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A educação da mulher no Brasil colonial - ensinarhistoria.com.brEnsinar História

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    8 de outubro de 2021, sexta-feira
    Atualizado em 08/11/2025 22:49:55
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Por Joelza Ester Domingues - Durante sua permanência no Brasil, entre 1816 e 1831, o artista francês Jean-Baptiste Debret pintou diversas cenas urbanas, entre elas, a aquarela intitulada Uma senhora de algumas posses em sua casa. Nela, mostra uma senhora, ocupada com a costura enquanto sua filha lê as letras do alfabeto. A aquarela datada de 1823 é, talvez, o primeiro registro iconográfico da alfabetização feminina, ainda que restrita ao ambiente doméstico e a uma família de posses. A cena, porém, não permite generalizações. Naqueles primeiros anos do século XIX, a educação da mulher estava longe de ser algo comum em todo país. O próprio Debret comenta que “a menina, pouco letrada, embora já crescida, esforça-se por ler as primeiras letras do alfabeto traçadas sobre um pedaço de papel”. Ele ainda acrescenta que a educação da mulher brasileira “se restringia, como antigamente, a recitar preces de cor e a calcular de memória sem saber escrever ou fazer as operações” (DEBRET, v. II, p. 11).

A mulher excluída da escolarização No início do século XIX, a educação no Brasil era praticamente a mesma do período colonial: ministrada pelas ordens religiosas e destinada à catequese e à formação da elite branca e masculina. Mulheres brancas, negras, indígenas, ricas ou pobres, de qualquer faixa etária, eram proibidas de estudar pelos padrões morais da época. A primeira escola de ler e escrever, erguida em 1549 pelos jesuítas era destinada aos meninos, filhos dos poderosos. As meninas estavam excluídas das escolas. As poucas escolas para meninas destinavam-se mais ao ensino de prendas domésticas, às orações e aos rudimentos de leitura. Mesmo em Portugal, sequer havia escolas para meninas no século XVI. As portuguesas eram, na sua maioria, analfabetas. As mulheres que viviam na Corte possuíam pouca leitura, destinada apenas ao livro de orações (RIBEIRO, p. 81). Os indígenas das missões estranharam essa discriminação e, sem entender seu motivo, solicitaram ao padre Manoel da Nóbrega que suas filhas também aprendessem a ler e escrever. O jesuíta enviou uma carta à D. Catarina (reinado 1557-1562), rainha de Portugal pedindo permissão para o ensino das meninas. A rainha negou o pedido devido “as consequências nefastas” do acesso das mulheres indígenas à cultura.

A índia Tupinambá alfabetizada

A proibição da rainha portuguesa não atingiu a índia Catarina Paraguaçu (Bahia, 1503-1583), da nação Tupinambá. Ela teria sido a primeira “brasileira” a ler e escrever.

Casada com o náufrago português, Diogo Álvares, o Caramuru, a indígena esteve com o marido em Saint-Malo, cidade da Bretanha, na França, entre 1527 e 1531. O casal foi levado pelo navegador Jacques Cartier para tratar de assuntos comerciais, especialmente em relação ao pau-brasil. Paraguaçu e Diogo foram, por quase quatro anos, hóspedes na residência dos Cartier.

Naquela oportunidade, Catherine Des Granches, esposa de Jacques Cartier, educou Paraguaçu nos moldes “civilizados”. Ensinou-lhe francês e a converteu à fé católica. A indígena assimilou também o modo de vestir, os hábitos e costumes locais. Em Saint-Malo, Paraguaçu – cujo nome verdadeiro era ‘Guaibimpará” – foi batizada em 30 de julho de 1528 e recebeu o nome de Catherine du Brezil. O prenome foi em homenagem à sua tutora.

Com a morte de Caramuru, em 1557, Catarina, Guaibimpará ou Paraguçu herdou as propriedades e posses do marido, tornando-se uma figura respeitada da incipiente sociedade baiana. Diz-se que no dia 26 de março de 1561 ela escreveu uma carta de próprio punho ao bispo de Salvador pedindo que as crianças escravas separadas de seus pais fossem salvas dos maus-tratos (SCHUMAHER & BRAZIL, p.350).

