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    11 de junho de 2025, quarta-feira
    Atualizado em 15/06/2025 07:16:41
  
  
  


JUN.
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HOJE NA;HISTóRIA
65

Luíz Dumont Villares (Porto (Portugal), 28 de dezembro de 1899 — São Paulo, 14 de junho de 1979) foi um famoso e importante empresário brasileiro. Luíz, durante muito tempo, foi o principal nome das Indústrias Villares, a responsável por fabricar os elevadores Atlas, muito utilizados em edifícios corporativos, prédios residenciais, entre outras estruturas que utilizam de um, ou mais elevadores. Além de sua importância no ramo, era sobrinho do ícone do ramo aeronáutico, o inventor do avião e aeronauta Alberto Santos Dumont, cuja ligação se dava por ser irmão de sua mãe, Gabriela Santos Dumont.

O empresário, além de todo o sucesso, foi também o idealizador da primeira garagem automática do Brasil, a Garagem Araújo, construída na década de 1960 e localizada na Rua Araújo, no centro de São Paulo, com 25 andares e capacidade para abrigar 322 automóveis. Luíz também foi pioneiro na fabricação de trólebus no país.

A história das Indústrias VillareseditarO início e o crescimento da empresaeditarMuito importante na história das indústrias do Brasil, a família Villares, com o sobrenome de origem espanhola, na região de Córdoba, os investimentos da família foram voltados para a indústria no ramo dos elevadores, a partir da chegadae da expansão da empresa Lowby & Pirie, que havia sido fundada no ano de 1918.[1][2]O rápido crescimento da empresa, e a entrada de Carlos Dumont Villares como sócio, fez com que, no ano de 1920, passasse a se chamar Pirie, Villares & Cia. Dois anos depois, em 1922, a instituição deixou de lado apenas a especialidade na instalação e conservação de elevadores trazidos de fora do Brasil, e passou também a produzir os elevadores. [1]

Determinado acontecimento fez com que a entidade criasse a Divisão de Metalurgia para conseguir atender seus requisitos e necessidades de peças fundidas para tais elevadores feitos dentro de suas oficinas.[1]Em 1941, ocorreu um fato marcante na história das Indústrias Villares. O ano marcou pela primeira vez a corrida de aço da empresa. Durante o período da Segunda Guerra Mundial, a indústria teve uma necessidade de se expandir em proporções gigantescas para poder atender a demanda nacional que não parava de crescer, em relação à produções fundidas e forjadas do aço.[1][2]

No ano seguinte, em 1942, foi comprada uma área com cerca de 75.000m² para conseguir abrigar as recém-criadas instalações da chamada Divisão de Metalurgia da empresa. Pouco tempo depois, a Pirie, Villares & Cia., sofreu uma alteração em seu nome, passando a se chamar Elevadores Atlas S.A. e, no mês de agosto de 1944, fundou-se a denominada Aços Villares S.A., com o intuito de adquirir manufaturas de aço e de comercializar peças fundidas, chapas e barras de aço feitas dentro da usina, que se encontrava em pleno funcionamento na cidade de São Caetano do Sul, região do grande ABC paulista.[1][3]No ano seguinte, em 1945, é adquirido um forno elétrico com capacidade de 5,5 toneladas, fazendo com que a demanda da empresa aumentasse ainda mais. 12 anos depois, em 1957, outro forno foi adquirido pela empresa, este, com capacidade de 15 toneladas, elevando a capacidade de fusão da usina de São Caetano do Sul para 35 mil toneladas de aços finos ao ano. O laminador desbastador de lingotes, construído pela própria empresa e de tamanha importância para o ramo das indústrias metalúrgicas, começa a funcionar no mesmo ano.[2][3]A participação na criação do trólebuseditarAté 1958, a extensa dificuldade para a implantação do sistema de trólebus no Brasil era a importação dos veículos e das peças de reposição. No mesmo ano, foi implantada a primeira indústria de trólebus nacional, graças às Indústrias Villares e a já extinta encarroçadora Grassi.[4][5]Na parceria com a encarroçadora, as Indústrias Villares tiveram grande protagonismo no fato, devido sua importância no ramo do aço, o material utilizado na produção dos mesmos. Por ser produzido pela empresa, o fato fez com que, não apenas o primeiro, mas muitos trólebus que viriam, levassem o nome "Villares" consigo, como é o caso do Grassi/Villares (o primeiro modelo de trólebus produzido no Brasil).[4][5]Parcerias e aquisições da indústriaeditarA Aços Villares fecha um acordo com uma empresa austro-alemã de assistência técnica, a Gebruder Bohler & CO. A. G., visando aperfeiçoar os técnicos brasileiros com a colaboração de técnicos estrangeiros na usina de São Caetano do Sul. Em 1966, a empresa recebeu um laminador de grande capacidade direcionado às barras de aço especiais. No mesmo ano, é instalada uma máquina de têmpera por alta frequência para a fabricação de cilindros temperados para a aplicação siderúrgica.[1][3]

