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ANUÁRIO DO MUSEU IMPERIAL VOLUME 36 1975

mencio (3)

    1982
    Atualizado em 25/12/2025 07:42:31




JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt

Agosto de 1875Existe no Arquivo Histórico do Museu Imperial, entre os documentosdoados pelo príncipe d. Pedro Gastão, uma série de apontamentos de d. PedroII escritos em forma de diário durante suas viagens no interior e fora do Brasil.Um deles é o constante do Cat. B. M XXXIX, D. 1059, no 16, no qualdescreve o imperador a sua viagem a São Paulo em agosto de 1875.Divulga o Anuário do Museu Imperial a íntegra desse documentoatualizada a ortografia e pontuação para maior facilidade da leitura.Ao texto de d. Pedro II foram acrescentadas introdução e eruditas notasexplicativas, devidas ao historiador campineiro Celso Maria de Melo Pupo,correspondente do Museu Imperial, que se dedicou ao trabalho com o espíritode pesquisa já revelado em escritos anteriores, elucidando e ampliando os, porvezes, insuficientes apontamentos do apressado imperador itinerante. Vão essasnotas identificadas com as iniciais do autor – M. P.A elas, com permissão do anotador, julgou a redação do Anuário oportunoacrescentar outras, devidamente identificadas com a sigla – M. I.INTRODUÇÃOSuas majestades chegaram a Santos dia 17 e desembarcaram, sendorecebidos pelo presidente da província, Sebastião José Pereira 1, e autoridades,sob aplausos do povo e demonstrações de alegria e entusiasmo. Depois deorarem na matriz, hospedaram-se em casa do barão de Embaré, depois viscondedo mesmo título, Antônio Ferreira da Silva; feito um passeio pela cidade, partirampara São Paulo às 14h15m, onde desembarcaram perante grande multidão depovo que os aclamou com delírio. Hospedaram-se no Palácio do Governo deonde saíram para suas orações na Sé, sendo recebidos pelo cabido.A grandeza de espírito do nosso imperador se revela na forma modesta [p. 67]

principal, a italiana. Vi uma rapariga de Nápoles, doente, muito engraçada.Parece que tem bexigas. Um italiano tocava o hino brasileiro, gaita de paupresa ao peito, sobre a qual passava a boca, zabumba tocada com o cotovelo,pratos e triângulo com uma cordinha presa ao calcanhar direito.Passeio público 29. Plantação aumentada. Torre que lembrou-me o pagodede Kew-Garden. Tem 112 degraus. Vista soberba de cima onde se está muito àlarga. Lanço das escadas, doces. Jardim dos Amores, onde vamos à casa debanhos, para mergulhar e de chuva.Jantar das 6 até às 8. Gente. Te-Déum na matriz pregando o cônegoJustino de Andrade, lente substituto do curso jurídico 30.Teatro Provisório muito pequeno, onde Amoedo e outros representaramsofrivelmente A Filha Única, do autor da Estátua de Carne. É boa peça 31.É 1h 5’ da madrugada de 20; o termômetro marcou, fora da janela, 59°.

