As verificações em terreno executadas pelas comissões demarcatórias das duas Coroas resultaram em discordâncias em relação a topônimos e cursos destes limites fluviais que, somadas a outros motivos desencadearam a anulação do Tratado de Madrid em 1761 pelo Tratado de El Pardo. Com esta anulação, as incertezas dos direitos e legitimidades da Coroa portuguesa nas terras do sul do Brasil retornaram, impulsionando a necessidade de fomentar o mapeamento da região para gerar descrições geográficas precisas para serem usadas como subsí-dios para os engenheiros militares criarem mapas embasados e com correspon-dentes escritos para circularem entre os servidores régios de modo a provê-los de argumentos para fazer afirmações sobre os direitos territoriais de Portugal. Se até então o rio Iguaçu aparecia nos poucos mapas portugueses sobre esta região com esta terminologia — inclusive no Tratado de Madrid — no projeto de mapeamento do governador da capitania de São Paulo tornou-se rio Grande de Curitiba ou rio Grande do Registro, em referência à antiga passagem onde estava instalado o posto fiscal para pagamento do tributo régio português sobre os animais cavalares e muares dirigidos para as feiras de Sorocaba. Como expressado a Silveira Peixoto, o objetivo da expedição sob seu comando era de "procurar o caminho ou por terra, ou por agoa por onde se possa chegar com mais comodidade até a barra que este Rio Grande do Registro faz no Paraná"22.E assim este açoriano se envolveu na produção do conhecimento, mas também na produção deste rio como rio Grande de Curitiba ou rio Grande do Registro entre outubro de 1769 e outubro de 1770, quando concluiu sua jornada. A descrição detalhada de seu curso na nomenclatura portuguesa era uma estra-tégia geopolítica para a consolidação de uma soberania submetida à dúvida.Ao longo de sua navegação catalogou direções, dimensões de cada trecho, avaliou o comportamento das águas e identificou obstáculos para o entendimento de seu curso e navegação. Na ausência dos instrumentos necessários para a identificação das direções corretas nos deslocamentos terrestres e fluviais, tais como a bússola, em momento algum referida em seu diário, o recurso utilizado por Silveira Peixoto foi o compartilhamento de sensações em campo. Assim, em um trecho do rio subiu em um pau para observá-lo e «todos os camaradas assentamos que o dito rio para baixo corria ao norte, e íamos mal
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