'-Brasilbook.com.br Wildcard SSL Certificates

guardar
guardar
save:
guardar-
guardar

Defendeu escravizados? Biografia reconstrói
Aventuras na HIstória
len: \\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\registros\28336curiosidade.txt


 Mencionados (2)

DEFENDEU ESCRAVIZADOS? BIOGRAFIA RECONSTRÓI A TRAJETÓRIA DE D. JOÃO VI PARA ALÉM DAS CARICATURASEm seu novo livro "D. João VI: A História Não Contada", Paulo Rezzutti defende que D. João VI foi uma figura com atuação política mais estratégica do que se costuma admitir

Autor de diversas obras dedicadas ao período da monarquia, o historiador Paulo Rezzutti tem se debruçado há mais de uma década sobre documentos, cartas e relatos de época para reconstruir a trajetória de D. João VI para além das caricaturas que marcaram sua imagem no imaginário popular. Em conversa com o Aventuras na História, o escritor, que recentemente lançou o livro “D. João VI: A História Não Contada”, analisou por que o monarca ainda é pouco compreendido e destacou como sua atuação política foi mais estratégica do que se costuma admitir.

Uma figura negligenciadaSegundo Rezzutti, a etapa final da vida de D. João foi parcialmente negligenciada tanto pela historiografia brasileira quanto pela portuguesa. Em Portugal, os estudos tendem a concentrar-se em sua atuação interna, enquanto, no Brasil, a atenção recai quase exclusivamente sobre o período em que o rei esteve instalado no Rio de Janeiro.

Ao contemplarmos a sua vida dos dois lados do Atlântico, alcançamos a complexidade do que foi o projeto do Reino Unido e de como ele, mesmo ao retornar a Portugal, via a potência da ideia, sem nunca ter desistido dela”, diz Rezzutti.

Como aponta o historiador, mesmo após a Independência, o herdeiro da coroa portuguesa continuou sendo seu filho mais velho, Dom Pedro I, numa tentativa de manter aberta a possibilidade de reunificação das coroas sob um mesmo soberano.

Brasil como futuroA famosa transferência da corte para a América, frequentemente interpretada como fuga, sobretudo pela historiografia francesa, ganha outra leitura em “A História Não Contada”. O autor lembra que a hipótese de deslocar o centro do poder para o Brasil circulava desde o século 16 entre conselheiros portugueses, que já viam na colônia o eixo econômico do império.

Ao longo da história, diversos ministros portugueses viram a colônia como o futuro do reino, e um chegou inclusive a dizer que Portugal dependia do Brasil e por isso a sede do poder deveria estar onde residia a força do reino. Décadas antes da vinda de d. João, chegou a ser preparada uma frota para evacuar a corte para o Brasil em caso de Portugal e Espanha entrarem em guerra. Um ministro do reino chegou a aventar a hipótese de entregar o território de Portugal na Europa para a Espanha em troca de todas as colônias espanholas na América, com a corte se mudando para este lado do Atlântico. Ou seja, a “fuga’ foi planejada ao longo de mais de 250 anos até se tornar realidade com o único soberano português que teve chance de implementá-la. Chance e a desculpa perfeita: a invasão francesa foi o álibi para ação. Dessa forma, encurralado e pressionado entre duas potências, D. João conseguiu se livrar da pressão da Inglaterra e da França, ao mesmo tempo em que garantia para a coroa a posse do mais poderoso território português, na América, que se abria para incontáveis possibilidades”, afirma.

Nesse sentido, a narrativa de um soberano fraco teria sido reforçada por versões difundidas à época da invasão napoleônica, interessadas em exaltar Napoleão Bonaparte como protagonista político.