20 – 5h10: Term. que ficou toda noite fora da janela, 58°.Partida de São Paulo às 6. Comida na boca do túnel de Pinheirinhos. Nasaída, é o ponto mais alto da estrada, 155 metros acima de São Paulo. Sorocabaestá abaixo daquele ponto 356. Pouco depois do túnel, curva de 80m de raio.Há bastantes e ásperos [sic] na estrada e bastante declive, o maior de 1 em 50.Tem abatimentos nos aterros e os trilhos berram quase a estes, que se fendem.Há 2 túneis além de Pinheirinhos.Chegada a Sorocaba ao meio-dia. Daí a pouco fui à Casa de Caridade 32.Muito pequena e com 7 doentes. Mal cuidada.A Casa da Câmara, boa. Havia 17 presos 33.Máquina de Maylaski 34 de fazer os fardos de algodão, depois dedescaroçá-lo em 3 máquinas. A de comprimir o algodão ainda é movida a mão.Emprega o caroço como combustível da caldeira, tem 30% de abatimentocomparado ao carvão. Já teve ano de enfardar de 80 a 100.000 arrobas dealgodão. É grande produção de [sic] ao redor de Sorocaba.Colégio de meninas de uma sociedade particular. Também Maylaski entranisso. 16 meninas. Há uma mestra alemã que pareceu-me inteligente.Estação da estrada de ferro, que é boa. Fábrica de chapéus de AntônioRogisch 35, meu conhecido de Carlsbad. Casa muito bem arranjada. Associou-se a um Nasel que foi trabalhador com ele. Parece excelente gente. 40trabalhadores. Pode fazer 60 chapéus por dia; a fábrica do Fischer tem umamáquina de formar o chapéu lançando por sopro o pelo sobre a forma que gira,a qual não possui Rogisch.Cemitério em posição alta com bonita vista.Voltei à casa e saímos às 3 ½ para a cascata que é muito pitoresca. Maucaminho para carro.Jantar às 6. O dr. Adams 36 nada adiantou quanto ao terremoto.Assevera que muita gente saiu para a rua espavorida e que caíram muros velhos 37. Ninguém percebeu que o solo tremesse e apenas oscilações de objetos.Os estrangeiros com bandeiras e música saudaram-me da rua falando oMaylaski. Recebi das 7 às 8. Te-Déum, música detestável.11h – Chego do Teatro de São Rafael muito sofrível. Só assistiu [sic] a 2atos da peça. A mesma companhia de Amoedo.O dr. Adams disse-me que fez a operação cesariana por causa de um fetoextra-uterino de 14 meses [sic]. A mulher apesar de ulcerações intestinais ficouboa. Colhi folhas na cascata.11 ½ da noite, fora da janela 61°.21 - 6h: Partida. Chegada a Ipanema 38, de vitória, às 8. Fornos altos eoficinas. Almoço. Em trole à oficina de ustulação e pilões, pelo caminho domato; pedreira de ferro, de cal camadas inclinadas concordantes com as que seacham a 2 léguas do lado de Sorocaba. Nem mesmo com microscópio se temdescoberto vestígios de fósseis. Volta à casa.Saída a cavalo até a Pedra Santa, grande massa de camadas de grés, quenão é do vermelho. Ao pé há uma massa de granito porfiróide, que errou daserra a bastante distância. Debaixo da Pedra Santa dormia o Monge da Gávea.Lanche.Saída de trole. Vi as carvoeiras e os limites das terras da fábrica, 2 léguasquadradas com bons matos, chegando à casa às 7 pela estrada que segue paraPorto Feliz. Vi a escola, que de noite é de adultos, mas onde se reuniram ascrianças que estudam de manhã. Há 47 