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Revista Seleção da História

    1956
    Atualizado em 15/11/2025 02:43:50



1 - A descoberta do Brasil, "por acaso" como gostam de afirmar certos compêndios, não passa, na opinião de vários eruditos, de uma lenda que, por motivos políticos, Portugal teve interêsse de criar e alimentar. Sabe-se que Cabral tinha instruções secretas do rei Dom Manuel; e há quem afirme que ao monarca enviou uma carta que teria sido encontrada entre velhos papéis de Lord Stuart, a qual principiava assim: "em obediência à instrução de vossa majestade, navegamos no Ocidente e tomamos posse, com padro da terra nova de vossa majestade"...

2 - Sabe-se, também, que as grafias Brasil, Braxil, Braziele, figuram em muitos portolanos, da mesma forma que não se ignora que, em 1498, D. Manuel tratou com Duarte Pacheco Pereira, cosmógrafo de raro valor, o descobrimento da "parte ocidental além oceano". Mas vejamos aquela referência a São Brandão. Uma lenda pretende que São Brandão, padre irlan- dês, nascido em 460, resolveu, um dia, tentar a aventura náutica de além mar. No ano de 565 fêz construir grande nau. E segundo a obra de Jubinal, aparecida em 1836, fizera grande viagem.

4/363-Partindo do mar da Irlanda atingira o oceano. Ao fim da viagem pisara solo americano, onde vivera quase dois lustros. Essa terra seria o Brasil. No mapa-mundi de Jacques de Vitry e em L‘Imago Mundi, de Robert Auxerre, aparecido no ano de 1265, a "Ilha Brandão" está registrada. Da mesma forma o célebre cosmógrafo alemão Martinho Beahim, ao publicar no século XI o seu globo terrestre indicou essa terra, declarando que "em 565 São Brandão ali estivera"... Mas existe ainda mais, a respeito do assunto.

4 -Duarte Pacheco Pereira, herói da índia, com o qual, como se disse, Dom Manuel tratara de descobrimentos em 1498, afirmou no "Livro Primeiro", capítulo 7 das "Informações" que prestou ao rei, que "encontrara além do oceano uma grande terra firme, com abundância de brasil". A mesma terra estaria situada a uma distância de setenta graus do pólo ártico e 28 do pólo antártico. Ora, essa situação geográfica é, mais ou menos, a posição da América Meridional, conseqüentemente, do Brasil....

ual, ntosfor- ano smadográ-con-Claro que não estamos afirmando a intencionalidade da descoberta do Brasil, embora acreditemos que tenha ha- vido intenção, parecendo-nos absurda, por vários motivos, a idéia de casualidade. Duas coisas, todavia, são perfeitamente exatas: 19 que o descobrimento do Brasil, casual ou intencional, continua um mistério; 29 - que certos autores, ao dizerem, dogmàticamente, que o Brasil foi descoberto por acaso, deveriam acrescentar, a essa afirmação, uma palavrinha apenas, que lhe conferiria rigor histórico: parece... [p. 3]

PARA assegurar o assegurar o comércio com a India, D. Manuel preparou importante esquadra, cujo comando entregou a Pedro Alvares Cabral. Cabral era fidalgo do Paço, alcaide-mor de Azurra, senhor de Belmonte, onde nascera. Filho de Fernão Cabral e Isabel de Gouveia, chamava-se Pedro Álvares de Gouveia, pois o nome paterno era privativo do primogênito. Só quando o primogênito morreu, Pedro Álvares, segundo filho, agregou ao seu o nome paterno.

Parente de Gonçalo Velho Cabral e João Gonçalves Zarco, Cabral recomendava se como diplomata, não como navegante. Veio a casar-se com Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque. Cabral nasceu em 1467 ou 1468; faleceu em 1520.

A esquadra de que Cabral era capitão-mor compunha-se de treze embarcações, entre naus, caravelas e navios de mantimentos.

