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Atas da Câmara da cidade de São Paulo
“O ‘bárbaro’ que salvou São Paulo”. Rodrigo Garcia, Revista da Câmara Municipal de São Paulo - Portal da Câmara Municipal de São Paulo

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    2015
    Atualizado em 30/11/2025 00:32:34

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JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
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Quando os padres jesuítas chegaram ao Planalto Paulista, ficaram escandalizados com o que viram: João Ramalho, um português que vivia como indígena, andava pelado e era casado com várias mulheres. “Ele e seus filhos andam com as irmãs das esposas e têm filhos delas, vão à guerra com os índios e suas festas são de índios, e assim vivem andando nus como os mesmos”, descreveu Manuel da Nóbrega em 1553. Os descendentes de Ramalho foram os primeiros mamelucos (filhos de branco com índio) da região.

De início, os religiosos ficaram contra o europeu que havia se “barbarizado”, mas com o tempo perceberam que ele seria fundamental para a catequese dos indígenas. Assim, uniram-se a Ramalho, e essa aliança foi primordial para garantir que a Vila de São Paulo de Piratininga continuasse existindo. A importância de João Ramalho é tão grande para a cidade que ele é considerado o patriarca dos mamelucos, o pai dos paulistas ou, ainda, o fundador da paulistanidade. Entre seus tantos descendentes, há figuras notórias como a rainha Silvia (casada com o rei Carl Gustav 16, da Suécia) e a escritora Lygia Fagundes Telles.A vida de João Ramalho é cercada de mistérios. Era analfabeto? Estava mais para nobre ou criminoso? Quando chegou ao Brasil? Existem discussões, inclusive, se era judeu. “São muitos enigmas, sua vida daria um belo filme”, comenta o historiador Carlos Bacellar, em entrevista à Apartes (veja adiante).Pouco se conhece sobre os primeiros anos de João Ramalho. Nasceu em Vouzela, norte de Portugal, em 1493, onde se casou com Catarina Fernandes das Vacas. As razões de sua chegada ao Brasil são desconhecidas. Ele teria desembarcado na Região Sudeste por volta de 1515, mas não há registro que aponte se era um colono, um náufrago ou um degredado (criminoso condenado ao exílio).Ramalho se adaptou bem ao novo território. Conheceu os índios tupiniquins e ficou próximo do cacique Tibiriçá (vigilante da terra, na língua tupi), um dos principais líderes dessa tribo no Planalto Paulista. Por causa da aproximação, terminou se casando com uma das filhas do cacique, Bartira (flor de árvore, em tupi). Mas, como era costume entre os índios, também tinha outras mulheres, entre elas algumas irmãs de Bartira.Após essa aliança com os tupiniquins, o português conseguiu reunir um pequeno exército. O aventureiro alemão Ulrich Schmidel afirma, no livro Viagem ao Rio da Prata, que Ramalho era “capaz de arregimentar 5 mil índios em um só dia”. Em 1532, o patriarca se encontrou, na Vila de São Vicente (também conhecida como Porto dos Escravos), com Martim Afonso de Souza, que vinha desbravando para a Coroa Portuguesa as terras recém-descobertas. O explorador escutara histórias de que no alto da serra haveria ouro e prata. Ramalho decidiu, então, guiá-lo por um caminho conhecido dos índios, a Trilha dos Tupiniquins.A jornada (veja mapa) foi narrada por Eduardo Bueno no livro Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores.Em barcos a remo, foram da Vila de São Vicente até Piaçaguera de Baixo (atual Cubatão). Então caminharam por terras alagadas até Piaçaguera de Cima, onde começaram a subida da Serra de Paranapiacaba (lugar de onde se vê o mar, em tupi). Ao chegarem à nascente do Rio Tamanduateí, seguiram o curso das águas, saíram da mata fechada e entraram em um vasto campo sem árvores. Ainda acompanhando o rio, chegaram à colina onde se localizava a Aldeia de Piratininga. No local, seria erguida a Vila de São Paulo.Martim Afonso de Souza, que viria a ser o primeiro donatário da Capitania de São Vicente, percebeu que João Ramalho era o principal líder da região do Planalto Paulista. Ele aprisionava os índios inimigos dos tupiniquins e os vendia como escravos para os portugueses.No Planalto, João Ramalho vivia em um povoado chamado Santo André da Borda do Campo. Em 1553, o primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Souza, transformou o povoado em vila, da qual Ramalho foi vereador e alcaide (prefeito), além de guarda-mor de toda a região. Até hoje não se sabe exatamente a localização dessa vila. Os historiadores acreditam que tenha sido erguida em algum ponto que atualmente pertence ao município de São Bernardo do Campo.Mesmo sendo uma das pessoas mais importantes da vila, foi expulso de uma missa realizada na Capela de Santo André, pelo padre Leonardo Nunes. A alegação do sacerdote era que o português havia sido excomungado, um tempo antes, por viver em concubinato com várias mulheres.Mesmo com a excomunhão, quando o padre Manuel da Nóbrega conheceu João Ramalho pessoalmente tornou-se bem próximo dele. Nóbrega batizou Bartira, que escolheu o nome cristão Isabel Dias, e celebrou o seu casamento católico. “João Ramalho é muito conhecido e venerado entre os gentios e tem filhas casadas com os principais homens desta capitania”, afirmou o padre em carta ao religioso Luís Gonsalves da Câmara, que estava em Lisboa.O sogro de Ramalho também recebeu o batismo e passou a se chamar Martim Afonso Tibiriçá, em homenagem ao explorador que conhecera anos antes. A pedido de Nóbrega, João Ramalho mandou um de seus inúmeros filhos, André, acompanhar o padre em uma expedição pelo interior do território em busca de mais índios para catequizar.

