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autor:22/10/2023 10:14:31
Maçonaria e Educação. Contribuições para o ideário republicano. Fernando da Silva Magalhães. Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro de Educação e Humanidades Faculdade de Educação

mencio ()

    2013
    Atualizado em 24/10/2025 03:21:08
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JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt

Império, desenvolvendo sempre uma linha de pensamento baseada no ideáriomaçônico mais revolucionário, fortemente marcado pelo pensamento iluminista e oideário da Revolução Francesa. Ideário esse, caracterizado àquele momentohistórico por uma atitude fortemente anticlerical, líder que era da campanha contra oultramontanismo, corrente de pensamento católico radical e conservador doVaticano. Fraternalmente, Saldanha Marinho hospedou o jovem até poderencaminhá-lo a uma república estudantil. Este apoio e consideração, característicosdo comportamento maçônico, marcou o jovem Ruy. Com toda esta rede de acolhimento, não é surpresa que em julho de 1869,aos vinte anos, Ruy Barbosa seja iniciado Maçom na Loja América, influente oficinamaçônica da capital paulista. Já no ano seguinte, apresenta em sessão maçônica,um projeto de lei relativo à emancipação dos escravos que viria a ser encaminhadoimediatamente como propositura lei maçônica ao Grande Oriente do Brasil ao Valedos Beneditinos. O pesquisador José Castellani (1989) assim resume a fugaz, masmarcante atuação maçônica de Ruy Barbosa:

Ruy Barbosa foi iniciado maçom na Loja América, a 1º. de julho de 1869. A Loja era ainda incipiente, pois fora fundada a 9 de novembro de 1868 e seria regularizada apenas a 7 de julho de 1869. Mesmo assim, possuía em seu quadro, homens que já eram, ou seriam, notáveis na História do Brasil imperial e republicano, como: Joaquim Nabuco, que fora iniciado a 1º. de dezembro de 1868, Américo de Campos, Américo Brasiliense, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (o 2°), Ubaldino do Amaral, Luís Gama e outros. A América era, ao lado das Lojas Piratininga (fundada a 28 de agosto de 1850) e Amizade (fundada a 13 de maio de 1832), o grande celeiro de homens ilustres, geralmente captados na Academia de Direito. Rui, no quadro da Loja, referente a 1870, tinha o nº 101 e constava como tendo 22 anos, sendo solteiro e estudante. Na realidade, como esse quadro era feito no início do ano, Rui, nascido a 5 de novembro de 1849, tinha apenas 20 anos, o que leva a crer que tenha sido alterada a sua idade, para mais, para permitir a sua iniciação com idade menor do que a regulamentar. Isso era muito comum, na época, e também ocorreu, por exemplo, com Nabuco e com Quintino Bocayúva, iniciado na Loja Piratininga. (CASTELLANI, 1989).

O relacionamento de Ruy Barbosa com os demais componentes da LojaAmérica, apesar de cordial e fraterno, como costumeiramente se dá entre maçons,não foi isento de atritos; sua inteligência logo causou desequilíbrios nas atividadesdo grupo. A questão é de interesse aos que se dedicam à Educação e ao magistério,pois denota a dificuldade de adaptação social que o indivíduo dotado de inteligência acima da média, frequentemente, encontra na sociedade. Efetivamente, e até osdias atuais, a sociedade brasileira ainda não conseguiu equacionar o problemarelativo ao tratamento a ser dado ao superdotado intelectual.

Exemplo deste tipo de situação foi o ocorrido entre Ruy, recém-ingresso naLoja América e seu venerável-mestre, presidente daquela oficina, além de seuprofessor na faculdade. Castellani afirma que:

Antônio Carlos, sobrinho de José Bonifácio de Andrada e Silva, Venerável Mestre da Loja América, era lente da Faculdade de Direito e Rui, seu aluno. Apesar disso, este, assumindo o cargo de Orador da Loja, entrava, muitas vezes, em choque com aopinião do mestre, principalmente em torno do movimento pela abolição da escravatura no Brasil, expondo suas idéias e fundamentando a sua discordância, com absoluto destemor, apesar de se expor a represálias no âmbito da Faculdade.