Nela vinham de 1.200 a 1.500 pessoas, soldados, degredados. franciscanos, clérigos, um vigário para Calicute, navegantes famosos, o guardião franciscano Frei Henrique de Coimbra, mais tarde bispo de Ceuta, o físico-mestre João Faras, e outros. De navegantes famosos, destacavam-se Bartolomeu Dias, o irmão Diogo Dias, o imediato Sanchol de Tovar, o piloto Pedro Escobar, os capitães Nuno Leitão e Vasco de Ataide, Nicolau Coelho, talvez Duarte Pacheco Pereira, autor do "Esmeraldo de situ orbi".

A 8 de março de 1500, o bispo de Ceuta, D. Diogo Ortiz, celebrou missa, na ermida do Restelo (fundada por D. Henrique), em Belém, abençoou o estandarte com a cruz da Ordem de Cristo, oferecido pelo rei, presente à cerimônia. O Bispo entregou a Cabral um barrete enviado pelo Papa. Depois da missa, do sermão e do beija-mão real, fez-se o embarque entusiastico. A 9 de março deu-se a partida. A 14 avistou-se a Grã-Canária; a 22 atingiu-se o arquipélago de Cabo Verde. No dia seguinte desgarrou-se a nau de Vasco de Ataide.De acordo com os conselhos de Vasco da Gama, ao prosseguir a viagem Cabral afastou-se da África para evitar calmarias, ou por outra razão qualquer. Depois de um mês de navegação, avistaram-se sinais de terra a 24 de janeiro de 1500; êsses sinais foram vegetais marinhos, chamados botelhos e rabos-de-asno. No dia 22, de manhã, avistaram-se aves, conhecidas por fura-buchos. A tarde do mesmo. dia descobria-se o Brasil, avistando-se um monte "mui alto e redondo", a que Cabral deu o nome de Pascoal, pois o dia 22 era quarta-feira de Páscoa. O monte pertence à serra dos Aimorés, elevando-se a mais de 500 metros. Cabral chamou à descoberta "Terra de Vera Cruz".

Estacionou a esquadra a umas seis léguas da costa. No dia 23 navegou-se até meia légua da costa; houve reunião dos capitães. Nicolau Coelho, enviado à terra, para explorar um rio, tentou falar aos índios, com os quais trocou presentes. Ofereceu-lhes um barrete vermelho, uma carapuça de linho e um sombreiro prêto; os indios retribuíram com um cocar de penas e um colar de sementes.A 24, Cabral navegou para o Norte: as embarcações pequenas encontraram um pôrto no qual a esquadra ancorou a 25 de abril. Dois indios foram levados para bordo no dia 24.O dia 26 era domingo. Hasteada a bandeira da Ordem de Cristo no ilhéu da Coroa Vermelha, frei Henrique oficiou a missa, espreitada pelos indios.

Cabral consulta os capitães a respeito da informação ao rei, da descoberta. Observam-se os usos e costumes dos mansos tupiniquins. A 27 e 28 os marinheiros buscam água e lenha, lavam roupa, enquanto dois carpinteiros constroem uma cruz. A 29, faz-se a baldea- ção da carga do navio de mantimentos, que voltará a Portugal com a notícia da descoberta". [p. 4]

O Silvícola

indigena brasileiro, de origem discutível, pode ser classificado devárias maneiras.A 1 classificação não obedeceu a nenhum critério cientifico. Pre- dominou a distribuição geográfica: os Tupis, constituidos pelas tribos da faixa litorânea do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, e os Tapuias, agrupando tribos do sertão.

