26 de junho de 2025, quinta-feira Atualizado em 24/10/2025 04:33:04
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HOJE NA;HISTóRIA
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História da Câmara de SorocabaQuando Baltazar Fernandes viu sua “fazenda” crescer, sentiu a necessidade de dar-lhe vida pelo Direito, elevando-a à categoria de Vila. Aproveitou-se da presença de Salvador Correa de Sá y Benavides em São Paulo e fez o requerimento, provando a existência na região de TRINTA FOGOS (trinta famílias). Assim, o povoado de Sorocaba foi elevado à categoria de Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba com transferência simbólica do Pelourinho (símbolo real) da decadente Vila de São Felipe, no Itavuvu, às margens do rio Sorocaba, para seu local atual.
Com isso, a primeira Câmara foi nomeada da seguinte forma: dois juizes – Baltazar Fernandes e seu genro André de Zunéga y Leon; vereadores – Cláudio Furquim e Pascoal Leite Pais; procurador – Domingos Garcia. “Fez escrivão da Câmara a Francisco Sanches, cujo cargo não era eletivo” (primeiro funcionário municipal), conforme conta-nos Aluísio de Almeida, em sua “História de Sorocaba”.
De janeiro de 1662 até 1829, segundo as Ordenações do Reino, começaram as Câmaras eleitas. Esse sistema foi abolido pela Constituição de 1824 (a primeira do Brasil), mas a lei complementar demorou um pouco para ser colocada em prática.
Aluísio de Almeida pesquisou em vários arquivos e não encontrou atas dos primeiros anos da Câmara verificando apenas que os fundadores construíram a Casa da Câmara e Cadeia, originando nesse local, uma praça, na qual colocaram o Pelourinho.
Naquela época, usava-se o termo “Vila” e, até o Império, existiriam no Brasil apenas três com o título de Cidade. Duas já foram fundadas com esse título: Salvador e Rio de Janeiro; São Paulo que era cabeça da Capitania desde 1681, foi elevada à categoria de Cidade em 1711 pelo Rei.
Os fundadores e primeiros moradores foram sertanistas e bandeirantes. Percorreram o Brasil atrás de índios e depois, de ouro. A ata mais antiga no Arquivo do Museu Histórico Sorocabano data de 1º de dezembro de 1818 e mostra a História Política e Administrativa de Sorocaba.
Período Colonial e IndependênciaAluísio de Almeida comparou as Atas da Câmara de São Paulo e montou o trabalho da nossa Câmara a partir daqueles documentos, executando as atividades Legislativas, Executivas e Judiciárias. Esse historiador afirma que “é uma tarefa quase somente material ler as atas da Câmara de São Paulo e aplicar à de Sorocaba as suas determinações e fatos que, por força do direito da época, tinham de existir”.Depois da Independência, a Câmara Municipal teve sua organização modificada, assim como em todo o Brasil, pela Constituição de 1824, regulamentada em 1828. Até esse ano, seguia-se o regime das Ordenações Filipinas: um Juiz Presidente, um Juiz de Órfãos, três Vereadores e um Procurador. Depois de 1829, o Juiz de Paz “desbancou” o Presidente (da Câmara) e o capitão-mor.Com o Império, o Poder Judiciário emancipou-se das atividades da Câmara e o Presidente da Província de São Paulo nomeou Juiz Municipal José de Mascarenhas; Juiz de Órfãos, Antônio Lopes de Oliveira e Promotor, o Padre Romualdo José Pais, em 2 de maio de 1833.Sorocaba entrou no período da Independência pertencendo à Comarca de Itu, desmembrando-se a 17 de julho de 1852 e o primeiro juiz foi o santista Joaquim Otávio Nébias. A Comarca de Sorocaba foi supressa em 13 de março de 1858, restaurado-se a 30 de março de 1871, quando foi nomeado Juiz de Direito, Dr. Inácio José Gomes dos Guimarães, voltando aos trabalhos da Câmara, acumulados apenas em Legislativo e Executivo.CidadeSegundo prédio da Câmara de Sorocaba, atual CorreioSorocaba foi elevada à categoria de Cidade em 5 de fevereiro de 1842. Em 1849, comprou-se o terreno para o novo prédio, de Manuel da Costa Santos, à esquina das ruas de São Bento e Padre Luiz, onde se encontra atualmente o Correio. O novo prédio foi construído por João Batista Corrêa e completado pelo Coronel Francisco Gonçalves de Oliveira Machado, concluído em 26 de julho de 1862.Segundo prédio da Câmara de Sorocaba, atual CorreioNeste período Sorocaba passou por uma grande mudança administrativa, com a construção do Mercado, Matadouro, Cemitério Municipal (Saudade, hoje), calçamento para águas no meio das ruas, iluminação com azeite de peixe, chafarizes nos largos da Matriz (hoje no Museu Histórico Sorocabano) e de Rosário (hoje em Salto de Pirapora). Em 1863, a iluminação