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autor:30/12/2023 21:46:17
A Cidade, turismo.ibiuna.sp.gov.br

mencio ()

    2021
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  
  
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A origem do município de Una, atual Ibiúna, vem do tupi-guarani. Una é um vocábulo tupi-guarani que significa “negro”, “escuro”, “preto”, e que que significa “terra”. Assim sendo, Ibiúna na linguagem tupi-guarani, significa “terra preta”. O rio que banha a cidade “rio de Una”, é que lhe deu o nome primitivo de Una.Trata-se de uma corruptela do “Y Una”, que em tupi guarani significa Y – água e Uma – preta. Portanto, Y Una, significa água preta. Os mais antigos ao pronunciarem o nome anterior do município usam a expressão Yuna e apenas uma parte da população usava a pronúncia Una.Como existiam dois municípios com a mesma denominação de Una, sendo o nosso aqui no Estado de São Paulo e outro no Estado da Bahia, um teria que ter a sua denominação mudada ou alterada.Entretanto, o município baiano por ser mais antigo e considerado na época de maior valor histórico, herdou em definitivo a denominação de Una.Mas pelo decreto-lei estadual n° 14334 de 30 de novembro de 1944, o município paulista de Una passou a denominar-se Ibiúna.

Por volta de 1710 Manoel de Oliveira Carvalho, se instalou no vale de Una, nas terras de São Roque, Vila de Sorocaba, em uma sesmaria de terras que pertenciam a seu sogro Felipe Santiago, que as cultivava já há alguns anos.

Com a morte de Felipe Santiago neste mesmo ano de 1710 Manoel de Oliveira Carvalho requereu para si esta mesma sesmaria, cujas terras estavam sendo questionadas pêlos vizinhos ou supostos invasores.

Foi-lhe então outorgada pela Coroa Real a partir de 15 de julho de 1711 a carta de sesmaria de uma légua de terras em quadra, principiando no rio Sorócabussu do sudeste pela estrada de Sorocaba, até as águas de Francisco Duarte e Pedro Machado, com outra légua de sertão correndo pelo rio de Una, acima.

Foi ainda concedida a Manoel de Oliveira Carvalho em junho de 1713 a patente de Capitão da Ordenança da Freguesia de Cotia, em virtude do falecimento do Capitão Ignácio Soares.

Esta povoação de Una era então uma fazenda tocada a braços de escravos pertencentes ao abastado capitão Manoel de Oliveira Carvalho, denominada Sítio do Paiol. O capitão fez construir uma capela sob a invocação de Nossa Senhora das Dores de Una, nas terras de São Roque. Por volta de 1750, se instalava no vale de Una, nas terras do bairro Piratuba, Cocaes e Ressaca, a família do Dr. Helvidio Rosa, vindos de Sorocaba. Formaram naqueles terras uma importante fazenda com o trabalho de escravos, sendo que na sede havia loja de armarinhos, leiteria, selaria, venda e pernoites, tornando o local um ponto de parada destinado a tropeiros e viajantes. A prova desse assentamento é a de um crucifixo histórico, que consta pertencer aos antepassados de Helvidio Rosa e que foi encontrado em uma escavação de terras na feitura de um açude. Mais tarde estas terras já sob a denominação de Fazenda Velha dos Rosas, foi adquirida por João Cafezal Domingues e Benedito Domingues. Com a morte do capitão Manoel de Oliveira Carvalho, provavelmente em 1780, as terras e fazenda de propriedade do capitão passaram a pertencer por herança a seu filho Manoel de Oliveira Costa, que mandou erigir uma capela mais ampla, no mesmo local da capela primitiva, sob a mesma invocação de Nossa Senhora das Dores de Una, para os usos religiosos de sua família, escravos e agregados. Nas imediações da capela foram sendo construídas as primeiras casas de barrote e taipa. Em pouco tempo o local tornou-se parada obrigatória dos viajantes, mascates e os tropeiros que ascendiam seus fogos em redor do templo. A impressão que se tinha era a de um presépio permanente. E essa impressão viria-dar à Vila de Una o cognome de “A Cidade Presépio”. Mais tarde estas terras e fazenda passaram a posse do Capitão Salvador Leonardo Rolim de Oliveira, por ato de compra e venda, já denominada Fazenda Velha de Una.

Seus irmãos Bernardo Antunes Rolim de Oliveira e João Rolim de Oliveira, todos vindos de Sorocaba, também adquiriram glebas que iam da serra de São Francisco em sentido oposto, rumo a Sorocaba.