Felizmente, Antônio Carlos era um homem de grande equilíbrio e descortino e entendeu as razões do seu aluno, jamais levando assuntos de Loja para outros locais. Ruy pouco permaneceu na América e na maçonaria, pois, bacharelado em 1870, voltou à Bahia.

Mas teve tempo de apresentar, em Loja, o seu famoso projeto de 4 de abril de 1870, onde apresenta medidas abolicionistas, ou, melhor dizendo, emancipacionistas, para a Loja e para todo o seu círculo maçônico. O projeto, aoqual, curiosamente, falta o art. 4º, encontra-se, hoje, na Casa de Ruy Barbosa.

O círculo maçônico referido era resultado de uma dissidência do Grande Oriente do Brasil, liderada por Joaquim Saldanha Marinho. Conhecido como Grande Oriente do Brasil da Rua dos Beneditinos, para diferenciá-lo do original, que funcionava na Rua do Lavradio, 97. Esse círculo maçônico durou até 1883, quando foi incorporado ao Grande Oriente do Brasil, passando, a Loja América, a ter o número 189. É por isso que, na época, enviado o projeto ao Grande Oriente dos Beneditinos, ele não foi levado avante, já que, preocupado em manter a sua Obediência maçônica dissidente, Saldanha Marinho não lhe deu destaque. O que foi lamentável. Embora nunca mais tenha voltado à atividade maçônica, Ruy sempre se referia à maçonaria com carinho e admiração, mesmo admitindo que se tornou maçom “por acaso”, porque muitos dos seus colegas eram maçons. (CASTELLANI, 1989).

A título de conhecimento do modus operandi de atuação e do pensamento dosmaçons da época, apresenta-se de forma resumida o Projeto de Lei Maçônico deRuy Barbosa que, nas suas entrelinhas, observa a incorporação do ideáriopedagógico maçônico, expresso na atenção ao acesso da educação para osdesvalidos, marca principal da pedagogia maçônica. Já no Art. 1º, a par da suaproposta de emancipação, é enfatizada a educação popular com o status de “grandeidéia nacional” da qual depende, essencialmente, “o futuro da nação”:A Loja América apresenta à sábia consideração do Grande Oriente Brasileiro doVale dos Beneditinos o seguinte projeto, requerendo sua conversão em lei geral eobrigatória para toda a Maçonaria estabelecida no país.Art. 1º - Sendo verdade inconcussa que a emancipação do elemento servil e aeducação popular são hoje as duas grandes idéias que agitam o espírito público ede que depende essencialmente o futuro da nação, a Maçonaria brasileira declarase solenemente a manter e propagar esses dois princípios, não só pelos recursosintelectuais da imprensa, da tribuna e do ensino, como também por todos os meiosmateriais atinentes a apressar a realização dessas idéias entre nós.

