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Darcy Ribeiro
Programa Roda Viva

mencio ()

    1988
    Atualizado em 14/11/2025 18:29:46




JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
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Professor Darcy Ribeiro, o senhor vivei momentos extremamente agitados no Brasil de 1962 e 1963, onde duas das figuras dominantes da política brasileira eram o então já ex-presidente Jânio Quadros e o então deputado federal Leonel Brizola. Tantos anos depois existe a possibilidade, bastante concreta de, a próxima sucessão presidencial ser polarizada pelos mesmos dois nomes. Candidato a presidente de um lado, Leonel Brizola, candidato a presidente de outro. O que impede a renovação da política brasileira?

Darcy Ribeiro - É um pouco malicioso o seu juízo. Por que esses dois não deviam estar aí? na realidade eu fui ministro com menos de 40 anos e eu sinto falta hoje do que era equivalente a minha geração. Eu fui ministro duas vezes com idade relativamente jovem. Outra pergunta, onde estão esses jovens? A ditadura matou, impediu que uma geração aparecesse, isso é que faz com que políticos da minha geração, como Brizola. Brizola tem a mesma idade que eu estejam de novo presente, estejam numa posição proeminente, que podia ter sido ocupada por gente mais jovem.

Pergunta - Quantas anos o senhor tem professor?

Darcy Ribeiro - 65, merecia ter muito menos. O presidente Jânio Quadros também não era ... foi um presidentes dos mais operosos. A imagem que eu tenho do presidente Jânio Quadros não é uma imagem corrente. Há uma tendência a caracterizar a figura dele, mas eu o conheci, trabalhei com ele, como um homem competente. É claro que não se compara com a figura do Brizola, líder do meu partido, que é outra coisa.

Pergunta - Professor, antes que os entrevistadores entrem na Roda, eu queria insistir por outro ângulo. Na Espanha nós tivemos décadas de ditadura franquista e, no entanto, o senhor assistia surgir, dentro e fora do país a emergência de políticos hoje decisivos na vida espanhola, como Felipe Gonzalez Adolfo Soares. Adolfo Soares dentro do país, Felipe Gonzalez fora. Por que que no Brasil isso não aconteceu, apesar da ditadura? Só a ditadura explica por inteiro a ausência de novas lideranças?

Darcy Ribeiro - Olha, na Espanha também, a coisa foi séria. Na realidade o partido socialista é velho do que devia ser. O conjunto das lideranças, os prefeitos, o prefeito de Madrid, o conjunto das lideranças é mais velho que o comum. A mesma coisa ocorre em Portugal também. Uma ditadura é uma coisa atroz, é uma enfermidade que ataca um país e a forma de atacar é ... é impedir que novas gerações se sucedam. Há quadros novos surgindo aí, agora, mas é difícil que o povo chegue a tomar conhecimento dela, que ela chegue a representar um papel mais destacado. Realmente esta é uma questão muito séria. Nós precisamos de renovação no Brasil. Nós precisamos de quadros políticos capazes de retomar linhas históricas e de introduzir linhas novas também, e que representem a energia que nós representamos. Eu sou um político que volto representando as posições que eu tive em 1964. Aquelas pessoas estão vivas por que? O governo de João Goulart não caiu por seus defeitos, ele foi derrubado por suas qualidades.

... Os militares são absolutamente indispensáveis, só que, a regra fundamental, a regra que um militar deve obediência total, é de que, tendo o monopólio do uso da violência, tendo o monopólio das armas, não pode usar as armas contra a cidadania, não pode usar as armas contra o povo.

...João Vitor Strauss, jornalista da Band - Eu queria fazer a pergunta, talvez mais ou cientista social, político, antropólogo, do que propriamente ao político. O senhor frequentemente coloca toda a responsabilidade das classes dominantes, que nós podemos dizer, de todas nações fracassadas na História, como o senhor usa essa expressão no "Processo Civilizatório", eu perguntaria ao senhor: e do lado da sociedade? Quer dizer, que processo diabólico se passa entre nós que nos impede de, sei lá, forçarmos essas classes dominantes a ter uma atitude, um comportamento diferente, como os outros países, os outros povos, conseguiram fazer com suas classes dominantes?

Darcy Ribeiro - Eu acho que o nosso país é um país enfermo de desigualdade, de brutalidade, e de perversidade. Você pode dizer que são expressões adjetivas, sem muita significação. Eu me perguntei muitas vezes o que é isso. A única resposta que eu tenho é a seguinte: uma nação, em que a classe dominante é de filhos descendentes de Senhor de escravos, leva na alma um pendor, um calejamento do Senhor de escravo. Quem é o Senhor de escravo? É aquele que compra um homem e o negócio dele é tirar com chicote, desse homem, a renda que esse homem pode dar, num certo tempo que ele viva. Enquanto o escravo está condenado a lutar por sua liberdade e ir para o quilombo, o senhor de escravo é o contrário, está condicionado a usar o escravo como carvão que se queima para produção, para ter mais lucro. Uma classe dominante de Senhor de escravos ela está marcada por esta natureza. Quando, além do Senhor de escravos, tem representantes de interesses ingleses, depois interesses norte-americanos, é um corpo de, não é nem de proprietários, é de gerentes, é de senhor que representa aquela ... esse conjunto de classes dominantes, em que o setor predominante é o conjunto de empresários ou gerentes estrangeiros, é uma classe simplesmente pervertida.Veja o exemplo, os EUA faz uma lei de Terras em 1860 (1862), que hoje equivale a lei de terras que temos no Brasil. A Lei de Terras Homestead norte-americana, você vê nos filmes de faroeste, quando aquelas carretas vão para o oeste, não vão caçar índios não. Quem fosse para o oeste, fizesse uma casa, uma roça e vivesse ali 5 anos, podia demarcar 120 acres, que são 30 hectares. A lei norte-americana abriu espaço para milhões de famílias se se instalarem com pequenos granjeiros. E o que ocorre no Brasil? A sabedoria da classe dominante, pervertida brasileira, declara que a posse não dá direito a propriedade, confirmam a posse,



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EMERSON


01/01/1988
ANO:62
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]