“A catequese colonial jesuítica na região do Itatim no século XVII”. Neimar Machado de Sousa, Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR - Programa de Pós-graduação em Educação
autorizou. Melgarejo194 estabeleceu relações com Cipriano de Goes e seu irmão Vicente deGoes, filhos de portugueses, vecinos195 de São Vicente, que planejavam viajar paraAssunção. O grupo era composto por Salazar, Melgarejo, com suas mulheres, dozecastelhanos e seis portugueses. Esses irmãos Goes, com o capital que receberam de seu paicomo parte do engenho “Madre de Deus”, adquiriram gado vacum e levaram ao Paraguai.Foram os introdutores da pecuária no Prata, pois o próximo lote veio de Charcas, trezeanos depois. Essa viagem foi facilitada por Manuel da Nóbrega, que conseguiu guias Tupiaté o Guairá. A partida ocorreu no início de 1555 e a chegada a Assunção em setembro.(QUEVEDO, 2001, p. 445)Luis de Góes, com seu irmão Pero de Goes e o menor Gabriel, chegaram ao portode São Vicente, em agosto de 1531, com a armada de Martim Afonso de Souza,provenientes de Lisboa. Eram fidalgos da Casa Real e receberam sesmarias nos portos deSão Vicente e Santos. No primeiro, fundaram um engenho de açúcar, chamado de “Madrede Deus”. Pero de Goes chegou a ser capitão em São Vicente, devido a sua proximidadecom Martim Afonso. Viajou e trouxe o irmão Luis, com esposa e filhos. Em 1539, nasceuseu filho Vicente de Goes. São Vicente, neste tempo, era ameaçada por franceses e Carijó.A região era estratégica para a consolidação do assentamento português.No quarto decênio do século XVI, São Vicente era isolada e pobre, além deameaçada por franceses e índios Carijó. Roberto Quevedo cita o historiador Francisco deVarnhagen para afirmar que era o clamor de região que dava uma dimensão sobre asituação do Brasil. Um dos portadores desse clamor era Luis de Goes, irmão do donatáriode Campos, depois jesuíta, a quem a Europa deve a primeira planta de tabaco que recebeuda América (VARNHAGEN, I, 1981, p. 229).
Luis de Goes escreveu uma carta ao rei D. João III em 12 de maio de 1548, ondedizia:
Si con tiempo y brevedad Vuesta Alteza no socorre estas capitanías y costas de Brasil que aún no perdimos la vida y nuestras haciendas...V. Alteza pederá la tierra, los franceses con su naves y corsários ellos serán los señores de Ella, y antes que ello ocurra vuestra alteza con brazo fuerte... debe actuar, pues ellos llegarán por el Sur a Oriente y la India. (QUEVEDO, 2001, p. 446)
Essa carta teve peso na decisão do rei de centralizar o governo, nomeando Tomé de Souza como primeiro governador geral. Luis de Goes, radicado em Lisboa desde 1553, ingressou na companhia de Jesus, quando sua esposa faleceu. Ficaram no Brasil seus filhos: Ciprian e Vicente de Goes, os irmãos Goes que mantiveram relações com as vilas de Santiago de Xerez e Ciudad Real, caracterizando uma sociedade híbrida na fronteira.
Os irmãos Goes chegaram a Asunção em outubro de 1555. Ciprian de Goes levou sua mulher, María de Brito, com quem posteriormente trasladou-se a Ciudad Real Del Guayrá (V. Mapa 09), onde faleceu, sem deixar filhos. Seu irmão mais novo, Vicente de Goes, vizinho196 de Assunção, onde mantinha propriedade, aparece na documentação em 1556. A família da mulher de Vicente de Goes foi para o Peru, em 1564, segundo informe de seu contador, Felipe de Cáceres, em 1568 (Citado por Quevedo, 2001, p. 447). O testamento de Vicente de Goes foi redigido em 1568, Assunção, e constava de encomienda de índios. Vicente casou naquela cidade com a filha do governador197, Maria de Mendoza Manrique.
Os filhos desse casamento foram: Luis de Goes, nascido em 1565, que viajou com seu pai à Europa, voltando ao Paraguai em 1583. Luis casou em Assunção e voltou ao Brasil. Francisco de Mendoza, natural de Assunção, Pedro de Goes, Catalina de Mendoza Manrique, casada com Antonio Gonzáles do Rego, natural da Ilha Terceira dos Açores. Um dos filhos desse casamento foi frei Lucas de Mendoza (1584-1636), poeta que faleceu em Lima, como provincial do convento de Santo Agostinho.
Outro filho de Vicente de Goes foi Gonzalo de Mendoza, vecino de Assunção, que teve dois filhos, Diego e Pedro. Don Diego de Orrego y Mendoza, também filho de Vicente de Goes, nasceu em 1609, atuou na defesa do Guairá, província de Vera e foi o último governador de Santiago de Xerez (V. Mapa 09) até que foi destruída/abandonada pelo paulista Ascenso Quadros em 1632. Após esse episódio, estabeleceu-se em São Paulo. Destino parecido não ocorreu com os índios escravizados e expulsos de suas terras que, para não serem aprisionados, se deslocaram gradativamente em direção ao atual Paraguai, como deixa claro o mapa da OEA de 1973 (MAPA 13), elaborado com base na documentação colonial.
