julho de 2021, quinta-feira Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
•
•
Essa concentração de poderes nas mãos de um homem não era estranha aosguarani. Havia uma categoria de grandes chefes como Taubici, Guiravera e Artiguayeque podemos considerar como “jefes-chamanes”, como o fez Necker. Eram poderosospajés que, demonstrando poderes mágicos e religiosos extraordinários, se impuseram afrente do grupo suplantando os chefes hereditários.2Pela extensão do poder que ospadres lhes atribuíam e a influência que exercia sobre um grande número de povos,Ñezú pode ser inserido nessa categoria dos grandes chefes. Techo dá a entender que,com invulgar eloqüência e “artes mágicas”, havia estendido seu domínio aos povosvizinhos e seus caciques, tornando-se o principal entre os principais. Nos depoimentosdos índios no processo instaurado em Candelária e nas cartas/relatórios dos jesuítasprestando contas aos superiores dos acontecimentos, confirmamos a impressão deTecho. As mortes dos missionários foram comandadas por caciques subordinados aÑezú. A morte dos padres Roque e Alonso foram chefiadas pelo cacique Caarupé, e amorte de Juan del Castillo pelos caciques Quaraíbi e Araguirá. A teia de relações queligava Ñezú e os demais caciques sugere uma hierarquia e graus distintos de poder esubordinação entre os chefes.No que diz respeito às “artes mágicas” e ao prestígio, podemos situar Ñezúnaquela categoria especial de “hechiceros” descrita por Lozano. Eram obedecidos evenerados como deuses e gozavam de um prestígio superior aos demais. Diziam poderdesencadear a ferocidade de bestas selvagens contra quem os contrariassem e enviarventos e tempestades sobre os rios impedindo a caça e a pesca.3 Os pajés queconseguiam persuadir os índios de que sua filiação era divina eram os maisreverenciados e obedecidos. Ñezú, pelo que nos dizem os testemunhos, despertava este“temor reverente” entre os povos que viviam a sombra do seu poder. SantiagoGuarecupí, cacique “cristão” da redução de Concepción, informou que o “hechicero”Ñezú (...) era “tenido por dios y lo temían mucho los demás indios caciques ehechiceros” da região. Guarecupí foi o cacique que prestou apoio militar na captura dos“matadores” dos missionários. O cacique estava presente quando os índios cativos [Página 2]
aproximado algumas características dos missionários com as dos seus pajés. O fascínioe a admiração que Roque e seus companheiros pareciam exercer entre os indígenas, esobre o próprio Ñezú, parecem inegáveis. Percorriam as aldeias, batizavam, curavamalgumas doenças, falavam eloqüentemente sobre o deus criador de todas as coisas edesafiavam destemidamente os poderosos pajés.Nos depoimentos em Candelária, citados anteriormente, Guarepú e Arayurelataram que Ñezú se referia ao padre Roque como “hechicero de burla e fantasma”. Eduas ou três passagens nas narrativas jesuíticas sugerem que os índios consideravam ospadres como feiticeiros. Techo, ao comentar a conversão de Guiraverá, disse que ofeiticeiro acreditava que o padre Montoya era a encarnação de um grande e famoso pajéchamado Cuará:Daba Guiraverá sus oráculos examinando los cadáveres de losmagos; y cuéntase que afirmaba haber pasado el alma de Cuará,que era tenido por Dios, al cuerpo del P. Ruiz, y también ladivinidad, en lo que mostraba dar asenso á la doctrina de lametempsícosis, ideada en la antigüedad por Pitágoras. Divulgósetal fábula en bastantes partes, y todos consideraban al P. Ruizcomo un sér superior. Esta invención del infierno fué de granprovecho para el cristianismo, pues muchos indios se convirtieronde modo que el diablo fué envuelto en sus propias redes. ArdíaGuiraverá en deseos de ver al P. Ruiz; envióle uno y otro mensajeá tal efecto, y no consiguiéndolo, se puso en camino acompañadode doscientos indios.14Outro ponto de aproximação entre os pajés e os missionários era o culto dosossos dos pajés e o culto às relíquias dos jesuítas. Os ossos dos pajés mortos, segundoMontoya, eram cultuados em lugares de difícil acesso e cuidadosamente adornados,como santuários, para receber os visitantes. O próprio Montoya percebeu a semelhançaentre os cultos ao afirmar que o diabo imitava o culto às relíquias fazendo os índiosadorarem os ossos secos dos feiticeiros.15 Padre Oñate narrou na anua de 1615 umepisódio que sugere uma identificação entre o missionário e os grandes