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Léxico Guaraní, Dialeto Mbyá: versão para fins acadêmicos. Com acréscimos do dialeto nhandéva e outros subfalares do sul do Brasil

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    1998
    Atualizado em 30/10/2025 07:22:46
  
  
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NOV.
01
HOJE NA;HISTóRIA
172

piolho ky2evoko pron. ou adv. demonstrativo. Esse, essa (algo próximo ao ouvinte, o lugar onde ele está, ou algoassociado com ele): evoko tenda itui esse banco está aí; evoko ma oua aí vem alguém. (Vejatambém pe.)evoko rami expressão adv. Como você está (fazendo).
evoko va´e pron. demonstrativo. Isto, esse/a.
-evovo s. (classe xer-). Barulho.evo´i s. Minhoca.evo´i guaxu s. Minhocão. (De guaxu1.)evo´i pe s. Lesma. (De pe1.)-evy atã s. (classe xer-). Barriga dura, cheia, farta: xerevy atã ma já estou satisfeito (lit., ‘minha barriga jáestá dura’). (Nota: Esta frase ilustrativa é uma maneira costumeira de agradecer o hospedeiroquando se terminar de comer. De atã.)-exa1 s. (classe xer-). Olho, vista. (Veja também -a´yæ, -exa2, -exa ete, -exa pymi, pepi, ty3.)-exa ka´u s. modificado, geralmente em função de predicado. Tonto, zonzo, com vertigem (“verestrelinhas”) (lit., ‘ter vista embriagada’).-exa kuape s. modificado, geralmente em função de predicado. Cego. (De kua1, pe1.)-exa mbogue v. t. direto. Apagar (vista), cegar: oexa mbogue ava cegou o homem. (De -mbogue.)-exa pa´ø s. O espaço entre os olhos. (De pa´ø.)-exa pepi s. Pálpebra. (De -pepi.)-exa pi´ø va´e s. Remela (secreção na vista).-exa py s. Sobrancelha.-exa pykã s. Osso frontal (atrás a sobrancelha).-exa pyxo s. modificado, geralmente em função de predicado. Com olhos vivos, alertos, bem abertos:xerexa pyxo os meus olhos estão alertos, bem abertos. (De -pyxo.)-exa pyxoa s. Óculos. (De -pyxo.)-exa raxy s. Dor no olho. (De axy.)-exay s. Lágrima. (De y2.)-jexa jopia v. i. Sombrear os olhos (com a mão). (De -jopia.)-jexa joy v. i. Limpar os olhos, passando a mão, pano, etc. (De -joy.)-jexa ty v. i. Ter cisco no olho. (De ty3.)-exa2 v. t. direto. 1. Ver. 2. Informar-se: jaexa nhanoå pa ra´e pira vamos ver se podemos pegar peixes. 3.Conhecer: avave rei oexa va´ety e´þ um desconhecido (lit., ‘um que não é comumente visto’).(Veja também -exa1, -eka kuaa, -exa ra´u, -exa uka, -jexa vai, ne´exa.)v. i. Ver.-exaa py adv. Na presença (vista) de: aipe´a kuaxia pavå oexaa py abri o livro na presença/vista detodos.-exa imondovy v. t. direto. Acompanhar alguém para despedir-se dele, ir ao embarque de. (De-mondovy.)-exa nga´u v. i. (arcaismo, favorecendo-se ndovy´ai). Ter saudades. (De nga´u. Veja também -vy´a.)-exa pota v. t. direto. Reparar bem, avaliar, examinar. (De pota.)-exa ete adj. (classe xer-). Arisco. (Variante: -exaite. De -exa1, ete2. Veja também ava ete.)-exaæ s. (classe xer-; pronuncia-se com ditongo decrescente: exãi). Saúde: hete rexaæ reve oiko vive com umcorpo são.-exaite Variante de -exa ete ‘arisco’.-exaka v. t. direto (classe xer-). Deslumbrar. (De -exa2, -ka.)-exakã s. (classe xer-). Claridade. (Veja também -exape.)-moexakã v. t. direto. Clarear.-exa kuaa v. t. direto. 1. Reconhecer. 2. Saber ler. (De -exa2, -kuaa.)-jexa kuaa uka v. i. 1. Tornar-se conhecido a alguém. 2. Por eufemismo, ter relações sexuais comalguém.-exape v. t. direto (classe xer-). Iluminar. [Página 37]