passou à querosene e, em 1878, a globe-gaz ou nafta.Construíram-se pontes, principalmente a da ruas XV de Novembro sobre o rio Sorocaba, inaugurada em abril de 1855 e demolida em 1965.A cidade cresceu para o Além da Ponte e, documentalmente, aparece em 1856 a abertura da rua da Boa Morte (hoje, Rui Barbosa) ligando o bairro dos Morros à rua de São Paulo; Aluísio de Almeida informa que a documentação é extensa sobre estradas, Vereadores e Impostos Municipais.Nesse período, a vida econômica era próspera: tropeirismo com suas feiras anuais; artesanato e primeiras indústrias têxteis; a fábrica de Ferro do Ipanema a todo vapor; a cultura, a imprensa, a Revolução Liberal de 1842, que divulgaram a Cidade; o plantio do algodão herbáceo e a construção da Estrada de Ferro Sorocabana, inaugurada a 10 de julho de 1875; a chegada do primeiro piano da Província, ainda no período colonial, em Ipanema, com os suecos, em 1811, e com eles os Protestantes; a seguir a Maçonaria e as visitas do Imperador Pedro II.Sorocaba perde parte de sua extensão territorial em 1857 com a separação de Piedade e Campo Largo (hoje, Araçoiaba da Serra). Chegam os emancipadores da escravidão e os republicanos e com eles a República, a 15 de novembro de 1889.Sorocaba RepublicanaAluísio de Almeida resume o primeiro período republicano em poucas páginas. As Leis Estaduais nº 16, de 13 de novembro de 1891, criaram a Intendência, e a nº 1.038, de 19 de dezembro de 1906, a Prefeitura, com o funcionamento dos dois poderes, Legislativo e Executivo, no mesmo prédio e exercidos pelos vereadores eleitos pelo povo, até 1930. Em janeiro de 1908 tomou posse o primeiro Prefeito eleito entre os vereadores. Com a Revolução de 30, os dirigentes passam a ser nomeados com o título de Interventores, até 1945/1947, quando houve a separação dos dois poderes em Sorocaba. Da Proclamação da República até a criação da Intendência, dirigiram os destinos da Câmara Municipal, os seus Presidentes. Assim mesmo, o primeiro Intendente dos seis que por aqui passaram só tomou posse em janeiro de 1895, de acordo com Aluísio de Almeida.Em 9 de novembro de 1947 ocorreu a primeira eleição para Prefeito através do voto popular e o resultado, publicado pelo “Cruzeiro do Sul” de 15 de novembro, foi o seguinte:Gualberto Moreira (PTB) 6.975 votosAlonso Gomes (PST) 6.338 votosArmando Pannunzio (coligação) 3.776 votosJorge Moysés Betti (PSD) 511 votosJosé Lozano (PSB) 218 votosNulos 135 votosEm Branco 297 votosTOTAL 18.250 votosCom a eleição do Prefeito, a Câmara precisou deixar o prédio da Prefeitura ou Paço Municipal, na rua Brigadeiro Tobias, e o Jornal “Cruzeiro do Sul”, de 12 de dezembro de 1947, em manchete noticiava “Onde vai funcionar a Câmara?”. O local escolhido foi, inicialmente, a sede da Sociedade Recreativa Beneficente “Vasco da Gama”, à Rua Monsenhor João Soares, onde a 7 de janeiro de 1948 tomaram posse os 31 vereadores eleitos, sob a presidência do Prof. Genésio Machado.A Câmara Municipal de Sorocaba mudou-se depois para o Palácio “José Miguel”, na rua 15 de novembro; altos da antiga CRTS, na rua Álvaro Soares; 1º andar de um prédio na rua 7 de setembro, para, finalmente, regressar ao prédio da rua Brigadeiro Tobias, após a inauguração do Palácio dos Tropeiros, no Alto da Boa Vista. O novo prédio da Prefeitura Municipal de Sorocaba foi projetado e construído na administração do Prefeito José Theodoro Mendes. A construção foi iniciada em março de 1979 e o prédio, já com o título de Palácio dos Tropeiros, foi inaugurado a 15 de junho de 1981, com a marca da administração “Por uma Sorocaba Melhor”.Informações ComplementaresPela Lei 123, de 04 de setembro de 1915, o Prefeito Augusto César do Nascimento Filho, promulgou a lei para disciplinar e organizar o Município de Sorocaba, o que podemos chamar de 1ª Lei Orgânica do Município. Pelo Decreto nº 6, de 14 de janeiro de 1933, David Alves de Athayde, Prefeito Municipal de Sorocaba, usando das atribuições que lhe conferem os artigos 4º, do Decreto nº 19.398 de 11 de novembro de 1930, do chefe do governo Provisório e artigo nº 7, do Decreto nº 4.810, de 31 de dezembro de 1930, do Int. Federal no Estado, e considerando a inexistência de um quadro de funcionários Municipais, e, sendo de toda a conveniência para a boa ordem e eficiência dos serviços, determinou a organização de um quadro de funcionários Municipais com funções e atribuições definidas”.Estado NovoCom o advento do Estado Novo, em 1937, Getúlio Vargas ordenou que todas as Câmaras Municipais fossem