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Luís Castanho de Almeida
“Memória Histórica de Sorocaba”, parte VIII

mencio (3)

    1970
    Atualizado em 20/12/2025 07:22:15




JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt

CAPITULO VIII. A Sorocabana. Reduzem-se as feiras. Matadouros. Recensea-mento de 1872. Instrução pública. Maçonaria. Cadeia. Rosário. Dom Pedro II e o Conde D‘Eu. Gabinete de Leitura. Imprensa. Ilu-minação. Construções de alvenaria. Manuel Lopes de Oliveira e Francisco de Paula Oliveira e Abreu, pioneiros da indústria. Fábri-cas de chapéus. O Fonseca. Notas Sociais. Abolição. República.

Luís Mateus Mailasky, nascido de família nobre em Kassa, na Hungria, em 21 de agôsto de 1838, homem de cultura geral, emigrou, talvez por motivos políticos, chegando a Sorocaba em janeiro de 1866 e não um ano antes, como já escrevemos. E já em setembro, êle que segundo a tradição fôra hóspede do Mosteiro de São Bento por gentileza de frei Baraúna, tem dinheiro para emprestar aos lavradores de algodão para a safra de 1867, comprar aos beneficiadores os fardos de 1866 e enviá-los a Santos (em tropa até São Paulo) e crédito para encomendar máquinas na América e na Europa, mediante comissão, e também "recebe encomendas de molhados para o Rio de Janeiro". Assim anunciava no Araçoiaba. Era comerciante atacadista à rua da Penha, 156, nos baixos do sobrado do chefe conservador Joaquim José de Andrade, com cuja filha, dona Ana Franco, veiu a casar-se em 9 de abril do ano seguinte . Chegou, viu e venceu. Acho que tirou dinheiro a juros do próprio Andrade, de Roberto Dias Batista, cuja máquina consertou e dos Lopes. [p.345]

Foi o homem que Sorocaba precisava, homem de horizontes largos. Penso que era adepto do liberalismo econômico mais avançado, que fêz a riqueza da Inglaterra vitoriana. Casando-se, passou a residir no sobradão da rua da Cadeia, derrubado há pouco tempo, como um homem rico. Seu nome encheu uma época e uma região. Naturalmente teve inimigos, fruto da inveja. Acaso o nobre húngaro enriquecido surgia nele autoritário quando não o ouviam, pois João Lacerda contava a Antônio Francisco Gaspar que as discussões da Diretoria da Sorocabana eram tumultuosas. O normal, porém, seria a amabilidade profissional do comerciante, pois obteve quanto quís, empobrecendo indiretamente muitos sorocabanos para o bem de São Paulo e do Brasil, porque as ações da Sorocabana, de 200 mil réis, chegaram a perder todo o valor.

Em vez de exportar algodão para as fábricas inglêsas, resolveu tecê-lo aqui. Fundou uma companhia por ações para uma fábrica de tecidos, comprou o terreno, foi buscar em Campos o maquinário e o mestre, Joaquim Pereira Guimarães, português. Havia escrito o primeiro artigo sôbre a fábrica em fevereiro de 1867, antes de receber o primeiro algodão em caroço dos lavradores. Em 1868, era banqueiro, pois no anúncio do negócio, também a varejo, inclui "saca sôbre as praças de Santos e do Rio de Janeiro, à vista e a 30 dias".

A fábrica foi principiada em 1868-1869 e não passou de um barracão provisório. Falam em máquinas estragando-se ao ar livre. Fracasso. A safra de 1870 não foi boa e os preços em vez de subir, baixaram, decerto por causa da concorrência de outras zonas. Os acionistas prejudicados, entre os quais, os Lopes, nem assim perderam a confiança no estrangeiro naturalizado.