Com Von Martius (1867), surge uma classificação mais completa, embora discutivel e criticável, hoje completamente reformada, e que serviu de base às classificações posteriores.São nove os grupos de classificação lingüística de Von Martius:

1) Tupis e Guaranis os guerreiros;2) Jês ou crans os tios; 4) Crens ou guerens os de cima; 6) Goitacáscabeças;3) Guck ou côco velhos:5) Parecis ou posagis redores da mata;7) Aruac ou aruacos goas ou guaicurus os cavaleiros;9) cultura e lingua portuguêsa.OSOSos cor-a gente da farinha;8) Len- Indios em transição para a

Ajustando elementos fornecidos por etnógrafos, etnólogos, histo- riadores e geógrafos estudiosos do indigena brasileiro e apurando o grau de responsabilidade e autoridade de cada autor e sujeitando cada informação a crivo rigoroso, Capistrano de Abreu propõe um esquema que nos dá conta do estado atual das classificações do indígena brasileiro:

1) Tupis-guaranis - localizados na Bolivia oriental, Paraguai, Argentina e litoral brasileiro até o Rio Grande do Norte; 2) Guai- curus no Uruguai, Rio Grande do Sul, talvez em São Paulo, no Paraguai, em Mato Grosso: 3) Maipures ou Nu-aruacs nas Guia- nas, no baixo e médio Amazonas e seus afluentes; 4) Cariris no Maranhão, Ceará, à esquerda do baixo São Francisco: 5) Jés - em vários pontos do Brasil central; 6) Caraibas - no Xingu; 7) Panos - desde o Madeira até o Ucaiale; 8) Betóias disseminados pelo Solimões e pelas Guianas.

Tupis-Guaranis - Os tupis ter-se-iam irradiado provavelmente da região compreendida entre o Alto-Paraguai e o Paramá. Dali, em direção ao Sul, descendo o Paraguai e o Paraná, atingiram o Prata e se aloja- ram pelo litoral. Para o Norte, subiram pelo Paragui, de onde pssa- ram para a bacia amazônica. Em direção de Oeste, atingiram a Bolivia. Mundurucus, maués e jurunas realizaram, ao que parece, movimentos migratórios para o Amazonas em periodo anterior ao descobrimento. Foram contemporâneas dos primórdios da colonização as migrações dos tupinambaranas para o Madeira e as dos tupinambás para o Etoral.

Caracterizavam-se pelos hábitos guerreiros. Construiam aldeias fortificadas, protegidas por palissadas, desenvolveram a caça e a pesca, dedicavam-se à navegação e conheciam rudimentos de agricultura, culti vando milho e mandioca.

Atendendo aos aspectos lingüisticos, Von Stein classificou-os em tupis puros e tupis impuros. Ao primeiro grupo pertencem os omaguas, campevas, ucaialis, habitantes das ilhas fluviais do Maranhão. Merecem referência especial os omáguas, que além de bravos navegadores foram notáveis pela deformação intencional do crânio, por meio de talas for- temente amarradas de modo a dar à cabeça um formato oblongo. Per- tencem ao 2 grupo (tupis impuros) os mundurucus, maués, do Tapajós, os guernias, do médio Madeira, os manitoduás, os jurunas.Outra classificação agrupa os tupis em tupis orientais ou tupis ca costa, tupis do Norte e tupis do Sul.Nu-Aruaques A grafia deste vocábulo não foi ainda unifor-mizada.Usa-se também Aruak, Aruac ou, de acordo com a proposta do Museu Nacional, aruacos".ARI DA MATA "História do Brasil", 4 série ginasialeu a gravura a tipografia, praticava a estamparia de era, em Alexandria, um cego. o de letras em relêvo, grava- em Cicero e em São Jerô- mcluir que se aprendia a ler ntiga, também, é a gravu a das cartas de jogar e da a mais antiga estampa com- por Delaborde.2-A dala da invenção da tipografia, com o emprego de caracteres móveis é, segundo parece. 1450, atribuindo-se a João Gutenberg a sua invenção. Várias são as contrad ções existentes a respeito, baseando-se as af.rmações (sobre data e inventor) nas declarações que em 1502 fêz João Senoffer, que fora sócio e colaborador de Gutenberg. Os holandsaes, por exemplo, atribuem a invenção do tipo móvel co sou compatriota Lourenço Coster, sacristão de uma igreja de Harlem, havendo-lhe erigido estátuas. Não exista, porém, nonhum incunabulo que possa ser atribuido a Coster.



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EMERSON


01/01/1956
ANO:70
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]