penetração, prevalecia o domínio do desconhecido, sendo ponto de passagem de uma ou outrabandeira que se aventurasse em direção ao Paraíba.
Mogi, naquele final dos quinhentos, estava livre da presença de tribos hostis àpopulação da Vila de São Paulo de Piratininga. A região representava a fronteira de segurançacircunvizinha de São Paulo. Para além, na direção que começava a ser conhecida como Norte,a partir do cotovelo do Paraíba, e pelo interior do vale desse rio, ficava a região ocupada porremanescentes dos terríveis tupiniquins.
Pesquisas efetuadas por frei Thimoteo Van den Broeck31 localiza os índios agressivosde “Bongi” na região de “Tapyypema”, hoje bairro de Itapema em Guararema, na região dorio Paraíba. Demonstra que os indígenas fixados no lado de Mogi já viviam em paz com osPortugueses no final do século XVI. BR>A Ata da Câmara paulista de 05 de dezembro de 1593 registra o testemunho dos egressos da bandeirade Domingos Luis Grou e Antonio de Macedo, descrevendo o massacre que sofreram naregião de “Boigy”:
“(...) para que elles declarasem (...) o que pasava aserca do gentio de bongy que oshavia salteado e desbaratado na viagem que trazião desta entrada de Antonio deMacedo e de Domingos Luiz Grou, em cuja companhia elles todos vinhão para estacapitania (...) disserão que hé verdade que o gentio de mongi, pelo rio abaixo deAnhambi, junto de outro rio de Jaguari, esperarão a toda a gente que vinha, branca eíndios cristãos nossos amiguos, e topiñaes (...): no dito rio forão dando nelles, matandoe desbaratando a huns e a outros......”
Neste excerto, podemos perceber que o ataque se deu pelo rio abaixo do Anhambi, juntode outro rio de nome Jaguari. Segundo análise feita por Campos e Silveira e compartilhadapor Carvalho Franco32, o Tietê não possui nenhum afluente com o nome de Jaguari e, tambémnão existe um rio com este nome na região de Mogi. Por outro lado, verificam que o texto falade um rio abaixo do Anhambi. Se o ponto de referência é Mogi, os autores pressupõem que olocal estaria mais além, junto de outro rio que consta da documentação da época, um afluenteda margem esquerda do Paraíba que deságua na altura da atual São José dos Campos, e queera chamado de Jaguari. Concluem que a destruição da bandeira não se deu na região de Mogie, sim, no vale do Paraíba, que, segundo documentação quinhentista, era habitada pelostupiniquins, inimigo dos portugueses. Com isto, reafirmam a tese de que a região do AltoTietê com a de Mogi incluída, já no final dos quinhentos, estava livre do perigo indígena epronta para ser povoada e para servir de caminho de penetração dos paulistas.
Um dos primeiros documentos que cita a localidade de Mogi é “o traslado de umacarta de dadas de terras de sesmaria de Bras de Pinha e Gaspar de Pinha, seu filho, em otermo de Boigimirim”33, em dezembro de 1609. Este documento faz menção à existência deum arraial de Jerônimo Leitão:
“... a saber, meia légua da banda do campo, nas cabeceiras das dadas de Francisco... eoutra meia partindo da Piaçaba, donde... arraial de Jerônimo Leitão... correndo para a bandada serra do... em quadra no que receberá mercê”.
Sabe-se que os bandeirantes em suas entradas formavam pontos estratégicos deabastecimento, defesa e ataque, que os documentos mencionam como arraial. Diz Carvalho Franco 34 “que Jerônimo Leitão rematou, assim, definitivamente no território da Capitania a segurança das vias capitais da penetração paulista no século que espontava: o Tietê e o Paraíba”. Sabe-se que o Capitão Jerônimo Leitão foi substituído no cargo por Jorge Correa,em 30 de março de 1592, portanto, antes dessa data, pressupõe-se que já existisse o arraial deJerônimo Leitão.
Sobre a ocupação da região de Mogi, no final dos quinhentos e início dos seiscentos, osregistros da bandeira de André de Leão, de 1601, feitos pelo holandês Guilherme Jose tenGlimmer, participante desta bandeira, diz o seguinte:
“... e assim gastos nove meses nesta expedição, voltamos primeiro a Mogomimin,depois à cidade de São Paulo.”
Para Campos e Silveira 35 Mogomimin, era Mogi Mirim, portanto, vindo do vale doParaíba antes de chegar a São Paulo, era o único ponto de referência que existia. Deduz-seque em 1601 já existia um núcleo de povoamento em Mogi.