matriculadas.Cadeia e fundição.Jantar. Discussão sobre a melhor direção da estrada de ferro para a cidadede Tietê, entre mim, o presidente da província e o juiz municipal de Sorocaba,Toledo 39, moço muito inteligente. São 10 ¾. Vou deitar-me. Term., fora dajanela, 64°. Chega no inverno a gelar.22, 4 ¾ da manhã: 61° fora da janela. Parto às 5 para Sorocaba. Chegadaàs 7 a Sorocaba. Falei a um suíço, Budicken, engenheiro que me deu uma vistade Sorocaba e tem carta de recomendação do presidente da Confederação Suíça,Schenk, e a um Luís Delfino que cria abelhas. Tem 800 cortiços e disse-me quea abelha que dá mais cera é a Mumbuca. Disse-me que aprendera a tratar asabelhas na quinta da Boa Vista morando com o pai no Pedregulho. Há outrosem Sorocaba que possuem 200 a 300 cortiços. Referiram-me que São Paulo jánão importa cera.Ouvi missa na matriz e parti às 8 para São Paulo. Chegada ao meio-dia½. Coberto de pó mudei-me e fui ver o Convento de São Bento. Repararam-no. Não achei as pinturas antigas 40.Depois, à fábrica do dr. João Ribeiro 41 de fazer tijolos, telhas,panelas, etc. e pedra artificial com ornatos 42. Os fornos admitem 80.000 e7[p. 71 e 72]caba (VII), São Paulo, Revista de História, v. 76. p. 355, que: “Deram-lhe [ao imperador]um carro aberto à frente da locomotiva e iam-lhe mostrando a construção. [Estrada deFerro Sorocabana] Às vezes descia e ia ver de perto”. Segundo o mesmo autor: “JúlioRibeiro noticiou a visita, pondo a culpa dos males do Brasil nos políticos. Foi levar a PedroII um exemplar do padre Belchior de Fontes, aqui impresso em folhetim e em livro. Muitobem recebido”. Era esta a segunda viagem que o imperador fazia a Sorocaba. A primeirafoi em 17 de março de 1846. A 25 de outubro de 1878, novamente o imperador e a imperatriz“com grande comitiva” reapareceriam em Sorocaba em trânsito para Ipanema (MI).33. Cadeia e câmara no mesmo prédio, como em todas as congêneres coloniais (MI).34. Luís Mateus Maylaski notabilizou-se pelo seu dinamismo e pelas suas grandesrealizações. Nasceu em 1832, devendo-se à sua operosidade, a fundação de cinco estradasde ferro e a construção do porto de Vitória (Aluísio de Almeida e Antônio Francisco Gaspar,biografia); desenvolveu em Sorocaba a indústria algodoeira, pujante na província. Foiagraciado pelo rei de Portugal com o título de visconde de Sapucaí, recebendo do mesmosoberano brasão de mercê nova por carta de 19 de setembro de 1891 (MP).Luís Mateus Maylasky (como vem grafado no relatório da Estrada de FerroSorocabana, de 1874) nasceu em Kassa (Hungria) em 28 de agosto de 1838. Chegou emSorocaba em janeiro de 1866, onde se casou com Ana Franco, filha de Joaquim José deAndrade, chefe local do partido conservador. Faleceu em Nice (França) em 1906 (MI).35. A indústria chapeleira era futurosa e florescente em 1875; encontramo-la em São Paulo,Sorocaba e Campinas, impressionando sua majestade que as registrou e as visitou nastrês cidades. Antônio Rogisch, de quem fala o imperador, fixou-se em Sorocaba e deleficaram membros da família, no mesmo ramo industrial (Antônio Francisco Gaspar, MinhasMemórias, 93) (MP).