pajés. Os índiosda redução de San Ignácio, em meio a uma guerra contra os “encomenderos”,abandonaram a redução, deixando desamparadas suas próprias terras, e fugiram para os“montes”. Alguns índios recolheram e levaram junto os ossos do padre Baltasar Seña, que morreu na redução. “Tenian tanta estimacion de este buen padre”, escreveu oprovincial, “que les parecio llevavan un grande thesoro en llevar sus huesos”.16Da colaboração e aceitação dos padres, Ñezú passou a rebelião. Tramou com oscaciques subordinados, e igualmente descontentes, um plano para extirpar ocristianismo de suas terras. Seus emissários foram enviados à Caaró com uma missão:matar Roque e Alonso Rodriguez. Quando os emissários partiram para executar o plano,Ñezú recolheu-se ao “monte” com mulheres e filhos para aguardar as notícias. O chefese refugiava nesse espaço ainda não alcançado pela redução e de lá orquestrava o ataqueaos padres. A confirmação das mortes foi recebida como uma vitória triunfal sobre osmissionários, e a cena que se seguiu foi de apoteose. Para celebrar a vitória, Ñezú saiudo “monte” vestindo uma “capa hemosísima de plumas” que o cobria dos ombros até aspernas e um tocado de plumas de várias e vistosas cores. Foi avisado por uma de suas“mancebas”, que também vinha revestida “del mismo espírito de satanás”, com umadorno de plumas.17As mortes dos missionários nas mãos dos índios foram todas terrivelmenteviolentas e ritualizadas. As narrativas jesuíticas nos informam que depois de mortos, ospadres Roque e Alonso foram despidos de suas vestes e esquartejados, arrastados,jogados dentro da igreja e queimados. Dois dias depois, quando Ñezú soube da morte deRoque e Alonso, enviou seu sogro Quaraíbe com missão de matar Juan de Castillos. Opadre foi pego de surpresa, amarrado e arrastado por “tres cuartos de légua” a pauladase pedradas por caminhos pedregosos, tortuosos, atravessados por arroios, por onde “ibadejando pegados los pedazoa de su carne”. Um índio chamado Guirapó ia espetando osolhos do padre com a ponta de uma flecha. O terrível suplício terminou com um golpefulminante de “itaizá” na cabeça. O corpo do padre, moído a pauladas e pedradas, foiatado em um pau à maneira de uma cruz e incendiado.18 A destruição completa doscorpos, e o coração arrancado do peito e queimado, deixam a impressão de que não bastava matá-los. A cena se repetiu com outros missionários, e salta aos olhos que emnenhum dos “martírios” ocorridos no Paraguai os jesuítas foram devorados, comoocorria com os inimigos dos guarani depois de capturados. Alguns padres foramseriamente ameaçados de serem devorados, mas isso nunca aconteceu. Vários índiosque os acompanhavam, como aquele neófito que Montoya levou ao Guairá, foramcomidos pelos índios “infiéis”. Claramente os feiticeiros preferiam destruir totalmenteos corpos a comê-los.Carlos Fausto levantou a hipótese de que a danificação e incineração dos corposera uma forma de evitar uma “vingança xamânica” e negar aos padres a tão propaladaimortalidade. Baseado nas descrições de Montoya, Fausto sugere que a imortalidade eraum dos pontos em disputa. A beira da morte, os missionários afrontavam aos seusmatadores dizendo-lhes que podiam matar o corpo, mas não a alma. Quando os índiosvoltaram para ver o corpo do padre Roque, segundo confissão dos próprios“matadores”, o coração do padre teria dito: “aunque me matais no muero, que mi almava al cielo, y yo me apartaré de vosotros y volveré, mas no tardará el castigo”.19 Diantedisso, os “matadores” arrancaram o coração do peito, trespassaram com uma flecha e oqueimaram. Montoya acrescentou que depois de arrancar o coração e atravessá-los deflechas, os “obstinados hechiceros” ainda diziam: “veamos se su alma muere ahora”.20Por fim, as testemunhas indígenas que declararam ter ouvido o coração do padre Roquefalar depois de morto, não causam nenhuma surpresa.21 Era costume entre eles o cultoaos corpos/ossos, dos pajés que, segundo Montoya, falavam com os índios, na forma de“oráculos”. Foram os índios também que correram à Caaró para resgatar os ossos dospadres mortos e levá-los para a redução de Candelária.Seguiu-se à morte ritual uma verdadeira guerra de imagens.22 As vestes usadasna liturgia foram divididas entre os caciques, atearam fogo na igreja e nos casebres dos [Páginas 8 e 9]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]