23 de maio de 2025, sexta-feira Atualizado em 04/12/2025 04:33:33
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HOJE NA;HISTóRIA
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PROJETO COMPARTILHARCoordenação: Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueirawww.projetocompartilhar.org Pedro Nunes e Catarina de Pontes Regina Moraes Junqueira
Em 1598, ao requerer chãos no caminho do Ibirapuera em conjunto com Manoel Fernandes e Fernão Marques, Pedro Nunes declarou ser filho de conquistador antigo (Datas 45, neste site), o que via de regra significava ser nascido na terra, filho de pai europeu. Era sapateiro, conforme está nas Atas da Vila de São Paulo e como atestam os instrumentos desse oficio arrolados no inventário de seus bens.
Na década de 1580 começou a fazer parte ativa na governança da terra, participando de ajuntamentos e assumindo cargos na câmara da vila de São Paulo onde foi alcaide entre 1586 a 1589, procurador do concelho em 1598. Em 1602 foi ao sertão na bandeira de Nicolau Barreto, conforme ele mesmo diz em seu testamento: ”...estando eu no sertão em companhia de Nicolau Barreto..”Foi vereador em 1606 e juiz juntamente com José de Camargo em 1612.ATAS da Camara da Vila de São Paulo, Arquivo Municipal de São Paulo, 1914Vol 1,fl 291 - Termo de como foi aceitado por alcaide Pº nunez para servir nesta vª sw san PauloAo primrº dia do mês de novembro de m.d. e oitenta e seis anos na dita câmara foi aceytado por alcaide desta villa de sam Paulo pº nunez capatrº pª qe sirva o dito oficio par tpõ três anos que comecarão de hoje por diante ....Vol 1, Fl 345 - 07-02-1588 – Pedro Nunes assinou junto com os demais oficiais aprovando a construção da Igreja Matriz, aguardando somente a provisão do governador.Vol 1, Fl 442 – 1592 - Participou de ajuntamento exigindo auxilio no carregamento compulsório de farinhas da vila para Santos.Vol 2, Fl 35 – 1598 - eleito procurador do conselho, prestou juramento “Aos onze dias do mês de Janeiro do anno de mil e quinhentos e noventa e oito anos na câmara desta vila ... procurador do conselho pº nunes sapateiro...” Prestou juramento aos 18-01-1598.Vol 2, Fl 149 – ANNO DE 1606 – Aos vinte e coatro dias do mês de junho de mil seiscentos e seis anos nesta vills nacaza da câmara ai estão juntos os oficiais a saber luiz fez e pº nunes vreadores e dos roiz juiz e mel aº procurador.....
Vol 2, Fl 30l – ANNO DE 1612 – termo de juramto dado aos oficiais novos juízes e vreadores e procurador do concelho
Nesta vila de são Paulo em o primrº dia do mês de janrº do ano prezente de muil seiscentos e doze anos nesta dita vila na casa de conselho dela se abriu a pauta e eleisão que este prezente año se fez nesta dita vila pela qual consta saíre por juízes jozepe de Camargo e pero nunez e vreadores giraldo correa e vicemte bicudo e procurador do comselho âtº camacho....
Vol 2, fl 33, assinatura.
Pedro Nunes casou primeira vez com Izabel Fernandes falecida com testamento redigido aos 22-04-1607 quando estava doente (SAESP 5º, neste site). Nele, além de determinações pias e recomendações ao marido, à filha e ao genro, comprou com sua meação a alforria de Lourenço, filho de Pedro Nunes. Viveu ainda uns meses e veio a falecer em agosto do mesmo ano. Por sua morte se fez o inventário dos bens do casal, iniciado aos 10-09-1607 no sitio em que moravam na paragem Ipiranga. Pedro e Izabel tiveram apenas uma filha, Maria Nunes, que foi casada com André Fernandes. Maria faleceu antes do pai e teve o filho único, Pedro Fernandes que herdou diretamente no inventário do avô materno. Pedro Fernandes casou com Ana Tenório, filha Clemente Alvares e Maria Tenório, com geração em SL VI, 432 e seguintes.
Em seguida Pedro Nunes casou com Maria Jorge, filha de Gonçalo Madeira e Clara Parente. Maria Jorge faleceu com testamento datado de 18 de março 1610 e com inventário aberto aos 30 de maio de 1611, SAESP 3º neste site. Sem filhos do segundo leito, deixou duas filhas do primeiro marido Francisco Barreto.