Outro exemplo de mulher alfabetizada no Brasil colonial é mencionado por Ribeiro. Segundo essa autora, “até 1627, somente duas mulheres de São Paulo sabiam assinar o nome. Foram elas: Leonor de Siqueira, viúva de Luiz Pedroso e grande proprietária de escravos indígenas, e Madalena Holsquor, viúva de Manuel Vandala, de origem flamenga” (RIBEIRO, p. 81).

Até meados do século XVIII, as mulheres tiveram acesso restrito ou nulo à escolarização. Sua função era serem boas mães e esposas. A chance da mulher aprender ler, escrever e ter noções de matemática estava nos convento e casas de recolhimento femininas – para onde eram enviadas as viúvas e as solteiras. Havia cinco casas desse tipo na colônia: duas em São Paulo (Recolhimento de Santa Tereza e Recolhimento da Luz), duas no Rio de Janeiro (Convento da Ajuda e Convento de Santa Tereza) e uma em Minas Gerais (Recolhimento das Macaúbas).

Com Pombal surge a professora pública

As reformas realizadas pelo ministro Marquês de Pombal (1750-1777) na educação foram a primeira sistematização do ensino público e laico em Portugal e no Brasil. Foi determinada a abertura e instalação de escolas régias para meninas, ministradas por professoras mulheres. Assim, oficialmente, as meninas entraram na escola e abriu-se um mercado de trabalho para as mulheres: o magistério público. Para o Brasil, o ministro determinou, em 1755, que a direção das povoações jesuíticas passasse ao clero regular e que deveria haver duas escolas de ensinar e escrever: uma para os meninos e outa para as meninas. Os meninos teriam aulas somente com professores homens, e as meninas com professores mulheres. Seguiu-se, a expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759. Nesse mesmo ano, foram criadas as Aulas Régias para o ensino elementar de letras e humanidades, e o subsídio literário, um imposto para o pagamento do magistério. Foi nomeado um Diretor de Estudos e definiu-se a admissão de professores por concurso. Surgia, assim, a figura do professor público e da professora pública. Estabeleceram-se, no Brasil, algumas escolas para ambos os sexos, e pagas pelo subsídio literário. Em 1760, realizaram-se os primeiros concursos públicos para professores no Recife e Rio de Janeiro. Tais mudanças com algum sucesso foram, contudo, pontuais sem significar um ensino extensivo a toda população, muito menos às mulheres. De forma geral, o período de 1759 a 1808 foi de quase desorganização e decadência da Educação na colônia (MACIEL & SHIGUNOV NETO, p.10). Nesse contexto, ganha relevância um caso excepcional: o da escrava Esperança Garcia que, em 1770, escreveu uma carta ao governador do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro.

Esperança Garcia: a escrava alfabetizada Uma cópia da carta, datada de 6 de setembro de 1770 e assinada por Esperança Garcia, foi descoberta em 1979 pelo historiador Luiz Mott, no Arquivo Público do Piauí. Não se sabe como uma mulher escravizada foi alfabetizada. Era proibida a leitura para escravo; quem fosse flagrado ensinando escravo a ler era preso e processsado. É possível, porém, que Esperança, nascida na fazenda Algodões quando estava pertencia aos jesuítas, tenha aprendido a escrever ainda criança com aqueles padres catequisadores. Quando os jesuítas foram expulsos do Piauí em 1760, Esperança tinha apenas 9 anos de idade. A fazenda passou para outros senhores. Tempos depois, já adulta e casada, Esperança Garcia foi transferida para terras do capitão Antônio Vieira de Couto para trabalhar como cozinheira, tendo sido separada do marido e filhos. Longe da família e sofrendo maus-tratos, ela usou a escrita para reivindicar uma vida com dignidade e que fossem respeitadas as precárias leis concedidas aos escravos. Denunciou seu feitor dos abusos físicos cometidos contra ela e seu filho pequeno. A carta foi enviada para Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, presidente da Província de São José do Piauí, cargo equivalente a governador do Piauí. Dizia o seguinte (em versão atual): “Eu sou uma escrava de Vossa Senhoria da administração do Capitão Antônio Vieira de Couto, casada. Desde que o Capitão lá foi administrar, que me tirou da fazenda dos Algodões, onde vivia com meu marido, para ser cozinheira da sua casa, onde nela passo muito mal. A primeira é que há grandes trovoadas de pancadas em um filho meu sendo uma criança que lhe fez extrair sangue pela boca, em mim não posso explicar que sou um colchão de pancadas, tanto que caí uma vez do sobrado abaixo, peada, por misericórdia de Deus escapei. A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confessar há três anos. E uma criança minha e duas mais por batizar. Pelo que peço a Vossa Senhoria, pelo amor de Deus e do seu valimento, ponha aos olhos em mim ordenando Procurador que mande para a fazenda aonde ele me tirou para eu viver com meu marido e batizar minha filha. De V.S. sua escrava, Esperança Garcia.”