Quando foi fundada a Companhia Ituana os sorocabanos, con-vidados para comprarem ações, não puderam convencer aquêles ri-cos fazendeiros da cana e do café a extender os trilhos mais cinco léguas, de Itú a Sorocaba. Mailasky estava presente à reunião e con-venceu os companheiros a retirarem-se . A lenda é mais bonita sem-pre do que a história. Gaspar ouviu contar que na frente da matriz, após a missa domingueira, interpelado com que dinheiro faria a estrada — já agora do Ipanema a São Paulo, e não mais de Sorocaba a Itú, muito mais fácil, respondeu, tirando do bolso uma moeda: "com êstes quatrocentos réis". Quer dizer que contava com o crédito e a propaganda. Sabia que nesses campos do sul cheios de serenidade e barba de bode, não tiraria muito dinheiro . O Banco Alemão, do Rio de Janeiro o ajudou.

Era mais aceito no Rio de Janeiro cosmopolita do que no São Paulo provinciano . Bem entendido, não desejava dar prejuízo a nin-guém. Queria criar a riqueza, a começar do já existente algodão e o[p.346]

ro para os estribos, etc . Enfim, surgiu a fábrica Dias da Silva . Aos20 e 30 ourives da prata só lhes sucederam os relojoeiros da rua dr. .Braguinha vendendo jóias, e um ou outro ourives do ouro. O último ourives da feira foi Bento de Barros Lima, morador na rua Nova, perto da rua da Margem.

O matadouro, que ficaria bem perto da estação, em 1874 começou a ser mudado para o outro lado do rio, atual rua Pedro JoséSenger que então principiava, partindo da rua São Paulo. Seria construído um rancho provisório na frente ao aterrado do Lava-Pés, como córrego dêste nome passando pelo meio . Essa foi a resolução, porém depois tiraram diretamente um rego de água do Tanque do Buava, do mesmo córrego, e que ficava mais abaixo da atual piscinaQuinzinho de Barros. Só em 1881 foi derrubado o matadouro velho,onde quizeram fazer um mercado, mas não foi possível, resolvendo-seacrescentar o que já servia no largo Santo Antônio.

As praças começaram a ser arborizadas por obséquio de vereadores prestadios, que recebiam as mudas e cercas compradas pelaCâmara. Chegou a ser cercada tôda a atual praça Fajardo, que aindaconserva mangueiras antigas. Da praça Ferreira Braga restou até apouco um coqueiro solitário. A da matriz não foi arborizada, porservir ainda para divertimentos como circos, fogos de artifícios, paradas da Guarda Nacional, etc .A praça frei Baraúna com as ruas Cesário Mota e Artur Martins, foi iniciadas em 1864 em terreno de São Bento. As cavalhadaspassaram a ser naquele logradouro. Acabaram com o cemitério deSão Bento, que em 1863 ainda servira para cadaveres de bexiguentos,mas deixaram uma pracinha e nela uma capelinha onde se faziamfestinhas de Santa Cruz e São João, sem o clero . A que puxava oterço era uma liberta que, no seu tempo de escrava, cortou com aenxada a cabeça de um branco que lhe fizera proposta desonesta .Foi a juri, recebeu poucos anos de prisão, que cumpriu na cadeianova que foi inaugurada em 1863. Mas os jurados, pelo costume dotempo, juntaram a pena diária dos açoites. Era ao anoitecer. Todos fugiam das proximidades da cadeia ao ouvirem os gritos da infeliz açoitada junto às grades . Frei Paulo e Eugênio Pilar, entre outros, me transmitiram esta notícia digna de um drama. Os jornaismencionam as festinhas .Exatamente em 1874, como publicou frei João, foi construidaoutra capelinha de Santa Cruz, "no bairro de Árvore Grande", A ár- [Página 348]

Dona Gertrudes de Almeida Pilar, mãe de Ubaldino do Amaral, tinha um internato para meninas do Paraná, que vinham da Lapa a cavalo, na rua da Penha. Saiu cêrca de 1875 para Piracicaba, onde faleceu seu espôso Francisco das Chagas do Amaral Fontoura e veiu morrer na capital de São Paulo em 1886. Conhecemos-lhe uma aluna, dona Sofia Wirmond. Não havia carteiras, servindo a mesa grande da sala de jantar. [p. 351]

