“Sorocaba deve lembrar-se de que não é mais a Sorocaba dostempos passados; deve bem considerar que, só no seu perímetro,agazalha actualmente talvez mais de dez mil almas, e que, alémdas muitas industrias que progridem e florescem no seu seio, osibilar da locomotiva que a visita diariamente, ha dezoito annos,lhe grita varias vezes ao dia: Avante!” (Diário de Sorocaba – 01/02/1893)I) Rumo à Manchester Paulista – urbanização e industrialização.Na sua edição do dia 5 de janeiro de 1905, o jornal O 15 de Novembro anunciava a inauguração dos trabalhos para a construção de uma grande usina hidroelétrica, junto à cachoeira do salto de Itupararanga. Tal obra seria executada pelaEmpresa Elétrica de Sorocaba, tendo à sua frente Bernardo Lichtenfels Júnior,um dos grandes capitalistas da cidade.1Dias depois o mesmo periódico relata com detalhes as festividades quecercaram o evento, em toda sua magnificência. A cerimônia também se constituiu numa homenagem ao superintendente da Estrada de Ferro Sorocabana,Alfredo Maia. Um nome muito festejado pela elite local, em função de ter revitalizado completamente a companhia, que se encontrava em sérias dificuldadesfinanceiras. A admiração se justificava, afinal a Sorocabana era uma peça vitalpara o sucesso da expansão industrial da cidade, assim como a construção dausina representaria a garantia para futuros investimentos. Então, nada maissalutar do que comemorar numa mesma solenidade o sucesso da Empresa Elétrica e da Sorocabana. Em meio a esse clima de festa e discursos exaltados,surge a comparação entre Sorocaba e a cidade inglesa de Manchester. A relaçãoé feita por ninguém menos do que o próprio Alfredo Maia, que, agradecendoos obséquios recebidos e num “improvisado e eloqüente discurso” sustentavaque dali a não pouco tempo Sorocaba se tornaria a Manchester brasileira.2Tal expressão foi rapidamente encampada pelas lideranças locais, fato decisivo [Página 3 do pdf]
sentações os vestígios, sejam de que tipo forem – discursivos, iconográficos,etc., – que indicam as práticas constitutivas de qualquer objetivação histórica.Estabelecer hipoteticamente uma relação entre séries de representações, construídas e trabalhadas enquanto tais, e as práticas que constituem o seu referenteexterno. (grifo nosso)”10.Uma hipótese a ser trabalhada é pensar a especificidade da história urbanade Sorocaba, num momento em que a cidade – pelo menos no que se refereaos grandes centros –, se problematiza, gerando novas demandas e necessidades. A questão, portanto, é verificar se para além das transformações porque passam as maiores cidades brasileiras (Rio de Janeiro e São Paulo, porexemplo), muitas dessas manifestações da modernidade da Belle Époque jápoderiam se fazer sentir em algumas cidades do interior.Sem dúvida aqueles anos iniciais do século XX foram auspiciosos para ocrescimento econômico da cidade. Com efeito, Sorocaba já se inseria num contexto de industrialização que se adensava desde a década de 1890, caracterizado pela instalação, em especial, de indústrias têxteis. Houve um certo refluxodurante os anos de 1897 e 1904, por conta de instabilidades no cenário internacional, bem como pela crise de superprodução do complexo exportador cafeeiro (significando a baixa nos preços do café), e da difícil situação financeirado Estado brasileiro. Contudo, a partir de 1905, o ritmo de crescimento éretomado.11 Mas, segundo matéria publicada na imprensa sorocabana no iníciode 1903, já no ano anterior o panorama começava a se modificar favoravelmente para a indústria nacional. Assim, em Sorocaba, reabriu-se uma antigae tradicional fábrica de chapéus, sob nova direção; uma nova fábrica de bebidasé inaugurada; a fábrica de tecidos Santa Maria retoma suas atividades, tendoinclusive encomendado novos equipamentos que já se encontravam no portode Santos. Além disso, o Banco União, proprietário da indústria de estampariae chitas Votorantim, firma contrato para a construção de um grande edifício, [Página 6 do pdf]
dante, em decorrência da imigração; e, além disso, com a Estrada de Ferro sesolucionaria as dificuldades de transporte, sem contar que a cidade já se encontrava localizada próxima às grandes praças comerciais, como São Paulo.No entanto, a trajetória para o advento de uma grande manufatura têxtil nacidade foi um tanto quanto tortuosa, ocorreram várias tentativas fracassadas aolongo da década de 1870, isso a despeito de se ter organizado, pelos mesmosdirigentes da Companhia Sorocabana, uma sociedade anônima denominada“Indústria Sorocabana”, visando justamente à criação de uma fábrica de tecidos.22Finalmente, em 1882, é fundada a fábrica têxtil Nossa Senhora da Ponte,por iniciativa de Manoel José da Fonseca, um iminente comerciante de tecidosda cidade. Tal fato se configura como um marco no processo de industrializaçãolocal, uma vez que propicia o incentivo para a instalação de novas fábricas.Trata-se, então, de averiguar no caso de Sorocaba, as relações entre odesenvolvimento urbano da cidade e seu processo de industrialização. Evidentemente não se pode traçar uma relação mecânica entre urbanização e industrialização no contexto brasileiro. Muitas cidades, como São Paulo, por exemplo, tiveram seu crescimento, num primeiro momento, pautado pelo capitalcomercial. Por outro lado, a cidade parece ser o espaço privilegiado para odesenvolvimento industrial, pelas suas condições estruturais e pela concentração de mão de obra, bem como por se constituir num mercado de consumoprivilegiado. Portanto, como escrevem Foot Hardman e Victor Leonardi, “sehistoricamente, as cidades preexistiam às indústrias, ocorreria que, a partir domomento em que o capital financeiro chegou a dominar todas as demais atividades econômicas, ele passou também a determinar toda expansão urbana,desde os aspectos econômicos até sócio-políticos e culturais.”23 [Página 11 do pdf]