Três anos depois, em 1969, a empresa começa a utilizar um novo processo na fabricação de aço líquido à vácuo, aumentando a capacidade produtiva da usina.[3] No ano de 1972, foi fundada a Villares Overseas Corporation, para a comercialização de produtos siderúrgicos na America do Norte, mais precisamente nos Estados Unidos. Depois de três anos, em 1975 foi idealizada a Villares Indústria de Base S.A.- VIBASA, a maior usina de aços especiais não planos do hemisfério sul, e já em 1978, a empresa iniciou, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, suas primeiras operações industriais.[1][2]

Anos depois, em 1988, houve a compra de duas novas indústrias siderúrgicas, a Siderúrgica Nossa Senhora Aparecida S.A., com sua fábrica localizada em Sorocaba (SP) e a Aços Anhanguera S.A., cuja fábrica tinha instalação na cidade de Mogi das Cruzes. No ano seguinte, em 1989, foi inaugurada a Villares Steels International B.V. (VMI), em Dordrecht, na Holanda. Nos anos de 1992 e 1993, respectivamente, foram incorporadas ao grupo Villares as indústrias adquiridas anteriormente.[1]

Em 1996, a Aços Villares assume a Eletrometal, que passa a receber o nome de Villares Metals S.A.. A partir daí, toda a produção de alta liga é transferida para Sumaré, em São Paulo. No ano de 1998, no mês de maio,a usina de São Caetano do Sul foi desativada e houve a transferência da fabricação de cilindros rumo à usina de Pindamonhangaba (SP). Em outubro do mesmo ano, foi concluído o processo de desativação da parte de tubos centrifugados. O lingotamento tradicional foi totalmente retirado da usina de Mogi das Cruzes, no interior do estado de São Paulo, e foram desativados os fornos que tinham menor capacidade. Entre eles estavam o de Mogi das Cruzes, e também o de Pindamonhangaba. No ano seguinte, em 1999 a unidade de Diadema, também no ABC paulista, assim como São Caetano, foi desativada.[1][2]

