junho de 2020, segunda-feira Atualizado em 31/08/2025 05:13:58
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JUN.
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HOJE NA;HISTóRIA
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Foto 01.Paulo Farina, 2008. Monte Ybiangi, 1178 m, município de Sapopema, PR, visto desde o N. Ádireita, Pico do Portal, Pico do Meio e parte da Serra Grande (Município de Ortigueira, PR). Entre eles,Rio Tibagi a montante.Essa montanha sempre foi um forte atrativo de montanhistas, escaladores, excursionistas, caminhantes, principalmente dos pólos de Londrina, Maringá, Rolândia, vizinhas como Telêmaco Borba atualmente, etc. e em sua maioria que o buscam uma montanha de beleza cênica impressionante, são cativados pela facilidade de acesso, desafio físico, visões em 360º graus, inversões térmicas, com o “manto de nuvens abaixo, Corredeiras do Inferno na calha do Tibagi, alem de considerável desnível de seu cume frente ao leito do Rio Tibagi,com as famosas Corredeiras do Inferno (de quase 700 m) num cânion, "boqueirão" absolutamente singular no estado.DADOS GEOGRÁFICOS DO MONTE YBIANGI:LOCALIZAÇÃO: Borda das regiões paranaenses do Norte Pioneiro com a do Centro – Oriental (IPARDES, 2010), na margem esquerda do Tibagi. Mun. de Sapopema (PR), com a montanha na margem direita do Rio Tibagi, próximo as divisas com os de Ortigueira a W, margem esquerda do Tibagi e São Jerônimo da Serra, margem direita ao N/NE. Após resgate da toponímia ameríndia (2019) que é lento, ainda é conhecido como Agudo de Sapopema, desconhecendo que é uma das primeiras montanhas (388 anos em 2020) com denominação na cartografia do país, primeira da região Sul, parte do Sudeste e do Centro – Oeste.COORDENADAS (SAD 69) do cume: Latitude: 23º 53´ 51.72”- S Longitude: 50º 46´ 30.6”- WALTITUDE: 1178 m (GB 2019 e 2020, 45 min., 21 satélites GPS (12) +Glonass (9)Obs. Não consta como altitude entre os 10 cumes da “Metade Norte do estado”, exceto Serra do Mar (Morro Tombú, 1298.4 m (no Alto Estrutural/ Serra/Platô do Apucarana) a W-SW, cerca de 35 Km do Ybiangi, visto como também o Morro do Apucarana, 1285 m (IBGE) que deu origem a toponímia da Serra.
ETIMOLOGIA:De Ybiangi (Ybiãji, Ybiangi, Iwiãji, Ibiãgi…) Ybiangui, I-Ybiaguira, Ybianguira, Ibiãguira, Ibiagira, Ybiãgira, Yby, ou Iwy... alterações, corruptelas de Ybiangi, Ibiãji?FONTE #1: NAVARRO. Eduardo – Dicionário de Tupi Antigo: São Paulo: Global Editora, 2013, pp-518 e 139.a) Ybi + ã + ma, Ybyi´ama = terra levantada.FONTE #2: CHIARADIA, Clóvis. Dicionário Brasileiro de Palavras de Origem Indígenas: São Paulo; Limiar, 2009. p. 288-289, 123 e 273.
IBIAGUI:
1- regiões de – no vale do Açungui, PR v. IBIANJI. Do T.G. ibiã-gui, por baixo da terra alta, no sopé da escarpa (Theodoro Sampaio).