A imagem de São Jorge acamponhava a Câmara em procissãodesde 1818 e morava numa das salas . O cavalo branco em que afaziam montar também era da Câmara e tinha vida folgada no capinzal das ruas — "Lá vai o cavalinho de São Jorge!" — exclamou umavez o menino Francisco Pacheco, vindo da escola do padre Lessaem 1886. Hoje, mais que octogenário, ainda se lembra do episódio.Depois de 1889, a Câmara (Igreja separada do Estado) não acompanhava mais a imagem na procissão de Corpus Christi mas deixouos devotos visitarem-na em sua sala, naquele dia. E a Câmara virava igreja .. . Até que em 1906 um intendente a enviou à capela-deSanta Cruz . Os arreios de São Jorge estão no Museu Sorocabano .A sua espada com uma inscrição patriota foi roubada depois de 1940.O Conde d´Eu, visitando Sorocaba, em 1874, achou muito bonito o prédio da Câmara e Cadeia. Ora, veja só! [p. 354]

Em 9 de novembro de 1886 passaram ainda para o Ipanema osaugustos imperantes . Almoçaram numa sala da estação . Depois tomaram um carro e seguidos de outros (havia muitos carros particulares) foram visitar, corre-correndo: matriz, câmara e cadeia, Gabinete,as 2 cadeiras masculinas e femininas, mercado, hospital, fábricasAdams e Fonseca .O conde d´Eu veiu sózinho em 1874, fazendo a viagem a cavalodesde as pontas dos trilhos, Júlio Ribeiro foi visitá-lo, levando a homenagem da pena à espada, segundo o seu jornal. Depois passoupor Sorocaba com a Princeza Isabel e tôda a família para o Ipanema,onde Bento José Ribeiro lhes forneceu troles e cavalos, inclusive aCamurça que a Princesa cavalgou por êsses campos .Deste 1872 vinham muito os presidentes da Província . O último,foi Rodrigues Alves, em 1889. [p. 356]

O curioso Francisco de Paula Oliveira e Abreu fêz uma planta para o mercado em 1881. O pedreiro que executou essa ou outra planta até 1884 chamava-se Antônio Tomaz de Souza. O prédio particular de sobrado, de Eduardo Antero da Cunha, em estilo de chalé, à rua Penha (depois foi um pastifício) é dessa época. Em 1881 se construiu o prédio da fábrica de tecidos Fonseca, sem revestimento.

Manuel Lopes de Oliveira tinha loja no largo do Rosário e uma chácara principiando da rua Ruy Barbosa e limitada mais ou menos, pela rua atual Nogueira Padilha até meia légua com o capitão Chico seu sogro, é pela rua Assis Machado e vila Barcelona atual, com o seu cunhado capitão Francisco de Assis Machado, e pela atual rua Newtom Prado, com Francisco de Paula Oliveira e Abreu. Era a Chácara Amarela. O jornal paulistano Ipiranga de agôsto de 1852, documenta perfeitamente a chegada das máquinas e teares mecânicos, os primeiros da Província. O jornal local O Americano, mais tarde, e o ofício da Câmara ao Govêrno em 1856 confirmam completamente que Manuel Lopes fiou e teceu mecânicamente, o primeiro da Província, embora os cinco teares tivessem parado logo por ignorância ou boicote dos operários escravos. [p. 360]

