Athanasius Kircher, circa 1600(Map of the rivers of South America - in “The Sousterrain World”, Athanasi Kireheri, circa 1600.)ComentáriosBrendo FrancisAh mas esse mapa é uma preciosidade!!! Algumas explicações que aprendi ao longo de anos de estudo de mapas renascentistas: primeiramente, as descrições que eram utilizadas eram baseadas em relatos de navegação, então havia discrepâncias e incoerências até que se chegasse a um consenso de qual o relato mais confiável. Havia uma lenda antiga de que o Brasil era uma ilha ou até que havia um vulcão no meio da América do sul, de onde viriam os rios como Amazonas e Paraná. Repare que é um mapa hidrográfico, está escrito "Australis" em várias partes (se refere ao sul), terra incognita = terra desconhecida. Tabaiar = Tabajara. Caribana = povos caribeños. Bem no meio do vulcão está escrito Americam Precipicium provavelmente este vulcão é a forma como eles interpretaram a cordilheira dos Andes. Enfim, é um mapa que mostra a evolução do pensamento sobre a América do sul sob o olhar europeu, e sobre como a perspectiva europeia foi sendo construída socialmente ao longo de relatos, impressões e até preconceitos espaciaisLeandro EvérgetesA inscrição na "cratera" diz: "Debaixo dos Andes um Vasto e Profundo Nascedouro de Águas". Em 16 de abril de 1600 o vulcão Huaynaputina entrou em erupção no sul do Peru, isso afetou o planeta inteiro com cinzas, chegou a cair chuva ácida na Rússia naquele mês, as safras no mundo inteiro foram afetadas. Os espanhóis começaram a achar que debaixo da cordilheira dos Andes existia uma gigantesca caldeira de águas vulcânicas termais que de algum modo fomentaram a força daquela terrível explosão. Então esse mapa foi desenhado 6 décadas depois do ocorrido. Então o desenho não é de uma "cratera", mas sim a representação de um "corte" para mostrar o que estaria escondido debaixo das montanhas peruanas.