação de plantas, animais, minerais etc. e sua descrição." No quadro a seguir, reproduzimos trecho da descrição de Apiaí do Almanak da Província de São Paulo para 1888 (Seckler 1888: 297-298), data próxima do manuscrito que editamos. APIAHY—Villa A Villa de Santo Antônio de Apiahy, hoje situada na parte maiscentral da zona do Sul, da Provincia de S. Paulo, foi fundada em tempos remotíssimos, cuja data não nos é possível indicar. Apenas restam algumas notas nos annaes da Câmara Municipal. Não obstante as dificuldades que se nos apresentam, a falta de documentos que possam comprovar o histórico desta Villa, vamos todavia proceder a um exame, auxiliado por phenomenos geológicos e posições naturaes da terra, que por si só attestam os logares aonde tiveram localisação os primitivos habitantes.

E‘ opinião geral que esta Villa fora começada por dous irmãos viajantes, que perdendo-se nos sertões, ahi começaram as suas lides ouriferas, dando causa, pelo muito lucro que auferiram, que os grandes viessem a titulo de governador de Capitanias, aforar a posse deste terreno e constitnil-o em um verdadeiro Empório mercantil.

Affirmam geralmente que a sede da primeira povoação fora no logar chamado Pião, a duas léguas desta Villa, fazenda hoje pertencente ao Major Carlos de Amorim.

D‘ahi mudaram-na para a Villa-Velha, um arrabalde aonde se vê até hoje edifícios públicos como: egreja, casa do governador da Capitania e um velho alpendre. Da Villa-Velha data a primeira idade historica das grandes minerações de ouro.

Ahi trabalhava grande quantidade de escravos pertencentes a uma D. Anna; e nos diz a historia que o ouro era extrahido em arrobas. Faz crêr isto a posição geologica do morro que baixou devido a uma galeria subterranea feita sem os auxílios da arte.

Nesta galeria consta que ficaram enterradas mais de 300 ou 400 pessoas.

Um velho octogenario, com quem conversamos, disse-nos que nesse logar elle trabalhou com as pessoas que lá ficaram enterradas e que dentro do mesmo subterraneo tinha ficado uma canastra cheia de ouro em pó. Hoje vêmos grandes escavações que nos mostram o trabalho immenso dos antigos. Da Villa-Velha mudaram a povoação para a Villa, ora existente, pela má posição daquelle terreno, e pelo afamado Morro do Ouro, donde os habitantes esperavam auferir grandes riquezas, como auferiram.

Foi na 3.ª Villa que tiveram logar as grandes minerações de ouro, já exercidas por ordens do governador geral, emquanto que as outras mine-rações eram de iniciativa particular.

A grande quantidade de gente que para alli concorreu, com o unico intuito de registrar a posse de terrenos ouriferos; o commercio activo que entretinha com a Capital da Provincia, então Capitania especial, deram logar era 1770 que fosse erecta Villa, pelo General D. Luiz Antonio de Souza, que nesse tempo era governador.

D. Anna, grande proprietaria, quando veio á 3.ª a povoação, trouxe uma imagem de Santo Antonio de Padua; e, sendo possuidora de um terreno, legou-o como patrimonio áquelle santo. O clima, apezar das alterações, não deixa de ser agradável. PRODUCÇÕES NATURAES O município de Apiahy é abundante em—herva matte, milho, e abaixoda serra ha plantações de canna de assucar, arroz, fumo, etc. GÊNEROS DE EXPORTAÇÃO Ha exportação de—toucinho, rapadura e fumo. O commercio de herva matte está decadente, devido ao baixo preço em que está lançado. Consta-nos que um intelligente industrial paranaense, aqui chegado, veio com o fim de examinar os hervaes e que mais tarde constituirá uma sociedade para manufacturar e exportar a herva matte. LOCALISAÇÂO DAS MINAS As jazidas ouriferas são estacionadas nos seguintes pontos : Areado, Santa Rita, Samambaia, Frio, Morro do Ouro, Villa-Velha, Santo Antonio e 7 Quedas, aonde temos prata em abundância. SOCIEDADE MINERALOGICA Por Decrto n. 6.666, foi constituída no Rio de Janeiro uma sociedade para explorar ouro no município de Apiahy. Para alli veio o Sr. Antonio Luiz de Rezende, emprezario das minas, aonde permaneceu 6 mezes, a contar de Julho de 1882 a Janeiro de 1883, tirando apenas, segundo consta, 7,5 kilos de ouro. CREAÇÃO DO PORO JURÍDICO Esta Villa, primeiro pertenceu á comarca da Faxina, depois pelos grandes encommodos com as viagens de seus habitantes que alli tinham de ir exercere procurar seus direitos, foi passada termo, reunido á comarca de Xiririca.[p. 6].pertenceram.

