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autor:23/10/2023 01:23:51
“Reflexões sobre uma zona de fronteira no século XVII: A província do Guairá e Sertão dos Carijós”, Dora Shellard Corrêa

mencio ()

    3 de julho de 2020, sexta-feira
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  
  
  
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JUL.
03
HOJE NA;HISTóRIA
72

Essa imensidão localizada a norte, noroeste, oeste e sudeste doatual Estado do Paraná é um interessante espaço para se discutir omovimento das fronteiras da Europa na América à época domercantilismo. Relevante, não pelo que a documentação nos apresenta deforma direta, mas pelos detalhes, aqueles comentários do testemunho quesão, muitas vezes, uma parte menor do que ele nos contou. Ou aqueledado que, à luz da arqueologia ou antropologia, toma outro sentido,diferente daquele que o narrador quis imprimir (GUINZBURG, 1989).São pequenas minúcias e sinais que indicam ter sido a realidade dafronteira muito mais complexa do que temos descrito. Particularmente, setivermos em conta que há uma dinâmica indígena em andamento, sobre aqual só temos alguns pequenos e insignificantes vestígios e à qual oseuropeus terão que se acomodar ou, pelo menos, buscar apreendê-la(MONTEIRO, 1998; CUNHA, 2009). Havemos de lembrar também quenem tudo, aliás pouco, na América Portuguesa foi documentado epreservado. As atividades ilegais e o cotidiano da população pobre estãodocumentados somente em atos de repreensão formal, quando essaspessoas foram pegas por agentes policiais. Quanto às terras, as fontesoficiais se restringem aos locais onde os agentes do Estado estavampresentes ou onde a elite queria evidenciar a sua própria presença.

A Província do Guairá ou o Sertão dos Carijós, do ponto de vista europeu nos séculos XVI e XVII, era uma fronteira. Fronteira tanto no sentido geopolítico, entre a América espanhola e portuguesa, como no cultural, um espaço de expansão, contato e tensão da cultura de base europeia com culturas indígenas diversas e, portanto, paisagens, hábitos, línguas, formas de espacialização e territorialização variados (HOLANDA, 1994).

Embora os testemunhos, em sua grande maioria jesuítas e agentes da Governação do Rio da Prata e Paraguai,3 do Vice-Reino do Peru, tenham exposto as suas diversidades fitogeográficas – florestas, cerrados, campos, várzeas; étnicas – grupos Jê e Guarani; e políticas – diminutos locais ocupados, explorados e dominados por colonos e jesuítas assimcomo territórios indígenas, as denominações empregadas - Província do Guairá e Sertão dos Carijós – levam a se pressupor homogeneidades inexistentes.

Porém, uma leitura atenta dos documentos indica que as autoridades espanholas, os colonos e os jesuítas não tinham o domínio objetivo e abstrato daquelas terras e gentes e que se acomodavam a esse fato. Da mesma forma, essas terras não eram ocupadas, exploradas e transitadas unicamente por Guarani: os documentos identificam também grupos Jê, nomeados de Gualachos, Camperos e Chiquis.

O Guairá era, em sua maior parte, um espaço indígena sobre o qual europeus e euro-americanos avançavam, onde perambulavam, faziam acordos, cativavam, matavam e guerreavam. Contudo, não tinham um domínio político-militar e paisagístico efetivo daquele espaço. Quando penetraram naquelas terras e se estabeleceram nelas no século XVI,interferiram, direta ou indiretamente, nas dinâmicas existentes, mas também foram obrigados a se conformar a elas. Foram principalmente culturas Jê e Guarani que dominaram, se defrontaram, conviveram e transformaram aquele espaço, muitos séculos antes da chegada dos espanhóis e portugueses (NOELLI; CORRÊA, 2016).

Foram movimentos desconectados com o incerto perímetro da Província do Guairá ou das colônias espanholas e portuguesa.

A leitura das fontes informa que esse interior da América, como outras tantas zonas de fronteira do continente, foi sendo perambulado, conhecido, disputado, ocupado atomizadamente, mas também perdido. A instabilidade dos povoados fundados, depois abandonados, refundados, transladados não foi em nada incomum na Governação e Província do Rio da Prata e Paraguai no início dos dois primeiros séculos da colonização.

No que ficou conhecido como Província do Guairá, foram fundadas: Ontiveros, em 1554; Cidade Real do Guairá, em 1557; Vila Rica do Espírito Santo, em 1570 e Santiago de Xerez, em 1593. Das quatro, Ontiveros foi abandonada, e Vila Rica mudou de localização pelo menos uma vez em 1589, tendo sido seu sítio original abandonado. Talvez tenha depois dado lugar ao Tambo, local de extração de ferro (CORTESÃO, 1951, p. 287).

