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Guia Geográfico de Salvador “Lenda, Capela, Cruzeiro, Pegadas e Procissão de São Tomé” (2015) Jonildo Bacelar

mencio ()

    2015
    Atualizado em 02/12/2025 23:37:53



Fontes (0)


JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt

São Tomé teria estado na Bahia e deixado suas pegadas em pedras, de acordo com entendimentos de lendas indígenas relativas a uma divindade branca, que chamavam de Zomé. Em 1549, poucos dias após chegar na Bahia, Manoel da Nóbrega ouviu a lenda de "pessoa fidedigna".A lenda de Zomé (ou Sumé e outras grafias) tem provavelmente base em relatos dos primeiros europeus no Brasil. Em Salvador, a lenda existiu em dois lugares distintos: São Tomé de Paripe e Itapuã.Na Praia de Piatã existe, hoje, um antigo cruzeiro que marca a tradição ao culto de São Tomé, em Salvador, provavelmente construído antes de 1916 e fazia conjunto com uma antiga e rústica ermida dedicada a São Tomé. A tradicional Festa de São Tomé ocorre de 20 a 21 de dezembro.São Tomé pregou na Ásia e morreu na Índia. No início do século 16, a América ainda era considerada, por muitos, como sendo parte das Índias, na Ásia. Tempos depois, passou a ser chamada, por alguns, de Índias Ocidentais. Lendas de S. Tomé existem em várias partes da América. Outras histórias de pegadas de São Tomé existem, por exemplo, em Malayattoor, na Índia, e no Pico de Adão, em Sri Lanka.

No Brasil, referências dos índios a São Tomé aparecem desde 1515, na Nova Gazeta da Terra do Brasil (Newen Zeytung auss Presillg Landt), bem como em várias cartas jesuíticas, nas obras de Frei Vicente do Salvador e de Simão de Vasconcellos, além de vários outros autores.

Em 15 de abril de 1549, Nóbrega escreveu, da Bahia, ao Padre Simão Rodrigues, o Superior Provincial da Companhia de Jesus, em Portugal. Nóbrega relatou que já existiam clérigos na Bahia e que as raízes (provavelmente mandioca), com as quais se faziam pães, foram trazidas por São Tomé, conforme a tradição local. Nóbrega ainda escreveu: "Estão daqui perto humas pisadas figuradas em huma rocha, que todos dizem serem suas. Como tevermos mais vagar, avemo-las de ir ver".

Em 10 de agosto, Nóbrega escreveu ao Padre Azpilcueta Navarro, em Coimbra. Após uma referência à uma versão tupinambá do Dilúvio, Nóbrega relatou: "Têm notícia igualmente de S. Thomé e de um seu companheiro e mostram certos vestígios em uma rocha, que dizem ser deles, [...] Dele contam que lhes dera os alimentos que ainda hoje usam [...] não obstante dizem mal de seu companheiro..."

Ainda em agosto de 1549, Nóbrega escreveu aos padres de Portugal, relatando a lenda de Zomé (ou Somé, ou Sumé. Não se sabe como Nóbrega escreveu, pois essa carta original, em português, foi perdida, restando uma tradução em espanhol com a grafia Zomé):

"Dizem eles que S. Thomé, a quem eles chamam Zomé, passou por aqui, e isto lhes ficou por dito de seus passados, e que suas pisadas estão sinaladas junto de um rio, as quais eu fui ver por mais certeza da verdade, e vi com os próprios olhos, quatro pisadas mui sinaladas com seus dedos, as quais algumas vezes cobre o rio quando enche. Dizem também que, quando deixou estas pisadas ia fugindo dos índios, que o queriam flechar, e chegando ali se lhe abrira o rio, e passara por meio dele sem se molhar, e dali foi para a Índia. Assim mesmo contam que, quando o queriam flechar os índios, as flechas se tornavam para eles, e os matos lhes faziam caminho por onde passasse: outros contam isto como por escárnio. Dizem também que lhes prometeu que havia de tornar outra vez a vê-los."