A venda para estrangeiros

No ano 2000, no mês de julho, a controlada ASPART Empreendimentos e Comércio Ltda, acertou a venda de sua participação no total de 16% no capital da aliada GEVISA S.A. para General Electric do Brasil Ltda.. Em 15 de agosto, o grupo espanhol Sidenor Internacional S.L.concluiu o aumento do capital d a compra de 52% das ações da Aços Villares, assumindo o controle acionário da empresa.[1][2]Já em 23 de dezembro de 2003, a empresa firmou um acordo de investimento com a Böhler-Uddeholm AG (BUAG), em comprometimento de promover aumento do capital em sua subsidiária integral Villares Metals S.A., a qual, cumpridas as condições suspensivas, seria subscrito pela BUAG que passaria a ter o controle acionário da empresa em questão. Em março de 2004, foi dada como certa a transferência da gestão total acionário da subsidiária integral Villares Metals S.A. para a empresa do país austríaco. Com a confirmação desta operação, a empresa passou a dar o objetivo de suas atividades nas unidades de negócios de cilindros de laminação e aços de construção mecânica, viés onde a controladora Sidenor possuía experiência e competitividade em níveis internacionais.[1][3]Segundo o estudo feito pela universidade de Cambridge, as Indústrias Villares, os donos originais da empresa e os familiares detinham 50,1% das ações ordinárias da indústria e do poder de decisão de dentro da mesma. Assim, essa porcentagem é designada como direito de controle do grupo de gestão.[6]Houve também, a compra do controle acionário do grupo espanhol, a Corporación Sidenor S.A. no ano de 2006, pelo Grupo Gerdau (empresa de siderurgia brasileira) juntamente com o Grupo Santander e um grupo extenso de executivos espanhóis.[2]No ano de 2007, o grupo Böhler-Uddeholm foi adquirido pela Voestalpine, e então, cria a divisão de aços especiais (Edelstahl). No ano seguinte, em 2008, foi inaugurada uma unidade nova de serviços de tratamento térmico (CSTT), na cidade de Súmaré, em São Paulo.[3]Nos dias 15 e 16 de julho, a Villares Metals foi a empresa anfitriã do 7º Encontro da Cadeia de Ferramentas, Moldes e Matrizes, com o tema “Soluções para o aumento da competitividade”, onde foram apresentados 17 trabalhos técnicos, cinco palestras convidadas, duas mesas-redondas. O evento foi promovido pela FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).[7]A história e, o quadro de dívidas e encolhimento da empresa e a enorme queda do número de funcionários e sedes deixou de ser real e a indústria começou a dar a volta por cima no ano de 2010, quando a Indústrias Villares deixou de ser uma companhia sob controle da família Villares. Em uma negociação das ações da empresa entre herdeiros do septuagenário grupo abriu portas para que a Acesita e a Sul América ingressassem na sociedade com participação de, respectivamente, 31% e 20%.[8][9]Na composição acionária depois da negociação, três integrantes da família –entre eles Paulo Villares, o presidente do conselho administrativo da empresa– passaram a ter 32,6% das ações. No mesmo ano da venda, o endividamento do grupo Villares, que estava estimado em US$ 284 milhões só estaria sendo solucionado por conta de vendas de imóveis e terrenos, além de uma associação com a empresa suíça Schindler, uma fabricante de elevadores, que investiu, segundo informações, US$ 92 milhões no grupo, além de deter 49% das ações, em sociedade com a Elevadores Atlas.[8][9]Em 2011 com uma economia mais estabilizada e com o fluxo de caixa bem maior, o negócio voltou a se expandir para Santa Catarina, e em Joinville foi inaugurada uma nova unidade de cento de distribuição de aços para ferramentas. Dando continuidade à estratégia de ampliação da empresa, em 2014, no estado de Minas Gerais, na cidade de Vespasiano, foi inaugurada mais uma unidade de Centro de Distribuições. No mesmo ano, em Joinville, foi inaugurado um centro de serviços de tratamento térmico no centro de distribuições da cidade.[1]Acampamento Paiol GrandeeditarO acampamento, localizado no município de São Bento do Sapucaí, busca aperfeiçoar maneiras de convivência entre jovens e adolescentes, através do esporte, lazer, diversão e cultura, abrindo portas, ao mesmo tempo, para uma vivência de valores e noções fundamentais envolvendo cidadania, solidariedade, ética, moral e convívio social.[10]Luiz Dumont Villares foi um dos grandes responsáveis pela fundação do acampamento, que ocorreu no ano de 1946. Junto com Job Lane, Érico Stickel, Alfredo Velloso e Otávio Lotufo, além da doação de outros nomes, o acampamento oficialmente foi fundado no dia 23 de dezembro. Luiz se tornou presidente do acampamento durante os primeiros anos de funcionamento. No ano de 1992, foi inaugurada, dentro do acampamento, a "Mata Villares", uma área de vegetação conservada no entorno da Pedra do Baú, e leva esse nome como homenagem ao fundador.[10]



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EMERSON


11/06/2025
ANO:853
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]