Santiago de Xerez, fundada com gente de Cidade Real do Guairá e de Vila Rica do Espírito Santo, na beira do baixo Ivinhema, foi realocada no mesmo ano para a margem do rio Aquidauana ou Miranda(NOVAIS, 2004).

Entretanto, em 1605, havia nessa vila somente 15 homens de armas (HOLANDA, 2014, p. 157). As reduções jesuíticas deSão Francisco Xavier e Encarnação deslocaram-se logo depois de seuestabelecimento e, em 1628, falava-se na transferência da redução de SãoJosé (CORTESÃO, op. cit., p. 217). Tais movimentos foram justificadospela insalubridade do sítio ou pela falta de aldeias próximas que pudessemsustentar o padre responsável. [Páginas 2, 3 e 4 do pdf]

dinâmicas políticas e territoriais dessas populações indígenas.Discorreremos particularmente sobre: a delimitação da Província doGuairá, sobre os caminhos e o trânsito dos jesuítas, espanhóis,portugueses e euro-americanos pelas veredas que cruzavam aquelas terrase a percepção de territórios étnicos e cacicados.

A delimitação Embora tenhamos fixado o nosso foco de atenção em parte da Província do Guairá, especificamente, no norte, noroeste, oeste e sudeste do atual Estado do Paraná, um perímetro limitado pelos rios Iguaçu, Paraná, Paranapanema e Tibagi, onde em 1628, havia duas vilas espanholas, a Ermida Nossa Senhora de Copacabana,4 um local de extração de ferro (Tambo) e treze reduções jesuíticas, e inúmeras aldeias Guarani e Jê, é interessante discutir, a princípio, a delimitação daquela província como um todo pelas autoridades espanholas e pelos jesuítas.

As inconstâncias dos testemunhos reproduzidos pela historiografia quanto ao desenho do Guairá, reflete a instabilidade dos contatos e acordos com os grupos indígenas locais; a vagarosa ampliação da quantidade de núcleos isolados ocupados (vilas e as reduções) ao longo do tempo; a própria fragilidade das condições de sobrevivência e permanência dos colonos, assim como um desleixo dos testemunhos. Segue abaixo um dos poucosmapas históricos que tem como objeto a Província do Guayra. [Página 6 do pdf]

Essa indeterminação dos limites do Guairá, característica de terras fronteiriças nos séculos XVI, XVII e XVIII,5 reflete-se, ainda hoje, na produção acadêmica sobre essa província. Alguns pesquisadores delimitam a Província do Guairá a partir das reduções jesuíticas estabelecidas (MELIÁ, 1988); outros inscrevem Santiago de Xerez como uma vila do Guairá (VILARDAGA, 2014); outros ainda a estendem até o rio Itararé (JAEGER, 1957); há quem avance pela porção paulista do Paranapanema (NOELLI; TRINDADE, 2003) ao Tietê (GAY, 1942) e, finalmente, há um grande número de estudos que a fixam como as terras cercadas pelos rios Paraná, Tibagi, Iguaçu e a porção paranaense do Paranapanema (SCHALLENBERGER, 2005; OSSANA, 2008; CHAGAS, 2010).

Essa última delimitação é a mais comumente adotada, porque dentro dela estão as reduções e as duas vilas espanholas e, portanto, expressiva parte da documentação escrita por agentes espanhóis e jesuítas, e utilizada pelos pesquisadores, trata de acontecimentos ocorridos nessa área.

Esse traçado, contudo, nos remete aproximadamente às fronteiras atuais do Estado do Paraná. Há uma ideia subjacente a essa imagem, a saber, que a Província do Guairá, assim como, o Estado do Paraná, foram definidos por questões naturais e não políticas ou administrativas.

Ou seja, antes mesmo da própria definição das fronteiras coloniais e mesmo nacionais, já existia a unidade territorial, com fronteiras naturais, que somente em 1853 será reconhecida e tomará o nome primeiro de Província (Império) e depois de Estado (República) do Paraná.

Mesmo a linha que separava as colônias espanholas da portuguesa, fixada pelo Tratado de Tordesilhas de 1494, foi firmada em papel, antes mesmo de se ter noção do continente como um todo. Na prática, no século XVII, não só os Estados europeus desconheciam o interior da América - portanto, onde exatamente a linha atravessava - como não parecia haver condições e preocupação em observá-la rigorosamente.