Art. 2º - Todas as Lojas Maçônicas instituídas no país, tanto as já existentes comoas porvindouras, não poderão alcançar nem continuar a merecer o título e os direitosde oficinas regulares e legítimas sem que adotem pelo mesmo modo desses doisprincípios sociais, comprometendo-se a trabalhar por eles com eficácia etenacidade.Art. 3º - Todas as Lojas Maçônicas sujeitas ao Grande Oriente Brasileiro, assimpresentes como futuras, ficam obrigadas a abrir no orçamento de suas despesasuma verba especial reservada ao alforriamento de crianças escravas.§ 1º - Esta verba será proporcional à soma total da receita de cada Loja, de maneiraque seja sempre um quinto da receita total.§ 2º - Este termo proporcional será aplicado invariavelmente a todas as Lojas.Art. 4º - Ficam também obrigadas todas as oficinas brasileiras a empregar todos osesforços possíveis dentro da esfera de seus recursos pecuniários, a fim de divulgarativamente a educação popular, criando nos seus competentes vales escolasgratuitas de ensino primário, já noturnas ou domingueiras para adultos de todas asclasses, já diurnas para crianças de um e outro sexo.Art. 5º - Nenhum indivíduo poderá mais obter o título e os privilégios de legítimomaçom sem que, primeiramente, antes de receber a iniciação, declare livres todasas crianças do sexo feminino que daí em diante lhe possam provir escrava sua.§ Único - Esta declaração será escrita e assinada pelo respectivo neófito e portestemunhas idôneas, escolhidas dentre maçons presentes, em número bastantepara que venha a produzir todos os efeitos legais.Art. 6º - Todos aqueles que já se acham iniciados em qualquer Oficina Maçônica doBrasil ficam igualmente obrigados, logo que for promulgada esta lei, a lavrar umcompromisso em que declare livres todas as crianças do sexo feminino, filhas deescrava sua, que possam vir à luz desse momento em diante.§ Único - Esta declaração será escrita e assinada pelo respectivo in apenso e portestemunhas idôneas, em número suficiente, a fim de que possa produzir todas asconseqüências legais.Art. 7º - Para estas declarações de liberdade haverá em cada Oficina um livroparticular, numerado e rubricado pelos Delegados do Grande Oriente, ou em faltadeles, pelo Venerável da Loja.§ 1º - As declarações serão feitas por cada Maçom de per si, não se admitindo,nunca, que mais de um indivíduo subscreva o mesmo compromisso.§ 2º - Cada declaração individual será lavrada em uma das folhas do respectivo livro.Art. 8º - Se qualquer indivíduo recusar-se a fazer a declaração referida nos arts. 5º e6º, se ainda não for Maçom não poderá nunca ser iniciado, e se já for o ficará ipsofacto coberto por toda a Maçonaria Brasileira, sendo a respectiva Loja obrigada acomunicar esta ocorrência ao Grande Oriente e às Oficinas mais próximas ouàquelas que forem situadas em qualquer lugar para onde tenha de seguir o maçomsuspenso.§ Único - Esta suspensão será levantada logo que o indivíduo, comparecendo nasua antiga Oficina, lavrar e subscrever o compromisso mencionado.Art. 9º - Se qualquer Maçom, apesar de ter escrito e assinado a declaração indicadanos arts. 5º e 6º, continuar a criar e manter ilegalmente na escravidão as crianças,que tenha dado liberdade pelo seu compromisso, fica a respectiva Loja obrigada aparticipar logo e logo este delito ao Grande Oriente, o qual, tanto que receber estacomunicação, declarará o delinqüente excluído do Grêmio da Maçonaria Brasileira,como desobediente aos decretos do Grande Oriente, ficando privado de todos ostítulos, direitos, privilégios e dignidades que possuir.Art. 10 - No caso figurado pelo artigo antecedente, cumpre à respectiva Oficinaescolher, sem demora, pessoa competente, que processe o criminoso perante ostribunais civis, servindo-se do compromisso por ele escrito e assinado, a fim de obtera sentença de liberdade em favor das crianças mantidas em injusto cativeiro.Art. 11 - A Loja Maçônica que não satisfizer, rigorosamente, as obrigaçõesdeterminadas nos artigos precedentes será, pela primeira vez, repreendida eintimada para cumpri-las e se resistir ficará suspensa como refratária às leis doGrande Oriente Brasileiro.Art. 12 - Todas estas disposições, cuja aplicação à Maçonaria Brasileira dependeainda de resolução do Grande Oriente, começam a vigorar desde hoje como leipositiva no seio da Loja América. São Paulo, 04 de abril de 1870 - Ruy Barbosa(CASTELLANI, CARVALHO, 2009, p.124-125). [Páginas 90, 91 e 92]



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Ruy Barbosa*
Data: 01/01/1890
Créditos/Fonte: Correio da Manhã
Em sua biblioteca((**)


ID: 3609



EMERSON


01/01/2013
ANO:160
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]