adv. Bem pouquinho: ruxã´i ojepe´a abriu-se bem pouquinho.ruxu Variante do adj. guaxu1 ‘grande’, que ocorre apenas na função de determinante de substantivo, e nãode predicado. (Nota: Esta variante ocorre após substantivos cuja forma antiga terminou com r.)ei ruxu s. Mumbuca (abelha).po ruxu s. modificado, geralmente em função de predicado. Largo.takua ruxu s. Taquaruçu.ry posp. átona. Adjacente a. (Nota: Esta posposição ocorre com poucos substantivos, apenas com alguns queantigamente terminava com a consoante r. Portanto, a atual posposição deriva-se da consoante rfinal do antigo substantivo, mais a posposição i ou y. No dialeto mbyá, ocorre com os seguintessubstantivos: ´a ‘cabelo, fruta’, guy ‘a parte de baixo’, ke ‘sono’, yvy ‘a parte do lado’. Aposposição se escreve sem espaço anterior, e o substantivo tem acento agudo para indicar palavraoxítona: áry ‘em cima de’, guýry ‘em baixo de’, kéry ‘em sono’, yvýry ‘ao lado de’.)-ryryi v. i. (pronuncia-se com ditongo decrescente: -ryrýi). Tremer: yro´y gui jaryryi trememos do frio.-mboryryi v. t. direto. Fazer tremer, sacudir.ryvaja s. Tiriva, periquito. (De yvyra ja.) Tipos:ryvaja miræ´i Periquito-azul.ryvaja xiæ´i Periquito-albino.
ryvovõ Variante de yryvovõ ‘pinguela’.
-ryxy adv. Em fila: avaxi onhotþ ryxy porã plantou o milho numa boa fila. (De r1-, -yxy.)Tt1- pref. poss. Indica, com radicais da classe xer-, a forma sem posse: tata fogo. (Nota: Com alguns radicaisda classe xer-, a forma sem posse é irregular, como oo de -o1 ‘casa’ e xo´o de -o´o ‘carne’.)t2- pref. v. Indica optativo, ou imperativo indireto (um desejo por parte do falante, que o ouvinte não estásendo diretamente mandado a realizar): taexa deixe-me ver; tove terekuera voi Que você possasarar logo; Raul ke tou faça com que Raul venha. (Variantes: t- ocorre antes de flexão de pessoaque começa com vogal, e ta- nos demais contextos. Veja também tove.)ta1 resposta positiva. (empréstimo do português tá). Sim. (Veja também heå.)ta2 partícula átona. 1. Indica presteza: ajapo ta tembi´u vou (estou prestes a, estou para) fazer comida;karavo oi ta o prego está para sair, quase saindo. 2. (nhandéva). Indica futuro simples: ko´å rãaguata ta amanhã vou viajar. (Nota: Se usa esta partícula para oferecer algo: Reka´y´u ta? Vaitomar chimarrão?, lit., ‘você está prestes a tomar chimarrão?’. Veja também -pota, a possívelorigem deste item. Veja ainda va´erã.)ta ra´aga conjunto de determinantes v. Quase (mas sem realização), propósito não realizado: anhave tara´aga vy anhepyxãnga eu iria correr mais, mas bati o meu dedo do pé.ta ra´u conjunto de determinantes v. Indica tentativa: opu´ã ta ra´u ra´u estava tentando se levantar.(Veja também pota ra´u.)ta- Variante do prefixo t2-, indicador de optativo ou imperativo indireto: taexarai que esqueça; tovetaembyre ndaja´upai va´ekue que fiquem restinhos daquilo que não podemos comer; ta´ikuaiporã que vivam de acordo.taguato s. Gavião.tai adj. Amargo, ardente.tai va´e s. Bebida alcoólica (lit., ‘coisa ardente’).tajaxu s. Porco-do-mato.taki s. Som de latido de cachorro.taku s. Forma sem posse de -aku ‘calor’. Calor, febre.takua s. Taquara. Tipos, etc.: [Página 104 do pdf]