A atenção, no caso do Guairá, era com o caminho que ligava, por terra, São Paulo a Assunção, passando por Vila Rica do Espírito Santo e Cidade Real do Guairá e que possibilitava o contrabando de mercadorias até Potosi. Mas também com a possível e pouco documentada migração de portugueses para as vilas espanholas e de espanhóis para as vilas portuguesas. Por alguns processos de pessoas presas pelas autoridades espanholas de Vila Rica, nota-se que havia traficantes, mas também gente que migrou para o lado espanhol ou para o lado português (VILARDAGA, 2014; 2019).

A descrição feita pelas fontes do perímetro, ou melhor, daslocalidades que estavam inseridas na Província do Guairá, mostra ovagaroso avanço de uma ocupação espanhola e jesuítica em um punhadode núcleos isolados. A tendência da historiografia tem sido desconsideraresse isolamento dos núcleos e generalizar a ocupação dos europeus e dospadres para os seus limites de 1629, quando os jesuítas já haviam erigido13 reduções nas proximidades dos rios Paranapanema, Tibagi,Corumbataí, Ivaí e Piquiri.6 [Página 9 do pdf]

Entretanto, esse perímetro estava longe da realidade de 1556, quando foi fundada a Cidade Real do Guairá, na confluência do rio Paraná com o Piquiri. Somente meio século depois foram fundadas as duas primeiras reduções. Mesmo que a ampliação do número de reduções, além de Santo Ignácio e Nossa Senhora do Loreto, já fosse uma intenção dos jesuítas em 1610, devemos lembrar que a organização das outras 11 reduções, nos rios Tibagi, Ivaí, Corumbataí e Piquiri, avançando por florestas pluviais, de araucária e campos, só aconteceu depois de 1625.

E, mesmo assim, como abordaremos mais à frente, a localização dessas reduções foi possivelmente determinada pelos índios, consequência, talvez, mais das relações entre os grupos reduzidos com os não reduzidos do que desses com os jesuítas. Vários são os nomes, que encontramos nas fontes, pelos quais se denominam essas terras. Como aponta o pe. Guilhermo Furlong Cardiff:

“A toda esta zona, del extremo norte, y próxima al Paraná llamaban de Tebajiba, de Pirapó y de Guairá” (1962, p. 104). As cartas jesuíticas, bem como relatos espanhóis, remetem ainda a outros recortes no interior dessa Província do Guairá que se referem a um rio como Atibagiba, Yparanapanema (CORTESÃO, op. cit., p. 137), a um líder como terras dos Taiaová (ibid., p. 316), ou a um grupo étnico como terras dos Gualachos e Cabelludos (ibid., p. 255). Essas balizas étnicas são registradas em mapas dos séculos XVII e XVIII (BLAEU, 1662; VICENZO, 1692; CHATELAIN, 1732).

A frágil delimitação é parte importante da história da Província doGuairá. Não que seja uma peculiaridade da área: ela não é muito diferentedo que acontecia na América como um todo e não só em zonas defronteira. Expõe, entretanto, a oscilação do povoamento europeu, assimcomo revela um certo desleixo nos séculos XVI e XVII quanto àsreferências por escrito e cartográficas a espaços territoriais mais afastadosda sede do governo provincial e tenuamente ocupados e controlados.A documentação jesuítica induz a um perímetro do Guairá,enquanto as fontes produzidas por agentes do Estado espanhol levam àpressuposição de limites divergentes e, também, incertos. Os jesuítasrestringem os seus relatos, obviamente, à área abrangida pelas reduçõessupervisionadas, a partir de 1612, por Antônio Ruiz de Montoya, e tratama serra e porto de Mandacaju, com seus ervais trabalhados por índios dasreduções de Santo Ignácio e Nossa Senhora do Loreto, como uma áreaperiférica (CORTESÃO, op. cit., p. 173). Os documentos administrativosdos espanhóis expandem a província, em alguns momentos, para Santiagode Xerez. Em sua viagem a Assunção para assumir o seu posto deGovernador da Província do Paraguai em 1628, Céspedes Xeria, quedesembarcou em São Vicente e seguiu, a partir da vila de São Paulo, porrio e por terra, fez um relatório, descrevendo a Província do Guairá e,dentro desta, a vila de Santiago de Xerez e a serra de Mandacaju (ANAISDO MUSEU PAULISTA, 1922, p. 182).Essa preocupação com uma delimitação menos promíscua estáamparada por concepções descabidas àquela conjuntura. Preocupações [Páginas 10 e 11 do pdf]



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EMERSON


03/07/2020
ANO:285
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]