Um dos mais importantes documentos do início da história de Mogi, o foral de 1611,informa que os moradores apresentaram petição ao Governador Geral, dom Luiz de Souza,para “[....] que Sua Senhoria lhe deçe Licenssa para fazer Villa e Levantar Pelourinho, poiserão bastantes em numero para poder fazer, havendo mais de des annos que a tem povoada[....]”, pode-se concluir, portanto, que o início do povoamento tenha se dado em 1601, dezanos antes de 1611, data oficial da fundação de Mogi, confirmando a tese de povoamento noinício dos seiscentos.
Como já afirmamos, Gaspar Vaz foi o “capitão da feitura” da estrada que, de São Paulopara o Paraíba, passava por Mogi Mirim, o “novo caminho do mar”.
Foi o governador geral, dom Francisco de Souza, quem empreitou com Gaspar VazGuedes, a abertura de uma estrada que unisse a Villa de São Paulo ao Rio de Janeiro, com um35 In: Boigy, Cadernos da Divisão do Arquivo Histórico e Pedagógico Municipal, Prefeitura Municipal deMogi das Cruzes 1988, n. 1, Ano I.32 In: Boigy, Cadernos da Divisão do Arquivo Histórico e Pedagógico Municipal. Prefeitura Municipal deMogi das Cruzes. 1988, n.1, Ano I, p. 6.33 In: Boigy, Cadernos da Divisão do Arquivo Histórico e Pedagógico Municipal. 1988, n.1, nº. 1 p. 7.34 FRANCO, Francisco de Assis Carvalho. Bandeiras e Bandeirantes de São Paulo, São Paulo, 1940, p. 30. [p. 86]
Biritiba Mirim é nome de rio, temos, então, que o termo específico é aplicado a outrosacidentes, processo denominado por Dick (2001) de translação toponímica: “há translaçãotoponímica sempre que ocorrer o deslocamento do designativo de um acidente para outro.Esse esquema pode ser circular, seja do rio para o aglomerado nascente em suas margens, oudeste para aquele, o que é mais raro. Em toponímia, os nomes dos cursos d’água, dasmontanhas, das serras, são os mais primitivos, por isso, os mais comumente usados noprocesso de translação”.5.4. SUZANOA formação da cidade de Suzano está intimamente ligada à construção da estrada deferro que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, passando por Mogi das Cruzes. O próprio nome‘Suzano’, adotado em 1907, ainda não de forma oficial, foi uma homenagem ao engenheiro daferrovia que, a pedido da população local, havia construído uma nova estação toda emalvenaria. O nome deste engenheiro, Joaquim Augusto Suzano Brandão, foi primeiramenteadotado como nome da estação ferroviária e, depois, passou a ser o denominativo da vila.Também a história da cidade de Suzano está inserida à macro-região de Mogi dasCruzes como hipônimo historiográfico deste município.
A intersecção de fatos históricos entre os dois municípios, nos primórdios da ocupação da região, é facilmente explicitada ao descrevermos o primeiro documento referente ao território onde hoje está situada a cidade de Suzano, esta localização é marcada pelo rio ‘Cuayao’ (Guaió) e o ‘rio grande Anhemby’ (Tietê). É uma concessão de sesmaria a um certo “Rodrigues”, em 10 de dezembro de 1609:
“Campos do Itacurutiba no caminho que fez Gaspar Vaz que vae para Boigi Mirim asaber partindo da barra dum rio que se chama Cuayao por elle arriba até da em outrono que se chama..... dali dará volta a demarcação pelas faldas do outeiro da banda dosudoeste e correrá avante até dar no rio grande Anhemby e por o rio grande até dar digo até tornar aonde começou a partir assim mas meia ...com dois capões que estãode fronte da dita dada a saber um capão que se chama de Yytucurubitiba e outro .... assupeva.”43
Em documentos referentes à vila de Mogi das Cruzes, no século XVII, encontram-secitações de uma “Estrada Real do Guaió”, localizada, muito provavelmente, entre os riosGuaió e Taiassupeba Mirim, por onde passariam todos que voltassem do litoral ou de SãoPaulo de Piratininga para Mogi. Nessa região, foram encontrados os primeiros veios de ouro da Capitania. Sabemos que a cidade de Suzano está localizada entre os rios Guaió eTaiaçupeba Mirim. Já no final do século XVII, próximo à cabeceira do rio Taiassupeba Mirim, foi seformando um pequeno aglomerado de moradias em volta de uma paragem de tropeiros ebandeirantes, esse pequeno povoado era conhecido por Taiassupeba. Ali, em 1720, o padreAntonio de Souza e Oliveira ergue a primeira capela em louvor a Nossa Senhora da Piedade.Na segunda metade do século XVIII, o denominativo do lugarejo muda de Taiassupebapara