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Organizando a História

Séculos



Isabel Cristina Caetano Dessotti
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE VOTORANTIM: DO APITO DA FÁBRICA À SINETA DA ESCOLA*
ago. de 2007 ver ano



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FABRICA VOTORANTIMO Tribunal de Contas em sessão do dia 15, ordenou que fosse registrado odecreto concedendo á “Sociedade Anonyma Fabrica Votorantim”, isenção dedireitos e da taxa de expediente para o material adquirido no estrangeiro edestinado a electrificação da via férrea de Sorocaba a Votorantim.(CRUZEIRO DO SUL, 18 set 1921, p.2)

Em 4 de fevereiro de 1922 foi inaugurada a Estrada de Ferro Eletrificada de Votorantim, com a ampliação da bitola. O percurso entre Sorocaba e Votorantim ou vice-versa poderia ser vencido em exatos 9 minutos, o que antes era feito em 20minutos. A inauguração, como de costume, se revestiu de grande pompa e congregou os membros do partido republicano, se transformando numa festa republicana, contando inclusive com a presença do presidente do Estado Washington Luis quedesatou a fita inaugural.

A produção de tecidos da Fábrica Votorantim começou a ter sensível aumento apartir dos anos 20, o que corrobora a boa administração do imigrante português. Emestatística apresentada no início de 1924, a produção do ano anterior foi de 24.023.622metros em 296 dias trabalhados e na via férrea viajaram naquele ano 174.122 pessoas.(CRUZEIRO DO SUL, 14 fev 1924, p. 1) [Página 62 do pdf]habitantes, contava apenas com três escolas primárias para o sexo masculino e duas para o sexo feminino. Requeria imediatamente a criação de novas escolas, pois crescia o número de crianças sem instrução. Sustentava essa argumentação com dados estatísticos referentes à Sorocaba, a província de São Paulo e ao Império.

A Assemblea legislativa têm por vezes subido petições pedindo a creação de escolas em bairros d’este município, inclusive uma no Sarapuhy do Salto distante mais de 6 léguas d’esta cidade e outra na capella da Apparecida, onde existem numero superior a trinta meninos no caso de freqüentar escolas. Para este a assemblea depois de contínuos pedidos accedeu, porèm até hoje esta ella sem professor. O numero de menores livres de 6 á 15 annos de edade, segundo o recenseamento feito em 1872, subia a 2.630; destes só freqüentavam as escolas 469 ou 17,83%. Pelo já referido recenseamento, vê-se que a população d’este município era de 13.999 habitantes, sendo 3.456 escravos e 10.543 livres. D’estes receberam instrucção, inclusive aquelles que mal assignavam seus nomes 1.884 e jaziam na mais crassa ignorância 8.659 ou 82,13%.[...] (YPANEMA, 20 jul 1876, p. 1)