Agora passando da tradicçaõ aos escriptos achamos um de 1788 assignado por José Silvestre Pereira Gomes, cujo escripto e um registro de patente de Coronél reformado das tropas auxiliares da Capitania de Saõ Paulo a´ favor de Custodio Francisco Pereira por ser o fundador da Villa do Apiahÿ e director dos póvos n´ella convocados e animando_os 1000 na Cultura das terras.

Este escripto [p.31] da a comprehender que nos premitivos tempos estabeleceram_se sitios a fim de subminestrar mantimentos aos tiradores de ouro. Os productos da lavoura éraõ 1005 insuficientes para o conçumo de tantos mineiros, pois achamos em um escripto 1789– no qual diz que os trabalhadores do morro do Ouro esperimentaõ falta de mantimentos e pede se arrange a estra_ 1010 da chamada das _Campinas _ afim de facillitar de outros logares a entrada de mantimentos para aqui

No mesmo livro achamos outro escripto do anno de 1779 que diz: registro de patente de Sargento-mor das ordenanças de todos os sertões Minas, Ribeira, Paranapanema, e Nossa Senhora da Guia de Xiririca da Capitania de Saõ Paulo a favor de Cus_ todio Francisco Pereira por fallecimento 1120 de Joaõ Antunes de Sousa. Os ditos escrip_ tos demostram que o ser nomeado este sujeito Sargento_mor cumprio muito bem com seus deveres quando vemos depois elle nomeado Coronel.

Talves seje este 1125 mesmo sujeito aquelle que reffere_se o Excelentissimo Senhor General, no qual diz estar muito enteirado do ouro que se tira des_ sas Minas, pois diz que fallou com um que trouxe 91 oitavas; tirando em 10 1130 dias com escravos 88 oitavas, vindo a sahir assim de jornal a cada escravo por dia quazi 3 oitavas, eu estou infor_ mado (diz elle) que esse astuto e velha_ [p.32] co Custodio Francisco os allucinou e fez 1135 culpaveis a Vossasmeces de me escreverem com a fellicidade de firmarem que o descu _ berto éra uma faisqueira e mandarem parra assim me persuadirem duas amos_ tras mandadas fazer pelo mesmo Custodio,as quaes torno a mandar a Vossasmeces adver_ tindo _os que se outra vez faltarem a verdade em materia de Real serviço ou no que me escreverem farei todos um castigo exemplar, por óra já prencipiei 1145 a fazer em o dito Custodio Francisco que já o mandei meter em uma enxovia, mandando logo sequestrar os bens d´el_ le. Em continuaçaõ diz o seguinte: Eu sei que essa descoberta é o mais ri_ 1150 co que se tem visto concidero em mui_ tas arrrobas de ouro que com tantos me_ zes e com tanta escravatura tiraria o celebre Custodio. Em outra do Excelentissimo Senhor General diz: 1155 Sei que nessa Villa de Apiahÿ se espi_ rimenta sempre falta de mantimentos que naõ seria tanta se pela picada que ha d´essa Villa ate Paranapanema se abris_ se um Caminho commodo para ir 1160 mantimentos de que abundam aquelle arraial. Por tanto os moradores d´essa Vil_ la sem excepçaõ o abram ate Saõ Jo_ sé. A Camara respondeo: 1165 Que os poucos moradores deste continen_ te estão obrigados para guarda do morro [p.33] do ouro, e aquelle que por óra estaõ isemptos, se vem vexados de seus credores por dividas, e pro_ curaõ remediar o seu vexame, e os pobres mo_ 1170 radores se occupaõ de Suas roças.

1Achamos resumida a Camara Municipal da Villa de Santo Antonio de Apiahÿ, co_ mo consta por um livro da dita Camara em cujo principio acha_se uma Real ordem do 1175 Rei Dom José com data de 6 de Novembro de 1772 no qual como motivo de novo re_ gulamento das escalas de todo o reino, orde_ na o imposto de _dez reis_ por libra de carne, e o mesmo imposto por medida de aguardente.

1180 Escripto por Luiz Gomes da costa escrivaõ da Camara. Junto com esta Real ordem o Ouvidor enviava a esta Villa 2 livros nos quaes devia se fazer os lançamentos das cobranças acima exposto, e afim de que che_ 1185 gassem pontualmente, ordenou ao Juiz ordi_ nario da Villa de Parnayba que tirando os 2 livros pertencentes a esta Villa, os fizes_ se seguir por pessoa segura como os mais de outras Villas, ao Juiz Ordinario da Villade Itú, o qual tirando 2 livros pertencentes a sua Villa, e feita as delegencias de revista e certidaõ, remettesse por via segura a mes_ ma precatoria e os mais livros ao Juiz ordena_ rio da Villa de Sorocaba o qual tendo feito a o mesmo deregirá a dita precatoria e os mais livros para a Villa de Itapetininga onde o Juiz ordinario depois que tiver feito a mesma deligencia, mandara a precatoria e livros ao Juiz ordinario da Villa de Faxina 1200 [p. 34] este por ultimo depois de ter feito o ficaja declarado, os remetter ao Juiz Ordina_ rio da Villa de Apiahÿ.