Baruel, sobrenome do mais importante morador do local, Antonio Francisco Baruel.Cerca de um século depois, a família desse antropônimo terá desaparecido completamente daregião, mas o denominativo de lugar permanece até hoje como designativo de bairro domunicípio.A chegada da estrada ferroviária muda completamente o perfil da localidade, antes umsimples vilarejo, apenas local de passagem, passa, a partir da implantação da ferrovia, a terum crescimento bastante significativo.O trecho da ferrovia entre São Paulo e Mogi das Cruzes é inaugurado em 6 denovembro de 1837, com uma primeira parada em Guaianases. Uma segunda parada para o [Páginas 98 e 99]
avançaram em direção ao vale do Paraíba, não necessariamente pelo rio, mas apenas seguindoseu rumo. Este curso coincide com um trecho da antiga Estrada de Ferro Central do Brasilque, na época de seu apogeu, trouxe tanto progresso para a região. Mogi das Cruzes,localizada às margens do rio Tietê, fundada pouco depois de São Paulo de Piratininga, abriucaminho para o interior na busca das riquezas minerais. Os rios do Tietê muito contribuírampara este desbravamento.A documentação do século XVI e XVII, referente à nossa área de pesquisa, se apóia nosnomes de acidentes físicos, principalmente no nome de rios para demarcar territórios. Ascartas de concessão de sesmarias, as cartas de datas de chão, as atas de câmara, as doações, aspartilhas, as heranças, em toda esta documentação, o referente de lugar normalmente é um rioou uma serra. O contato com essa documentação nos permite refazer o percurso dos primeirospovoadores, graças a esses denominativos de lugar ‘imutáveis’:“(......) para que elles declarasem (....) o que pasava aserqua do gentio do bongy quehos havia salteado e desbaratado na viagem que trazião desta entrada de Antonio deMasedo e de Domingos Luiz Grou, em cuja companhia elles todos vinhão para estacapitania (...) diserão que hé verdade que o gentio de mongi, pelo rio abaixo doAnhambi, junto de outro rio de Jaguari, esperarão a toda a gente que vinha, branca eíndios cristãos nossos amigos, e topinães (...) no dito rio forão dando nelles, matando edesbaratando a huns e outros ....”46
Historiadores como Campos e Silveira, através deste excerto de ata de câmara de05.12.1593, afirmam, baseados na descrição dos rios, que a localização real do massacre da bandeira de Domingos Luiz Grou e Antonio de Macedo, em 1590, não foi a região de Mogi das Cruzes, contrariando alguns estudos, mas, afirmam que o rio Jaguaribe é afluente do Paraíba, portanto, o massacre desta bandeira só poderia ter acontecido na região do Paraíba, onde viviam os tupiniquins, inimigos dos portugueses.
“Campos do Itacurubitiba no caminho que fez Gaspar Vaz que vae para Boigi Mirim asaber partindo da barra dum rio que se chama Guayao por elle arriba até da-em outro noque se chama.....dali dará volta a demarcação pelas faldas do outeiro banda sudoeste ecorrerá avante até dar no rio grande Anhemby e por o rio grande até dar digo até tornaraonde começou a partir e assim mas meia ... com dois capões que estão de fronte da ditadada a saber um capão que se chama de Yytucurubitiba e outro...Assupeva...”
Apresentamos parte do texto de uma concessão de sesmaria a um certo “Rodrigues” em 10 de dezembro de 1609. Esse documento descreve área compreendida no atual território de Suzano, é o rio Guaió que nos orienta nesta localização. “... e começará a partir pelo caminho... para o dito rio da Paraíba...”
Esse pequeno texto é parte da documentação de uma doação de sesmaria de 6 de março de 1610. A interpretação historiográfica fica mais clara graças ao denominativo de rio. “... outra banda do rio Anhambi, por caminho de Par(aiba). Também parte de um documento de doação de sesmaria no ano de 1611”. “... uns chãos que estão na rua nova de Nossa Senhora da Conseisão do caminho que vai pera a outra banda do rio Ajembi”.
Carta de datas de 25 de abril de 1626. “... capõens que estão entre dois rios a saber Gerebatiba e Bohy.” Trecho encontrado nos autos do inventário do espólio de Martim Rodrigues, do início do século XVII. Poderíamos continuar esse inventário descrevendo, até com detalhes, a região no início da colonização. O caminho que podemos percorrer através dos nomes de rios, ao longo da [Páginas 107 e 108]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]