Pelas cartas de Nóbrega, seriam quatro pegadas sobre uma rocha em um rio, "perto" do atual Centro Histórico de Salvador. Seriam provavelmente as pegadas em São Tomé de Paripe, cuja Igreja fica próxima tanto da Baía de Aratu, quanto da Bahia de Todos os Santos. Relatos posteriores indicam que as águas cobriam tanto as pegadas de S. Tomé de Paripe, quanto à de Itapuã, conforme a maré.A partir de 1552, aparecem referências a romarias das pegadas de S. Tomé. Uma carta dos Meninos Órfãos ao Padre Doménech, em Lisboa, de 5 de agosto, relatou que os meninos participaram da romaria das pegadas da Aldeia. "Ao chegar, era meia maré-baixa, e vimos as pegadas que as cobre a maré cheia...". Fizeram uma grande cruz de madeira e a fixaram com pedras no local. Nessa época, quem organizava as romarias às pegadas de São Tomé era o irmão Vicente Rodrigues, como relatado em sua carta de 17 de setembro, daquele ano, aos padres de Coimbra. Ele confirmou ter levado uma cruz, em procissão, até o local das pegadas "que estão perto daqui". Em 1552, os índios daquela Aldeia construíram uma casa e uma ermida para os jesuítas, em Paripe, junto às pegadas.É com a carta do jesuíta Francisco Pires, daquele ano de 1552, que fica claro, que aquelas romarias eram em Paripe e não em Itapuã. Pires escreveu: "O irmão Vicente Rodrigues está daqui quatro léguas pela Bahia a dentro" [...] e é junto donde dizem estar as pegadas de S. Thomé", não podendo, assim, ser em Itapuã, que fica fora da Baía de Todos os Santos. Apesar disso, o escritor baiano Alfredo do Valle Cabral (1851-1894) registrou, no livro Cartas Jesuíticas II - Cartas Avulsas (1931), uma nota àquela carta: "(Vicente Roiz, estava, a quatro léguas da Bahia, em Itapoan)". Mas não há dúvida que uma lenda de São Tomé também existiu em Paripe e, tudo indica, que seria a mesma referida por Nóbrega, pois uma baía pode ser confundida com um rio (talvez Aratu), jamais as praias de Itapuã.A tradição de São Tomé, em Salvador, foi ricamente relatada pelo historiador baiano Alberto Silva, em seu livro A Cidade do Salvador (1957). Alberto Silva citou, em seu livro (p. 89), um texto atribuído a Francisco Pires, dando como referência "Cartas Avulsas, pg. 130" e citou: "Sucedem-se, então, as romarias, as procissões, os rezamentos, estabelecendo-se desta guisa o culto da pisada santa. E tão conhecida ficou desde então a pedra sagrada de Itapoã que se tornou logo ponto de referência de demarcação das terras circunvizinhas". Conferi a dita carta, na dita página (Cartas Avulsas, edição de 1931). Conferi também a mesma obra na edição da USP, 1988. Trata-se de uma carta do Padre Francisco Pires aos irmãos de Portugal, mas o texto citado simplesmente não existe na carta. É a mesma carta referida no parágrafo acima e o texto da página 130 é aquele que faz referência a "Bahia a dentro".Vicente do Salvador (História do Brasil, 1627) citou que, na fuga para não ser comido pelos índios, S. Thomé teria dado uma única passada da praia até a Ilha de Maré, distância de meia légua. Ele citou apenas uma pegada impressa em uma pedra naquela praia. Vicente do Salvador, sendo natural de Matoim, do outro lado da Baía de Aratu, devia conhecer bem tal lenda.As referências, no século 16, às pegadas de S. Tomé, em Salvador, seriam todas de Paripe, apesar da confusão de alguns autores com as pegadas de Itapuã, onde existem duas ou três.Século 17Somente no século 17 aparece referência de pegada em Itapuã.O historiador baiano José Alvares do Amaral (Resumo Chronologico e Noticioso da Provincia da Bahia desde o seu descobrimento em 1500) citou, no século 19, que na data de 21 de dezembro de 1602, dia de S. Tomé:"Foi descoberto por um pescador à beira mar, no lugar denominado São Thomé, caminho de Armações, Freguesia de Brotas desta Cidade, o sinal de um pé humano bem gravado numa pedra, atribuindo-se ser o do glorioso Apóstolo S. Thomé, [...], deixando sinais iguais àquele, contando-se seis, desde S. Vicente até a Bahia, em cujo terreno fora a última de suas pegadas naquele sítio que por esse milagre tomou o nome de São Thomé".