-ypa v. i. Estar seco, ressecado (referindo-se a lugares onde havia água, mas só resta umidade ou seca):typa ma já secou-se. (De y2, -pa.)-mboypa v. t. direto. Fazer secar (terra, pedra, etc.).ype s. Pato. (Veja também ypey.)ypey s. (palavra nhandéva). Pato. (Veja também ype.)ypekø Variante de pekø ‘pica-pau’.ypi adj. (classe xe-). Seco (referindo-se a árvores, etc.): takua ypikue taquara seca. (Veja também pyau.)ypy1 s. (classe xe-). Começo: yro´y ijypy´i no começo do inverno; xera´y ypykue´i meu primeiro filho.adv. Pela primeira vez: oroo ypy rire depois de irmos pela primeira vez. (Veja também jypy.)mba´e ypy s. Mito.-mboypy v. t. direto. Começar (algo): omboypy opaga aguã começou a pagar; varai amboypy vaicomecei a fazer o cestinho de maneira má (que acaba estragando o produto).ypy2 s. (classe xer-). Fundo: caixa rypy py no fundo (dentro) da caixa.yramoæ s. (palavra nhandéva). Mar. (Veja também para guaxu, ye´å.)yro´y s. 1. Frio: yro´y vaipa está muito frio. 2. Geada: yro´y ho´a vaipa caiu muita geada. 3. Inverno: yro´ypy no inverno.v. i. (classe xe-). Estar com frio: tapixi ijyro´y a lebre está com frio. (De y2, -ro´y. Veja também -ro´yxã.)yro´y ai, ro´y ai v. i. Tremor de frio: xero´y ai estou tremendo de frio. (De ai2.)yro´y apæ s. Neve. (De apæ.)-yru s. (classe xer-). 1. Receptáculo, recipiente: trigo ryru pacote de trigo. 2. Empola, bolha: xekuã ryruempola no meu dedo. 3. Carro, caminhão: xeryru meu carro.kyræ va´e ryru s. Útero com feto, ventre.mba´eyru s. Carro, caminhão, veículo, meio de transporte em geral. (De mba´e.)-mboyru v. t. direto. Pôr algo num receptáculo: avaxi omboyrupa colocou todo o milho (num saco,etc.).te´õgue ryru s. Caixão. (De -e´õgue.)yryru s. Balde. (De y2.)yrupå s. (classe xe-). Peneira. (Veja também apa.)yrupå pokã s. Peneira grossa.yrupå po´i s. Peneira fina.
yryvovõ s. Pinguela, ponte. (Variante: ryvovõ.)
-moyryvovõ v. i. Fazer pinguela, ponte.
yta s. (classe xe-). Suporte vertical: oo yta suporte (esteio) da casa; yrupå yta arco de peneira. (Vejatambém akã ngyta, no verbete akã1.)-mboyta v. t. direto. Fazer suporte para, apoiar.-´yta v. i. Nadar.yty s. Lixo. (Variante: ty.)-jexa yty v. i. Ter cisco no olho.yyty s. Cisco n´água.yupa s. Lago. (De y2, -upa.)yva s. O céu. (Veja também ary2.)yvate1 (-´yvate) adj. (classe xe-). Alto (fisicamente): yvyra yvate árvore alta.adv. Do alto, por cima: yvate oma´å olhou por cima. (De yva, te. Veja também yvyæ1.)-mbo´yvate v. t. direto. Fazer (algo ou alguém) ficar mais alto, no sentido físico.-nhembo´yvate v. i. Fazer-se mais alto, no sentido físico.yvatea s. Altura.yvate katy expressão adv. Para cima. [Página 119 do pdf]