Transcrevemos este cumprido escripto pa_ ra que se veja de que forma correspondiam_se as auctoridades d’aqui com a Provincia.

Encontramos tambem uma carta escripta pelos vereadores da Camara ao Reverendo Vigário Claudio Forquim Pedroso de Alvaren_ 1210 ga (que sem contradiçaõ foi o primeiro do Apiahÿ) queixando_se que por motivo de exigir ½ oitava de ouro por pessoa tem deixado muitas casas com grande prejuiso. Offerecem_lhe cem mil reis para receber 1215 no dia de Santo Antonio, alem disto que Sua Magestade ellevou este logar a Villa debaixo da denominaçaõ de Villa Nova de Apiahÿ 1773.

Segue: um registro de carta de exame de official de ferreiro á favor de Anacleto da Costa dado dado pela Camara.

1781_ Carta de Patente de Capitaõ_mor da Villa de Apiahÿ á favor de Mathias Leite Penteado por fallecimento de Francisco Xavier da Rosa ___ Um escripto em que ordena que os mi_ neiros naõ sejem presos por dividas nem penhorado seus bens.

1797 __ Registro de provisaõ de Guarda_ 1230 mor para demarcar e repartir as terras mineraes de Santa Rita de Saudades e Saõ José districto da Villa de Apiahÿ, á [p.35] favor de Diogo Duarte do Valle. 1783 _ Carta do Meritissimo Doutor Ouvidor Ge_ 1235 ral e corregedor da Comarca a favor de Eli_ as de Heredia para fazer as deligencias pre_ cisas para descubrir jazidas de Ouro, ordenan_ do que se lhe dê todo auxilio que precisar. 1790 __ Mandado de perseguiçaõ aos deser [p. 34]

tores que vivendo nestes mattos como bru_ tos sem obdiencia as leis divinas e humanas comettem crimes horrendos. 1794__ Foi nomeado Vigario de Apiahÿ o Reverendo Padre Francisco Leite Penteado irmaõ 1245 do Capitaõ_mor.

____ Carta do Ouvidor mandando sequestrar os bens de Custodio Francisco Pereira. ____ Transcrevemos o seguinte Edital da Ca_ mara Municipal:

“Fazemos saber a todos os moradores desta Villa que vendo nós o grande destroço que levaõ as casas desta Villa de que muitos do_ nos desarmaõ e vendem as telhas a quem lhes parece, e outros a desmanchaõ para levarem 1255 os esteios onde lhes parece, vendo nós este des_ troço e perdiçaõ, mandamos que desde que se publique este naõ se arruine mais casas al_ guma, debaixo de pena de dez mil reis, ou_ tro sim 3 dias de Cadéã, e sendo captivo seu 1260 Senhor pagará, e pelo Senhor Alcaide lhe se _ raõ dados 50 açoites no pellourinho.„ Durante este tempo é de presumir_se que a povoaçaõ foi trasladada ao lugar chama_ do actualmente Villa Velha d‘agua lim_ 1265 pa.

Naõ podemos afirmar nada de po_ [p.36] setivo por naõ ter podido consultar o li_ vro do Tombo, onde de certo teriamos achado noticias importantes para o presente escripto. Infellesmente o dito livro foi levado pa_ 1270 ra oRio de Janeiro por um sujeito que quiz patentear a abundancia do ouro neste municipio.

Se ve que a primitiva Villa teve pouca duraçaõ, cujo motivo foi sem duvida terem achado no logar _agua limpa_ muito ouro, cujo logar estava entaõ distante da antiga Villa, determinaraõ entaõ os moradores tras_ ladar suas casas ao pé mesmo do lugar da exploraçaõ.

A nova Villa tomou uma forma mais regular pois tinha ruas e casas muito milhores, de uma e outra exis_ tem ahinda restos, vemos ahinda hoje em pé taipas pertencentes a Casa do Capitaõ_ mor Jose Penteado.

Acha_se tambem restos de uma Capella e grande numero de restos de telhas.

Pouco tempo de vida teve esta segunda povoação, pois sendo edeficada no proprio terreno aurifero, os mineiros tanto escavaram ao pé de suas habitaçoes (tal



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EMERSON


01/01/1881
ANO:69
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]