Do T. G. IBI- ANGUIRA: a base, o fundo, a parte inferior do barranco.IBIAMA: barranco, ladeira, encosta;ver IBIÃ.IBIÃ: terra erguida, barranco, ladeira. Do T.G. Ibi=terra, á=ama,erguer, alto.Em Tupi, Ibiama, ladeira, encosta, barranco (Edelweiss)IBIÀ: terra erguida á pique (Theodoro Sampaio)
IBIANJI:
1) Morro do – entre o Açungui e o Tibaji
2) Ver Ibiaguira3) Do T. G. IBIÖ ladeira, encosta, chapada, JI-rio.IBI terra, solo, chão.4) Ibiã/ erroneamente muito citado como Ibiá, (Ruy Rushel)…FONTE #3DALL”IGNA. Arion, A Composição em Tupi. Separata da Revista Logos, n.14. Curitiba.1951. 7.yby = terra + an, estar em pé, estar levantado. Yby´ama, terra levantada, barranco.Realçamos a dificuldade, o risco de se traduzir palavras ameríndias, no caso do Tronco Tupi, Família linguística Tupi-guarani, oriundas de suas versões antigas extintas há séculos, mas conhecendo a região do Ybiangi, a Serra dos Agudos e ao contrário de muitas versões, “traduções” feitas á distancia, sem o conhecimento do relevo especificamente nesse caso, achamos que a provável versão da denominação Ybiãji, Iwiãji, Ybiangi, é:YBIA NGI YBIÃ+GI: “rio da terra, encostas erguidas/ levantadas, terra em pé, rio da terra alcantilhada, talhadas, erguidas a prumo”. Por extensão, rio das margens, encostas, ladeiras elevadas.Diferencial que uma denominação de uma montanha, refira-se ao um rio que a tem nas margens elevadas. Algo singular na toponímia alem daqueles, que por corrupção, alteração, são exclusivos do estado do Paraná, como Ybiangi, Apucarana, Iapó, Marumbi, Anhangava, Ivaí e Curitiba, como exemplos.TESTEMUNHA DA HISTÓRIA-Farol OrográficoO Estado do Paraná sempre foi passagem, principalmente pelos grandes rios e vias terrestres interoceânicas, caminhos pré-cabralianos desde as primeiras ocupações humanas há milhares de anos, com datações arqueológicas que se aproximam de 8-9 mil anos (que poderá ser conhecida na vasta bibliografia), na sucessão de culturas indígenas ao longo da marcha do tempo, já desaparecidas, até os atuais Jês-Meridionais, Kaingang, Xokleng em maior número hoje, assim como os Guarani e seus subgrupos, Mbya, Nhandeva, Kaiowá e os raros Xeta. Assim, colocamos o antiquíssimo Caminho do Peabiru cortando o estado de E a W, mas com ramais N-S que foram utilizados partes deles, para as jornadas após a ocupação ibérica, de São Vicente a Assunção por exemplo Depois por bandeirantes, sertanistas, garimpeiros, cartógrafos, engenheiros, pesquisadores, etc. Vamos colocar em cronologia as testemunhas famosas, que viram, ou que poderiam ter visto (condições climáticas adversas, por exemplo) o Ybiangi (1178 m) e os Agudos e os usaram como “farol orográfico”, como também o Morro do Apucarana (1285 m, disfarçado há tempo de Morro da Pedra Branca (são avermelhadas, róseas) ou das Antenas, como se fosse apenas um, com todo o Alto Estrutural do Apucarana, chamados há tempos de Serra do Cadeado, Mulato e outras).
Lista daqueles que possivelmente avistaram os Agudos, o Ybiangi, que temos registros de suas jornadas, alem dos primeiros habitantes, os caminhantes – caçadores – coletores (e porque não, também pescadores, agricultores ?): Viajantes, habitantes antes do Peabiru; Caminhantes do Peabiru; Aleixo Garcia (1523/1524); Pero Lobo e Francisco de Chaves (1531); Cabeza de Vaca (1541/1542); Ulrico Schmidl (1552/1553); Juan de Salazar de Espinoza, Cypriano e Vicente de Góes, Ruy Diaz Megarejo e Gaete, etc. (1555); Jerônimo Leitão (1585); Jesuítas, Guarani e Jês-Meridionais das Reduções do Guairá (1610/1628); bandeira de Antonio Raposo Tavares e Manuel Preto (1628/1629); outras bandeiras paulistas de cerco, ataque (1631/1632 e depois 1638) da Cidade Real do Guayrá e Vila Rica do Espírito Santo; a estada por cerca de 3 nos da bandeira de Fernão Dias Paes Leme (1661-1664);. Oficialmente desde 1730 com a “abertura do Caminho Tropeiro dos Conventos, mas caminho á São Paulo, que seria depois parte do Caminho das Tropas, ou Viamão-Sorocaba, já vinha sendo feito desde a segunda parte do século XVIII dos Campos Gerais de Curitiba aos Campos de Piratininga e em algum morro nos Campos Gerais, os tropeiros poderiam visualizar os Agudos; os irmãos Ângelo Pedrozo Leme e Marcelino Rodrigues de Oliveira e a “descoberta de ouro e diamantes” e inicio do Ciclo de Diamantes do Tibagi, que antes exploraram a região, inclusive em busca do mitológico Morro do Apucarana (1754); as Expedições Militares ao Sertão do Tibagi/Curitiba coordenadas pelo Tenente-Coronel Afonso Botelho de Sampaio e Souza entre 1768 a 1774; o viajante, sertanista, artista, cartógrafo John Henry Elliott e o exímio sertanista Francisco Lopes nas bandeiras exploratórias patrocinadas pelo Barão de Antonina, João da Silva Machado (1844/1863); o engenheiro Thomas Bigg-Witter (1871/1875); o sertanista, historiador, político Telêmaco Borba (1875/1876); o historiador, topógrafo Edmundo Mercer (1934) e o geocientista, historiador natural (geologia, geografia, botânica, climatologia, cartografia, historia humanas, etc.) Reinhard Maack desde o final dos anos de 1920 até 1950.