Catarina de Pontes, com quem Pedro Nunes se casou pela terceira vez, era filha de Bartolomeu Gonçalves, originário da Capitania do Espirito Santo e sua terceira mulher Domingas Rodrigues, com geração em SL I, 23, 2-1 onde ele consta erroneamente como filho de Braz Gonçalves o moço. Domingas foi irmã de Gaspar Vaz Guedes, o fundador de Mogi das Cruzes, família “Gaspar Vaz Guedes”, neste site, com outras informações da família de Catarina. (Testamento de Bartolomeu Gonçalves: “...minha mulher Domingas Rodrigues deixo por minha testamenteira que ela faça como eu fizera por ela, e em sua ajuda ao seu irmão Gaspar Vaz....” Catarina havia sido casada primeira vez com Salvador de Lima, filho de Gonçalo Pires e Beatriz Pires, irmão de Manoel Pires (SL. 2º, 5, 2-1, onde não é citado o pai) e irmão também de Maria Rodrigues casada com Domingos de Muros (Primeiras Famílias do Rio de Janeiro - Rheingantz- vol. 2, 652).Datas: 36 (neste site). Francisco Ribeiro e Domingos de Muro - 31/10/1598 - Genros de Gonçalo Pires.Salvador partiu em 1609 com a bandeira de Martim Rodrigues ao sertão dos bilreiros, onde morreu. Segundo noticias que chegaram à vila de São Paulo em 1612, a bandeira foi completamente destroçada e seus participantes mortos. Pouco depois Catarina se casou com Pedro Nunes, a julgar pela idade do primogenito de ambos. Catarina faleceu com testamento redigido em casa de seu pai, aberto aos 22-02-1620. Por seu falecimento foi aberto inventario dos bens do casal na fazenda do Ipiranga em março de 1621.No decorrer do processo tanto seu pai, Bartolomeu Gonçalves, quanto o marido Pedro Nunes, são considerados homens velhos. Viviam às turras. Bartolomeu, como tutor do neto Salvador, insistia para que Pedro arrolasse o colchão em que dormia e a roupa que vestia. Pedro se recusava, alegando que não ficava bem que o “viúvo andasse nú”, nem adoecesse um velho por falta de colchão.Pouco tempo depois, em seu próprio testamento, Pedro pediu ao velho amigo e sogro que fosse seu testamenteiro e tutor de seus filhos.Teve Catharina do 1º marido o filho único:- Salvador de Lima com 12 anos em março de 1621, teria nascido em 1609, pouco antes ou depois da ida do pai ao sertão. Foi tutelado do avô materno e em 1626, com a morte deste, foi seu curador "Antonio Raposo Tavares para que ele fosse curador de Salvador de Lima seu primo, por não haver outro parente mais chegado". O parentesco seria por afinidade, já que a mulher de Antonio Raposo era filha de Manoel Pires. Como seu pai, Salvador também foi sertanista. Habilitou-se ao sacerdócio antes de 1635 conforme testamento de Juzarte Lopes: “Declaro que se dem três novilhas ao padre Lima, meu cunhado.” Com o nome de Padre Salvador de Lima do Canto, sua assinatura aparece em muitos documentos ecliasiasticos de São Paulo.
Pedro Nunes faleceu com testamento redigido em 1623, que recebeu o “cumpra-se“ aos 31 de dezembro de 1624. Nele declarou dois filhos da última mulher “uma menina e um menino”, provavelmente porque Ana, a caçula, já era falecida. Ficando por herdeira legitima só uma filha fêmea, a pequena Maria, Pedro deixou para ela suas joias e alfaias, pedindo aos filhos e neto “que se não tire de minha filha Maria cousas destas que não tenho outra..” Deixou dois mil réis de “esmola a minha cunhada mulher que foi de João de Calyx” e também dois mil reis para cada uma das duas filhas dela.
De bens de raiz foram arrolados em seu inventário a fazenda no Ipiranga em que morava com casa de taipa de pilão, mais um sitio na roça (seriam as terras nas bandas de Santo Amaro), terras em Jarabatibussu a caminho do mar em sociedade com André Fernandes e Baltazar Nunes. Na vila, uma data de chãos e outra em sociedade com André Fernandes e Manoel Fernandes. Além de terras compradas de Geraldo Correa que "foram de Ana Rodrigues avó de sua mulher e lhas deu em casamento".