D. João VI e a escravidãoOutro ponto destacado por Rezzutti é a relação do monarca com a escravidão, base econômica das colônias portuguesas. O historiador ressalta que o sistema escravista era uma estrutura consolidada desde o início da colonização e amplamente aceita pela sociedade da época. Ainda assim, D. João teria incentivado experiências de trabalho livre, como a criação da colônia de imigrantes suíços em Nova Friburgo e a introdução de trabalhadores chineses para o cultivo de chá no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Sabemos que D. João era contrário aos maus tratos aos escravizados, tanto que suas ações a respeito disso chegaram a nós por meio de relatos de viajantes estrangeiros de passagem pelo Rio de Janeiro. O estabelecimento da corte no Brasil dependia do dinheiro dos grandes latifundiários e dos traficantes de escravizados, assim, de efetivo, d. João não fez nada para acabar com a escravidão, do mesmo modo que outros governantes na época dele. Napoleão Bonaparte, por exemplo, restaurou a escravidão nas colônias francesas em 1802, revertendo a abolição de 1794, decretada durante a Revolução Francesa”, observa.

Um personagem muito diferenteApós anos de investigação, Rezzutti afirma ter encontrado um personagem muito diferente da figura indecisa popularizada em anedotas. Um dos momentos decisivos dessa revisão ocorreu quando leu o relatório de um diplomata britânico em Lisboa, descrevendo uma conversa com o príncipe regente pouco antes da viagem ao Brasil. O documento revelava um governante irônico e politicamente astuto.

Cartas familiares também ajudaram a humanizar o personagem, mostrando relações pessoais e conflitos que raramente aparecem em narrativas tradicionais. Além disso, o escritor identificou um padrão curioso no comportamento político do rei: uma aparente procrastinação que, na prática, funcionava como método.

Muitas vezes, ele deixava os ministros e conselheiros se digladiarem até que saísse o resultado que ele esperava e com o rumo que ele achava certo tomar, sem que ele precisasse impor a sua vontade”, explica.

Mas, para Rezzutti, a maior surpresa foi perceber o impacto duradouro das ações joaninas. Ao transformar o Rio de Janeiro em sede do império e estruturar instituições administrativas, econômicas e culturais, D. João criou as bases que tornariam possível a Independência sem ruptura territorial. Diferentemente do que ocorreu nos domínios espanhóis, que foram fragmentados em diversas nações, o Brasil manteve sua unidade. Esse processo permitiu ainda a continuidade da dinastia, consolidada posteriormente sob seu filho.

D. João foi o primeiro governante europeu a visualizar a possibilidade de buscar na América o futuro do seu reinado e o de sua família, e isso foi um feito e tanto. Os soberanos da Espanha, por exemplo, viram suas colônias na América se fragmentarem. D. João plantou a semente da unidade nacional que germinaria sobre o governo do filho, d. Pedro I, e se consolidaria sobre d. Pedro II”, concluiu o historiador.

Giovanna GomesGiovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.




EMERSON



ANO:59
28 de fevereiro de 2026, sábado
....(2)
Defendeu escravizados? Biografia reconstrói
30 de julho de 2026, quarta-feira
Ga-Sur, o mapa mais antigo do mundo, data de quase 5 mil anos atrás - aventurasnahistor...
20 de março de 2026, domingo
QUEM É O ÚNICO ENVOLVIDO NO ASSALTO AO BANCO CENTRAL QUE NÃO FOI PRESO? FABIO PREVIDELL...
14 de abril de 2026, quarta-feira
William McMaster Murdoch: CONHEÇA A VERDADEIRA HISTÓRIA DO HERÓI DO TITANIC
23 de agosto de 2026, domingo
Sebastianismo: como a morte de um rei resultou em um massacre bizarro. Fonte: aventuras...
18 de julho de 2026, sábado
LICENÇA CASSADA E JULGAMENTO: COMO A GUERRA DO VIETNÃ BOICOTOU A CARREIRA DE MUHAMMAD A...
27 de fevereiro de 2026, quinta-feira
(1)
CONSTANTINO, O GRANDE: O PRIMEIRO IMPERADOR CRISTÃO, por ANDRÉ NOGUEIRA (aventurasnahis...
10 de janeiro de 2026, sexta-feira
Marquesa de Santos e baronesa de Sorocaba: Dom Pedro I manteve relações com as irmãs ao...
23 de setembro de 2026, segunda-feira
Japão, 1543: Oriente encontra Ocidente
22 de agosto de 2026, quinta-feira
“Raposo Tavares: A vingança de um judeu”, Aventuras na História
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br