PEABIRU:Um artigo sobre o “Geoprocessamento aplicado a estudos do Caminho de Peabiru”, de Ana Paula Colavite e de Mirian Vizintim Fernandes Barros, reuniu o mapa de Maack sobre o caminho e a base do mapa político do estado do Paraná atualizada. Observando o mapa, a linha mais espessa representa, segundo Maack (1959), o ramal principal do caminho de Peabiru e as linhas de espessura mais fina representam os ramais secundários do caminho de Peabiru.Fonte acima. http://www.geografia.seed.pr.gov.br/ modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=319Ou : http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/ anpege/article/view/6590/3590 Acesso 19 maio 2020.
{...) O YBIANGI E O APUCARANA E AS CULTURAS INDÍGENAS ANTERIORESConsiderando “Tempos Modernos”, atuais, nas proximidades dos Morros do Ybiangi, do Apucarana, dos rios Tibagi, Apucarana e Apucaraninha e não longe do Ivaí, há reservas, áreas indígenas, principalmente de Kaingang. Desde as Reduções ou Missões, basta ver a toponímia, levando em conta sempre, que muitas podem ter sido dadas por quem falava a língua franca dos tempos Coloniais (proibida em 1758 e ninguém acha que no dia seguinte, ninguém falava ou nos anos seguintes) Língua Geral Brasílica, nas regiões SE, S e CO o ramo ou Língua Geral Paulista, e assim, não necessariamente os ameríndios regionais, mas seus visitantes, bandeirantes, sertanistas, garimpeiros, mas praticamente toda a toponímia é do Tronco Lingüístico, Família Lingüista Tupi Guarani e não Jê-Meridional.
Ou seja, embora a redução de São Miguel do Ibituruna, o do Ibiangui ou Ibiteruçu, aldeou, reduziu,”salvou almas”, “trouxe para o grêmio da sociedade, da igreja” “fixou em menores áreas“ os Kaingang (Gualachos, Guananas Guaianases, Camperos, depois Coroados…), alguns Xokleng, talvez alguns Xeta e grande parte do Paraná, foi anteriormente dos Guarani e seus subgrupos e nem vamos escrever, que éramos da Coroa Espanhola.
Há algo discutível, se o topônimo (Campos, Rio) do Inho-ho é Jê, possivelmente e pode ser posterior ao “esvaziamento Guarani” causado pelo bandeirantismo no século XVII, principalmente entre 1729/1730. Tibagi (Latibaxiba, Tibaxiba… Tibaji, Tobagi, Tubagi…Apucarana, Huybai/Ivaí, Piquiri, Itararé, Paranapanema, Anhembi/Tietê, Perituba, Assungui, Curitiba, Paraná e Ybiangi.
Todos do que poderíamos dizer, do Guarani Antigo ou do que era falado, no tempo do Guairá. Que nomes usavam os Kaingang, Xokleng, Xeta, para o que nos na pobreza toponímica, ao contrário da deles, chamamos de Agudos ou para aquelas montanhas, faróis orográficos, visto a mais de 120-130 km?.
A importância de reverencial para caminhos, migrações sazonais, para viagens continentais do Atlântico ao Pacifico ou á Bacia do Prata, ao Rio Paraguay é tamanha que o Ybiangi chegou longe, até Assunção ao ponto de ser a única conhecida, desenhada no chão, na areia, num papel em Assunção, no final da década de 1620 ou inicio da seguinte, na impressionante leitura do relevo, da hidrografia de vasta região que os exímios Guarani tinham conhecimento, que afinal, muito de seu saber cartográfico, da suaoralidade, das suas tradições,da sua mitologia, outras tribos, encheram o mapa de Luis Ernot, abrangendo cerca de 4 milhões de quilômetros quadrados e no Brasil atual e países vizinhos, há 4 representações orográficas no mapa, a Serra de Famatina na Argentina (histórica mineração de metais) com 6100 m de altitude aproximadamente, uma colina, em tempo “ruim”, neblinas e nevoeiros, chuvas balizavam a margem direita do gigantesco estuário do Rio da Prata, que o jesuíta – cartógrafo colocou Mont Vídeo, futura capital do Uruguai, um enigma até recentemente, Ibituruna (cultura, morro, serra, campo, os “modernos Campos de Palmas”?) e com ícone cartográfico, o único, o Ybiangi. Ignorar essa toponímia, mais antiga de grande parte do Brasil e vizinhos, usando o vulgar Agudo, mesmo que acrescido de seu município, sem culpa ou nossa intenção, é tacanho demais, a mais suave que achamos. Antes de ser Certam de Coritiba (até o RS, rio Paraná e grande parte do estado de SC), depois Sertão do Tibaji, foi antes Sertão do Ybiangi, Ybiangui, Ibiãguira….Nomes que resistiram, chegaram até nós e antes, das outras culturas?