Além da prole legítima, Pedro Nunes teve filhos naturais(n) e adulterinos(a), havidos com índias da terra. 1a Lourenço Nunes que parece ser o mais velho, filho de Leonor, índia cativa.(inventarios de Maria Jorge e Izabel Fernandes). Lourenço morreu no sertão antes do pai e não entrou nem foi representado no rol dos herdeiros de Pedro Nunes, provavelmente porque nasceu cativo e seria bastardo. Teve Lourenço Nunes um filho:1a-1. Antonio Nunes, nascido antes de 1607. Seus direitos sobre os índios capturados por seu pai no sertão foram ferrenhamente defendidos pelo avô Pedro Nunes, tanto nos inventários de suas mulheres quanto no próprio testamento (SAESP 38º, neste site). Antonio casou primeiro com Maria Batista, falecida em 1639 (inventario SAESP 12º neste site). Casou segunda vez com Catharina de Sampaio, filha de Gonçalo Lopes. Foi morador no termo de Santana do Parnaiba onde redigiu seu testamento aberto aos 05-04-1643. Nele cita um tio de nome Belchior, provavelmente o irmão de sua mãe casado com uma índia da aldeia que era “da minha obrigação” e lhe prestou bons serviços. Um primo, Paulo Nunes lhe devia um colete. Pediu ao tio Jacome Nunes que fosse testamenteiro e curador de seu filho. Não teve filhos com a segunda mulher, porem teve da primeira:1a-1-1 Antonio Luiz Nunes. Em 1656 estava casado. 2n Jacome Nunes. Nascido por 1574, em 1649 declarou ter 75 anos no inventário de Domingos Fernandes Coxo, SAESP vol. 36º neste site. Filho natural, alfabetizado (conforme atesta sua assinatura Atas CVSP Ano 1612:Jacome seria filho natural, havido quando Pedro Nunes era solteiro ou viúvo e por isso herdou nos bens do pai juntamente com os filhos legitimos. Em 1643, no inventário do sobrinho Antonio Nunes, ele se escusou da curadoria do órfão declarando ter 10 a 12 filhos. Jacome casou com Helena Dias com quem teve ao menos q.d:2n-1 Izabel Rodrigues casada com Gaspar Dias Peres, inventariado em 1654 (SAESP vol. 47º, neste site). Em dezembro de 1655 Izabel estava casada com Manoel Machado de Azevedo, moradores em Santana do Parnaiba. Segundo o inventário de Gaspar, ele e Izabel foram pais de:2n-1-1 Gaspar Dias, o moço, que ficou fora do rol dos herdeiros “por estar cúmplice da morte de seu pai”2n-1-2 Jorge Dias Peres, já casado em março de 16592n-1-3 Ascença2n-1-4 Domingos2n-1-5 João Peres, em 1670 recebeu sua parte da herança paterna2n-1-7 Salvador2n-1-8 Izabel Rodrigues, já casada em abril de 1669 com Pedro Sardinha Nota: Teve Gaspar a filha Maria Martins que, já viúva em 1654, não quis entrar a colação. 2n-2 Paulo Nunes, assinou pela irmã no inventário supra. Provavelmente o que devia um colete ao primo Antonio Luiz Nunes.2n-3 João Nunes, nascido por 1635 (inventário de Gaspar Nunes Peres)2n-4 filha, casada antes de 1643 com João Fernandes (ou Rodrigues) Bragança (inventário de Domingos Fernandes Coxo e de Antonio Antunes vol. 38º, neste site);2n-5 filha, também casada antes de 1643 com Alvaro Dias Colares (idem)2n-6 Antonio Nunes, mencionado no testamento da irmã Maria.2n-7 Maria Nunes, casada com Izaac Dias Carneiro, nascido por 1604, filho de Belchior Carneiro e Hilaria Luiz (inventário paterno SAESP vol. 2º, neste site). Moradores em Parnahiba onde, no sitio do pai, ela ditou seu testamento aos 27-04-1643, pedindo para ser sepultada no convento de São Bento. Conforme seu inventario, SAESP neste site, foram seus filhos:2n-7-1- Helena Dias, nascida por 16302n-7-2- Maria Nunes, com onze anos em 1643, em setembro de 1647 já