fechadas. Durante esse período, toda a documentação da Câmara de Sorocaba foi enviada ao Rio de Janeiro e extraviada, inutilizada ou levada para o exterior por historiadores estrangeiros. A pouca documentação restante encontra-se hoje no museu localizado no “Quinzinho de Barros”. As Câmaras foram reabertas somente em 1948. Em Sorocaba, foi reaberta num prédio emprestado pela Associação Beneficente Vasco da Gama e, posteriormente, funcionou em outros prédios, mas sempre em condições quase precárias, até se estabelecer no prédio do Teatro São Raphael.Teatro São RaphaelTeatro São RaphaelTeatro São RaphaelCom 154 anos, o prédio utilizado pela Câmara Municipal,até outubro de 1999, constitui-se no único patrimônio teatral da cidade. Seus traços originais perduram até os nossos dias tão somente em sua fachada principal. Em 1844, segundo os documentos da Câmara Municipal de Sorocaba, foi mandado construir, por uma sociedade em que o maior acionista era o Raphael Tobias de Aguiar, o teatro São Raphael. Para esse fim, a mãe de Raphael fez a doação de uma área de terreno no fundo do quintal de sua residência, situada no Largo das Tropas, Largo da Artilharia, depois Largo de Santa Gertrudes, atualmente praça Dr. Fajardo. Após a construção desse teatro, foi aberta uma travessa entre as ruas das Flores (hoje Monsenhor João Soares) e da Ponte (hoje 15 de Novembro). Essa travessa denominava-se Beco do Teatro antes de receber o nome de Brigadeiro Tobias. O teatro, com sua platéia, frisas, duas ordens de camarote e galeria geral, era elegante e vistoso. O São Raphael, apesar de bem construído, sofreu modificações durante o tempo que funcionou.Em 1899, a Câmara Municipal de Sorocaba publicava no “15 de Novembro” a Lei nº 26 de 25 de Maio de 1899, que autorizava a desapropriação do terreno ocupado pelo Teatro São Raphael, uma vez que este se encontrava em ruínas. O teatro permaneceu fechado até 1905, quando passou por uma reforma e, em 1908, o São Raphael, de propriedade da Prefeitura Municipal, estava pronto para ser novamente ocupado por companhias e grupos dramáticos. Pomposamente, foi inaugurado na noite de 05 de janeiro de 1909, quinta feira, pela Companhia Tommazo Solvini que viera de Montevidéu, levando à ribalta, pelo elenco Clara Della Guardia, a peça “Otello”.O São Raphael, transformado então em Teatro Municipal, tinha 18 frisas, 14 camarotes, 145 cadeiras, 50 balcões e 300 lugares nas galerias. Mais tarde, quase em ruínas novamente, o São Raphael foi utilizado para bailes carnavalescos até que, em 1933, fechou suas portas sem que se soubesse que estava fadado a não mais servir como casa de espetáculos. A Prefeitura Municipal, então, lembrou-se de reformá-lo e adaptá-lo para Paço Municipal, deixandoa cidade sem Teatro Municipal durante aproximadamente cinqüenta anos, até a inauguração, ao lado do Palácio dos Tropeiros, do novo Teatro Municipal.A transformação do São Raphael em Paço Municipal foi iniciada a 18 de fevereiro de 1934 e concluída a 9 de julho de 1935, sob os auspícios da Prefeitura dessa época. Hoje vive, ou melhor, perdura ainda na memória de sorocabanos da velha guarda todo o histórico desse antigo e único patrimônio teatral sorocabano, de cujos vestígios existe apenas a fachada principal. O teatro abrigou o Paço Municipal até 1981. Quando a Prefeitura passou a funcionar no Palácio dos Tropeiros, no Alto da Boa Vista, a casa novamente teve suas dependências readequadas para atender aos trabalhos legislativos de Sorocaba. Assim, ele passou a ser a Câmara Municipal em 1982. Transcorridos dezesseis anos, a Mesa Diretora do Legislativo sorocabano dá continuidade ao processo de resgate da memória da cidade, ao mesmo tempo em que adapta o prédio de modo que sua utilização não o descaracterize ainda mais em sua originalidade. Os trabalhos de descascamento, reboco e pintura externa já foram realizados. Essas obras iniciaram-se em meados de 1996. Sob a orientação e acompanhamento do conselho Municipal do Patrimônio Histórico, o telhado foi revisado, recuperou-se a fachada externa e os pisos de madeira foram recuperados com colagem de tacos soltos. Porém, as obras foram interrompidas em 1997. Para total recuperação do prédio, deve-se ainda cumprir o planejamento inicial.O Teatro São Raphael abrigou a Câmara Municipal de Sorocaba até a inauguração da sede própria, em 09 de outubro de 1999, no Alto da Boa Vista, ao lado do Palácio dos Tropeiros.História da Sede Própria da Câmara Ícaro, Hosana ou Guga.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]