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Associação Paulista de Medicina
Revista Paulista de Medicina No. 7 - Suplemento Cultural

mencio ()

    1981
    Atualizado em 05/12/2025 05:24:47



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JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
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Afonso Farinha, em 1556, com seus parentes e moradores vicentinos Cipriano e Vicente de Góis, Pedro Colaço, Manuel Fernandes, Domingos Vaz e João Pires Gago, dedica-se ao tráfico de indígenas, indo até as terras do rio da Prata. [Página 10 do pdf]

e antigas greis, de São João d´EIRei,de Airuoca, de Baependi, de Machado,de Boa Esperança, de S. Tomás deAquino, de Três Corações e da gloriosaVila Rica; sangue e arrojo, labor e des-temor dos Vilela dos Reis, Couto Rosa,Pintos, Bernardes, Andrades, Montei-ros, Vicira Martins, e tantos mais, paranós numes tutelares de nossa mais fúl-gidas rememorações. Mas, com orgu-lho e ufania, posso lembrar-vos queme ligam a esta Jerusalém de meus so-nhos e anseios, a esta terra, multipla-mente estremecida, ancestrais chegadosainda antes das entradas, antes mesmodas visões de Independência, dos desa-fios de Felipe dos Santos e das afirma-ções de Claudio, Gonzaga, Alvarenga eSilva Xavier.

Preclaro Presidente, Eminentes Pares

Na luta contra a mourama, na gesta da Reconquista da Península Ibérica, umdia partiu O conde Enrique de Borgonha, e com ele o fidalgo asturiano, deestirpe visigótica, d. Anião Estrada, das terras de Oviedo, Bemenes e Covadonga, e tão bem se houve, por leal e intrépido, em porfias de destemor, que assentou-se para todo o sempre em terras de Portugal, com foros de homem de prol, a receber o esplendoroso Buçaco, já agora senhor de Penacova, Lorvão, da vila de Góis e da Farinha Podre. Seu neto Salvador Pires ficou para sempre no Campo do Ourique e seu bisneto Afonso Farinha, o primeiro de nosso nome, cavaleiro principal dos Hospitalários jaz debaixo do altar principal do Mosterio de Santa Cruz, na cidade conimbricense, no velho Aeminio; e honra insigne a ladeá-lo as tumbas santificadas de Afonso Henriques e Sancho I, o Povoador, raízes e frondes da gloriosa nacionalidade, que passou além da Taprobana, a fim de dilatar um império e afirmar a fé em Cristo.O sempre saudoso e precioso infor-mativo Francisco de Assis CarvalhoFranco, estudioso de Bandeirantes e Ser-tanistas, enumera alguns dos mais an-tigos de minha grei nesta Terra de San-ta Cruz, fundamentando-se inclusivenas fontes indiscutíveis de Fuente Ma-chain, o historiador do Prata, do Pa-raguai e dos conquistadores do NovoMundo.

Afonso Farinha, em 1556, com seus parentes e moradores vicentinos Cipriano e Vicente de Góis, Pedro Colaço, Manuel Fernandes, Domingos Vaz e João Pires Gago, dedica-se ao tráfico de indígenas, indo até as terras do rio da Prata. Francisco Pires Farinha, sertanista nas Minas Gerais, em 1767, foi nomeado capitão e cerador dos Índioscoropós e coroados, da raça purí, habitantes das zonas do rio Pomba. Eao citar, de passagem Manuel Farinha, Sertanista de São Paulo, que em 1565se encontrava no Paraguai, traficando indígenas, relembrou outro Manuel Pires Farinha, também sertanista em Minas Gerais, entrado em 1786 pelo sul do Guarapiranga, indo até os Coroados no rio Pomba, sempre a sertanejar, durante mais de vinte anos, nessa região.

Numa conclusão, julgada definitiva, dizia terem sido estes sertanistas os que,em saudade do penates e nostalgia do núcleo familiar, denominaram de Fari-nha Podre aos sertões até então indevassados, a relembrar para sempre avila de mesmo nome, donde vinham e eram nados.

Todos autores concordam que foi conhecida toda, a inteira zona do Triângulo Mineiro como Farinha Podre, a mesma denominação da Pátria desses penetradores, vila do Concelho de Penacova, Bispado de Coimbra, sita a 30 quilometros deste. S, Paio de Farinha Podre, freguezia situada, nos tempos de dantes, na Comarca e Concelho de Talma e que tinha como orago S. Paio, e após 1880, simplesmente a vila de Carvalho, naquelas serranias, junto a Louzã e fronteira à Serra da Estrela.

O douto historiador de Uberaba, Antonio Borges Sampaio, escreveu belas“Lendas dos Bandeirantes”, fundamentado em autores de nomeada (CapitãoManoel Rodrigues Cunha Matos, Vigário Antonio José da Silva, Pedro Gon-çalves da Silva, Cônego Herogeos Casimiro Araujo Bruons Wik), a afirmaremtodos “que os primeiros entrantes no Triângulo Mineiro enterravam provi-sões de boca e que no regresso encontravam-nas apodrecidas (vide RevistaArquivo Público Mineiro XIV, págs. 281 e outras).

O inclito historiador Waldemar de Almeida Barbosa em seu explendido “Dicionário Geográfico de Minas Gerais”, publicado em Belo Horizonte em 1971, entende que “o nome de Farinha Podre teve origem pela denominação dada por originários da Vila do mesmo nome em Portugal e que pelas bandeiras lá penetraram”,

E é por tudo isso, e muito mais, quepor Minas Gerais, de lés a lés, percor-ro seus caminhos, ufano, ledo, alegrecomo que no Olimpo, nos Eliseus, noCanaã pretendido. Penso que aindamais, por tal, amo e amarei Minas aci-ma de Todas as Cousas, como o tenhofeito com meu São Paulo, um dia tam-bém romanesco e belo.



Rio da Prata
São Vicente/SP
Scipião de Góes
Vicente de Goes
f.1580
Francisco Pires Farinha
n.1735
Henrique de Borgonha, conde de Portucale
João Pires, o gago
1500-1567
Manuel Fernandes Ramos
1525-1589
Associação Paulista de Medicina
Jerusalém/MUN
Afonso Sardinha, o Velho
1531-1616
Ordem de Cristo
Manuel Pires Farinho
Penacova/POR
Anião de Estrada
Afonso Pires Farinha
Gonçalo Dias de Góis
Sancho I de Portugal
Pedro Collaço Vilela
Uberaba/MG
Coimbra/POR
Jesus Cristo
f.33


EMERSON


01/01/1981
ANO:74
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]