O capitão Salvador Leonardo Rolim de Oliveira ficou com a gleba já no atual centro do vilarejo de Una. Animado pelo bom espírito religioso do povo (escravos, agregados, viajantes e tropeiros), que careciam de apoio espiritual, requereu o Alvará Régio expedido em 29 de agosto de 1811 por Dom Matheus de Abreu Pereira por ordem do Príncipe Regente Dom Pedro I, que elevou o vale de Una à condição de Freguesia e Paróquia do Povoado, sob a égide de Nossa Senhora das Dores de Una. Q território foi formado com partes desanexadas das freguesias confinantes de Sorocaba, Cotia e Parnaíba nas terras de São Roque. A extensão territorial de Una ficou estimada em 1.093 km2. Em 11 de fevereiro de 1811 nascia no vilarejo de Una o seu primeiro filho ilustre - Jesuíno José Soares, que mais tarde passou a assinar Jesuíno José Soares de Arruda. Era filho do casal de portugueses Francisco António dos Santos e Brandina Soares, radicados em Una desde 1790 e que possuíam uma loja de armarinhos no bairro do Curral. Jesuíno era tropeiro de profissão e viria fundar em 1857 o próspero município de São Carlos, no interior do Estado de São Paulo. O bairro do Curral recebeu essa denominação por ser naqueles tempos um local muito apropriado para o descanso e pernoites de tropas e sua proximidade com a Vila de Una. Esse bairro serviu de parada e pouso para as tropas de Duque de Caxias, quando por aqui passava em suas sucessivas missões para sufocar rebeliões ou promover pacificação em Sorocaba e outras partes do Estado. Consta inclusive a passagem por Una, quando Caxias se dirigiu a Sorocaba para prender o Padre Diogo António Feijó. Por volta de 1850 o capitão António Vieira Branco, português de nascimento e brasileiro de coração, se instalou nas terras de Pirapora, depois denominada Colégio de Pirapora e mais tarde simplesmente Bairro do Colégio e nas terras do bairro Areia Vermelha, respectivamente. As terras foram doadas ao capitão António Vieira Branco, pelo imperador por ato de bravura e relevantes serviços prestados à coroa imperial.

Formou uma importante fazenda com trabalho escravo, instalou uma serraria e uma máquina de benefício de algodão inaugurada em 1857. Na fazenda eram fabricados vários tipos de ferramentas, tais como foice, machados, enxadas, martelos, serrotes, pregos e parafusos, além de ferramentas de uso agrícola. As terras do capitão Vieira Branco, veterinário, chegou a ser fazenda modelo no Brasil Império.A Era IndígenaTinha-se conhecimento que as terras do vale escuro de Una, no período de 1618, era habitada temporariamente por índios tupi-guarani, que deram origem ao nome primitivo de Una. O vale escuro era mais um caminho de fuga e um esconderijo para protegê-los de caçadores de índios para escravizá-los. Os índios usaram pouco essas terras para as suas paupérrimas plantações de milho e fumo e pouco se reproduziram nessa região. Mas abriram o primeiro caminho e deram os primeiros passos em direção ao Vale.A Imigração PortuguesaEm fins do século XVI e início do século XVII, foram chegando ao Vale de Una os primeiros imigrantes de origem portuguesa. Vieram atraídos pela abundância de madeira de lei e na esperança de encontrarem minérios e pedras preciosas. Fizeram-se representar nas pessoas de Felipe Santiago, Francisco Duarte, Pedro Machado, Ignácio Soares, Manoel de Oliveira Carvalho, Manoel de Oliveira Costa, Francisco António dos Santos, Helvidio Rosa, Salvador Leonardo Rolim de Oliveira, António Vieira Branco, João Cafezal Domingues, Benedito Domingues, Manoel Homem de Góes, Fortunato de Góes Pinto, António Coelho Ramalho, João Pereira, entre outros. Através desses primeiros habitantes efetivos, os portugueses e seus descendentes continuaram a se estabelecer nas terras de Una e posteriormente Ibiúna. De início as atividades se traduziam na extração da madeira de lei, a lenha, o carvão vegetal e o aproveitamento do pó de serra. Dedicavam-se também na extração do palmito, o mel de abelhas, além das culturas de fumo, milho e feijão. Investiam na criação de animais que forneciam o leite e seus derivados, a carne, a banha, ovos e os chamados animais de tração usados na prestação de serviços. Foram os portugueses os fundadores de Una e sua descendência participou de todas as atividades desenvolvidas no município, desde a economia informal, a prestação de serviços, as funções e atividades liberais, a agricultura, indústria e o comércio. A participação na política municipal aparece com grande performance.A Introdução do Negro Africano na Vila de UnaAtravés dos portugueses, foram introduzidos na Vila de Una os negros africanos, na condição de escravos. Os negros africanos e seus descendentes, muitos nascidos na própria vila, marcaram a passagem dessa imigração provocada e involuntária, através do trabalho forçado, mas que muito contribuíram para que Una continuasse a lenta caminhada em busca do progresso e o bem-estar do povo. Entretanto, terminada a época da escravidão no Brasil, pela lei áurea de 13 de maio de 1888, assinada pela Princesa Izabel, os negros africanos e seus descendentes não permaneceram na sua totalidade na Vila de Una, sendo considerada pequena na comunidade a presença dos descendentes negros. Entretanto é considerável a presença em Ibiúna dos mestiços.A Imigração ItalianaNos anos de 1890 e 1891 a Vila de Una recebia em suas terras os primeiros imigrantes italianos. Mais tarde descendentes de italianos também se fixavam em Una. Eles se fizeram representar pelas famílias Falei, Melanias, Nani, Pécci, Bastos, Bini, Coscarelli, Sandroni, Andreolii, Marcondes, Dal Fabro, Romano, Ferracini, Giancolli, Folena, Calvo, Casaburi, Cavalieri, Latarullo, Parente, Fanti, Marcicano, Duganieri, Albertim, Rabelo, Belo e outras posteriormente.



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Croqui do Peabiru na América do Sul
Data: 01/01/2012
Créditos/Fonte: Andressa Celli
Baseado em: Bond, 2011(mapa


ID: 6202



EMERSON


01/01/2021
ANO:216
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]