Trata-se do mais antigo documento conhecido de reivindicação de uma mulher negra e escravizada a uma autoridade no Brasil. Esperança tinha 19 anos quando escreveu a carta. Não se sabe se a carta foi respondida. Depois disso, Esperança fugiu e ficou desaparecida. Seu nome só reapareceu em documentos datados de 1778 que apresentam uma relação de trabalhadores da fazenda. A carta de Esperança Garcia foi considerada uma notificação de denúncia e pedido de proteção do Estado, como um Habeas Corpus. Foi reconhecida como expressão do exercício da advocacia em nome próprio e de outras mulheres que também sofriam maus-tratos. Por isso, em 5 de setembro de 2017, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Piauí, concedeu a Esperança Garcia o título simbólico de Primeira Mulher Advogada do Piauí. A vinda da Família Real para o Brasil A partir da vinda da Família Real, em 1808, importantes mudanças ocorreram na vida cultural brasileira. A instalação da corte portuguesa exigiu modernizações em diversos setores. A criação da Imprensa Régia (hoje Imprensa Nacional) abriu caminho, ainda que lentamente, para a fundação de tipografias e jornais independentes. O fim da censura prévia (extinta em 28 de agosto de 1821) e o clima de ampla liberdade de imprensa favoreceram a produção cultural, tornando-a mais barata e, consequentemente mais viável. Os jornais foram os grandes divulgadores dos romances sob a forma de folhetins. Saber ler e escrever, ainda que restrito ao ambiente da Corte e às grandes cidades, vai se tornando um quesito importante não somente para os empregos públicos, mas como sinal de distinção social. Abriram-se dezenas de escolas para meninos, em sua maioria, e meninas. O decreto de 1º de março de 1823 criou a primeira escola Normal do país. A formação de professores era, então, exclusivamente direcionada aos homens e ligada às corporações militares. Fonte DEBRET, Jean-Baptiste. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, 1816-1831. São Paulo: Melhoramentos, 1971. PRIORE, Mary del; PINSKY, Carla Bassanezi (eds). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2012. SCHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Érico Vital (orgs.) Dicionário Mulheres do Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. STAMATTO, Maria Inês Sucupira. Um olhar na História: a mulher na escola (Brasil: 1549-1910). Congresso Brasileiro de História da Educação, Natal, RN, 2002. RIBEIRO, Arilda Ines Miranda. “Mulheres Educadas na Colônia”. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FILHO, Luciano Mendes de Faria; VEIGA, Cynthia Greive (Orgs.). 500 Anos de Educação no Brasil. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2000. MACIEL, Lizete Shizue Bomura; SHIGUNOV NETO, Alexandre. A educação brasileira no período pombalino: uma análise histórica das reformas pombalinas do ensino. Saiba maisObrigado por compartilhar. Lembre-se de citar a fonte: https://ensinarhistoria.com.br/educacao-da-mulher-no-brasil-colonial/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester DominguesObrigado por compartilhar. Lembre-se de citar a fonte: https://ensinarhistoria.com.br/educacao-da-mulher-no-brasil-colonial/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester DominguesObrigado por compartilhar. Lembre-se de citar a fonte: https://ensinarhistoria.com.br/educacao-da-mulher-no-brasil-colonial/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues



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EMERSON


08/10/2021
ANO:216
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]