[...] "A pedra com o sinal do pé ainda existe naquele lugar, junto à praia, ficando às vezes coberta pelas areias, que trazem as marés grandes".José Álvares do Amaral (1822-1882) não citou sua fonte, mas parte do texto indicado tem alguma similaridade com o de Rocha Pitta (veja abaixo), do século 18. O caminho de Armações era parte da orla oceânica de Salvador e esse nome tem relação com a pesca de baleia. Amaral conhecia bem as histórias dessa região, vem dele o nome do bairro Amaralina, dada por seu filho de mesmo nome. Além disso, ele nasceu em um engenho depois de Itapuã, atualmente Lauro de Freitas.O jesuíta Simão de Vasconcellos (Chronica da Companhia de Jesu do Estado do Brasil, 1663), faz a referência tanto às pegadas de Paripe, quanto à de Itapuã. Ele nasceu em Portugal, cresceu na Bahia, onde estudou e foi mestre no Colégio dos Jesuítas. Em sua Crônica, escreveu:"Nesta Bahia fora da barra, em outra praia semelhante, distante como duas léguas da cidade, aonde chamam a Itapoá, vi com meus olhos, e vêm cada dia os nossos Padres, e o povo todo, em outro pedaço de recife, ou laje, uma pegada de homem perfeitíssima, metida de impressão na sustância da pedra, e a parte posterior para a terra, a anterior para a água. A esta vindo eu de uma aldeia de Índios, notei que concorriam todos os que trazíamos em nossa companhia, ainda os que iam com cargas: perguntei a um deles a causa (que era eu novo no caminho) responderam-me todos: Pay, Sumé pipuer a angába aé (é que está ali a pegada de S. Thomé). Então lhes pedi me levassem a ela; vi a pegada que disse, de um pé descalço, esquerdo, assim e da maneira que se fora impresso em barro brando. Tem-na os Índios em grande veneração, e nenhum passa, que a não visite, se pode; e tem para si que pondo-lhe o pé, fica melhorado seu corpo todo. [...] está a mor parte do tempo coberta com o mar, e só aparece em vazantes maiores.Dentro da barra da mesma Bahia, como três léguas de distância, em a paragem que chamam S. Thomé, ou Toque Toque, em outra praia, e em outro pedaço de laje semelhante, deixou o mesmo Santo outras duas pegadas de seus pés impressas na sustância da pedra, na mesma forma que a da laje da Itapoá, e em distância uma da outra, o que requer a proporção dos passos ordinários de um homem que caminha. Foram sempre em todo o Brasil tidas, havidas, e veneradas por pegadas do Santo Apostolo milagrosas, entre os Portugueses. E a tradição antiquíssima dos Índios derivada de pais a filhos, é na mesma forma que acima temos dito; que são pegadas de um homem branco, com barba, e vestido, que naquelas partes andara, e tratara com eles de outro modo de viver muito diferente, chamado por nome Thomé; do qual afirmavam estes particularmente, que certo dia exasperados seus avós com a novidade de sua doutrina, ou induzidos de seus feiticeiros, ou do inimigo comum da geração humana, arremetendo para prendê-lo, e ele se fora retirando direito à praia, fazendo caminho por um monte abaixo, tão íngreme, que era impossível segui-lo por ali; e que enquanto por outra parte com algum circuito o buscaram, tivera tempo de fugir; e o viram ir pelo mar, deixando frustrados seus intentos, e por memória de sua repugnância, aquelas pegadas impressas na pedra sobredita. Esta tradição é constante: averiguaram-na os Padres de nossa Companhia, que no mesmo lugar residiam antigamente; os quais reconheceram sempre, e veneraram aqueles sinais como do Santo, e como coisa sobrenatural. No cume do monte, por onde desceu, fundou a devoção do povo uma Igreja em honra do Santo, e em memória da dita tradição; a qual Igreja se bem foi sempre venerada, e visitada dos fieis ; no tempo presente o é com mais continuação, e concurso, pelos efeitos extraordinários, tidos por milagrosos, que ali experimenta a fé comum dos enfermos, e necessitados."A paragem de São Tomé, referida por Simão de Vasconcellos, é São Tomé de Paripe, onde existe a Igreja referida, fundada em 1552, em uma colina. Na