CERCO DE PIRATININGA

Como os ataques dos índios tamoios eram cada vez mais frequentes, o terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá, ordenou em 1560 que os moradores de Santo André da Borda do Campo, a Câmara Municipal e até o pelourinho, símbolo da Coroa portuguesa, fossem transferidos para a Vila de São Paulo. Essa mudança agradou bastante aos jesuítas, que viram o colégio que haviam fundado na futura capital (e que deu origem à cidade de São Paulo) ficar mais protegido. Como João Ramalho já era vereador em Santo André da Borda do Campo, passou a ser vereador paulistano.

Os tamoios não se intimidaram com a união das vilas. Em 1562, aliaram-se aos guaianases, aos tupis e aos carijós e atacaram São Paulo. Segundo relato do padre José de Anchieta, os indígenas chegaram pela manhã, “pintados, emplumados e com grande alarido (gritaria)”. Os ferozes combates duraram dois dias, e os inimigos chegaram até a horta dos jesuítas. Mas Ramalho, então nomeado capitão da gente (uma espécie de protetor), e seus aliados conseguiram salvar a vila.

Poucos meses após o ataque, em 25 de dezembro, Tibiriçá morreu vítima de uma peste. Como reconhecimento à sua bravura, seu túmulo está na cripta da Igreja da Sé, no Centro de São Paulo, a mais importante da cidade.Por gratidão a João Ramalho, os moradores da vila de São Paulo o elegeram vereador mais uma vez. Porém, como consta da ata da Câmara de 15 de fevereiro de 1564, ele recusou o posto, alegando ser muito velho para o cargo (“passava dos 70 anos”) e por estar satisfeito com a vida que levava. Após a renúncia, voltou para o Vale do Paraíba, onde morreu em 1580.HERÓI CONSTRUÍDONo final do século 19 e começo do 20, procurou-se desvendar os mistérios envolvendo João Ramalho. As pesquisas eram feitas principalmente pelos membros do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, criado em 1894. Historiadores foram a Portugal para descobrir a origem do patriarca e concluíram que ele não pertencia à nobreza. A partir de análises caligráficas de sua assinatura descobriu-se que ela foi escrita por várias pessoas, o que indicaria que Ramalho era analfabeto.Naquela época, a capital paulista estava em um processo de crescimento econômico acelerado por causa do café. E, com a aproximação das comemorações do Quarto Centenário do Descobrimento do Brasil, em 1900, São Paulo procurava um personagem que representasse a força do Estado. O professor Carlos Bacellar explica que Pedro Álvares Cabral, que nos outros Estados estava sendo considerado o grande personagem do Descobrimento, “não servia para o papel de representante paulista porque não tinha passado por aqui”.Para os intelectuais da época, João Ramalho poderia ser esse personagem. Mas depunha contra o português sua má fama, difundida nos relatos dos jesuítas. Dessa forma, historiadores começaram a fazer pesquisas para construir e reforçar a imagem heroica de João Ramalho. Para orgulho de muitos paulistanos, atingiram o objetivo. Em 1927, os vereadores de São Paulo homenagearam o casal que deu origem a tantos paulistanos, dando o nome de Bartira e João Ramalho a duas ruas no bairro Perdizes.