casada com Antonio Fernandes Pais.2n-7-3- Belquior Dias Carneiro, nascido 16332n-7-4- Antonio, por 16362n-7-5- Jacome, por 16372n-7-6- Andreza, por 16382n-7-7- Ana, por 16392n-7-8- um filho falecido depois da mãe, durante o inventário.Nota: Teve Izaac Dias Carneiro a filha Teresa Dias, legatária no inventário de Izabel de Barcelos (SAESP vol. 36º, neste site).fls. 225 - digo eu Izaque Dias Carnero que é verdade que passei esta citação por minha filha Taresa Dias de uma esmola que deixou Izabel de Barselos defunta no seu testamento uma rapariga por nome Asensa e assim recebera a dita esmola e eu como pai e curador passo esta a Gaspar Favacho para sua descarga por se passar na verdade passei este por mim assinado hoje 25-6-1649 Izaque Dias Carnero // 3n Baltazar Nunes, falecido com testamento redigido aos 29-05-1623, aberto aos 23-06 do mesmo ano. Bartolomeu Gonçalves o tinha por bastardo quando requereu ao juiz no inventário de Pedro Nunes “que não desse partilha a Baltazar Nunes porquanto não era herdeiro nesta fazenda por ser feito depois dele casado..” Mas no mesmo dia, André Gonçalves pediu ao juiz que desse procurador a Jacome Nunes e aos órfãos filhos de Baltazar Nunes por estarem ausentes. Baltazar faleceu pouco antes do pai e teve inventario de seus bens aberto aos 24-07-1623 na fazenda em que morava no Ipiranga, neste site, SAESP vol 6. Deixou a viúva Izabel Dias, que casou depois com Diogo de Fontes (S.L. 1º, 45, 3-11).Teve cinco filhos de seu casal e uma filha natural:3n-1 Pedro Nunes Dias, nascido por 1612 e falecido em 1647. Foi casado com Ana de Almeida (ou de Proença), filha natural de Francisco de Proença falecido em 1638 (SAESP vol. 11º, neste site), neta paterna de Antonio de Proença e Maria Castanho (SL. 4º, 384, 2-5).Segundo o inventário de Pedro, neste site, SAESP vol. 34º, foram pais de:3n-1-1 Francisco, nascido por volta de 16373n-1-2 Pedro, por 16393n-1-3 Baltazar Nunes, nascido por 1641, em 1632 assinou por sua mãe no inventario de Antonio de Almeida.3n-1-4 Inácio, por 16423n-1-5 Bastião, por 16443n-2 Maria Nunes, nascida por 1614. Casou primeiro com Antonio de Almeida falecido em 1636 (SAESP vol. 10º, neste site), Maria foi acusada de participação no assassinato do marido, juntamente com dois índios de sua administração. Provavelmente foi absolvida ou perdoada porque em 1642 estava livre e casada ha algum tempo com João Fernandes Camacho. Antonio e Maria tiveram:3n-2-1 Afonso, nascido por 16323n-2-2 Sebastiana, com cinco meses em 15-08-1636.3n-3 Madalena, nascida por 16163n-4 Lourenço, nascido por 16193n-5 Izabel, nascida por 16213n-6n Paula, filha natural perfilhada em testamento, que vivia em casa de André Fernandes, cunhado de Baltazar.
4a Inocência Nunes (ou Dias), filha bastarda de Pedro Nunes, aquinhoada pelo pai em testamento, já que não podia herdar no inventário. Casou com Manuel de Alvarenga, natural da Ilha da Madeira, falecido em 1639 com testamento redigido em Santana de Parnaíba na fazenda do Capitão André Fernandes, filho de Jorge de Alvarenga, natural de Lamego e de Maria Gomes, natural da Ilha da Madeira. Tinham terras em Pirapora, termo da vila de Santana de Parnaiba, vizinhas às de Jacome Nunes, obtidas por sesmaria dada por Álvaro Luiz do Valle aos 05-11-1625. Nesse ano Manoel e Inocencia já estavam casados. Segundo testamento de Manoel, neste site SAESP vol 14º, foram pais de:4a-1 Sebastiana4a-2 Jorge4a-3 Maria4a-4 Lázaro
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]