do jornal, a algazarra das crianças, uma animada conversa entre italianos,lembrando a imigração e, finalmente, o barulho irritante dos carros de bois, comoum anacronismo naquele cenário. A narrativa é marcada por ambivalências,alguns ícones de modernização, como é o desejo das elites da cidade, e tambémdo cronista, interagindo com os arcaicos meios de transporte, “fantasmas”, quenem os mais recentes atos municipais conseguiam fazer desaparecer das ruas.A cidade efetivamente passa por transformações, mas tal processo é permeado pela forte permanência de paisagens, práticas e características que remetem aépocas passadas. No aspecto arquitetônico, por exemplo, ainda em meados dadécada de 1950, era possível encontrar na região central da cidade janelas derótulas, a despeito, como vimos, de sua proibição pelo código de 1914.44 É o casotambém dos antigos nomes das ruas, algumas delas possuíam denominaçõesdeliciosas, tais como rua da Boa Vista de Cima, rua de Baixo, rua da Bica, rua dosMorros, rua da Olaria, Beco do Inferno, Beco dos Prazeres. Muitos desses nomes,característicos dos tempos coloniais e imperiais, teimavam em persistir, já noperíodo republicano. Aspecto que irritava alguns jornalistas, os quais consideravamesses termos anacronismos de muito mau gosto. Como Oliveira Mesquita, jámencionado na crônica de Gêbê, que escreve em 1913: “Em Sorocaba, como emtodas as cidades, existem ruas cujos nomes são tão esquisitos quanto ridículos.”45Havia ainda certas regiões da cidade que eram conhecidas por expressõespitorescas, em razão de determinadas práticas que ali se realizavam. É o caso deum local conhecido como Pito Aceso, que era, na passagem do século XIX parao XX, um dos arrabaldes da cidade. Nesse lugar, à noite, os escravos tinham ocostume de sentar na soleira das casas para conversar e fumar seus cachimbos debarro. Conforme escreve o memorialista Antônio Francisco Gaspar, “como ali nãohavia lampiões nem luz elétrica, os pitos acesos das velhinhas e velhos de cor,com seus canudos cumpridos, conforme a usança dessa gente, pareciam vagalumesa divagarem na escuridão e foi por isso que esse trecho da atual Praça 9 de Julhoficou batizado com essa alcunha.”46.Essa imbricação entre temporalidades e ritmos é uma característica daurbe, como escreve o historiador Bernard Lepetit, “a cidade nunca é absolu [Página 19 do pdf]
fábricas de tecelagem. A malha urbana começa a se expandir para muito alémde seu histórico núcleo central, ultrapassando as linhas da Estrada de FerroSorocabana, rumo a até então quase totalmente desabitada região norte da cidade, surge, dessa forma, bairros povoados por operários que trabalhavam nasfábricas têxteis da região como Nossa Senhora da Ponte e Santo Antônio, estafundada em 1913, como nas oficinas da Sorocabana.
Não obstante, alguns autores têm apontado, com razão, uma estranha situação acerca da historiografia sorocabana. Em que pese à importância da industrialização para a história da cidade, o que é produzido sobre o tema fica confinado a perspectiva da burguesia local. Quer dizer, trata-se de uma história decaráter quase que exclusivamente apologético. E os operários? Estes pairamnum surpreendente esquecimento. Inclusive, há indícios de que a luta de classesresultante desse processo, desembocou numa autêntica luta de representações,pois além da expressão “Manchester Paulista” – aceita e divulgada de bomgrado pela burguesia local –, a cidade receberia ainda um outro cognome:“Moscou Paulista”.50 No entanto, as referências a esse último termo são muitovagas, não ficando claro a época em que surge – talvez ao longo da década de1920, muito menos se foi cunhado pelos trabalhadores sorocabanos ou pelaprópria burguesia, neste caso, evidentemente, com um sentido pejorativo. Portanto, se o processo de construção da imagem de cidade industrial está bemdocumentado, mas, talvez ainda não tão bem estudado como merece; a históriaoperária, por sua vez, é totalmente fragmentada, dispersa e, em seus momentosiniciais, que, paradoxalmente coincidem com o apogeu do primeiro ciclo industrial na cidade – ou seja, o primeiro quarto do século XX51, se encontra quasecompletamente esquecida.Nessa questão há ainda um complicador que se relaciona com as radicaistransformações ocorridas no âmbito da relação social capitalista, tão intensasquanto aquelas que se deram na virada do século XIX para o XX e que marcaram a chamada modernidade da Belle Époque. Tais modificações trariam a [Página 21 do pdf]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]