continuação de seu relato, o jesuíta citou uma milagrosa fonte de São Tomé, de água doce, que brotava de outro penedo, junto às ditas pegadas e que existiam romarias até essa fonte. Mas ele relatou não ter visto as referidas pegadas, no caso de São Tomé de Paripe, embora visse a laje onde disseram que elas estavam.Simão de Vasconcellos também menciona a lenda de Mairapé, um caminho feito por S. Tomé no Recôncavo, a cerca de 10 léguas de Salvador, feito de areia sobre o mar, com meia légua de comprimento. Segundo a lenda, S. Tomé fez esse caminho quando fugia dos índios, logo coberto por água para que não pudessem segui-lo. Essa parece ser uma variação da lenda contada anteriormente por Vicente do Salvador.Século 18Rocha Pitta (Historia da America Portugueza, cerca de 1724) acreditava que São Tomé havia pregado na América e citou que seis sinais do Santo se conservavam desde São Vicente até a Bahia, " em cujo termo fora o último o das suas pegadas em um sitio, que por este milagre chamam S. Thomé, donde diziam os gentios, que perseguido dos seus antepassados, o viram, com admiração de todos, fazer transito sobre as ondas, e por elas passaria a outras partes das suas missões, a que deu glorioso fim em Ásia, na cidade de Meliapor, onde foi martirizado."Alberto Silva citou uma carta de sesmaria, datada de 14 de setembro de 1729, que fazia referência à pedra de S. Tomé, em Itapuã, como marco de divisão de terras.O poema Caramuru, de Santa Rita Durão, de 1781, contou a lenda de Sumé e suas quatro pegadas em um penedo, em um rio, como referido por Nóbrega.Século 20Uma reportagem do jornal A Tarde, de 14 de fevereiro de 1916, citada pelo historiador baiano João da Silva Campos (Tradições Bahianas - Revista do IGHB, n.56, 1930), com o título: Heranças do fetichismo A adoração da "Pedra de São Tomé" É crença que São Tomé deixou-lhe o rastro, informava que a pedra era pequena, elevando-se uns dez centímetros fora da areia e perto do mar. A reportagem ainda relatou:"Os fiéis, humildes pescadores, ergueram em frente à mesma, fora do alcance das marés, uma palhoça encimada por uma cruz, dando-lhe as honras e o prestígio de templo da devoção. Para ali são constantes as romarias de devotos, conduzindo velas e outras oferendas ao milagroso pé.""Todos os anos, nos primeiros dias de fevereiro, é a festa maior. Os moradores circunvizinhos e romeiros de mais longe, cantam com acompanhamento de harmônicas, violas, cavaquinhos e pandeiros; e rezam. De quando em quando a farra é interrompida para serem entoadas ladainhas, de joelhos, ao pé da cruz, em cujo pedestal crepitam velas acesas. E essa espécie de culto pagão, misto de coisas profanas e sagradas, dura oito dias."O repórter de A Tarde, citou que o velho provedor Pedro de Jesus, que seguia na romaria, ouviu a tradição de seus avós e que a devoção seria de tempos imemoriais.Em 1930, Silva Campos citou em seu artigo que a Festa de São Tomé seguia o seguinte programa: Na véspera, à tardinha, retiravam a imagem do Santo da Igreja Matriz de Itapuã e seguiam até a ermida que ficava em frente à pedra de São Tomé, rezavam e depois começava a folia "uma pandega formidável". A imagem retornava em procissão, na manhã seguinte, e rezava-se uma missa na Igreja Matriz, em louvor ao Santo. À tarde, com menor animação, a festa recomeçava no terreiro da Capela de São Tomé. Silva Campos ainda relatou que ia muita gente da Cidade, inclusive cavalheiros de gravata.No final de 1953, Alberto Silva, relatou ter fotografado uma pegada em uma pedra, em um lugar chamado Unhão, na entrada de Itapuã, adiante de Piatã. Existe mesmo a pedra do Unhão, que fica em frente à Vila Militar, entre Piatã e Itapuã, e tem a marca que lembra um pé, segundo relatos.Alberto Silva também esclarece que as pegadas de São Tomé de Paripe estariam na Pedra da Toca, que foi cortada, em 1927, para a passagem da rodagem local, justo no ponto onde estariam as pegadas. Entretanto, o historiador baiano Gumercindo da Rocha Dorea teria visto tais pegadas no final