O locomóvel foi aproveitado para o benefício também na éra do algodão herbáceo .Os teares continuavam, mas rendia mais exportar o algodão .Francisco de Paula e Oliveira e Abreu, desde 1848 plantou amoreiras e trouxe o bicho da sêda de São Paulo, e, como era muitocurioso, construiu por si os aparelhos manuais de fiação, como consta do precioso livro que êle mesmo compôs e do relatório do presidente Nabuco . Pela tradição consta que chegou a tecer uma echarpe .Há pouco foi derrubada sua casa de taipa, já vendida em 1865. Oporão alto era para a criação do bicho . Uma vizinha lembrava-se dosrestos das amoreiras. Outros nos contaram que em sua loja da ruaBrigadeiro Tobias esquina das Flôres, êle que era muito ativo (depois de fechar também a tipografia cobria botões com linha e talvez a sêda de seus sonhos, e levou a alcunha de Chico Botão .Era irmão do cônego José Norberto cuja Arte poética imprimiapessoal e fraternalmente, e primo de Abreu Medeiros .Antônio Rogick nasceu em Budapest em 1821. Embarcou para o Brasil em Hamburgo no navio à vela "Josefina". Chegou a Sorocaba para exercer o ofício de chapeleiro, já casado, em 7 de junhode 1844. (Livro de Estrangeiros, da Prefeitura) .Os cronistas tem dado o ano de 1852 para o início da sua Fábrica de Chapéus, mas é engano . Vimos no cartório Pedro Coelho(e publicamos no Estado) a escritura de sociedade que êle fez comRazzl, a qual data de 1848.José Rogick era seu sobrinho.Segundo um ancião muito digno, a primeira fábrica era na esquina da rua da Margem (Leopoldo Machado) com a "15 de Novembro", à esquerda de quem sobe .Em seus apontamentos dona Ana Nayá refere que aí talvez depois da mudança da fábrica, se reuniam os alemães para tomar a cerveja e comer os seus presuntos, dando à trela, matando saudades,abancando-se a uma mesa comprida .Rogick e Razzl atrairam a Sorocaba muitos chapeleiros alemães.Segundo escreve Antônio Francisco Gaspar (Sorocaba de Outrora) o Simão Razzl teria iniciado a fábrica mesmo em 1841, maso honesto e incansável pesquisador baseou-se numa informação oralde 1950, num informante que não viu a coisa e podia ter-se enganado, uma vez que esta data era fornecida de memória . O informantedisse-lhe que Pedro José Senger e João Knippel eram oficiais dessafábrica. Ora, Eduardo Senger guardava a alavanca que quebrou ahomoplata (trabalhando de pedreiro na ponte) a seu avô Senger, e

[p. 361]

Em 1886 Antônio Razzl, filho de Wenceslau, inaugurou sualoja de chapéus numa casa cuja bandeira de ferro tinha as letrasF . A . M., à rua das Flôres, esquina da rua dr . Braguinha. O ricoAssis Machado, falecido havia pouco, aí fizera belas festas, foi depois a Padaria Alemã e, hoje, arranha-céu. [p. 362]

Em 1886, inaugurou-se o primeiro encanamento de água, comtrês chafarizes: praças da Matriz, do Rosário e Santo Antônio, coma água bombeada (bomba hidráulica) do córrego da atual Vila Carvalho e caixa de água com filtro atrás da Matriz. Louvores mereceuo vereador cel . Manuel Nogueira Padilha e os industriais da Sorocabana Speers e Oetterer. [p. 363]



Sorocaba/SP
Araçoiaba da Serra/SP
Dinheiro$
Itu/SP
Matadouros
Luiz Matheus Maylasky
1838-1906
Luís Castanho de Almeida
66 anos
Gertrudes Palmeiro de Andrade Pilar
1817-1886
Algodão
Anna Franco de Andrade
Antônio Francisco Gaspar
79 anos
Bancos
Francisco Xavier Paes de Barros (Capitão Chico)
1795-1875
Francisco de Paula Oliveira Abreu
n.1810
George Godofredo Oetterer
n.1841
João de Oliveira Lacerda
Manoel Lopes de Oliveira
1818-1867
Manoel Lopes Monteiro de Oliveira
Roberto Dias Baptista
1811-1885
Frank Speers
1858-1929
Francisco de Assis Machado


EMERSON


01/01/1970
ANO:94
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Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]