Prosseguia o editorial apontando esses mesmos dados com relação à província e ao Império. Da população livre da província de São Paulo não sabiam ler 79,25% e da população livre do Império, 77,63 % eram analfabetos. A instrução precária oferecida pelo governo sempre foi motivo de manifestação por parte da imprensa. Em 1877, o jornal “A Voz do Povo” de Sorocaba, chamava a atenção dos órgãos competentes sobre a necessidade de criação de mais uma escola feminina na cidade, que seria a terceira para esse sexo na cidade. Entre nós é uma amarga verdade que francamente dizemos, é a instrucção o ramo do serviço publico mais mal administrado [...] enquanto o governo não olhar para esta parte do serviço publico reformando o ensino e reorganizando-o de modo que a sociedade colha reaes e proveitosos resultados, que compensem a enorme quantia que despendem annualmente os cofres do estado com a sustentação de escolas publicas [...] A nosso ver dous são os meios de melhorar o ensino no nosso paiz; elevar o ordenado aos professores actuaes, e crear mais cadeiras.[...] não mais veremos um menino que freqüentou por espaço de annos uma aula publica sahir della sem saber cousa alguma. (A VOZ DO POVO, 1 dez 1877, p. 1) Durante o Império, a atuação dos governos da província de São Paulo, em relação a construções escolares, foi insignificante (SOUZA, 1998, p. 124). Até 1896, as escolas funcionavam em casas isoladamente. Esse costume, de se estabelecerem [p. 109]de Campos, um dos filhos de Juca Carro Velho, montou um armazém a meio caminho entre a parte de cima e a parte de baixo do Rio Acima, no ponto em que ficava o cruzamento da estrada de Piratuba com a estradinha entre as duas partes do bairro. Ali, no centro do Bairro do Rio Acima, abriu uma escola de alfabetização, onde passou a ensinar os filhos dos crentes protestantes e demais crianças das famílias locais. Essa teria sido a primeira escola primária do Rio Acima, e da futura Votorantim tendo funcionado por alguns anos. (VOTORANTIM-2000, 2000, p. 83) É provável que em condições precárias tenha havido algo semelhante a uma escola, mas por iniciativa de particulares. Mas, não se encontrou registro que comprove a existência de tal escola. O bairro Rio Acima, que pertencia a Sorocaba, situado um pouco distante do centro onde se desenvolveria o núcleo industrial de Votorantim, concentrava pequenos agricultores, lenhadores e dentre essas famílias algumas professavam a religião protestante, o que era bastante raro para a época. Sobre uma iniciativa popular de escola no Rio Acima, foi localizado um registro somente em 1919. Diversos moradores do bairro do Rio Acima têm projecto de construir um prédio destinado ao funccionamento de uma escola municipal e annexa a ella uma capella para os catholicos daquelle bairro, que é um dos mais populosos do município. Que esta feliz iniciativa encontre apoio merecido são nossos votos. (CRUZEIRO DO SUL, 26 jul 1919, p. 2) Por volta de 1895, com o crescimento da vila operária do Votorantim, surgiu a necessidade de criação de escolas, tanto para os operários adultos, como para os seus filhos. No mês de junho desse ano, o Inspetor Literário propõe ao Congresso do Estado a criação de várias cadeiras para Sorocaba, incluindo, uma feminina e uma masculina para a vila do Votorantim. Em outubro desse ano foi confirmada legalmente a criação de tais escolas. Já foram, pelo Presidente do Estado sanccionadas as Leis ns. 373 e 378 que crearam escolas para os diversos districtos litterarios. O nosso foi contemplado com as seguintes: sexo masculino, duas na cidade, uma no bairro da Terra Vermelha, uma no bairro da Apparecida e uma no bairro do Votorantim; sexo feminino, duas na cidade, uma no bairro do Funil, uma no bairro da Apparecida e uma no bairro do Votorantim.(O 15 DE NOVEMBRO, 2 out 1895, p.2) Em setembro de 1896, por meio de ofício, o inspetor literário solicitou ao [p. 112]sarampo, atingindo mais de 200 crianças, inclusive registrou óbitos. Novamente, os problemas de saúde pública afetaram o bom andamento das aulas. Em dezembro, realizaram-se os exames nas escolas da vila operária de Votorantim. A vila contava com uma escola feminina regida pela professora Maria Rodrigues Viana, uma escola mista regida pela professora Angelina Grohmann e uma masculina regida pelo professor José Odin de Arruda. Em julho de 1911, a professora Angelina Grohmann deixou a cadeira da escola mista do Votorantim para assumir o cargo de “substituta effectiva” do grupo escolar “Antonio Padilha”. Apesar de substituta, esse cargo exclusivo dos grupos escolares era mais vantajoso que a cadeira em escola isolada. Assumiu a cadeira no bairro do Votorantim a professora Adélia Esteves Molina removida da escola do Passa Três, no município de Sorocaba. A professora Adélia Esteves Molina permaneceu por muito tempo em Votorantim, fazendo parte do corpo docente do grupo escolar depois de sua criação em 1925. O professor José Odin de Arruda, da escola masculina de Votorantim, solicitou remoção para o bairro Aparecida. Sobre sua remoção foi publicado o que segue: A Secretaria do Interior, communicou á Secretaria da Fazenda, que o professor José Odin de Arruda, removido para o bairro Apparecida, neste município entregou os respectivos materiaes escolares, podendo portanto, receber seus vencimentos. (CRUZEIRO DO SUL, 19 nov 1911, p. 2) Com a remoção do professor Odin de Arruda, assumiu a escola masculina o professor Pedro Solano de Abreu. Em novembro do mesmo ano, o presidente do Estado Dr. Albuquerque Lins promulgou um decreto legislativo criando duas escolas preliminares em Votorantim, sendo uma masculina e outra feminina. Em fevereiro de 1912, por indicação do diretório político local, foram nomeados para reger a 2ª. escola masculina de Votorantim, o professor normalista primário Elias Lopes de Oliveira e para reger a 2ª. escola feminina, a professora Zenaide Lopes de Oliveira. Nesse ano, ao entrar em discussão na Câmara dos Deputados o projeto nº. 29 criando diversas escolas preliminares no Estado, fora apresentada a criação de uma [p. 127]





LUCIA01/08/2007
ANO:90
  


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