bainha de roupa -EMBE ´y.baitaca ara paxai.baixar -mo´YVYÆ1.baixar a vista -exa pymi.baixar-se -nhemombe, -nhemoYVYÆ2.baixo karape´i, mbeguei.ser baixo ´yvþi.para baixo yvy KATY.bala (de espingarda) mboka rA´YÆ.balança A´Ãa, mba´emo PEJAa.balançar -nheaxivã, -mboVAVA, -vava.balde.balde d´água Yryru.banana pakova.banco -enda, tenda.banha nhandy.banho.dar banho -mboJAU.tomar banho -jau.barata tarave.barba -endyva.fazer a barba -nhENDYVA apo.barco ya, yya, kanoã.barranco yvy´ã.barranco de pedra ITA ova.barriga ye.barriga da coxa -´U1 ku´a.barriga dura evy atã.barro yapo, nhae´ø.fazer barro -mo´ø.
barulho -evovo.
barulho das chamas TATA yapu.
base yvypy, apyta.
com base larga py ugua.fazer base para algo -moPYRÕ.bastante guaxu1, katuæ.bastar.basta HA´EVE ma.batata-doce jety.bater -jeAPI, -mbota, -pete.bater em -ka, -mbopi, -unga.bater na própria cabeça -nheakãNGA.bater no dedo do pé -nhepyxãNGA.bater palmas -NHENDU uka.batizar -moAKÞ, -moNGARAI.batizado karai.beber -y´u.bebida alcoólica iRO va´e, TAI va´e.dar a beber -mboY´U. [Página 132 do pdf]

perdiz INAMBU pytã.perdoar -mboJEY, -mboGUE.perfurar -kutu.perguntar -porandu.perigoso ava ete.periquito ryvaja.permanecer -Æ atã, -PYTA porã.permitir -eja, -uka.perna -etyma.barriga da perna -ETYMA ro´o.cruzar as pernas -jePY kuma.pernilongo nhaxi´ø (em nhandéva, nhate´ø), tatu ky.pernoitar -ke1.peroba YVYRA ro.perplexidade ra´a, ra´aga.perseguir -akykue MONHA, -avyky.perseverar -Æ atã.persistir -´I atã.perto katy, py´y´i.deixar perto -mboPY´Y´I.perto de katy, KATY´i, rupi, yvýry.por perto PE´i rami.perturbar -moangeko.perturbado -angeko, nda´evei.pesado poyi.pesar -a´ã, -peja.pescador PIRA jopya.pescar -jopoi.pescoço aju´y, poxi´a.peso poyi.pesquisar -KUAA pota.pêssego pexiko.pessoa NHANDE va´e.pessoas AVAkue.peteca manga.pétala de flor poty NAMBI.pica-pau kuare tu´y, pekø, poi poi.picar -karaæ, -mbo´I, -nhembiara, -pi, -poko.pilão angu´a, MBA´EXOa.pingar -tyky.fazer pingar -moNDYKY.
pinguela yryvovõ.
fazer pinguela -moYRYVOVÕ.
pinhal KURIty, PINHOndy.pinhão kuri ´A.pinheiro kuri1, pinho.nó do pinho KURI rapo. [Página 176 do pdf]

(em nhandéva, kývy).piolho-de-cobra ambu´a.pior NDA´EVEIve, na´iPORÃive, -VAIve.pipoca avaxi PARAGUA.pirupiru piru piru´i.pisar -pyrõ.piscar.piscar os olhos -exa pymi.piso PYRÕa.pitar -pita.pitoco xogue.pium MBARIGUI miræ.pixaim pixã.planejar -nhemboPY´A.plano joja2.plantar -ma´etþ, -nhotþ, -tþ.época de plantar MA´ETÞa.ter plantado -ereko.plástico PAPE rexakã.Plêiades eixu.plural -kue, kuery.pneumonia KUTUa, KUTUa raxy.pó ku´i, YVY ku´i.pobre poriau, PORIAUkue.poço ygua.poder katu, po´aka.podre -u´ø, arå.poeira ataxæ, yvy rATAXÆ, yvy KU´I.pois ramo, vy.polegar kuã GUAXU.polir -mboVERA.polpa -o´o.pomba jeruxi.pomba-preta apykaxu.ponta akua, -axæ, xæ.ficar na ponta dos pés PY ata.
ponte yryvovõ.
fazer ponte -moYRYVOVÕ.
por py3, rami, rupi.por que MBA´E re.pôr -moæ, -no.pôr a mão -poko.pôr num receptáculo -mboYRU.porco kure2, poryko.porco-do-mato koxi, tajaxu.porco-espinho kuæ´i.porongo -y´a, hy´a. [Página 177 do pdf]



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EMERSON


01/11/1998
ANO:92
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]