Essa situação de traição foi caracterizada por cédula do Rei da Espanha, dada em Madri em 16 de setembro de 1639. Don Diego de Orrego y Mendoza foi condenado a desterro perpétuo no Brasil, por influência dos jesuítas, segundo detratores. A condenação incluía sequestro de bens com outros oito vecinos. Casou-se com Mariana de Proença, filha de Baltazar Fernández, fundador de Sorocaba. Morreu em 1668 na cidade de Santana do Parnaíba. [Páginas 176 e 177]
Outro descendente dos Goes foi Pedro de Orrego e Mendoza, natural de Assunção, em 1612. Foi mestre de campo geral e tenente governador. Fruto dessas relações geográficas e de parentesco foi o resultado ocorrido no século XVII: a contração das fronteiras e de populações no Guairá e no Itatim. Uma conclusão é a de que esses colonizadores valorizavam mais suas haciendas e a obtenção de índios para movimentá-las que a hacienda real. Os povoados incipientes das reduções da Companhia, no mínimo, desassistidos pelos vecinos, pouco puderam fazer frente aos colonos aliados, além de lutar pelas próprias vidas.
O Itatim, dos séculos XVI e XVII, era uma fronteira étnica de imaginários permeáveis a migrações de pessoas e sentidos, tanto para índios quanto para colonizadores, tendo em vista uma condição fronteiriça em que nasceu a região, de modo que a identidade dos índios desse lugar deve ser considerada híbrida. [Página 178]
DEL TECHO, Nicolás – Jesuíta que escreveu História de La Provincia del Paraguay dela Compañia de Jesús.
DIEGO DE ORREGO Y MENDOZA, DON – Irmão de Luis de Goes e filho de Vicente de Goes, encomendeiros de índios no Paraguai colonial. Último governador de Santiago de Xerex na ocasião dos ataques de Ascenso Quadros (1632). Condenado pelo Rei daEspanha a desterro perpétuo no Brasil e sequestro de bens com mais oito ex-moradores. Casou com a filha do fundador de Sorocaba, Baltazar Fernández. Faleceu em Parnaíba. (Fonte: QUEVEDO, 2001, p. 448)
DIEGO DE TORRES BOLLO – Provincial dos jesuítas, no Peru. Responsável pelafundação da Província Jesuítica do Paraguai.ESCOBAR, Juan (Franciscano) – Custódio do Paraguai, autor da Instruccion para losConfesores.ESTEVANICO (1500-1539) – Conhecido também como Mustafa Zemmouri, negroEstevanico, Estevanico, o mouro, Estevão, Estevão Dorantes, devido ao seu proprietárioAndres Dorantes de Carranza. Foi a primeira pessoa, nascida da África, que em temposmodernos chegou aos Estados Unidos continental. Foi um dos quarto sobreviventes daexpedição espanhola de Narváez e viajou com o explorador Álvar Núñez Cabeza de Vacaatravés do norte da Nova Espanha.FERNÁNDEZ, Mateo – Coadjutor temporal. Foi morto pelos índios, em 22 de março de1645, na Missão do Itatim. Fonte: MAEDER, Ernesto. Cartas Anuas de la ProvinciaJesuitica del Paraguay (1632-1634). P. 90.FERRER, Diego – Nome castelhano de Diego Ransonnier. O sacerdote jesuíta nasceu em11 de novembro de 1600, em Borgoña e ingressou na Companhia, na Província de FlandroBelga, em 17 de outubro de 1619. Chegou a Buenos Aires, em 29 de abril de 1628.Missionário entre os Itatim. Faleceu na redução de San Ignacio de Itatim (Santiago deCaaguaçu ou San Ignácio de Caaguaçu), em 7 de outubro de 1636, aos 36 anos de idade.Fonte: MAEDER, Ernesto. Cartas Anuas de la Provincia Jesuitica del Paraguay (1632-1634). P. 90.FILDS, Thomaz – Missionário escocês no Itatim.FRANCA, Leonel (1893-1948) – Jesuíta. Tradutor e comentador da edição brasileira doRatio Studiorum.FRANCISCO DE TOLEDO (vice-rei) – Vice-rei do Peru que organiza as primeirasreduções jesuítas entre os indígenas e dissemina na América o projeto da monarquiaespanhola de ensinar a ler e a escrever com condição para doutrinar, pacificar os índios e,com eles, garantir as fronteiras. Os jesuítas chegam ao Peru, em 1567.GADELHA, Regina – Historiadora, professora titular na PUC-SP. Mestre e doutora emHistória Econômica pela Universidade de São Paulo. Especialista em Brasil e AméricaLatina, possui vários trabalhos sobre as missões do Brasil e Paraguai, entre eles As [Págian 214]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]