do século 20, como citado por Thiago Cavalcante (As pegadas de São Tomé: Ressignificações de Sítios Rupestres, 2008).Em 1990, Ana Clélia Barradas Correia esteve, em Salvador, em pesquisas para a sua Dissertação de Mestrado em História pela UFPE: Nos Passos do Herói-Santo: na História, na Arqueologia e na Mística Popular (1992). Ela relatou ter visitado a pedra do Unhão, no início de Itapuã, e constatou restos de vela no local, que atribuiu ao culto. Moradores da área, entretanto, atribuem aquelas marcas a São Lázaro ou a São Francisco de Assis. Além disso, os baianos bem sabem que oferendas, aos santos ou orixás, ocorrem em toda a Orla de Salvador, o ano todo. Na época de sua visita, o Cruzeiro de São Tomé contava com uma cobertura de palha (foto acima). Essa pesquisadora esteve na Festa de São Tomé, em Piatã, em 20 de dezembro de 1990, mas não viu a pedra com a lendária pegada de S. Tomé. Segundo ela, a população dizia que a pedra ficava a maior parte do tempo encoberta pelas águas ou pela areia. Uma das versões dizia que a pedra só aparecia de sete em sete anos, mas ninguém consultado sabia dizer exatamente onde estava a pegada santa. Correia citou ainda que a pegada de S. Tomé tinha o calcanhar voltado para a terra e os dedos para a água. Ouviu também que existiria a pata de um cachorro, marcas do cajado do Santo e a figura de uma cruz.O Cruzeiro de São Tomé e a Antiga "Capela"Na Praia de Piatã ainda existe, hoje, o Cruzeiro de São Tomé. Eu também visitei o local e tirei as fotos mais acima, em outubro de 2016. Conversei com pescadores da Colônia de Itapuã, que fica na área. Um deles me disse morar na região há mais de 60 anos e que ele sempre conheceu o Cruzeiro do jeito que é hoje. Provavelmente, o mesmo referido por Alberto Silva, em 1953.Pela reportagem de 1916, os romeiros rezavam de joelhos ao pé da cruz, que tinha um pedestal. É provável que fosse o mesmo Cruzeiro existente hoje. A ermida no local, também referida naquela reportagem, poderia ser bem antiga, talvez do século 19. Ainda existia, em 1930 e provavelmente compunha um conjunto com uma Capela rudimentar, talvez apenas uma cobertura de palha.A pesquisadora Ana Clélia citou, em sua Dissertação, que o Cruzeiro havia sido pintado recentemente, de azul e branco, antes da Festa de 1990.Hoje, a Festa e as Pegadas de São ToméUm dos pescadores que consultei disse-me que a procissão anual, ao local, parou depois que a organizadora faleceu. Também disse que a pedra com a pegada de São Tomé e a do cachorro fica normalmente encoberta pelas águas. Outro pescador e barraqueiro, junto ao Cruzeiro, confirmou que a dita pegada fica, em frente ao Cruzeiro, normalmente encoberta pelas águas, mas aparecia na época da Procissão, que continua, segundo ele, a ocorrer em dezembro.Com base no relato dos pescadores e na minha visita ao local, existiriam duas pedras com formas de pegadas, em frente ao Cruzeiro. Uma normalmente encoberta pelas águas, referida pelos pescadores e coerente com a referência de Simão de Vasconcellos, no século 17. A outra, que vi e fotografei (mostrada acima), fica bem perto do Cruzeiro, mas as águas só chegam até ela na maré alta. A pegada vista por Alberto Silva, em 1953, no Unhão, seria uma terceira. Cabe ainda notar, que as rochas submersas nas praias de Salvador são comumente habitadas por pinaúnas, cujos espinhos literalmente cavam as rochas ao longo dos séculos.Com base nas referências acima, a Festa de São Tomé começa tradicionalmente na noite de 20 de dezembro e termina no dia seguinte, dia de São Tomé. Ana Clélia Correia informou que havia uma missa campal e palanque armado na praia, em tempos anteriores a 1990. Havia a banda de música do Corpo de Bombeiros e a festa profana durava uma semana.



Sorocaba/SP
Caminho do Peabiru
Colinas
Bíblia
Tupinambás
Manuel da Nóbrega
1517-1570
Tomé Judas Dídimo
Bahia Turismo



Migrações
Data: 01/01/1984
Créditos/Fonte: José Brochado


ID: 13994



EMERSON


01/01/2015
ANO:152
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]