entrevistaCarlos de Almeida Prado Bacellar, professor de história colonial da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que é preciso ter cuidado ao se analisar a vida de João Ramalho, pois há poucos registros sobre o português. Mas Bacellar, um dos autores do livro História de São Paulo colonial, reconhece que, sem a ajuda desse personagem misterioso, seria bem difícil que os padres jesuítas e os colonos se estabelecessem na capital:Quem foi João Ramalho?Um personagem muito polêmico, folclórico até. Ele apareceu nos registros de nossos cronistas coloniais de uma maneira bastante pontual, são apenas citações. Discute-se mais João Ramalho no presente do que em sua época. Foi no final do século 19 e começo do 20 que começaram a se preocupar em tentar descobrir quem era João Ramalho. É um personagem muito evasivo de nossa história. Há apenas indícios sobre ele. E por isso muita gente viajou com essas informações. Nós, os historiadores, temos de tomar cuidado.Como ele chegou ao Brasil?Tudo indica que foi um náufrago ou um degredado. No passado se deu muito mais atenção à possibilidade de ele ser um náufrago porque ser um degredado poderia pegar mal. Mas, nos contatos que teve com os portugueses, ele nunca mencionou esse naufrágio nem seu passado, o que a meu ver torna mais plausível a hipótese de ter sido um degredado.Qual sua importância para a cidade de São Paulo?Ele está muito relacionado à fundação da cidade. Ele chegou muito antes de os portugueses se instalarem por aqui. Quando houve o encontro, foi cheio de atritos. Os jesuítas olharam muito mal pra ele. Ramalho foi chamado de bárbaro e de selvagem porque tinha abandonado a religião católica. Mas Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Brasil, percebeu nele um possível aliado para instalar o poder régio na colônia. O apoio de alguém que convivia com os índios e tinha uma evidente força política entre eles foi fundamental para fundar e manter a Vila de São Paulo de Piratininga.O quanto a cidade atual deve a Ramalho?A possibilidade desse núcleo de povoamento ter vingado. João Ramalho foi personagem crucial das primeiras décadas de interação entre os portugueses e os índios. O fato de ele ter muitos filhos, com várias índias, permitiu que tivesse influência em várias famílias e que criasse muitos laços de parentesco. Ele impediu que os portugueses fossem massacrados [nos embates contra indígenas], pois estavam em número bem inferior.São Paulo não existiria sem ele?Não posso afirmar isso porque a presença dos portugueses trouxe epidemias que terminaram matando os índios, o que poderia garantir a presença dos europeus. Mas ele abriu portas para usar os indígenas como mão de obra. Sem a mão de obra forçada, a vila não teria condições de prosperar economicamente. João Ramalho foi o empurrão inicial que permitiu o crescimento. Vereadores debateram se Ramalho era judeuEm 7 de agosto 1937, mais de três séculos após a morte de João Ramalho, sua religião foi tema de debate na Câmara Municipal de São Paulo (CMSP). O vereador Vicente de Azevedo, do Partido Constitucionalista, foi à Tribuna criticar o escritor Gustavo Barroso, famoso por suas opiniões antissemitas e um dos líderes do integralismo, movimento político inspirado no fascismo italiano. No livro A história secreta do Brasil, Barroso afirmara que o patriarca dos mamelucos era judeu. Azevedo, com base em vários historiadores, disse que a declaração era injúria e fez inúmeros elogios a Ramalho. Segundo o parlamentar, “caracteres ilibados, católicos praticantes, talentos esplêndidos são atirados ao pântano esverdinhado do inferno integralista”.Por sua vez, em 18 de setembro de 1937, o vereador José Cyrillo, da Ação Integralista Brasileira, leu na Tribuna uma carta dirigida a ele, escrita por Barroso. “Inimigo sou dos judeus da plutocracia paulista, que exploram o nobre povo de São Paulo, querendo passar por paulistas quando são filhos da Sinagoga”, atacou, referindo-se a Azevedo como “defensor dos judeus”. Este pediu um aparte e esclareceu: “defensor dos judeus, não senhor! Permita-me que ponha um reparo. Sou defensor da memória de João Ramalho e dos paulistas que colaboraram para a riqueza e prosperidade de São Paulo e do Brasil!”.O historiador Ubirajara Prestes Filho, supervisor do Arquivo Geral da CMSP, chama a atenção para o preconceito presente nas falas dos vereadores. “O fato é que o discurso racista se encontrava dos dois lados do debate”, afirma em artigo do livro Paulistânia eleitoral.A hipótese de que Ramalho fosse judeu surgiu, principalmente, porque na sua assinatura há um símbolo como se fosse um C invertido (veja abaixo), e não uma cruz, como era o costume na época. Segundo alguns historiadores, seria o kaf, uma das letras do alfabeto hebraico. Outros pesquisadores, porém, contra-argumentam que, se ele fosse judeu, não teria alcançado tantos cargos de destaque na administração portuguesa, já que a Coroa perseguia os seguidores do judaísmo.



Sorocaba/SP
São Paulo/SP
Colinas
erro
João Ramalho
529 anos



Frei Agostinho de Jesus e as tradições da imaginária colonial brasileira Séculos XVI - XVII
Data: 01/01/2013
Créditos/Fonte: SCHUNK, Rafael
Frei Agostinho de Jesus e as tradições da imaginária colonial brasileira Séculos XVI - XVII. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2013. (Coleção PROPG Digital - UNESP). ISBN 9788579834301 página 181


ID: 5979



EMERSON


01/01/2015
ANO:152
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]