Temos enorme curiosidade, mesmo sabendo que como ocorreu muitas vezes, quando desconhecíamos a toponímia indígena, ou mesmo sabendo, uma das primeiras formas de dominação foi a apagar sua cultura, seus nomes, de rios e muitas e quando não achamos nada adequado, por exemplo, arvores, ervas, frutas,animais, comidas, praticas, etc. deixamos, mas não antes de escrever, transformar o que nossos ouvidos, ou que achamos que ouvimos, em vocábulos “indígenas”, eivados de corrupções, alterações, neologismos que jamais existiram (e que há gente disposta a traduzir) e ainda mais de duas montanhas mitológicas, reverenciadas, conhecidas por diversas culturas e que as orientaram durante largo tempo. Como eles as chamavam em suas línguas ou como também pode ter acontecido, usaram os termos de outras? Temos uma pista, possibilidade que mostraremos na Cartografia.Vamos aproveitar, reforçar (outro de nosso resgate) a possível etimologia de APUCARANA: Apucarana, Apu = “banco, assento”, arana, “o que se assemelha, parece, mas não o é” e veja do Sul, SE, a morfologia do que chamamos há décadas de Morro das Pedras Brancas (são avermelhadas, rochas e paredões da Formação Botucatu) ou Morro das Antenas na Serra do Cadeado, com que se parece o morro (visões regionais de 360º) que deu origem ao termo Apucarana (Morro com 1285 m de altitude, IBGE 1971). Se precisa se distrair um pouco, veja na grande rede, as “traduções oficiais mais aceitas”, se há alguma lógica, como exemplo, “que se parece com uma floresta”, estando dentro da mais fabulosa que já tivemos, começando do da cidade homônima ou serra.
GB, MAR, 2019, com zoom (aproximação aparente 3x mais próxima que a real que dista cerca de 30 Km á W), o Morro do Apucarana (vulgo das “Pedras Brancas” ou das “Antenas”), outro excepcional marco topográfico dos Caminhos Antigos, terceiro cume da porção N do PR (Exceto Serra do mar) e o ponto mais elevado da metade N do PR, exceto a Serra do mar, o Morro do Tombú, com 1298.36 m (IBGE, 1971) no centro e o Morro do Apucarana está em área exclusiva de Ortigueira, embora muitos achem que é de Mauá da Serra e o do Tombú, divisa entre Faxinal e Mauá da Serra. O conjunto, desde o inicio do século XX recebeu o nome de Serra do Cadeado com diversas subdivisões, mais um caso, de substituição insensata da toponímia ameríndia. Um dos maiores “faróis orográficos” do Sul do Brasil.Por favor, parece-se com um banco, assento, mas não é um… verdadeiro? Fica mais evidente, se o enxergar mais para W em Ortigueira, perto do distrito de Natingui ou do Morro da Bufadeira.CARTOGRAFIA RESUMIDÍSSIMAa) Na lista das edições, tomando-se sempre por base a edição de 1632 de Luis Ernot com erros de copias, mudanças pequenas, repetição de erros cartográficos, com o passar dos anos e transcurso de séculos, as edições foram de 1647 [1662], [1665], 1671, 1680, 1689, 1692, 1700, 1714, 1719, 1722/26, 1726, 1732, 1748, 1754 (ou 1734 ), 1757/60, 1764, 1779, quando desaparece na cartografia como Monte Ybiangi (Ibiãji, Ybiãji, Iwiãji… na forma original, cremos). Ou seja, conhecidas ao menos, 19 edições/cópias. De 1632/ 1647 (ou 1662) a 1779 =147 anos. Vamos colocar as de 1662 (1632) e 1779.
Esse é o mapa confeccionado em Assunção, Paraguai pelo jesuíta Luis Ernot terminado em 1632 e que apareceu na Europa em forma anônima em 1747 (Guillermo Furlong, 1937, 24), ofertado ao superior da Ordem dos Inacianos, Padre Vicente Garrafa e desde 1662, foi reproduzido em diversas versões até metade do século XVIII, como nas copias de 1662, 1665 e 1671 na Holanda e outras praças cartográficas europeias. A importância cartográfica desse mapa, é máxima pelo pioneirismo, (388 anos em 2020) abrangência da área representada, riqueza cartográfica, rede hidrográfica, culturas ameríndias, abrangendo cerca de 4 milhões de Km2 (latitudes da Baia de Guanabara, ao Pacifico, longitude do N do Chile á região de Mendoza, Argentina e finalizando, o retângulo na Foz do Rio da Prata, como prova da excepcional riqueza, conhecimento de caminhos, da rede hidrográfica de toda região pelos Guarani, que através da oralidade, desenhos nas areias, no solo, foram convertidas pelos cartógrafos jesuítas no mapa.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]