Os irmãos José e Antônio Rogisch, ou Rogick, como grafa Aluísio de Almeida, eram húngaros e se fixaram em Sorocaba em 1847, onde Antônio casou-se, em 1869, com Constância Ferreira Leão. A fábrica de chapéus data de 1852, localizada na Rua da Ponte. Associou-se depois ao alemão Venceslau Razzl. Henrique Adams adquiriu a fábrica em 1880. Em 1870 o alemão Teodoro Kaysel, instalou outra fábrica de chapéus em Sorocaba.Em 1883, havia em Sorocaba três fábricas de chapéus: a do dr. Adams, a de José Rogisch e a de Teodoro Kaysel (MI).

36. João Henrique Adams, inglês de Londres, casou-se em 1869 em Sorocaba, com d. Ângela Leopoldina de Oliveira, filha dos barões de Mogi Mirim. Esses titulares hospedaram suas majestades em seu sobrado, nas visitas feitas a Sorocaba, assim como o conde d’Eu; em 1846, foi o sobrado, o maior da cidade, inaugurado pelo imperador, depois de receber rica ornamentação com prataria e fino mobiliário (pesquisas do historiador Carlos Sonetti e Aluísio de Almeida, História de Sorocaba, 240) (MP).

Referindo a João Henrique Adams, Licurgo Castro Santos Filho, História da Medicina no Brasil, v. 2, p. 365, diz: “Médico inglês, natural da colônia do Cabo (África do Sul) onde nasceu em 1822; faleceu em 2 de novembro de 1901 no Rio de Janeiro. Médico, em 1850, pela Universidade de Marburgo”. O dr. Adams clinicou por mais de 30 anos em Sorocaba. Em 1880, adquiriu a fábrica de chapéus de Antônio Rogisch (MI). [p. 88]

37. Sobre o tremor de terra em Sorocaba e circunvizinhanças há, no Arquivo Histórico doMuseu Imperial, os seguintes documentos:D. 7847 M.172: Carta de Joaquim de Sousa Mursa ao presidente da província, JoãoTeodoro Xavier, datada de Ipanema, 10/03/1875;D. 7848 M.172: Carta do barão de Piratininga (Antônio Joaquim da Rosa) aopresidente João Teodoro, datada de São Roque, 22/03/1875;D. 7848 M. 172: Carta de José Leite Penteado ao presidente João Teodoro, datadade Sorocaba, 10/03/1875 (MI).

38. Ipanema teve em 1571 o primeiro estabelecimento siderúrgico do Brasil, instalado porAfonso Sardinha. Depois de 1765, quis o morgado de Mateus, capitão general de SãoPaulo, reerguer o estabelecimento, o que se tentou com fundidor encarregado de recuperara fundição de Sardinha. Seguiram-se outras tentativas de uma regular exploração industrial,destacando-se a de maior vulto na primeira década do século XIX, com diretor, auxiliares emaquinários vindos então da Suécia. Quando diretor de Ipanema o oficial Frederico LuísGuilherme de Varnhagen, aqui nasceu a 17 de fevereiro de 1816, seu filho, FranciscoAdolfo de Varnhagem, futuro visconde de Porto Seguro e um dos maiores historiadoresbrasileiros.

De tentativas em tentativas, chegou o ano de 1865, quando assumiu sua direção oengenheiro Joaquim de Sousa Mursa (depois, membro do primeiro governo republicano deSão Paulo e deputado ao Congresso Constituinte da República). Esse diretor procurou darà fábrica de ferro a necessária situação de estabelecimento produtivo, indo à Europa paraestudos e obtenção de pessoal técnico; durante sua gestão, suas majestades visitaramSorocaba, indo desta cidade, em carruagens, visitar Ipanema, constatando uma significativaprodução que, entretanto, não se consolidou, deixando que hoje Ipanema seja apenas umpatrimônio histórico (Jesuíno Felicíssimo Júnior, História da Siderurgia de São Paulo eMemória sobre a Comemoração do 150o Aniversário da 1a Corrida de Ferro no Alto Fornode Ipanema) (MP).39. Joaquim de Toledo Piza e Almeida, nasceu em Capivari (SP) a 19 de outubro de 1842.Bacharelou-se em novembro de 1866, iniciando sua vida pública como promotor em Taubaté.Em maio de 1874, foi nomeado juiz municipal em Sorocaba sendo transferido para SãoPaulo em novembro de 1875. Ocupou vários cargos de relevo. Quando faleceu, em 24 deabril de 1908, era presidente do Supremo Tribunal Federal (MI).40. É velho em nosso país o vezo de se destruir o antigo (MP).41. João Ribeiro da Silva, proprietário da olaria do Bom Retiro, na Luz, fundada em 1872(MI).42. Indústria florescente em nossa província, veio interromper o uso das paredes de pau-a-pique que se adotavam nas paredes internas das grandes construções e para casas menores;a taipa continuou em uso para as paredes mestras (MP).43. Parece tratar-se de Gustavo Sydow, estabelecido, ainda em 1883, na Rua Conse- [p. 89]



Sorocaba/SP
Pela primeira vez
Rio de Janeiro/RJ
Medicina e médicos
Afonso Sardinha, o Velho
1531-1616
Theodoro Kaysel
Terremotos
Luiz Matheus Maylasky
1838-1906
Licurgo de Castro Santos Filho
John Henry Price Adams
1822-1901
Conde D´Eu
1842-1922
Antônio Rogisch ou Rogick
Antônio Joaquim da Rosa
1821-1886
Simão Venceslau Razzl
José Rogisch ou Rogick
1850-1896


EMERSON


01/01/1982
ANO:149
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]